REsp 2131232 - DECISAO
Não conheço do Recurso Especial porque o acórdão recorrido considerou lícita a penhora de ativos financeiros em conformidade com o art. 11 da LEF e por ausência de violação ao art. 9º do CPC, tendo o executado sido regularmente citado e dispondo de tempo para indicar bens à garantia; ademais, as razões recursais...
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- Parties
- Recorrente / Apelante: MEXTRA ENGENHARIA EXTRATIVA DE METAIS EIRELI; Exequente / Recorrido: Município de Taubaté
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
- Outcome
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Penhora De Ativos Financeiros, Nomeação De Bens À Garantia Do Juízo, Prequestionamento, Honorários Recursais, Ordem De Preferência Na Penhora (art. 11 Da Lef), Recuperação Judicial E TEMA 987
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Parties
MEXTRA ENGENHARIA EXTRATIVA DE METAIS EIRELI
Recorrente / Apelante
Município de Taubaté
Exequente / Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 legalidade da penhora de ativos financeiros via SISBAJUD/RENAJUD/ARISP
- 2 direito do executado de nomear bens à garantia do juízo
- 3 incidência do art. 11 da LEF na ordem preferencial de penhora
Ratio Decidendi
Não conheço do Recurso Especial porque o acórdão recorrido considerou lícita a penhora de ativos financeiros em conformidade com o art. 11 da LEF e por ausência de violação ao art. 9º do CPC, tendo o executado sido regularmente citado e dispondo de tempo para indicar bens à garantia; ademais, as razões recursais apresentadas não impugnaram especificamente fundamentos suficientes do acórdão, atraindo, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284 do STF, e houve ausência de prequestionamento sobre dispositivos federais apontados.
Court Disposition
NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
Orders
- NÃO CONHEÇO do Recurso Especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por MEXTRA ENGENHARIA EXTRATIVA DE METAIS EIRELI, contra acórdão prolatado pela Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 143e): Agravo de instrumento - Execução fiscal - ISSQN dos Exercícios 2012/2017 - Município de Taubaté - Decisão que determinou a penhora de ativos financeiros do devedor - Insurgência do executado - Não cabimento - Ausência de violação ao art. 9º do CPC - Executado que, regularmente citado, teve tempo hábil para indicar ou oferecer bens para garantir a execução, mas não o fez - Ausência de violação aos artigos 9º, IV, da LEF, e 805 do CPC - Penhora de valores que segue a ordem preferencial estabelecida pelo art. 11 da LEF - Execução que se dá no interesse do credor conforme inteligência do artigo 797 do CPC, de aplicação subsidiária nos termos do artigo 1º da LEF - Recurso não provido. Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República aponta -se ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese, a necessidade de "impedir a penhora dos ativos financeiros via SISBAJUD ("teimosinha"), RENAJUD, ARISP e por quaisquer outros meios" (fl. 166e). Sem contrarrazões, o recurso foi admitido, tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 210e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. - Do direito de nomear bens à garantia do juízo Quanto à questão de fundo, o Tribunal de origem manifestou-se nos seguintes termos (fls. 147/149e): Cinge-se a controvérsia recursal à legalidade da decisão que determinou a penhora de ativos financeiros do executado. Ao contrário do que sustentou o executado, do exame dos autos da execução, temos que não houve qualquer violação ao disposto no artigo 9º do CPC - "Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida." Naqueles autos, em 03/06/2019, o executado foi citado regularmente para que, no prazo de 05 (cinco) dias, efetuasse o pagamento da dívida ou, em igual prazo, garantisse a execução, sob pena de penhora (fls.24/25) Na sequência, em 05/06/2019, o executado peticionou comunicando estar em recuperação judicial, requerendo a suspensão da execução fiscal com amparo na afetação decorrente do TEMA 987 do STJ (fls.26/29). Mas, desde a publicação no DJE de 28/06/2021, com base nas inovações da nova Lei de Falências nº14.112/2020, a 1ª Seção do C. STJ já havia decidido cancelar a afetação e suspensão em razão do TEMA 987 - "possibilidade da prática de atos constritivos em face de empresa em recuperação judicial em sede de execução fiscal de dívida tributária e não tributária". Tanto que a pretensão do executado foi indeferida pelo juízo de primeiro grau (fls.59) com expressa indicação do cancelamento do TEMA 987 do C. STJ, decisão que foi publicada no DJE, sendo o executado regularmente intimado 01/09/2021 (fls.66). Entretanto, de setembro de 2021 até julho de 2022, quando da apresentação da exceção de pré-executividade, ou seja, por mais de 09(nove) meses, apesar de validamente citado, o executado não se preocupou em peticionar nos autos para indicar ou oferecer bens para garantir a execução. Portanto, houve oportunidade e tempo suficiente para que o executado se manifestasse e exercesse o seu direito de nomear bens à garantia do juízo, pelo que, também, ausente qualquer violação ao que dispõe do artigo 9º, IV, da LEF, bem como o artigo 805 do CPC. Além disso, em que pese os argumentos apresentados pelo agravante, em execução fiscal a penhora de bens segue a ordem preferencial estabelecida pelo artigo 11 da LEF, que milita em favor do exequente: .. Portanto, a penhora de ativos financeiros atende ao art. 11 da LEF, encontrando-se elencada como primeira opção passível de constrição pelo credor, ressaltando-se também que o executado não ofereceu bens em garantia quando citado ou mesmo após isto, e que a persecução na execução se dá no interesse do credor conforme inteligência do artigo 797 do CPC, de aplicação subsidiária nos termos do artigo 1º da LEF. Entretanto, a parte recorrente deixou de impugnar fundamento suficiente do acórdão recorrido, alegando, tão somente, necessidade de "impedir a penhora dos ativos financeiros via SISBAJUD ("teimosinha"), RENAJUD, ARISP e por quaisquer outros meios" (fl. 166e). Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo Tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles"; e "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO MOVIDA CONTRA ESTADO. CHAMAMENTO DA UNIÃO AO PROCESSO. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. RAZÕES DOS EMBARGOS DISSOCIADAS DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF. SUSPENSÃO EM RAZÃO DE RESP ADMITIDO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. DESCABIMENTO. TEMA ESPECÍFICO. (..) 3. A alegação de omissão do acórdão embargado por ter a ora embargante impugnando os fundamentos da decisão do Tribunal a quo atrai a incidência, por analogia, das Súmulas 283 e 284 do STF, uma vez que não houve menção na decisão monocrática nem no acórdão em agravo regimental sobre tal ponto, de modo que restam dissociadas as razões dos embargos de declaração com relação ao constante nos autos. 4. Quanto à suspensão do recurso especial, tendo em vista a admissão do REsp n. 1.144.382/AL como representativo de controvérsia, tem-se que este recurso trata da solidariedade passiva da União, dos Estados e dos Municípios tão somente, e não, como no caso em exame, sobre eventual chamamento ao processo de um dos entes. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg no Ag 1.309.607/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/08/2012, DJe 22/08/2012). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CONCURSO DE PREFERÊNCIA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 NÃO CONFIGURADA. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 283 E 284/STF. 1. Constata-se que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. 2. Na leitura do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal local não olvidou o fato de possivelmente existir concurso de preferência. Apenas foi consignado que a competência para análise de tal instituto seria do Juízo da Execução. Logo, não merece respaldo a tese da agravante de que foi "inobservada a existência de concursus fiscalis entre a Fazenda Nacional e Fazenda Estadual" (fl. 861, e-STJ). Nesse sentido, verifica-se que as razões recursais mostram-se dissociadas da motivação perfilhada no acórdão recorrido e que não houve impugnação de fundamento autônomo do aresto impugnado. Incidem, portanto, os óbices das súmulas 283 e 284/STF. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no AREsp 254.814/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2013, DJe 15/02/2013). - Do prequestionamento No caso, o tribunal de origem não analisou, ainda que implicitamente, a aplicação dos arts. 47 da Lei n. 11.101/05,185-A do CTN e 866 do CPC. Com efeito, o prequestionamento significa o prévio debate da questão no tribunal a quo, à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos dispositivos legais apontados como violados. É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". Nesse sentido: ADMINISTRATIVO, PROCESSUAL CIVIL E CONSUMIDOR. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ENSINO SUPERIOR. PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DAS TAXAS DE DIPLOMA. PRAZO PRESCRICIONAL. FATO DO SERVIÇO. ARTIGO 2º DA LEI N. 9.870/1999. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282 DO STF. 1. No caso, não há se falar em violação do art. 26, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor, porquanto inaplicável o prazo decadencial a que alude este artigo, uma vez que não se trata de responsabilidade do fornecedor por vícios aparentes ou de fácil constatação existentes em produto ou serviço, mas de danos causados por fato do serviço, consubstanciado pela cobrança indevida da taxa de diploma, razão pela qual incide o prazo quinquenal previsto no art. 27 do CDC. 2. O artigo 2º da Lei n. 9.870/1999 não foi apreciado pelo Tribunal de origem, carecendo o recurso especial do requisito do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do STF. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1327122/PE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 15/04/2014 - destaque meu). ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. ENQUADRAMENTO. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA. CÔMPUTO COMO TEMPO EFETIVO DE EXERCÍCIO. LEI 11.091/05. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83 DO STJ. FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADO. SÚMULA 182 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A orientação do STJ é de que, se a licença-prêmio não gozada foi computada como tempo efetivo de serviço, para fins de aposentadoria, conforme autorização legal, não pode ser desconsiderada para fins do enquadramento previsto na Lei 11.091/05. 2. É inviável o agravo que deixa de atacar os fundamentos da decisão agravada. Incide a Súmula 182 do STJ. 3. Fundamentada a decisão agravada no sentido de que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento do STJ, deveria a recorrente demonstrar que outra é a positivação do direito na jurisprudência do STJ. 4. A tese jurídica debatida no Recurso Especial deve ter sido objeto de discussão no acórdão atacado. Inexistindo esta circunstância, desmerece ser conhecida por ausência de prequestionamento. Súmula 282 do STF. 5. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.374.369/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2013, DJe 26/06/2013 - destaque meu). - Dos honorários recursais Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. - Do dispositivo Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, a, e 255, I, ambos do RISTJ, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA