REsp 1960403 - DECISAO
Por se tratar de matéria abrangida pelo Tema 1.076/STJ (alcance do § 8º do art. 85 do CPC quanto a valores elevados da causa), determinou-se a devolução dos autos ao tribunal de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, de modo que o tribunal de origem negue seguimento ao recurso se o acórdão coincidir...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MARIA DA PENHA DO NASCIMENTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Observância Dos Arts. 1.039 E 1.040 Do Cpc, Para Negar Seguimento Ou Proceder Juízo De Retratação Conforme O Entendimento No Tema 1.076/stj
- Outcome
- Autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC e aplicação do entendimento do Tema 1.076/STJ.
- Legal Topics
- Pensão Por Morte, Dependência Econômica, Honorários Advocatícios, Juízo De Equidade, Recursos Repetitivos, Multa Diária
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARIA DA PENHA DO NASCIMENTO
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Observância Dos Arts. 1.039 E 1.040 Do Cpc, Para Negar Seguimento Ou Proceder Juízo De Retratação Conforme O Entendimento No Tema 1.076/stj
Legal Issues
- 1 aplicação da lei vigente na data do óbito para concessão de pensão (Súmula 340/STJ)
- 2 designação de beneficiário e comprovação de dependência econômica para percepção de pensão militar
- 3 fixação de honorários advocatícios por equidade nos termos do art. 85 do CPC
Ratio Decidendi
Por se tratar de matéria abrangida pelo Tema 1.076/STJ (alcance do § 8º do art. 85 do CPC quanto a valores elevados da causa), determinou-se a devolução dos autos ao tribunal de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, de modo que o tribunal de origem negue seguimento ao recurso se o acórdão coincidir com a tese vinculante ou proceda ao juízo de retratação se houver divergência.
Court Disposition
Autos devolvidos ao Tribunal de origem para observância dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC e aplicação do entendimento do Tema 1.076/STJ.
Orders
- Devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
- Que o Tribunal de origem negue seguimento ao recurso se o acórdão coincidir com a tese vinculante do STJ ou proceda ao juízo de retratação se divergente.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto por MARIA DA PENHA DO NASCIMENTO contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO assim ementado: CIVIL. PROCESSO CIVIL. MILITAR. PENSÃO POR MORTE. SOBRINHA DESIGNADA. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA COMPROVADA. MULTA DIÁRIA. APELAÇÃO NEGADA. 1. Sobre a concessão do benefício em questão, a Súmula nº 340, do Superior Tribunal de Justiça dispõe que "Alei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é aquela vigente na data do óbito do segurado". Sendo assim, considerando a data de óbito do instituidor da pensão (25/06/2011), aplica-se ao caso concreto o previsto na Lei nº 3.765/60, com redação dada pela MP nº 2.215-10/01. 2. Assim, do dispositivo acima transcrito depreende-se que, para fazer jus à pensão militar, além da observância da ordem de prioridade, a sobrinha deverá comprovar a real dependência econômica do instituidor da pensão, bem como que tenha sido designada como beneficiária. 3. Impõe-se, assim, aferir se a autora foi designada como beneficiária, bem como se havia ou não existência real de dependência econômica à época da data do óbito. 4. No caso em análise, constata-se que o instituidor da pensão designou a autora como beneficiária da pensão militar para o Comando da Aeronáutica em 21/06/2004. 5. Em relação a dependência econômica, dos documentos juntados aos autos verifica-se que a autora residia com o militar e, da prova oral colhida em audiência, depreende-se que além de residir com o instituidor da pensão, era ele quem mantinha as despesas da casa e atualmente ela reside com "irmãos da igreja" e não está trabalhando. 6. Com efeito, observa-se que a imposição de multa diária é meio coercitivo aplicável à execução de sentença relativa à obrigação de fazer ou não fazer, que passou a ser regida pela norma do art. 461, do Código de Processo Civil, observando-se subsidiariamente o disposto no Capítulo III - Da execução das obrigações de fazer e de não fazer. 7. Assim, entendo que, em casos de demora no cumprimento de determinação do juízo, é perfeitamente cabível a imposição de multa diária. O objetivo da multa é o cumprimento da obrigação outrora determinada. A multa é apenas inibitória, fazendo com que o réu desista do descumprimento da obrigação específica. 8. À luz da doutrina, é unânime o entendimento de não haver, nessa multa, nenhum caráter punitivo, apenas puramente de constrangimento à colaboração com a execução das decisões liminares ou definitivas de conteúdo mandamental. Tanto é assim que, caso cumprida a ordem, deixa de ser devida. 9. E, com fundamento nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, com o fulcro de evitar enriquecimento sem causa das partes, verifico que os valores fixados na sentença em R$ 100,00 (cem reais) limitados a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) não configuram excesso, pelo que devem ser mantidos. 10. Apelação negada. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 514-519). A recorrente aponta violação do art. 85, § 1º, do CPC. Sustentaque, nos termos da norma, a condenação em honorários advocatícios deve ser fixada entre 10% (dez por cento) e 20% (vinte por cento) sobre a base. Contrarrazões às e-STJ, fls. 552-556. É o relatório. O Tribunala quo, em apelação, manteve o reconhecimento do direito da autora à pensão por morte. Relativamente aos honorários advocatícios, objeto do apelo nobre, estabeleceu que, por apreciação equitativa, a condenação deve ser de 1% (um por cento) sobre o valor da causa. Confira-se (e-STJ, fl. 484): No que concerne aos honorários advocatícios, o seu arbitramento pelo magistrado fundamenta-se no princípio da razoabilidade, devendo, como tal, pautar-se em uma apreciação equitativa dos critérios contidos no § 2º do artigo 85 do Código de Processo Civil, evitando-se que sejam estipulados em valor irrisório ou excessivo. Os honorários devem ser fixados em quantia que valorize a atividade profissional advocatícia, homenageando-se o grau de zelo, o lugar de prestação do serviço, a natureza e a importância da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço, tudo visto de modo equitativo. Assim, nos termos do artigo 85, § 1º, do CPC, condeno a parte apelante ao pagamento de honorários advocatícios recursais no valor de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, cumulativamente com os valores fixados na sentença. No julgamento dos embargos de declaração, acrescentou (e-STJ, fls. 517-518): Não verifico qualquer erro material no acórdão proferido tendo em vista que o valor atualizado da causa é elevado. Assim, é possível a fixação por equidade, nos termos da jurisprudência deste Tribunal Regional Federal: .. . Aquestão jurídica, portanto, refere-se à aplicação dojuízo de equidade na fixaçãoda verba quando elevado o valor da causa. A matéria foi submetida ao regime dos recursos repetitivos peloSuperior Tribunal de Justiçanos seguintes termos: Tema 1.076/STJ: "Definição do alcance da norma inserta no § 8º do artigo 85 do Código de Processo Civil nas causas em que o valor da causa ou o proveito econômico da demanda forem elevados.". Nesse contexto, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre Cortes integrantes do mesmo sistema de Justiça, os recursos que tratam da mesma controvérsia devem retornar à origem, para aguardar ou aplicar a solução alcançada no feito afetado, viabilizando, assim, a observação uniforme da tese vinculante. Cumpre esclarecer que, somente depois de realizada essa providência, com o exaurimento da instância ordinária, os recursos excepcionais deverão ser encaminhados para os Tribunais Superiores, a fim de que possam ser analisadas as questões jurídicas neles suscitadas, desde que não prejudicados pelo novo pronunciamento da Corte local. Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para observação da disciplina processual dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC, de modo que se: i) negue seguimento ao recurso, se o acórdão recorrido coincidir com a tese vinculante do Tribunal Superior; ou ii) proceda ao juízo de retratação, na hipótese de ter o Colegiado local divergido da interpretação fixada no precedente qualificado. Publique-se. Intimem-se.