AREsp 2883556 - ACORDAO
O agravo em recurso especial não preenche os requisitos de admissibilidade porque as razões recursais padecem de fundamentação suficiente (Súmula 284/STF), a decisão recorrida assentou-se em provas e circunstâncias fáticas que não podem ser reexaminadas em recurso especial (Súmula 7/STJ) e não foi demonstrada, de...
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- Parties
- Agravante: Marcelo Marconi
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Penhora De Percentual De Salário, Impenhorabilidade Salarial, Contraditório, Admissibilidade De Recurso, Divergência Jurisprudencial
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Parties
Marcelo Marconi
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 admissibilidade do agravo em recurso especial
- 2 alegada violação do contraditório por ausência de intimação prévia sobre pedido de penhora
- 3 possibilidade de penhora de percentual salarial para dívida não alimentar e aplicação do art. 833, IV e §2º, do CPC
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não preenche os requisitos de admissibilidade porque as razões recursais padecem de fundamentação suficiente (Súmula 284/STF), a decisão recorrida assentou-se em provas e circunstâncias fáticas que não podem ser reexaminadas em recurso especial (Súmula 7/STJ) e não foi demonstrada, de forma analítica, a divergência jurisprudencial exigida pelo art. 1.029, §1º, do CPC; assim, o recurso não é conhecido.
Court Disposition
Agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Agravo em recurso especial não conhecido
- Determino a majoração de honorários advocatícios em 2% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/11/2025 a 17/11/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENHORA DE PERCENTUAL DE SALÁRIO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial, este interposto em face de acórdão que deferiu a penhora de 10% dos salários dos executados, considerando a possibilidade de mitigação da regra de impenhorabilidade, desde que preservado o mínimo existencial. 2. A parte agravante alegou: (i) violação ao contraditório substancial, por ausência de intimação prévia sobre o pedido de penhora; (ii) afronta aos artigos 7º, 9º e 10 do CPC, por inexistência de exceção legal ao contraditório prévio; e (iii) impossibilidade de penhora de percentual salarial para pagamento de dívida não alimentar, em contrariedade ao art. 833, IV e §2º, do CPC, além de divergência jurisprudencial sobre o tema. 3. O recurso foi inadmitido pela Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com fundamento na ausência de demonstração de violação legal e na incidência da Súmula 7 do STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, considerando: (i) a alegada violação ao contraditório e à regra de impenhorabilidade de salários; e (ii) a existência de divergência jurisprudencial sobre a matéria. III. Razões de decidir 5. A ausência de fundamentação clara e objetiva nas razões recursais, limitando-se a menção genérica a dispositivos legais, atrai a incidência da Súmula 284 do STF, que impede o conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação. 6. A análise do acórdão recorrido indica que a decisão foi fundamentada em provas e circunstâncias fáticas específicas, sendo vedado o reexame de fatos e provas em recurso especial, conforme a Súmula 7 do STJ. 7. Quanto à divergência jurisprudencial, não foi realizado o cotejo analítico exigido pelo art. 1.029, §1º, do CPC, nem demonstrada a similitude fática entre os casos confrontados, inviabilizando o conhecimento do recurso pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição Federal. 8. A jurisprudência do STJ admite a mitigação da regra de impenhorabilidade de salários, desde que preservado o mínimo existencial, entendimento que não diverge do acórdão recorrido. IV. Dispositivo 9. Resultado do Julgamento: Agravo em recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de Agravo em Recurso Especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, este interposto em face de acórdão assim ementado (e-STJ fl. 62): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. Insurgência contra a decisão que deferiu a penhora de 10% dos salários dos executados. OFENSA AO CONTRADITÓRIO COM O DEFERIMENTO DA MEDIDA. Não verificada. Sopesamento entre os princípios do contraditório e da efetividade do processo. Contraditório apenas diferido. PENHORA DE PERCENTUAL DE SALÁRIO. Possibilidade, ao ponderar os interesses do credor e a proteção ao mínimo existencial do devedor. Determinação de constrição recorrente de 10% dos rendimentos líquidos mensais auferidos pelos devedores. Inexistência de prova de que tal constrição comprometerá a subsistência dos executados. Negado provimento. Em seu recurso especial, a parte ora agravante alegou em síntese que: (i) houve violação ao princípio do contraditório substancial, uma vez que não foram previamente intimados para se manifestar sobre o pedido de penhora; (ii) a medida afronta os artigos 7º, 9º e 10 do CPC, pois não se enquadra nas exceções legais ao contraditório prévio; e (iii) a penhora de percentual salarial para pagamento de dívida não alimentar contraria o art. 833, IV e §2º, do CPC, sendo que o acórdão recorrido desconsiderou que o caso concreto não permite mitigação da regra de impenhorabilidade, além de haver divergência jurisprudencial no STJ sobre o tema. Ao final, requereu (i) o conhecimento e provimento do recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal; (ii) a anulação da decisão que autorizou a penhora de 10% dos salários, com retorno dos autos à origem para que seja oportunizada manifestação prévia dos recorrentes; e (iii) subsidiariamente, a reforma da decisão para afastar a penhora sobre verbas salariais por se tratar de crédito de natureza não alimentar, inapto a afastar a regra de impenhorabilidade prevista no art. 833 do CPC. Contrarrazões às e-STJ fls. 89-93. O recurso foi inadmito pela Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (e-STJ fls. 94-96). Segundo a parte agravante, o recurso preenche os requisitos necessários ao conhecimento e provimento. Intimada nos termos do art. 1.042, § 3º, do Código de Processo Civil, a parte agravada apresentou contrarrazões às e-STJ fls. 121-127. Os autos foram encaminhados a esta Corte após juízo de retratação negativo (e-STJ fl. 128). É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PENHORA DE PERCENTUAL DE SALÁRIO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial, este interposto em face de acórdão que deferiu a penhora de 10% dos salários dos executados, considerando a possibilidade de mitigação da regra de impenhorabilidade, desde que preservado o mínimo existencial. 2. A parte agravante alegou: (i) violação ao contraditório substancial, por ausência de intimação prévia sobre o pedido de penhora; (ii) afronta aos artigos 7º, 9º e 10 do CPC, por inexistência de exceção legal ao contraditório prévio; e (iii) impossibilidade de penhora de percentual salarial para pagamento de dívida não alimentar, em contrariedade ao art. 833, IV e §2º, do CPC, além de divergência jurisprudencial sobre o tema. 3. O recurso foi inadmitido pela Presidência da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com fundamento na ausência de demonstração de violação legal e na incidência da Súmula 7 do STJ. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade, considerando: (i) a alegada violação ao contraditório e à regra de impenhorabilidade de salários; e (ii) a existência de divergência jurisprudencial sobre a matéria. III. Razões de decidir 5. A ausência de fundamentação clara e objetiva nas razões recursais, limitando-se a menção genérica a dispositivos legais, atrai a incidência da Súmula 284 do STF, que impede o conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação. 6. A análise do acórdão recorrido indica que a decisão foi fundamentada em provas e circunstâncias fáticas específicas, sendo vedado o reexame de fatos e provas em recurso especial, conforme a Súmula 7 do STJ. 7. Quanto à divergência jurisprudencial, não foi realizado o cotejo analítico exigido pelo art. 1.029, §1º, do CPC, nem demonstrada a similitude fática entre os casos confrontados, inviabilizando o conhecimento do recurso pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição Federal. 8. A jurisprudência do STJ admite a mitigação da regra de impenhorabilidade de salários, desde que preservado o mínimo existencial, entendimento que não diverge do acórdão recorrido. IV. Dispositivo 9. Resultado do Julgamento: Agravo em recurso especial não conhecido. VOTO O agravo é tempestivo, nos termos do art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil. A análise dos argumentos recursais não indica, contudo, a existência de fundamentos que sustentem a reforma da decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo para que passem a fazer parte da presente decisão: I. Trata-se de recurso especial interposto por Marcelo Marconi , com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra o V. Acórdão proferido na C. 25ª Câmara de Direito Privado. II. O recurso não reúne condições de admissibilidade pela alínea "a" da norma autorizadora. Diante da necessidade de ato regulamentador para conferir eficácia plena ao dispositivo constitucional (art. 105, § 2º), passo à análise do reclamo, a despeito da ausência de arguição de relevância das questões de direito federal infraconstitucional discutidas no caso, nos termos do Enunciado administrativo nº 8 do E. Superior Tribunal de Justiça: "A indicação, no recurso especial, dos fundamentos de relevância da questão de direito federal infraconstitucional somente será exigida em recursos interpostos contra acórdãos publicados após a data de entrada em vigor da lei regulamentadora prevista no artigo 105, parágrafo 2º, da Constituição Federal". Violação aos arts. 7º, 9º e 10 do CPC e 833 do CPC Não ficou demonstrada a alegada vulneração aos dispositivos arrolados, pois as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas pelo acórdão ao declinar as premissas nas quais assentada a decisão. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo que "a simples referência aos dispositivos legais desacompanhada da necessária argumentação que sustente a alegada ofensa à lei federal não é suficiente para o conhecimento do recurso especial" (Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial 601358/PE, relator o ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, in D Je de 02.9.2016). Além disso, ao decidir da forma impugnada, a Turma Julgadora o fez diante das provas e das circunstâncias fáticas próprias do processo sub judice, certo que as razões do recurso ativeram-se a uma perspectiva de reexame desses elementos. Mas isso é vedado pelo enunciado na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. III. Melhor sorte não colhe o reclamo sob o prisma da letra "c". O dissenso jurisprudencial deve ser comprovado por certidão, ou cópia, ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução do julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, devendo ser demonstrado de forma analítica, mediante o confronto das partes idênticas ou semelhantes do V. Acórdão recorrido e daqueles eventualmente trazidos à colação, na forma exigida pelo artigo 1.029, §1º, do Código de Processo Civil, com a transcrição dos trechos que configurem o dissídio, mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados (neste sentido, o Agravo em Recurso Especial 2007116/SP, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, in D Je de 02.08.2022; o Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial 1765086/SP, Relatora Ministra Assusete Magalhães, in D Je de 30.03.2022, e o Agravo em Recurso Especial 1999092/SP, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, in D Je de 09.02.2022). IV. Pelo exposto, INADMITO o recurso especial, com base no art. 1.030, V, do CPC. No presente processo, a parte agravante afirma, em suma, que estão presentes os requisitos para o conhecimento e provimento de seu recurso. Ocorre, contudo, que a questão já foi enfrentada pela decisão recorrida, que analisou detidamente todas as questões jurídicas postas. A análise das razões recursais indica que a parte recorrente limitou-se à menção dos preceitos legais que considera violados ou desconsiderados, sem deixar claro, de maneira argumentativa objetiva e convincente, a forma como ocorreu a efetiva contrariedade ou negativa de vigência, pelo Tribunal de origem. A hipótese atrai, portanto, a incidência do entendimento exposto pela súmula 284 do STF, na medida em que: "A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema." (AgInt no AREsp n. 2.444.719/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) Com efeito, "As razões do recurso especial devem exprimir, com transparência e objetividade, os motivos pelos quais a agravante visa reformar o decisum." (AgInt no AREsp n. 2.562.537/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.) No presente feito, percebe-se das razões recursais que a parte recorrente limitou-se a revolver as alegações de seu agravo de instrumento, sem, contudo, indicar de forma clara qual dispositivo de lei a interpretação do Tribunal de origem vilipendiou. Sobre a matéria de fundo da insurgência recursal, cito os seguintes precedentes desta Corte, que não destoam da compreensão manifestada pelo Tribunal local, atraindo, igualmente, a incidência da Súmula 83/STJ: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPENHORABILIDADE. VERBA SALARIAL. MITIGAÇÃO. POSSIBILIDADE. SUBSISTÊNCIA DO DEVEDOR. NÃO COMPROMETIMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INVIABILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. 1. A impenhorabilidade do salário pode ser mitigada em respeito ao princípio da máxima efetividade da execução, desde que respeitada a dignidade da pessoa humana. 2. O acórdão vergastado assentou que a penhora de 15% não prejudica a subsistência do devedor. Alterar as conclusões do acórdão impugnado exigiria incursão fático-probatória, em afronta à Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. (AREsp n. 2.968.680/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 29/9/2025, DJEN de 2/10/2025.) RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA. RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA. 1. A regra geral de impenhorabilidade de salário (art. 833, IV, do CPC/2015) pode ser excepcionada, assim como a restituição do Imposto de Renda dele oriunda, desde que haja manutenção de percentual capaz de guarnecer a dignidade do devedor e de sua família. Precedentes. 2. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n. 2.227.028/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 22/9/2025, DJEN de 26/9/2025.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE PERCENTUAL DE SALÁRIO. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Ação monitória, em fase de cumprimento de sentença. 2. A regra geral da impenhorabilidade de salários, prevista no Código de Processo Civil, pode ser excepcionada quando for preservado percentual capaz de dar amparo à dignidade do devedor e de sua família. Julgados do STJ. 3. Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão de que o desconto da remuneração é possível porque ausente a comprovação de comprometimento do mínimo necessário à sobrevivência digna do devedor e de sua família, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.845.600/SE, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 1/9/2025, DJEN de 4/9/2025.) Quanto ao apontamento da existência de dissenso jurisprudencial, sabe-se que "divergência jurisprudencial com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional requisita comprovação e demonstração, esta, em qualquer caso, com a transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não se oferecendo como bastante a simples transcrição de ementas, sem realizar o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações (arts. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ)" (REsp n. 1.888.242/PR, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/3/2022, DJe de 31/3/2022) Com efeito, a interposição do recurso especial por tal alínea exige do recorrente - além da comprovação da alegada divergência jurisprudencial, por meio da juntada dos precedentes favoráveis à tese defendida, com a devida certidão ou cópia dos paradigmas, autenticada ou de repositório oficial -, a comparação analítica dos acórdãos confrontados, nos termos dos artigos 1029, §§1º e 2º, do Código de Processo Civil, e 255, §1º, do Regimento Interno do STJ, o que não foi feito. Ademais, é certo que: "A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula n. 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional." (AgInt no AREsp n. 2.662.008/BA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025, DJEN de 28/2/2025.) A análise das alegações recursais, no ponto, indica mera transcrição das decisões sem a apresentação de quadro analítico ou instrumento que o valha apto a clarificar os pontos de dissonância existentes entre o paradigma e o acórdão recorrido. Assim, também não se mostra viável o conhecimento do recurso pela divergência. Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 2% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. É o voto.