AREsp 1757985 - DECISAO
O Tribunal manteve o entendimento de que, conforme art. 840 do CPC, os semoventes devem ser preferencialmente depositados em depositário judicial ou em poder do exequente, não havendo prova de dificuldade concreta de remoção que justificasse mantê-los com o executado; assim, a nomeação do exequente como depositário...
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- Parties
- Exequente Agravante: VOLPE CAMARGO ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S; Agravado: AGRAVADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Penhora De Semoventes, Nomeação De Depositário, Remoção De Animais, Princípio Da Menor Onerosidade, Omissão E Obscuridade Do Acórdão, Impossibilidade De Reexame De Provas Em Recurso Especial (súmula 7)
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Parties
VOLPE CAMARGO ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S
Exequente Agravante
AGRAVADOS
Agravado
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento a Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegada omissão e obscuridade no acórdão (arts. 489 e 1.022 do CPC)
- 2 apreciação da prova técnica sobre remoção dos semoventes
- 3 aplicabilidade do art. 840, II, § 2º, do CPC quanto ao depósito de semoventes
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve o entendimento de que, conforme art. 840 do CPC, os semoventes devem ser preferencialmente depositados em depositário judicial ou em poder do exequente, não havendo prova de dificuldade concreta de remoção que justificasse mantê-los com o executado; assim, a nomeação do exequente como depositário e a remoção dos animais são legais, e a tentativa de modificar tais premissas exigiria reexame de provas, o que é inadmissível no recurso especial por força da Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Descabida a majoração de honorários advocatícios, porque a decisão alvo do recurso especial tem natureza interlocutória.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado (fl. 275): AGRAVO DE INSTRUMENTO - CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - PENHORA DE SEMOVENTES - POSSIBILIDADE DE REMOÇÃO DOS ANIMAIS E NOMEAÇÃO DA PARTE EXEQUENTE COMO DEPOSITÁRIA - OBSERVÂNCIA DA PREVISÃO LEGAL - DECISÃO REFORMADA - RECURSO PROVIDO. Nos termos do artigo 840, II, do CPC, os semoventes são preferencialmente depositados perante depositário judicial, sendo que, nos termos do § 2º do mesmo dispositivo, somente poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente. A preferência de depósito dos semoventes penhorados perante depositário judicial ou perante o exequente, e não sua manutenção com o devedor, decorre de expressa previsão legal, de maneira que não há qualquer irregularidade na nomeação do credor como depositário dos bens, com a consequente remoção dos animais. Recurso conhecido e provido. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados. Nas razões do recurso especial, os agravantes apontam violação dos arts. 489, § 1º, inciso IV, 805, 840, inciso II, § 2º, e art. 1.022, incisos I e II,do Código de Processo Civil. Sustentam, em suma, que o acórdão recorrido é omisso e obscuro, pois não foram apreciadas diversas questões suscitadas pelos agravantes, inclusive a prova técnica apresentada, que demonstramnão ser o caso de remoção dos animais objeto de penhora. Isso porque, além de a remoção ser altamente prejudicial às reses, são muitos os óbices à exigibilidade do título executivo,devendo o juiz realizara execução pelo modo menos oneroso para os executados, a evidenciarque a nomeação da parte exequente como depositária dos semoventes é desarrazoada e desnecessária. Contrarrazões apresentadas. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Anoto, preliminarmente, que a controvérsia foi decidida de modo suficiente, pois o Tribunal de origem enfrentou coerentemente as questões postas a julgamento, no que foi pertinente e necessário, exibindo fundamentação clara e explícita sobre a causa, razão pela qual o julgado não merece reparo algum. Com efeito, não se exige do julgador a análise de todos os argumentos das partes, a fim de expressar o seu convencimento. O pronunciamento acerca dos fatos controvertidos, a que está o magistrado obrigado, encontra-se objetivamente fixado nas razões do acórdão recorrido, motivo pelo qual rejeito a alegação de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil. Nesse sentido, confira-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. .. 3. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no AgRg nos EREsp 1.483.155/BA, Rel. Ministro OG FERNANDES, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/06/2016, DJe 03/08/2016). Quanto ao mais, verifico que o Tribunal de origem, ao decidir a controvérsia, amparou seu entendimento nas circunstâncias fático-probatórias inerentes à causa, conforme se depreende da fundamentação do acórdão recorrido (fls. 278-279): O recurso merece provimento. A preferência de depósito dos semoventes penhorados perante depositário judicial ou perante o exequente, e não a sua manutenção com o devedor, decorre de expressa previsão legal. Deveras, nos termos do artigo 840, II, do CPC os semoventes são preferencialmente depositados perante depositário judicial, sendo que, nos termos do § 2º do mesmo dispositivo, somente poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente. Confira-se: Art. 840. Serão preferencialmente depositados: I - as quantias em dinheiro, os papéis de crédito e as pedras e os metais preciosos, no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal ou em banco do qual o Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social integralizado, ou, na falta desses estabelecimentos, em qualquer instituição de crédito designada pelo juiz; II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos e os direitos aquisitivos sobre imóveis urbanos, em poder do depositário judicial; III - os imóveis rurais, os direitos aquisitivos sobre imóveis rurais, as máquinas, os utensílios e os instrumentos necessários ou úteis à atividade agrícola, mediante caução idônea, em poder do executado. § 1ºNo caso do inciso II do caput, se não houver depositáriojudicial, os bens ficarão em poder do exequente. § 2ºOs bens poderão ser depositados em poder do executado nos casos de difícil remoção ou quando anuir o exequente. Assim, da interpretação do regramento atinente à espécie, extrai-se a conclusão de que a manutenção dos semoventes em poder do executado só poderá ocorrer em situações excepcionais, de difícil remoção, ou quando concordar o exequente, não se encaixando o caso em nenhuma dessas hipóteses. No caso, os agravados não apontaram os riscos ou dificuldade concreta de remoção dos semoventes, limitando-se a afirmar que a medida pleiteia ofende o princípio da menor onerosidade para o devedor e também que a dívida cobrada não é líquida, vez que pendente discussão a respeito de seu cabimento e valor nos Embargos à Execução apresentados por eles. Entretanto, se a remoção dos semoventes, como alegam os agravados, é ofensivo ao princípio da menor onerosidade para o devedor, que compareçam então aos autos e efetuem o pagamento, já que não negam ter patrimônio suficiente para isso. Ou, então, que pleiteiem a substituição da penhora por outro bem imóvel de valor efetivo, com aptidão para levar a execução ao seu final, com o pagamento integral do valor devido. E, finalmente, a parte agravante, como depositária dos bens, passa a responder por eventuais perdas e danos que vier causar aos animais penhorados e que ficarão sob sua guarda, sendo que, se tal ocorrer, existe inclusive a possibilidade de compensação desses supostos prejuízos com o próprio valor que está sendo objeto da execução. O que não se pode admitir, em todo caso, é que os devedores usem de expedientes e subterfúgios para deixarem de pagar o que devem, em seu todo, de tal forma que eventuais riscos que alegam que poderiam sofrer - incertos, diga-se de passagem - poderiam ser eliminados se simplesmente efetuasse integralmente o pagamento do valor devido. .. Ante o exposto, dou provimento ao recurso de VOLPE CAMARGO ADVOGADOS ASSOCIADOS S/S para o fim de determinar a remoção dos semoventes penhorados, depositando-os nas mãos da exequente-agravante, lavrando- se auto e termo circunstanciado. A desconstituição de tais premissas, portanto, a fim de modificar o acórdão recorrido, tal como pretendido pelos recorrentes, demandaria o reexame do acervo fático-probatório dos autos, procedimento inviável no recurso especial, ante o óbice da Súmula 7 do STJ. Exemplificativamente: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. NECESSIDADE DE REEXAME DE PROVAS E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. SÚMULAS N. 5 E 7/STJ. 1. Recurso especial cuja pretensão demanda reexame de cláusulas contratuais e matéria fática da lide, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 868.328/MG, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 08/03/2018.) Em face do exposto, nego provimento ao agravo. Descabida a majoração de honorários advocatícios, porque a decisão alvo do recurso especial tem natureza interlocutória, não comportando o estabelecimento de verbas sucumbenciais. Intimem-se.