AREsp 2942353 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se-lhe provimento porque a mera condição de ser assistido pela Defensoria Pública não autoriza, por si só, a presunção de hipossuficiência econômica para fins de extinguir a punibilidade sem análise judicial fundamentada; aplica-se a presunção relativa de veracidade da autodeclaração de insuficiência prevista no art. 99, §3º, do CPC, mas cabe ao Ministério Público ou ao juiz, com motivação concreta, afastá-la apresentando prova em sentido contrário, de modo que os autos foram devolvidos para que o juízo da execução analise fundamentadamente a situação financeira do apenado e oportunize autodeclaração se necessário.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Apelado: sentenciado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Provimento Do Agravo E Determinação De Prosseguimento Da Execução Penal
- Outcome
- Conheço do agravo e dou-lhe provimento para reformar o acórdão recorrido e determinar o prosseguimento da execução penal, com análise fundamentada da situação financeira do apenado, afastada a presunção de pobreza decorrente da mera atuação da Defensoria Pública.
- Legal Topics
- Pena De Multa, Extinção Da Punibilidade, Hipossuficiência Econômica, Presunção De Veracidade Da Declaração De Insuficiência, Atuação Da Defensoria Pública
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Agravante
sentenciado
Apelado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Provimento Do Agravo E Determinação De Prosseguimento Da Execução Penal
Legal Issues
- 1 Se a hipossuficiência do condenado pode ser presumida apenas pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública
- 2 Se o inadimplemento da pena de multa após cumprimento da pena privativa de liberdade impede a extinção da punibilidade
- 3 Quem tem o ônus de provar a capacidade econômica do condenado e quais meios podem ser utilizados pelo Ministério Público para demonstrá-la
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se-lhe provimento porque a mera condição de ser assistido pela Defensoria Pública não autoriza, por si só, a presunção de hipossuficiência econômica para fins de extinguir a punibilidade sem análise judicial fundamentada; aplica-se a presunção relativa de veracidade da autodeclaração de insuficiência prevista no art. 99, §3º, do CPC, mas cabe ao Ministério Público ou ao juiz, com motivação concreta, afastá-la apresentando prova em sentido contrário, de modo que os autos foram devolvidos para que o juízo da execução analise fundamentadamente a situação financeira do apenado e oportunize autodeclaração se necessário.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou-lhe provimento para reformar o acórdão recorrido e determinar o prosseguimento da execução penal, com análise fundamentada da situação financeira do apenado, afastada a presunção de pobreza decorrente da mera atuação da Defensoria Pública.
Orders
- Reformar o acórdão recorrido.
- Determinar o prosseguimento da execução penal para análise fundamentada da situação financeira do apenado e oportunização de autodeclaração de pobreza, se necessário.
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