EAREsp 1929230 - DECISAO
Deu-se provimento aos embargos de divergência para firmar o entendimento de que eventuais impugnações à penhora no rosto dos autos devem ser analisadas e decididas pelo juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos, prevalecendo o acórdão paradigma (EREsp n. 1.713.844/RS).
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- Parties
- Embargante: ANA MARIA DA COSTA LIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Divergência / Julgado
- Outcome
- Dou provimento aos embargos de divergência e reformo o aresto embargado para dar provimento ao recurso especial interposto por ANA MARIA DA COSTA LIMA.
- Legal Topics
- Penhora No Rosto Dos Autos, Competência Para Declaração De Impenhorabilidade, Impugnações À Penhora, Embargos De Divergência, Súmula 83/stj
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Parties
ANA MARIA DA COSTA LIMA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Divergência / Julgado
Legal Issues
- 1 Qual o juízo competente para processar e julgar a alegada impenhorabilidade do crédito penhorado: o juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos ou o que expediu a ordem de constrição?
Ratio Decidendi
Deu-se provimento aos embargos de divergência para firmar o entendimento de que eventuais impugnações à penhora no rosto dos autos devem ser analisadas e decididas pelo juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos, prevalecendo o acórdão paradigma (EREsp n. 1.713.844/RS).
Court Disposition
Dou provimento aos embargos de divergência e reformo o aresto embargado para dar provimento ao recurso especial interposto por ANA MARIA DA COSTA LIMA.
Orders
- Dou provimento aos embargos de divergência.
- Reformo o aresto embargado para dar provimento ao recurso especial interposto por ANA MARIA DA COSTA LIMA.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de divergência interpostos por ANA MARIA DA COSTA LIMA contra acórdão proferido pela Segunda Turma desta Corte, relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO CIVIL. REAJUSTES DE REMUNERAÇÃO, PROVENTOS OU PENSÃO. ÍNDICE DE 28,86%. LEI N. 8.622/1993. LEI N. 8.827/1993. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA N. 83 DO STJ. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento com pedido de atribuição de efeito suspensivo ativo em desfavor de decisão interlocutória do Juízo originário que, diante do pedido formulado pela 3ª Vara Cível Especializada em Fazenda Pública da Comarca de Tramandaí/RS, determinou a anotação de penhora no rosto dos autos e o bloqueio da requisição de pagamento dos valores devidos para pagamento de dívida existente no Processo n. 073/1.12.0005524-3. No Tribunal a quo, negou-se provimento ao pedido. II - Em relação à competência do juízo que acatou a penhora no rosto dos autos, bem como sua análise e decisão sobre a natureza dos valores penhorados, o Tribunal de origem julgou a lide em consonância com a jurisprudência desta Corte, ou seja, o juízo que determinou a constrição no rosto dos autos é o competente para a declaração de eventual impenhorabilidade do bem em questão. III - Nesse sentido: AgInt no REsp 1.882.251/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 28/6/2021, DJe 1º/7/2021. IV - Dessa forma, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea a do permissivo constitucional. V - Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.929.230/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 16/5/2022, DJe de 18/5/2022.) A embargante aduz que o aresto recorrido divergiu de julgado da Primeira Turma - AgInt no REsp 1.589.228/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves. A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENHORA NO ROSTO DOS AUTOS. LIBERAÇÃO DOS VALORES BLOQUEADOS. EXAME. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A QUEM DIRECIONADO O PEDIDO DE CONSTRIÇÃO. PRECEDENTES. 1. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que cabe ao juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos decidir sobre a viabilidade da constrição a ser procedida no processo de sua jurisdição, uma vez que cada um dos juízos envolvidos possui competência para processar e julgar a execução que tramita sob sua jurisdição. Precedentes. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.589.228/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 29/3/2021, DJe de 6/4/2021.) Embargos admitidos para discussão. Sem impugnação (e-STJ fl. 1.159). Passo a decidir. Os presentes embargos de divergência têm por escopo dirimir dissenso interpretativo existente entre as Turmas de Direito Público acerca da competência para processar e julgar a alegada impenhorabilidade do crédito penhorado: se o juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos ou o que expediu a ordem de constrição. A Primeira Seção, em recente julgamento de embargos de divergência sobre a mesma controvérsia ora suscitada, dirimiu o identificado dissenso interno, vindo a acolher a tese de que eventuais impugnações à penhora levada a efeito no rosto dos autos deve ser analisada e decidida pelo juízo que recebeu o mandado de penhora. A ementa sintetizou o julgado com o seguinte teor: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PENHORA NO ROSTO DOS AUTOS. ARGUIDA IMPENHORABILIDADE. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A QUEM DIRECIONADO O PEDIDO DE CONSTRIÇÃO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA DESPROVIDOS. 1. A questão controvertida é saber qual o juízo competente para processar e julgar a alegada impenhorabilidade do crédito penhorado, se o juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos ou o que expediu a ordem de constrição. 2. Deve ser prestigiado o entendimento sufragado no acórdão embargado, no sentido de determinar que cada juízo se encarregue de decidir as questões surgidas nos respectivos autos, solução que melhor se adequa à situação processual, notadamente sob a perspectiva axiológica do processo civil. Precedentes. 3. Assim, eventuais impugnações à penhora levada a efeito no rosto dos autos deve ser analisada e decidida pelo juízo que recebeu o mandado de penhora. 4. Embargos de divergência desprovidos. (EREsp n. 1.713.844/RS, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira Seção, julgado em 25/9/2024, DJe de 1/10/2024.) Na hipótese, o aresto embargado diverge do entendimento acima indicado. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XVIII, "c", do RISTJ, DOU PROVIMENTO aos embargos de divergência, a fim de que prevaleça o entendimento firmado no acórdão paradigma. Em consequência, reformo o aresto embargado para dar provimento ao recurso especial interposto por ANA MARIA DA COSTA LIMA, determinando que eventuais impugnações à penhora sejam analisadas pelo juízo que recebeu o mandado de penhora no rosto dos autos. Publique-se. Intimem-se. EMENTA