REsp 1916839 - DECISAO
Diante da jurisprudência desta Corte consolidando que, após a Lei n. 11.382/2006, não é exigido o esgotamento de diligências extrajudiciais para uso dos sistemas eletrônicos de bloqueio (BacenJud) e que esse entendimento se aplica também ao Renajud e ao Infojud, deu-se provimento ao recurso especial para determinar...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial provido.
- Legal Topics
- Penhora Eletrônica, RENAJUD, INFOJUD, BACENJUD, Efetividade Da Execução, Esgotamento De Diligências
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Parties
MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação apontada ao art. 203 do CPC
- 2 Possibilidade de utilização do RENAJUD sem exaurimento de diligências extrajudiciais
Ratio Decidendi
Diante da jurisprudência desta Corte consolidando que, após a Lei n. 11.382/2006, não é exigido o esgotamento de diligências extrajudiciais para uso dos sistemas eletrônicos de bloqueio (BacenJud) e que esse entendimento se aplica também ao Renajud e ao Infojud, deu-se provimento ao recurso especial para determinar a utilização do sistema RENAJUD nos termos requeridos pelo exequente.
Court Disposition
Recurso especial provido.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para determinar a utilização do sistema RENAJUD nos termos requeridos pelo exequente.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA, assim ementado: DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NÃO CONHECEU DE AGRAVO DE INSTRUMENTO. DECISÃO DECORRENTE DE PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE INCORREÇÃO DESSA CONCLUSÃO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. DESPROVIMENTO DO RECURSO. Considerando que a decisão decorrente de pedido de reconsideração que mantém o provimento anterior irrecorrível, e considerando, ainda, que a parte insurgente não demonstrou a incorreção da adoção dessa conclusão na espécie, impõe-se a confirmação da decisão monocrática que não conheceu do instrumental, desprovendo-se, por conseguinte, o recurso. Foi atribuído à causa o valor de R$ 2.941,00, em 2013. No presente recurso especial, o recorrente aponta como violados os art. 203 do CPC, sustentando, em síntese, que é devida a determinação de bloqueio eletrônico dos bens do executado via RENAJUD. É o relatório. Decido. Primeiramente, cumpre salientar que o Superior Tribunal de Justiça, na apreciação dos recursos especiais representativos da controvérsia n. 1.112.943/MA e 1.184.765/PA, fixou o entendimento de que, após o advento da Lei n. 11.382/2006, não é necessário o exaurimento de todas as vias extrajudiciais de localização de bens do devedor para a utilização do sistema de penhora eletrônica denominado BACENJUD. Nessa esteira, sob a luz dos mencionados precedentes, é que esta Corte Superior firmou jurisprudência no sentido de que o entendimento adotado para o BACENJUD deve ser estendido para os sistemas RENAJUD e INFOJUD, como meio de prestigiar a efetividade da execução, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. SISTEMA INFOJUD. ESGOTAMENTO DE DILIGÊNCIAS. DESNECESSIDADE. 1. Com a entrada em vigor da Lei 11.382/2006, e como resultado das inovações nela tratadas, houve evolução no sentido de prestigiar a efetividade da Execução, de modo que a apreensão judicial de dinheiro, mediante o sistema eletrônico denominado BacenJud, passou a ser medida primordial, independentemente da demonstração relativa à inexistência de outros bens. 2. Atualmente, a questão se encontra pacificada, nos termos do precedente fixado pela Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp 1.112.943/MA, sujeito ao rito dos recursos repetitivos. 3. Ademais, o STJ posiciona-se no sentido de que o entendimento adotado para o Bacenjud deve ser aplicado ao Renajud e ao Infojud, haja vista que são meios colocados à disposição dos credores para simplificar e agilizar a busca de bens aptos a satisfazer os créditos executados. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.322.436, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 17.08.2015; REsp 1.522.644, Rel. Min. Humberto Martins, DJe 01/07/2015; AgRg no REsp 1.522.840; Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/06/2015; REsp 1.522.678, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18/05/2015. 4. Recurso Especial provido. (REsp 1.582.421/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/4/2016, DJe 27/5/2016). PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DO SISTEMA INFOJUD. ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE LOCALIZAÇÃO DE BENS DO DEVEDOR. DESNECESSIDADE. EFETIVIDADE DA EXECUÇÃO. I - O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência de que o entendimento adotado para o BACENJUD deve ser estendido para o sistema INFOJUD, como meio de prestigiar a efetividade da execução, não sendo necessário o exaurimento de todas as vias extrajudiciais de localização de bens do devedor para a utilização do sistema de penhora eletrônica. Precedentes: AgInt no REsp n. 1.636.161/PE, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 11/5/2017 e REsp n. 1.582.421/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27/5/2016. II - Agravo em recurso especial conhecido para dar provimento ao recurso especial. (AREsp 1376209/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2018, DJe 13/12/2018) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para determinar a utilização do sistema RENAJUD nos termos requeridospelo exequente. Publique-se. Intimem-se.