AREsp 2389776 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas manteve-se o entendimento do Tribunal de origem em razão do conteúdo fático-probatório dos autos (perícia, fotografias e publicações em redes sociais) que não comprovou redução da capacidade laborativa do autor; a reforma demandaria o reexame de provas, vedado em recurso especial pela...
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- Parties
- Agravante: JEOVAN MACEDO DE LIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Agravo Conhecido No Stj; Recurso Especial Teve Seguimento Negado; Decisum Definitivo No STJ (conhecimento Do Agravo E Manutenção Da Decisão Que Negou Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido e não provido; mantida a decisão que negou seguimento ao recurso especial; honorários advocatícios majorados em 10%
- Legal Topics
- Pensão Mensal, Art. 950 Do Código Civil, Danos Morais, Danos Estéticos, Seguro DPVAT, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
JEOVAN MACEDO DE LIMA
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Agravo Conhecido No Stj; Recurso Especial Teve Seguimento Negado; Decisum Definitivo No STJ (conhecimento Do Agravo E Manutenção Da Decisão Que Negou Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Cabimento de pensão mensal nos termos do art. 950 do Código Civil
- 2 Possibilidade de dedução do seguro DPVAT da indenização
- 3 Vedação ao reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas manteve-se o entendimento do Tribunal de origem em razão do conteúdo fático-probatório dos autos (perícia, fotografias e publicações em redes sociais) que não comprovou redução da capacidade laborativa do autor; a reforma demandaria o reexame de provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o recurso não prosperou; majoraram-se honorários advocatícios em 10% nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15.
Court Disposition
Agravo conhecido e não provido; mantida a decisão que negou seguimento ao recurso especial; honorários advocatícios majorados em 10%
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial
- Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15), interposto por JEOVAN MACEDO DE LIMA, contra decisão que negou seguimento ao recurso especial. O apelo nobre, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, no intuito de reformar o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, assim ementado (fl. 537, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ACIDENTE DE TRÂNSITO. DANOS MORAIS OCASIONADOS. QUANTUM. DEDUÇÃO DA INDENIZAÇÃO DO SEGURO DPVAT. IMPOSSIBILIDADE. DANOS ESTÉTICOS NÃO COMPROVADOS. PENSIONAMENTO MENSAL. ART. 950 DO CÓDIGO CIVIL. REQUISITOS AUSENTES. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. 1 -Comprovado que o acidente ocorreu por culpa exclusiva daré, que transpôs a avenida, sem adotar as cautelas necessárias, deve ser reconhecido o dever de indenizar, porquanto presentes o nexo de causalidade, o dano e a conduta culposa. 2-De acordo com a corrente majoritária contemporânea, a quantificação do dano moral se submete à equidade do magistrado, o qual arbitrará o valor da indenização com base em critérios razoavelmente objetivos, analisados caso a caso, devendo observar também os patamares adotados pelo Tribunal e pelo Superior Tribunal de Justiça.3 -A Súmula nº 246 do STJ, a qual autoriza a dedução do seguro obrigatório sobre a indenização arbitrada em juízo, somente se aplica nas indenizações por danos materiais, e não morais, pois tais verbas possuem naturezas absolutamente distintas.4 -Não comprovadas as debilidades decorrentes do acidente de trânsito, mantém-se a sentença por meio da qual foram julgados improcedentes os pedidos de pensionamento mensal e de indenização por danos estéticos. (Des. Marcos Lincoln)ABATIMENTO DO SEGURO DPVAT -POSSIBILIDADE. A jurisprudência emanada do STJ orienta ser possível o abatimento do valor relativo ao Seguro Obrigatório DPVAT da indenização fixada judicialmente, seja a título de danos morais ou materiais.(Desª. Mônica Libânio) Os embargos de declaração opostos foram rejeitados pelo acórdão de fls 580-585, e-STJ. Nas razões do recurso especial (fls. 589-598, e-STJ), o recorrente aponta violação do art. 950 do CC. Sustenta, em síntese, o direito ao pensionamento previsto no art. supramencionado em razão da da redução parcial e permanente da capacidade laborativa. Sem contrarrazões (certidão às fls. 631, e-STJ). Em juízo de admissibilidade (fl. 632-634, e-STJ), negou-se seguimento ao recurso, dando ensejo na interposição do agravo previsto no artigo 1.042, CPC/15 (fls. 638-648, e-STJ), no qual o insurgente pretende a reforma da decisão impugnada. Sem contraminuta ( certidão às fls. 674, e-STJ). É o relatório. Decido. O recurso não merece prosperar. 1. O Tribunal de origem, ao negar provimento ao recurso do insurgente, adotou os seguintes fundamentos (fl. 549-550, e-STJ): Pensão mensal. .. Na espécie, as provas produzidas revelam que, antes do acidente, o autor trabalhava como prestador de "serviços gerais em fazenda", sendo certo que, à época dos fatos (10/10/2014), estava desempregado. Ademais, a prova pericial constatou que as lesões físicas oriundas do acidente impediram o exercício de profissões diversas da mencionada, pois o perito constatou a impossibilidade de o autor exercer as profissões de servente, estivador e operador de martelo pneumático, as quais, em princípio, sequer foram cogitadas nos autos. .. Não bastasse isso, expert também foi conclusivo no sentido de que o autor está plenamente apto à manutenção de seus cuidados pessoais e pode se reinserir no mercado de trabalho: .. De mais a mais, apenas para argumentar, é essencial chamar a atenção para o fato de que, no caso específico dos autos, os réus conseguiram demonstraram, por meio das fotografias que instruíram a contestação, que o autor permanece com as mesmas condições físicas que ostentava, para o seu padrão de vida, antes do acidente. Em outras palavras, tem-se que as publicações realizadas pelo autor em suas redes sociais, após o evento danoso, demonstram, sem sombra de dúvidas, que ele está fisicamente apto para suas atividades normais, como montar a cavalo e realizar manobras perigosas em motocicleta, o que evidentemente não aconteceria se as alegadas limitações funcionais, de fato, existissem. Além do mais, como bem fundamentou a d. Magistrada, "após o ocorrido Jeovan passou a frequentar novamente fazendas, andar a cavalo, motocicleta e dirigir veículos normalmente, logo, nada impede sua relocação em outra atividade laborativa. Ademais, quando do infortúnio o mesmo possuía apenas dezenove anos, e, em virtude de sua juventude, não há óbices para sua adaptação no mercado de trabalho em outra função". grifou-se Como se vê, diante do conteúdo fático-probatório constante dos autos, o órgão julgador concluiu que "as publicações realizadas pelo autor em suas redes sociais, após o evento danoso, demonstram, sem sombra de dúvidas, que ele está fisicamente apto para suas atividades normais, como montar a cavalo e realizar manobras perigosas em motocicleta, o que evidentemente não aconteceria se as alegadas limitações funcionais, de fato, existissem" (fls. 550, e-STJ). Derruir as conclusões a que chegou o Tribunal de origem e acolher a pretensão recursal ensejaria o necessário revolvimento das provas constantes dos autos, providências vedadas em sede de recurso especial, ante o óbice estabelecido pela Súmula 7/STJ. Neste sentido, vejam-se os precedentes desta Corte: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE TRÂNSITO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. CULPA DO CONDUTOR DO VEÍCULO DEMONSTRADA. PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO. RESPONSABILIDADE RECONHECIDA. CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. DANOS MATERIAIS. SÚMULA 7/STJ. DANOS MORAIS. VALOR RAZOÁVEL. VÍTIMA EM ESTADO VEGETATIVO. PENSÃO VITALÍCIA DEVIDA. CONSTITUIÇÃO DE CAPITAL. NECESSIDADE. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 54/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Ainda que não examinados individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, se o acórdão recorrido decide integralmente a controvérsia, apresentando fundamentação adequada, não há que se falar em ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015. 2. Não configura cerceamento de defesa o julgamento da causa sem a produção da prova requerida pela parte, quando sopesada pelas instâncias ordinárias sua utilidade, demonstrando-se que o feito se encontrava suficientemente instruído. 3. "A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que o proprietário do veículo responde solidariamente pelos danos decorrentes de acidente de trânsito causado por culpa do condutor" (AgInt no REsp 1.301.184/SC, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe de 27/06/2016). 4. A reforma do julgado quanto à comprovação dos danos materiais e ao cabimento de pensão vitalícia, demandaria o reexame do contexto fático-probatório, providência inviável no recurso especial, a teor da Súmula 7 do STJ. 5. O valor arbitrado pelas instâncias ordinárias a título de indenização por danos morais somente pode ser revisto por esta Corte nas hipóteses em que a condenação se revelar irrisória ou exorbitante. No caso, o valor arbitrado em R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) não é exorbitante nem desproporcional aos danos sofridos pela vítima, que, em razão das gravíssimas consequências do acidente, encontra-se em estado vegetativo permanente, sem possibilidade de recuperação. 6. Segundo a jurisprudência desta Corte, na ação de indenização, é necessária a constituição de capital ou caução fidejussória para a garantia de pagamento da pensão, independentemente da situação financeira do demandado, a teor da Súmula 313 do STJ. 7. A jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que, em casos de responsabilidade civil extracontratual, os juros moratórios incidem desde o evento danoso, conforme dispõe a Súmula 54 do STJ. 8. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.321.098/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 18/8/2023.) grifou-se CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. ACIDENTE DE TRÂNSITO. CONTRATO DE TRANSPORTE. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. DANO MORAL E DANO ESTÉTICO. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. REAVALIAÇÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. PERDA DA CAPACIDADE LABORATIVA. PENSÃO. CABIMENTO. VALOR DAS INDENIZAÇÕES. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando a Corte local pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. "Segundo a jurisprudência do STJ, a responsabilidade do transportador em relação aos passageiros é contratual e objetiva, nos termos dos arts. 734, caput, 735 e 738, parágrafo único, do Código Civil de 2002, somente podendo ser elidida por fortuito externo, força maior, fato exclusivo da vítima ou por fato doloso e exclusivo de terceiro - quando este não guardar conexidade com a atividade de transporte" (AgInt no REsp n. 1.786.289/CE, relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/11/2020, DJe de 2/12/2020). 3. De acordo com o entendimento desta Corte, o fato de terceiro que exclui a responsabilidade do transportador é aquele imprevisto e inevitável, sem relação alguma com a atividade de transporte. Precedentes. 4. É lícita a cumulação das indenizações por dano estético e dano moral, ainda que derivados de um mesmo fato, desde que passíveis de identificação em separado. Precedentes. 5. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem incursão no contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7 do STJ. 6. No caso concreto, o Tribunal de origem conclui ter havido dano moral e estético indenizáveis, bem como perda da capacidade laborativa a ensejar o arbitramento de pensão à vítima do acidente. Alterar esse entendimento demandaria o reexame das provas produzidas nos autos, o que é vedado em recurso especial. 7. Somente em hipóteses excepcionais, quando manifestamente irrisória ou exorbitante a importância fixada a título de indenização por danos morais e estéticos, é possível o afastamento da Súmula n. 7/STJ, a ensejar a revisão da quantia arbitrada, o que não se observa. 8. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.863.811/DF, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 12/5/2023.) grifou-se 2. Do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/15, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se aplicável, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA