REsp 1950727 - DECISAO
O Tribunal conheceu parcialmente do recurso especial e negou-lhe provimento, por entender que o Tribunal a quo examinou as questões suscitadas, reconheceu a qualidade de segurado do instituidor e a condição de dependente do autor (filho menor), fixando o termo inicial do benefício na data do óbito por força da...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Recorrida: PARTE AUTORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Pensão Por Morte, Qualidade De Segurado, Dependência Econômica, Termo Inicial Do Benefício, Prescrição, Correção Monetária, Juros De Mora, Honorários Advocatícios, Custas, Multa Diária Contra Fazenda Pública
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
PARTE AUTORA
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 requisitos para concessão de pensão por morte (óbito, qualidade de segurado, condição de dependente)
- 2 legislação aplicável ao tempo do óbito (Súmula 340/STJ)
- 3 fixação do termo a quo do benefício (art. 74 Lei 8.213/91)
Ratio Decidendi
O Tribunal conheceu parcialmente do recurso especial e negou-lhe provimento, por entender que o Tribunal a quo examinou as questões suscitadas, reconheceu a qualidade de segurado do instituidor e a condição de dependente do autor (filho menor), fixando o termo inicial do benefício na data do óbito por força da presunção de dependência e da suspensão da prescrição em favor de menor impúbere; ademais, as alegações do INSS relativas a omissão e violação de dispositivos processuais não foram suficientemente individualizadas, incidindo a Súmula 284/STF, e as demais matérias foram decididas em consonância com súmulas e legislação aplicável.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento
Orders
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL com fundamento no art. 105, a, da Constituição Federal, contra acórdão assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. TRABALHADOR RURAL. QUALIDADE DE SEGURADO DO INSTITUIDOR COMPROVADA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. TERMO A QUO. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS. MULTA DIÁRIA À FAZENDA PÚBLICA. INAPLICABILIDADE. 1. Para obtenção do benefício de pensão por morte é necessária a comprovação do óbito; a qualidade de segurado do instituidor e a condição de dependente do beneficiário. 2. Segundo orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte, deve-se aplicar, para a concessão do benefício de pensão por morte, a legislação vigente ao tempo do óbito do instituidor (Súmula 340/STJ). 3. Comprovada a qualidade de segurado instituidor da pensão, bem como a condição de dependente do autor em relação ao falecido, deve ser reconhecido o direito à pensão por morte, na qualidade de dependente previdenciário. 4. A dependência econômica do filho menor em relação ao segurado falecido é presumida (Lei 8.213/91, art. 16, § 4 0 ). 5. O benefício de pensão por morte é devido a partir da data do óbito quando requerido até trinta dias após o evento morte, (art. 74, I e II da Lei 8.213/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997). Após esse prazo o pagamento é devido a partir do requerimento administrativo, observada a prescrição quinquenal. Somente no caso de não haver pedido administrativo, o termo inicial para o pagamento é a data da citação da Autarquia. 6. No caso, sendo o dependente filho menor impúbere, não corre prescrição, nos termos art. 198, inciso 1 do CC 2002 e art. 103, parágrafo único, da Lei 8.213/91, razão pela qual não se aplica a regra estatuída no art. 74 da Lei n. 8.213/91, com a redação dada pela Lei n. 9.528/97, devendo ser fixado, o termo inicial do benefício, a data do óbito. (AgReg AGRESP N. 269.887- PE/STJ). É forçoso concluir, portanto, que não deverá ser observada a prescrição quinquenal em desfavor da parte autora, merecendo ser reformada a sentença a quo quanto a este ponto. Tampouco há que se falar em reformatio in pejus, por ser tratar de matéria de ordem pública que envolve interesse de menor ao tempo do óbito do segurado. 7. A correção monetária deve obedecer aos índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, sendo aplicada desde a data em que cada parcela se tornou devida (Súmula 19 do TRF da 1a Região) 8. Os juros de mora são devidos à razão de 1% ao mês, a partir da citação, reduzindo-se a taxa para 0,5% ao mês, a partir da edição da Lei nº. 11.960/09. 9. Honorários advocatícios mantidos em 10% (dez por cento) sobre o valor das parcelas em atraso. Súmula 111 do STJ e § 4º do art. 20 do CPC. 10. Nas causas ajuizadas perante a Justiça Estadual, o INSS está isento das custas somente quando lei estadual específica prevê a isenção. 11. Incabível a aplicação prévia de multa diária contra a Fazenda Pública, que só é aplicável na hipótese de comprovada recalcitrância do ente público no cumprimento do comando relativo à implantação ou restabelecimento do benefício previdenciário. 12. Apelação do INSS desprovida e remessa oficial, tida por interposta, parcialmente provida. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. O recorrente argumentou, em síntese, que o Tribunal a quo não se manifestou sobre a ausência de citação de litisconsorte, nem sobre os arts. 75, 76 e 77 da lei 8213/91, bem assim não teria se manifestado sobre a ocorrência de reformatio in pejus. Apontou ofensa ao art. 1022 do CPC/2015. Adiante explicita, em resumo, que a falta de citação do litisconsorte passivo necessário implica na extinção do feito, uma vez que a esposa não foi citada. Em seguida afirmou, em suma, que não há valores retroativos a pagar, devendo os efeitos somente serem produzidos a partir da sentença e, que ocorreu a reformatio in pejus, tendo em vista que o Tribunal a quo teria procedido à alteração da sentença em benefício da parte que não recorreu. Finalmente, indicou contrariedade ao art. 1º-F da Lei 9494/97, asseverando, em resumo, que não poderia o Tribunal a quo indicar como indexador de correção monetária o IPCA-E, devendo este Tribunal esclarecer sobre a não aplicação do referido regramento. É o relatório. Decido. Inicialmente, no tocante à alegada violação do art. 1022 do CPC/2015, verifica-se, in casu, que o Tribunal a quo abordou as questões apresentadas, consignando: É forçoso concluir, portanto, que não deverá ser observada a prescrição quinquenal em desfavor da parte autora, merecendo ser reformada a sentença a quo quanto a este ponto. Tampouco há que se falar em reformatio in pejus, por ser tratar de matéria de ordem pública que envolve interesse de menor ao tempo do óbito do segurado. Conforme observado, os temas referidos foram examinados. Nesse panorama, a oposição dos embargos declaratórios caracterizou, tão somente, a irresignação do embargante diante de decisão contrária a seus interesses, o que não viabiliza o referido recurso. Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da suposta violação ao referido dispositivo legal, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LICITAÇÃO. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA. INABILITAÇÃO NO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. REVISÃO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. 1. Não prospera a tese de violação dos arts. 489 e 1.022 CPC/2015, porquanto o acórdão proferido pela Corte local fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada. 2. O fato de o Tribunal a quo haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelas insurgentes, elegendo fundamentos diversos daqueles por elas propostos, não configura omissão ou outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 3. Rever o entendimento da origem no tocante à inabilitação das agravantes no procedimento licitatório implica o imprescindível reexame das cláusulas do edital e das provas constantes dos autos, o que é defeso em recurso especial, ante o que preceituam as Súmulas 5 e 7 do STJ. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1526177/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/05/2020, DJe 29/05/2020) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. ALEGAÇÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA DOS ARTS. 11, 489, § 1º, IV, E 1.022, II, DO CPC/2015. INEXISTENTE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 7º, XV, DA LEI N. 8.906/1994. CONTROVÉRSIA DOS AUTOS DIRIMIDA PELA CORTE REGIONAL NA ANÁLISE INTERPRETATIVA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 45/2010 DO INSS. I - Na origem, trata-se de mandado de segurança impetrado contra ato do Chefe da Agência da Previdência Social em São José do Rio Preto/SP objetivando tutela jurisdicional determinando que a autoridade impetrada se abstenha de " .. exigir do Impetrante o chamado "termo de compromisso", promovendo a carga dos autos de processos administrativos exigindo tão somente o comprovante de inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, e se o caso a procuração do cliente". O Tribunal a quo negou provimento ao recurso de apelação autoral, pelo que manteve a decisão monocrática denegatória da ordem. II - Em relação à alegação de negativa de vigência dos arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC/2015, sem razão o recorrente a esse respeito, tendo o Tribunal a quo decidido a matéria de forma fundamentada, analisando todas as questões que entendeu necessárias para a solução da lide, não obstante tenha decidido contrariamente à sua pretensão. III - A oposição dos embargos declaratórios caracterizou, tão somente, a irresignação do embargante diante de decisão contrária a seus interesses, o que não viabiliza o referido recurso. IV - O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. V - Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da suposta violação do art. 1.022 do CPC/2015, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. VI - A respeito da alegação de violação do art. 7º, XV, da Lei n. 8.906/1994, o Tribunal a quo, na fundamentação do decisum, entendeu que devolver os autos tirados de repartição pública tempestivamente é obrigação que nem precisaria ser discutida; é dever de todos os que retiram autos devolvê-los no prazo. Assim, na verdade, o INSS não está criando qualquer obrigação, está apenas declarando o que é de todos sabido. Essa declaração em nada prejudica o impetrante, pois já é dever dele - como de qualquer um que retire autos - devolver o processo administrativo. VII - Consoante se verifica dos excertos colacionados do acórdão recorrido, a controvérsia dos autos foi dirimida pela Corte Regional na análise interpretativa da Instrução Normativa n. 45/2010 do INSS, norma de caráter infralegal, cuja violação não pode ser aferida por meio de recurso especial, pois assim como portarias, convênios, regimentos internos, regulamentos e resoluções, instruções normativas não se enquadram no conceito de Lei Federal ou tratado. VIII - Em que pese o aresto vergastado tratar, também, de dispositivos infraconstitucionais, o acolhimento do apelo nobre exigira o cotejamento desses normativos legais com o referido ato administrativo, daí o óbice do conhecimento do recurso especial. Sobre a questão, os julgados em destaque: (REsp n. 1.618.889/CE, Relator Ministro Benedito Gonçalves, julgamento em 15/5/2018, Dje. 17/5/2018; AgInt no REsp n. 1.584.984/PE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 6/12/2016, DJe 10/2/2017). IX - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1535574/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2020, DJe 20/05/2020) Em relação à alegada falta de citação de litisconsorte passivo e sobre a retroatividade dos valores devidos, verifica-se que o recorrente não apontou qual o dispositivo legal que teria sido violado, ou seja, não particularizou a ofensa, o que impede a interpretação legal necessária, atraindo o comando da súmula 284/STF. Por outro lado, também incide a súmula 284/STF, no tocante à alegada contrariedade do art. 1º-F da Lei 9494/97, tendo em vista que o recorrente não explicitou como teria ocorrido a violação. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso especial e, nessa parte, nego-lhe provimento, com fundamento no art. 255, § 4º, I e II, do RISTJ. Publique-se. Intimem-se.