AREsp 2273880 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque a pretensão da recorrente demandaria reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e porque a certidão de óbito, desacompanhada de prova documental contemporânea e de robusta prova testemunhal, é insuficiente para constituir, isoladamente,...
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- Parties
- Recorrente: XANDARA DE CAMPOS MELO; Recorrido: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- conhecido o agravo; não conhecido o recurso especial interposto por XANDARA DE CAMPOS MELO; majorados honorários sucumbenciais em favor do recorrido
- Legal Topics
- Pensão Por Morte, Qualidade De Segurado Especial, Prova Material, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários Sucumbenciais
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Parties
XANDARA DE CAMPOS MELO
Recorrente
INSS
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se a certidão de óbito constitui início razoável de prova material para comprovar a qualidade de segurado especial
- 2 necessidade de prova documental contemporânea e de prova testemunhal idônea para reconhecimento de atividade rural
- 3 impossibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não conheceu-se do recurso especial porque a pretensão da recorrente demandaria reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ) e porque a certidão de óbito, desacompanhada de prova documental contemporânea e de robusta prova testemunhal, é insuficiente para constituir, isoladamente, início razoável de prova material capaz de demonstrar a condição de segurado especial, circunstância agravada pelo fato do CNIS indicar concessão de amparo social ao idoso, fragilizando a alegação de trabalho rural; aplicou-se também, por analogia, a Súmula 283 do STF quanto a fundamentos múltiplos não abrangidos pelo recurso.
Court Disposition
conhecido o agravo; não conhecido o recurso especial interposto por XANDARA DE CAMPOS MELO; majorados honorários sucumbenciais em favor do recorrido
Orders
- Conhecer do agravo interposto
- Não conhecer do recurso especial interposto por XANDARA DE CAMPOS MELO
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra a decisão que inadmitiu o recurso especial pelo qual XANDARA DE CAMPOS MELO, se insurgira, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição Federal (CF), contra o acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO assim ementado (fls. 105/106): PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO. QUALIDADE DE SEGURADO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE INICIO RAZOÁVEL DE PROVA MATERIAL. BENEFICIO INDEVIDO. SENTENÇA REFORMADA. INVERSÃO DO ÔNUS SUCUMBENCIAL. 1. Hipótese que não comporta a remessa necessária, considerando que é possível verificar de plano que a condenação imposta até a data da prolação da sentença não ultrapassa o valor de 1.000 (mil) salários mínimos, nos termos do art. 496, § 3º, I do CPC/15, vigente à ocasião da prolação da sentença. 2. O art. 74 da Lei nº 8.213/91 prescreve que a pensão por morte será deferida ao cônjuge, à companheira, companheiro ou ao filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos. No tocante a estes, instituiu a lei presunção de dependência econômica. 3. O reconhecimento de tempo de serviço prestado na condição de trabalhador rural exige início razoável de prova material a ser corroborada por prova testemunhal. É inadmissível prova exclusivamente testemunhal, conforme Súmula 149 do STJ. 4. O óbito, ocorrido em 17/11/2010, resta comprovado consoante respectiva certidão acostada às fls. 14, e a qualidade de dependente do autor é presumida (art. 16, da Lei n. 8.213/91), conforme certidão de casamento de fls.13. Entretanto, não restou demonstrada nos termos do inciso VII, art. 11, da Lei nº. 8.213/91, a condição de segurado especial do falecido, na medida em que acostada aos autos apenas certidão de casamento, na qual nada consta acerca da profissão dos nubentes (fls. 13), e certidão de óbito na qual consta a profissão do de cujus como sendo "lavrador" (fls. 14), documento de caráter declaratório apenas, insuficiente à comprovação do exercício da atividade rural. É de se ver que a certidão de óbito, não corroborada por prova documental anterior ao falecimento, não é apta para demonstrar, por si somente, a qualificação de rurícola, visto que a ocupação profissional declarada, não traz a certeza e segurança jurídica necessárias à configuração do início razoável de prova material, necessitando, por conseguinte, da imprescindível nota de contemporaneidade aos fatos. Ademais, vê-se do extrato do CNIS de fls. 66, que o falecido era beneficiário de amparo social ao idoso, com DIB em 06/11/2007, cessado em razão do óbito, circunstância que fragiliza o alegado labor rural, pois não há demonstração do equívoco na concessão de tal benefício. O conjunto probatório dos autos não se mostrou suficiente para demonstrar o direito alegado e, ainda que a prova testemunhal fosse favorável à tese esposada na inicial, não há como reconhecer tempo de serviço por ausência de início razoável de prova material, sendo, portanto, indevido o benefício pleiteado por falta de prova da condição de segurado especial da Previdência Social. 5. Inversão do ônus sucumbencial, com a condenação da parte autora ao pagamento de custas e honorários advocatícios, estes fixados em dez por cento do valor da causa, nos termos do artigo 85, parágrafo 2º, do NCPC (Lei 13.105/2015), suspensa a cobrança enquanto estiver sob os benefícios da assistência judiciária gratuita. 6. Apelação do INSS a que se dá provimento para, reformando a sentença, julgar improcedente o pedido. Os embargos de declaração opostos pelo INSS foram rejeitados (fls. 146/150). Em suas razões recursais, a parte recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 39, I, 55, § 3º e 106 da Lei 8.213/1991. Defende que a certidão de óbito, qualificando a parte como lavrador, é documento hábil a servir como inicio de prova material, pois o rol de documentos apresentados é meramente exemplificativo. Requer o provimento do recurso. Não foram apresentadas contrarrazões. O recurso não foi admitido na origem (fl. 166), razão da interposição do recurso ora examinado. É o relatório. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do agravo, passo à análise do recurso especial. Nos exatos termos do acórdão recorrido, o Tribunal de origem assim decidiu (fls. 102/103): Caso concreto. O óbito, ocorrido em 17/11/2010, resta comprovado consoante respectiva certidão acostada às fls. 14, e a qualidade de dependente do autor é presumida (art. 16, da Lei n. 8.213/91), conforme certidão de casamento de fls.13. A controvérsia dos autos cinge-se à comprovação da qualidade de segurado especial do pretenso instituidor do benefício à data do óbito. No caso concreto, entretanto, não restou demonstrada nos termos do inciso VII, art. 11, da Lei nº. 8.213/91, a condição de segurado especial do falecido, na medida em que acostada aos autos apenas certidão de casamento, na qual nada consta acerca da profissão dos nubentes (fls. 13), e certidão de óbito na qual consta a profissão do de cujus como sendo "lavrador" (fls. 14), documento de caráter declaratório apenas, insuficiente à comprovação do exercício da atividade rural. É de se ver que a certidão de óbito, não corroborada por prova documental anterior ao falecimento, não é apta para demonstrar, por si somente, a qualificação de rurícola, visto que a ocupação profissional declarada, não traz a certeza e segurança jurídica necessárias à configuração do início razoável de prova material, necessitando, por conseguinte, da imprescindível nota de contemporaneidade aos fatos. Ademais, vê-se do extrato do CNIS de fls. 66, que o falecido era beneficiário de amparo social ao idoso, com DIB em 06/11/2007, cessado em razão do óbito, circunstância que fragiliza o alegado labor rural, pois não há demonstração do equivoco na concessão de tal benefício. O conjunto probatório dos autos não se mostrou suficiente para demonstrar o direito alegado e, ainda que a prova testemunhal fosse favorável à tese esposada na inicial, não há como reconhecer tempo de serviço por ausência de inicio razoável de prova material, sendo, portanto, indevido o beneficio pleiteado por falta de prova da condição de segurado especial da Previdência Social. Observo que o Tribunal de origem decidiu por reformar a sentença e julgar improcedente o pedido inicial por considerar o conjunto probatório apresentado insuficiente para demonstrar que o de cujus detinha a condição de segurado especial. Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Incide no presente caso a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) - "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AVERBAÇÃO. DE ATIVIDADE RURAL. PROVA MATERIAL CORROBORADA POR TESTEMUNHOS IDÔNEOS. AUSÊNCIA. ESPECIALIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Primeira Seção desta Corte, por meio do do REsp n. 1.348.633/SP, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, reafirmou a orientação de ser possível o reconhecimento do tempo de serviço rural mediante a apresentação de início de prova material, desde que corroborado por testemunhos idôneos. 2. "A jurisprudência deste Superior Tribunal admite como início de prova material, para fins de comprovação de atividade rural, certidões de casamento e nascimento dos filhos, nas quais conste a qualificação como lavrador e, ainda, contrato de parceria agrícola em nome do segurado, desde que o exercício da atividade rural seja corroborado por idônea e robusta prova testemunhal" (AgInt no AREsp n. 1.939.810/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 11/4/2022, DJe de 19/4/2022). 3. No julgamento do PUIL n. 452/PE, a Primeira Seção desta Corte pacificou o entendimento de que o trabalhador rural (seja empregado rural ou segurado especial) somente terá direito à conversão ou contagem como tempo especial, para fins de aposentadoria, se demonstrar o exercício de seu labor na agropecuária, nos termos do enquadramento por categoria profissional vigente anteriormente à edição da Lei n. 9.032/1995. 4. É inviável, em sede de recurso especial, o reexame de matéria fático-probatória, nos termos da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 5. O Tribunal de origem, diante da fragilidade do conjunto probatório dos autos, negou a averbação dos períodos compreendidos entre 01/01/1972 a 09/02/1978 e 10/12/1978 a 29/06/1986 , pela não comprovação da qualidade de segurado especial, de modo que a inversão do julgado demandaria o reexame de prova. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.917.219/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 2/10/2023.) PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE AGRÍCOLA. DEMONSTRAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. DESCABIMENTO. 1. Cabe ao relator, em decisão monocrática, não conhecer de recurso especial manifestamente inadmissível, nos termos do art. 255, § 4º, I, do RISTJ. 2. Na esteira do REsp 1.348.633/SP, sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, a Primeira Seção reafirmou a orientação de ser possível o reconhecimento do tempo de serviço mediante a apresentação de início de prova material, desde que corroborado por testemunhos idôneos. 3. Esta Corte pacificou o entendimento no sentido de reconhecer como início de prova material documentos em nome de terceiros, desde que corroborados por testemunhos idôneos. 4. Hipótese em que o Tribunal de origem não reconheceu a pretensão da autora após constatar que o conjunto probatório produzido não era apto a demonstrar o exercício da atividade no campo, durante o período de carência , circunstância que esbarra no óbice da Súmula 7 do STJ. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 2.007.620/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023.) E ainda, o Tribunal de origem consignou que o falecido recebia o benefício do amparo social ao idoso, cessado em razão do óbito, o que fragilizou o alegado labor rural. A peça recursal, todavia, não se insurge contra este fundamento, limitando-se a defender a certidão de óbito como inicio de prova material. Nessa hipótese, incide, por analogia, a Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece: "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar a ele provimento. Ressalto, ainda, que o entendimento desta Corte Superior é de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO ORDINÁRIA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL/2015 E DOS ARTS. 186 E 927 DO CÓDIGO CIVIL/2002. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS NÃO RECONHECIDA PELO TRIBUNAL A QUO. REVISÃO. INVIABILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. .. 4. Assinale-se, por fim, que fica prejudicada a apreciação da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.878.337/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 16/12/2020, DJe de 18/12/2020 - sem destaques no original.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. 3,17%. DISPOSITIVO DE LEI TIDO POR VIOLADO QUE NÃO SUSTENTA A TESE RECURSAL APRESENTADA. INCIDÊNCIA DO ÓBICE DA SÚMULA 284/STF. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. REVISÃO, DE OFÍCIO, PELO JUIZ. POSSIBILIDADE. HIPOSSUFICIÊNCIA COMPROVADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AFERIÇÃO DO GRAU DE SUCUMBÊNCIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO PREJUDICADO. .. 5. Os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.503.880/PE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 27/2/2018, DJe de 8/3/2018 - sem destaques no original.) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial de XANDARA DE CAMPOS MELO. Por fim, majoro, em desfavor da parte recorrente, em 10% (dez por cento) o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º desse dispositivo, bem como os termos do art. 98, § 3º, do mesmo diploma legal. Publique-se. I ntimem-se. EMENTA