AREsp 2729931 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e pormenorizada o fundamento da decisão agravada, que assentou-se na incidência da Súmula 7/STJ por demandar reexame de prova. Tal omissão viola o princípio da dialeticidade e autoriza a aplicação dos arts. 932, III, do CPC, 253,...
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- Parties
- Agravante: MARLENE GOMES ZACARIAS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão Do Recurso Especial)
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Pensão Por Morte, União Estável, Dependência Econômica, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Honorários Advocatícios, Princípio Da Dialeticidade, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
MARLENE GOMES ZACARIAS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissão Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 7/STJ (vedação ao reexame fático-probatório)
- 2 insuficiência de impugnação específica dos fundamentos da decisão agravada
- 3 presunção de dependência econômica em união estável (alegação da agravante)
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante não impugnou de forma específica e pormenorizada o fundamento da decisão agravada, que assentou-se na incidência da Súmula 7/STJ por demandar reexame de prova. Tal omissão viola o princípio da dialeticidade e autoriza a aplicação dos arts. 932, III, do CPC, 253, parágrafo único, I, do RISTJ e da Súmula 182/STJ; determinou-se ainda, se houver fixação prévia de honorários, sua majoração em 10% em desfavor da agravante nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Não conhecer do agravo em recurso especial.
- Determinar majoração dos honorários advocatícios, em desfavor da agravante, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, quando exista prévia fixação, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observados os limites dos §§ 2º e 3º e legislações aplicáveis.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agrav o em recurso especial interposto por MARLENE GOMES ZACARIAS , contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim ementado (fl. 403): PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. UNIÃO ESTÁVEL E DEPENDÊNCIA ECONÔMICA NÃO DEMONSTRADAS. 1. A pensão por morte é devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, e independe de carência (Lei 8.213/91, Art. 74 e Art. 26). 2. Nos termos do que dispõe o § 3º, do Art. 16, da Lei nº 8.213/91, considera-se companheira ou companheiro a pessoa que, sem ser casada, mantém união estável com o segurado ou com a segurada, de acordo com o § 3º, do Art. 226, da Constituição Federal. 3. O conjunto probatório se mostrou frágil e inconsistente, não tendo a autora colacionado aos autos elementos suficientes à comprovação do período em que alega ter vivido em união estável com o falecido, tampouco de que dele dependia financeiramente para sua subsistência. 4. Não havendo preenchido os requisitos, não faz jus a autora ao benefício pleiteado. 5. Apelação desprovida. Em seu recurso especial de fls. 405-426, sustenta a recorrente violação aos arts. 373, I e 1.013 e incisos, ambos do CPC, ao argumento de que o Tribunal de origem contrariou o entendimento do STJ sobre a presunção de dependência econômica na união estável, legitimando a percepção de pensão por morte sem necessidade de tal comprovação. O Tribunal de origem, às fls. 460-463, não admitiu o recurso especial sob o fundamento da incidência da Súmula n. 7/STJ. Em seu agravo, às fls. 465-478, a agravante alega que a decisão recorrida incorreu em error in iudicando ao não realizar a valoração adequada das provas, o que não configura reexame de prova, mas sim error iuris, permitindo a apreciação em instância superior sem violação da Súmula 07 do STJ. É o relatório. A insurgência não pode ser conhecida. De início, verifica-se que não foi impugnada a integralidade da fundamentação da decisão agravada, porquanto a agravante não infirmou suficientemente o fundamento utilizado para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada , assentou-se no fundamento da incidência do enunciado 7 da Súmula do STJ, em razão da contenda demandar reexame fático e probatório dos autos. Todavia, no seu agravo, a parte limitou-se a afirmar que "todas as provas precisam ser analisadas e valoradas, no caso em tela, apenas foram analisados os extratos bancários, a internação do de cujus e a certidão de nascimento da filha do casal, deixando de fora as fotos e recibos de aluguel em nome do casal" (fl. 477), argumentação essa que não refuta o óbice da Súmula 7/STJ. Logo, o fundamento da decisão agravada, à míngua de impugnação específica e pormenorizada, permanece hígido, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar o fundamento do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, a agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial . Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Deverão ser observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do dispositivo legal acima referido, bem como eventuais legislações extravagantes que tratem do arbitramento de honorários e as hipóteses de concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intime-se. EMENTA PREVIDENCIÁRIO E PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU O FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.