AREsp 2573876 - ACORDAO
A petição de reconsideração foi considerada manifestamente incabível por não ter previsão legal ou regimental, configurando erro grosseiro que impede a aplicação da fungibilidade recursal; assim, deve-se não conhecer do agravo, em consonância com precedentes do STJ e com a aplicação da Súmula n. 182/STJ quando há...
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- Parties
- Agravante: BRUNO EVIS PEREIRA DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 October 2024
- Procedural Posture
- Pedido De Reconsideração Contra Acórdão Que Julgou Agravo Interno / Não Conhecimento Do Agravo (decisão Colegiada)
- Outcome
- Não conhecer do agravo (agravo não conhecido)
- Legal Topics
- Pedido De Reconsideração, Agravo Interno, Súmula N. 182/stj, Fungibilidade Recursal, Incabibilidade Recursal, Multa Por Recurso Protelatório (art. 1.021, §4º, Cpc)
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Parties
BRUNO EVIS PEREIRA DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Pedido De Reconsideração Contra Acórdão Que Julgou Agravo Interno / Não Conhecimento Do Agravo (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de pedido de reconsideração contra decisão colegiada
- 2 Aplicação da Súmula n. 182/STJ por ausência de impugnação específica da decisão de origem
- 3 Se petição sem previsão legal configura erro grosseiro e impede a fungibilidade recursal
Ratio Decidendi
A petição de reconsideração foi considerada manifestamente incabível por não ter previsão legal ou regimental, configurando erro grosseiro que impede a aplicação da fungibilidade recursal; assim, deve-se não conhecer do agravo, em consonância com precedentes do STJ e com a aplicação da Súmula n. 182/STJ quando há ausência de impugnação específica da decisão de origem.
Court Disposition
Não conhecer do agravo (agravo não conhecido)
Orders
- Agravo não conhecido.
- Advirta-se à parte requerente que a interposição de recursos sem previsão constitucional, legal ou regimental, com caráter meramente protelatório, poderá ensejar a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 15/10/2024 a 21/10/2024, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO N O AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. ERRO GROSSEIRO. RECURSO MANIFESTAMENTE INCABÍVEL. 1. O agravante ofereceu pedido de reconsideração contra acórdão da Terceira Turma do STJ que aplicou a Súmula n. 182/STJ. 2. A interposição de petição sem previsão legal contra acórdão que julga o agravo interno é manifestamente incabível e configura erro grosseiro, motivo por que não comporta a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. Agravo não conhecido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de pedido de reconsideração interposto por BRUNO EVIS PEREIRA DA SILVA contra acórdão da Terceira Turma do STJ que, ao julgar o agravo interno, aplicou a Súmula n. 182/STJ (fl. 966). O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. A decisão agravada não conheceu do agravo em recurso especial em razão do óbice da Súmula n. 182/STJ, pois consignou a ausência de impugnação dos fundamentos da origem que obstaram a subida do apelo nobre. 2. O argumento utilizado na decisão recorrida para não conhecer do agravo em recurso especial não foi objeto de impugnação nas razões recursais do agravo interno. 3. Razões do agravo interno que desatendem o princípio da dialeticidade e a previsão contida no art. 1.021, § 1º, do CPC. Agravo interno não conhecido. Nas razões do pedido de reconsideração, a parte requerente aduz que "a impugnação específica não deve ser interpretada de forma restritiva, mas sim de maneira a permitir que o recorrente demonstre a relevância da matéria discutida" (fl. 977). Defende que impugnou de forma direta e específica todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial (fl. 977). Sustenta que houve afronta ao art. 476 do Código Civil e a existência de dissídio jurisprudencial. Requer a reconsideração da decisão que inadmitiu o recurso especial e o afastamento do óbice da Súmula n. 182/STJ. É, no essencial, o relatório. EMENTA PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO N O AGRAVO INTERNO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. ERRO GROSSEIRO. RECURSO MANIFESTAMENTE INCABÍVEL. 1. O agravante ofereceu pedido de reconsideração contra acórdão da Terceira Turma do STJ que aplicou a Súmula n. 182/STJ. 2. A interposição de petição sem previsão legal contra acórdão que julga o agravo interno é manifestamente incabível e configura erro grosseiro, motivo por que não comporta a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. Agravo não conhecido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): No presente caso, verifica-se que a agravante ofereceu pedido de reconsideração contra acórdão da Terceira Turma do STJ que atestou a ausência de impugnação específica da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, incidindo, na hipótese, a Súmula n. 182/STJ. A petição oferecida, no presente caso, é manifestamente incabível, pois interposta sem previsão legal ou regimental, o que configura erro grosseiro e impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. A propósito, cito: RECONSIDERAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO INTERPOSTO CONTRA ACÓRDÃO. DESCABIMENTO. PEDIDO NÃO CONHECIDO. 1. Nos termos da consolidada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, revela-se manifestamente incabível a interposição de pedido de reconsideração contra decisão colegiada, ante a ausência de previsão legal e regimental. 2. Pedido de reconsideração não conhecido. (RCD nos EDcl no AgInt no AREsp n. 2.044.768/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 25/8/2022.) PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO COLEGIADA. NÃO CABIMENTO. PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO. PRESSUPOSTOS DA TUTELA DE URGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. PROBABILIDADE DO DIREITO ALEGADO. AUSÊNCIA. 1. Por ausência de previsão legal e regimental, não cabe o pedido de reconsideração apresentado contra a decisão colegiada. 2. A tutela de urgência, para fins de concessão de efeito suspensivo ao recurso especial, será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito (viabilidade da pretensão recursal) e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (arts. 300, caput, e 1.029, § 5º, II, do CPC). 3. Na hipótese, não foi demonstrada a teratologia ou a manifesta ilegalidade da decisão que não conheceu do agravo em recurso especial, não caracterizando probabilidade do direito alegado. 4 . Pedido de reconsideração não conhecido. (PET no AgInt no AREsp n. 2.173.828/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023.) Portanto, por ser incabível na hipótese, o não conhecimento da presente petição é medida que se impõe. Advirta-se à parte requerente que a interposição de recursos sem previsão constitucional, legal ou regimental, com caráter meramente protelatório, poderá ensejar a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC. Ante o exposto, não conheço do agravo. É como penso. É como voto.