AREsp 1991646 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do aresto recorrido, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; manteve-se o entendimento do Tribunal de origem quanto à obrigatoriedade de o ente previdenciário instaurar procedimento e suspender...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: FUNDO ÚNICO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; Autora/recorrida: Mara; Ex Mulher/beneficiária: Simone Azevedo dos Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido Agravo Conhecido, Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro os honorários advocatícios em 15% sobre o valor que será fixado em liquidação de sentença
- Legal Topics
- Pensão Por Morte, Pagamento De Boa Fé (art.309 Cc), Juros Moratórios Termo Inicial, Súmula 284/stf Inadmissibilidade, Honorários Advocatícios (art.85 §11 Cpc), Remessa Necessária
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FUNDO ÚNICO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Agravante/recorrente
Mara
Autora/recorrida
Simone Azevedo dos Santos
Ex Mulher/beneficiária
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decidido Agravo Conhecido, Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art.309 do Código Civil ao pagamento de pensão a dependente habilitada
- 2 Termo inicial para fluência dos juros moratórios (data do evento vs. data da citação)
- 3 Inadmissibilidade do recurso especial por deficiência na fundamentação (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do aresto recorrido, atraindo o óbice da Súmula 284/STF; manteve-se o entendimento do Tribunal de origem quanto à obrigatoriedade de o ente previdenciário instaurar procedimento e suspender pagamento a outro dependente, e majoraram-se os honorários advocatícios em 15% nos termos do art.85, §11, do CPC, a serem fixados em liquidação de sentença.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro os honorários advocatícios em 15% sobre o valor que será fixado em liquidação de sentença
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por FUNDO ÚNICO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim resumido: Apelação Cível. Remessa Necessária. Ação Declaratória c/c Obrigação de Fazer c/c Indenizatória. Direito Previdenciário. Pensão por morte. Policial Militar. Pleito de pagamento do benefício formulado por companheira. Recebimento da pensão pela ex-mulher, de quem estava o servidor separado de fato há mais de dois anos. Concessão do pensionamento na via administrativa durante o curso do feito. Sentença de extinção do feito quanto ao pedido obrigacional, na forma do art.485, IV, do NCPC. Sentença de parcial procedência. Recurso voluntário questionando a impossibilidade de sua condenação ao pagamento das verbas atrasadas. Escorreito o julgado. Desde a formulação de requerimento pela companheira de habilitação, o RIOPREVIDÊNCIA deveria ter instaurado procedimento para verificar o alegado direito da companheira. Porém, não o fez, mesmo após recebimento de ofício da própria PMERJ comunicando a condição de dependente da companheira. Assim, são devidas as verbas em atraso desde o requerimento na via administrativa. Reforma em reexame necessário da forma de incidência dos consectários legais, que devem observar os recursos repetitivos, dos REsp 1495146/MG, 1492221/PR e 1495144/RS, julgados em 22/02/2018, destacando-se a natureza previdenciária da condenação. Retificação parcial do julgado, em remessa necessária, para determinar que os honorários sucumbenciais sejam arbitrados na fase de liquidação de sentença, considerando-se a majoração devida em sede recursal, na forma do art.85, §§4º e 11, do NCPC. Jurisprudência e precedentes citados: 0153163-22.2005.8.19.0001 - APELAÇÃO Des(a). HELENO RIBEIRO PEREIRA NUNES - Julgamento: 21/11/2017 - QUINTA CÂMARA CÍVEL; 0315111-55.2014.8.19.0001 - APELAÇÃO Des(a). MARCELO LIMA BUHATEM - Julgamento: 07/08/2018 - VIGÉSIMA SEGUNDA CÂMARA CÍVEL. DESPROVIMENTO DO RECURSO. REFORMA EM PARTE DA R.SENTENÇA EM REEXAME NECESSÁRIO (fls. 746- 747). Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 309 do CC, defendendo a impossibilidade de pagamento de parcelas pretéritas, uma vez que a pensão foi paga a outro dependente do ex-servidor, e traz os seguintes argumentos: Como se sabe, o pagamento de boa-fé feito ao credor putativo é considerado válido nos termos do artigo 309 do Código Civil. Desta forma, ao impor a condenação do RIOPREVIDÊNCIA, ora Recorrente, ao pagamento das parcelas pretéritas à parte autora, o E. Tribunal "a quo", data maxima venia, violou flagrantemente a norma supracitada, que assim dispõe: .. Isto porque a pensão previdenciária vinha sendo paga à dependente Simone Azevedo dos Santos, viúva do ex-servidor, fato que impede o pagamento de atrasados à parte autora. .. Com efeito, os pagamentos realizados à viúva do ex-servidor, habilitada à percepção do benefício no percentual de 100% a contar de 13/11/2008, conforme fl. 43 do processo administrativo E-01/300267/2009 anexado aos autos, devem ser considerados válidos e eficazes, não podendo a recorrente ser condenada a efetuá-los em duplicidade. ,, Desta forma, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que os cofres públicos não arquem com o pagamento da mesma pensão duas vezes, sendo certo que os efeitos da sentença deverão ser prospectivos, apenas para habilitar a Autora, ora Recorrida, não condenando o RIOPREVIDÊNCIA ao pagamento das parcelas pretéritas (fls. 804- 806). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, sustenta que deveria ser considerada a citação como termo inicial para a fluência dos juros moratórios, e traz os seguintes argumentos: Na presente demanda, o réu foi condenado ao pagamento das parcelas pretéritas desde 03 de março de 2009, com "JUROS computados da data do evento danoso (súmula 54 do STJ e art. 398 do CC/02), com aplicação do índice de juros da caderneta de poupança, na forma do artigo 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.960/2009". Não obstante, verifica-se que o acórdão utilizou parâmetros equivocados para definir o termo inicial dos juros de mora, pois deve ser aplicado o art. 240 do CPC nos termos da súmula 204 do STJ. .. No caso ora em comento, a citação ocorreu em 25/09/2013 (fls. 77/78), sendo esta, portanto, a data a partir da qual deve ser fixado o termo inicial para fluência dos juros moratórios (fl. 807). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Não assiste razão ao apelante no seu pleito de não pagamento das verbas atrasada à ora apelada. Na verdade, a partir do primeiro pedido formulado pela autora, ora apelada, em 03/03/2009, deveria o réu ter suspendido o pagamento à ex-mulher, Simone, e instaurado procedimento para averiguar quem faria jus ao benefício. Porém, não o fez, nem mesmo após ter recebido ofício da própria PMERJ, em 27/10/2009, comunicando que a companheira Mara é quem era a dependente do servidor falecido. Dessa forma, não se sustenta o argumento de que o pagamento feito à viúva, de quem o servidor era separado de fato, seria válido por ter sido realizado de boa-fé, na forma do art.309 do CC/02 (fl. 752). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor dos honorários sucumbenciais que serão fixados em liquidação de sentença, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.