AREsp 2698742 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou adequadamente a matéria de mérito sustentando a possibilidade de penhora sobre direito litigioso (conforme arts. 857 e 860 do CPC) e porque a pretensão implicaria reexame de provas vedado pela Súmula 7 do STJ; ainda, faltou prequestionamento das...
Source-derived case information.
- Parties
- Autora: Autora; Apelante Em Recursos De Apelação Nos Autos Originários: ESTADO; Apelante Em Recursos De Apelação Nos Autos Originários: AGER/MT; Órgão De Representação Do Estado (procuradoria Geral Do Estado): PGE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 October 2024
- Procedural Posture
- Ação De Procedimento Comum Com Pedido De Tutela Provisória / Recurso Especial Não Conhecido; Agravo Conhecido Parcialmente (matéria Não Repetitiva)
- Outcome
- conheço do agravo relativamente à matéria não repetitiva e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Penhora Sobre Direito Litigioso, Caução Para Débitos Não Tributários, Autarquia Estadual, Prequestionamento, Súmula 7
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Autora
Autora
ESTADO
Apelante Em Recursos De Apelação Nos Autos Originários
AGER/MT
Apelante Em Recursos De Apelação Nos Autos Originários
PGE
Órgão De Representação Do Estado (procuradoria Geral Do Estado)
Procedural Posture
Ação De Procedimento Comum Com Pedido De Tutela Provisória / Recurso Especial Não Conhecido; Agravo Conhecido Parcialmente (matéria Não Repetitiva)
Legal Issues
- 1 possibilidade de penhora sobre direito litigioso ainda não transitado em julgado
- 2 admissibilidade de direito litigioso como caução para dívidas não tributárias
- 3 prequestionamento para conhecimento de violação de dispositivo legal
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a Corte de origem analisou adequadamente a matéria de mérito sustentando a possibilidade de penhora sobre direito litigioso (conforme arts. 857 e 860 do CPC) e porque a pretensão implicaria reexame de provas vedado pela Súmula 7 do STJ; ainda, faltou prequestionamento das alegadas violações da Lei nº 6.830/80 e não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial nos termos exigidos pelo art. 1.029 do CPC/2015 e pelo RISTJ, razão pela qual o recurso especial não reúne condições de admissibilidade.
Court Disposition
conheço do agravo relativamente à matéria não repetitiva e não conheço do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo.
- Não conheço do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de procedimento comum com pedido de tutela provisória. Na sentença, julgou-se procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 10.000,00. O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: RECURSOS DE APELAÇÃO CÍVEL - OFERECIMENTO DE DIREITO LITIGIOSO COMO CAUÇÃO PARA DÉBITOS NÃO TRIBUTÁRIOS - POSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE RECUSA EXPRESSA POR AUTARQUIA ESTATAL - AUTONOMIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA - IRRELEVÂNCIA DA NEGATIVA MANIFESTADA PELA PROCURADORIA ENQUANTO ÓRGÀO DE REPRESENTAÇÃO DO ESTADO - DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme a exegese dos arts. 857 e 860 do CPC, é possível a penhora sobre direito litigioso, ainda não transitado em julgado. 2. Tratando-se de débito de natureza não tributária em favor de autarquia estadual, afasta-se a prevalência do rol do art. 11 da Lei n.º6.830/80, admitindo-se como caução em garantia, o oferecimento de direito debatido em outra ação em litígio judicial, ainda mais quando neste figuram as mesmas partes envolvidas. 3. A recusa da Fazenda Pública Estadual, por meio da PGE, sobre a caução ofertada nos autos não supera a ausência de recursa expressa da AGER/MT, por se tratar esta última de autarquia com autonomia administrativa e financeira, com competência exclusiva para arrecadação e alocação de suas receitas próprias. 4. Recursos de Apelação desprovidos. Sentença mantida. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Nesse contexto, é fundamental salientar que o direito litigioso em questão refere-se à demanda em trâmite perante o Poder Judiciário, pela qual a Autora busca a reparação por danos decorrentes de desequilíbrio econômico-financeiro contratual (0007940-17.2017.8.11.0041). Além disso, a sentença proferida nesse processo já reconheceu o crédito da Autora, conferindo-lhe, assim, a titularidade de um direito em fase de consolidação, sendo, inclusive, confirmada em parte no julgamento dos Recursos de Apelação interpostos pelo ESTADO e pela AGER naqueles autos - em 11/10/2023 -, sendo excluída da condenação apenas parte do crédito atingido pela prescrição. A jurisprudência corrobora a aceitabilidade da penhora sobre direito litigioso, mesmo antes do trânsito em julgado: Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação (artigos 2 e 11 da Lei Nº 6.830/80), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois, além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA