EREsp 1488040 - DECISAO
O recurso extraordinário não foi admitido porque a alegada violação à Constituição Federal é reflexa, dependendo do exame de legislação infraconstitucional (Lei n. 8.987/1995 e normas estaduais) e do conjunto fático-probatório, matéria que não é própria da jurisdição extraordinária; assim, com fundamento no art....
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- Parties
- Recorrente: COSTA VERDE TRANSPORTES LTDA; Recorrido: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro; Recorrido: DETRO/RJ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 March 2021
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Recurso Não Admitido (admissibilidade Negada)
- Outcome
- Recurso extraordinário não admitido
- Legal Topics
- Permissão De Serviço Público De Transporte, Licitação, Prorrogação De Contratos De Concessão/permissão, Ofensa Reflexa, Repercussão Geral
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Parties
COSTA VERDE TRANSPORTES LTDA
Recorrente
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
Recorrido
DETRO/RJ
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Recurso Não Admitido (admissibilidade Negada)
Legal Issues
- 1 possibilidade de prorrogação de contratos de permissão de transporte sem prévia licitação
- 2 compatibilização da Lei n. 8.987/1995 com os arts. 37, XXI, e 175 da Constituição Federal
- 3 caráter reflexo de eventual ofensa à Constituição Federal que depende de análise de legislação infraconstitucional
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário não foi admitido porque a alegada violação à Constituição Federal é reflexa, dependendo do exame de legislação infraconstitucional (Lei n. 8.987/1995 e normas estaduais) e do conjunto fático-probatório, matéria que não é própria da jurisdição extraordinária; assim, com fundamento no art. 1.030, inciso V, do CPC, o recurso não foi admitido.
Court Disposition
Recurso extraordinário não admitido
Orders
- Recurso extraordinário não admitido com fundamento no art. 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso extraordináriointerposto por COSTA VERDE TRANSPORTES LTDA, com fundamento no art. 102, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, contra acórdão deste Superior Tribunal de Justiça, assim ementado (e-STJ fl. 1.723-1.724): PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. TRANSPORTE PÚBLICO. PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. PRECARIEDADE. PRORROGAÇÃO. ART. 42, § 2º, DA LEI N. 8.987/1995. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA. CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ consolidou o posicionamento de que a exigibilidade da licitação é proveniente da Constituição Federal, devendo a legislação infraconstitucional ser compatibilizada com os preceitos insculpidos nos arts. 37, XXI, e 175 da Carta República, não podendo admitir-se um longo lapso temporal, com respaldo no art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995, uma vez que o comando constitucional deve ser plenamente cumprido. 2. Logo, não houve ofensa ao art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995, pois a interpretação que foi conferida ao normativo é a mais consentânea com os princípios da administração pública e com o sistema de outorga introduzido pelo citado diploma legislativo. 3. Esta Corte tem asseverado que "não há que se falar em violação ao princípio da reserva de plenário, uma vez que o Tribunal a quo, ao julgar nulo o ato administrativo que renovou a concessão do serviço público sem licitação, o fez, principalmente, com fundamento nos artigos 37, inciso XXI, e 175 da Constituição Federal e na Lei 8.987/95, com as alterações trazidas pela Lei 11.445/07, mencionando, como mais um argumento, a inconstitucionalidade dedispositivo da Lei Estadual 2.831/97, que violava o princípio da obrigatoriedade da licitação" (AgRg no AREsp 481.094/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21/5/2014). 4. Não merece reparos a decisão agravada a respeito do que ficou decidido quanto à alegação de violação do art. 535, II, do CPC/1973, porquanto o acórdão recorrido fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada, resolvendo a respeito da alegação de cerceamento de defesa. 5. Sendo assim, não há que se falar em omissão, obscuridade, contradição ou erro material do aresto. O fato de o Tribunal a quo haver decidido a lide de forma contrária à defendida pela parte recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 6. No que se refere à alegação de violação dos arts. 130 e 330, I, do CPC/1973, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que o julgamento antecipado da lide não configura cerceamento de defesa quando constatada a existência de provas suficientes para o convencimento do magistrado. Nesse contexto, para rever a conclusão da Corte a quo, a fim de verificar se houve cerceamento de defesa na espécie, seria necessário analisar o conjunto fático-probatório dos autos, o que é defeso na via especial, em razão do óbice da Súmula 7/STJ. 7. Agravo interno a que se nega provimento. Opostos embargos de divergência, foram indeferidos liminarmente (e-STJ 1.785-1.789 e 1.842-1.849) Sustenta a recorrente a existência de repercussão geral, bem como a violação aos arts. 37, inciso XXI, e 175,capute parágrafo único, da Constituição Federal, poisos contratos de permissão de transporte público firmados antes da entrada em vigor do atual regime constitucional, como é o caso dos autos, podem ser prorrogados por prazos estabelecidos pela legislação infraconstitucional. Aduz que, no caso em análise, o contrato de permissão foi prorrogado pela Administração Pública pelo prazo de 15 (quinze) anos, com fundamento no art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995, regulamentada no âmbito do Estado do Rio de Janeiro pelo art. 6º da Lei Estadual n. 2.831/1997, motivo pelo qual a declaração de nulidade do ato administrativo constitui malferimento dos dispositivos constitucionais em questão. Requer, ao final, a admissão do recurso e sua remessa ao Supremo Tribunal Federal. As contrarrazões foram apresentadas unicamente pelo Parquetfluminense(e-STJ fl. 1.890-1.907), transcorridoin albiso prazo de manifestação do Departamento de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (e-STJ fl. 1.908) É o relatório. Compulsando-se os autos, verifica-se que a controvérsia cinge-se à questão da possibilidade de prorrogação de contratos de concessão e permissão de serviçopúblico de transporte sem a prévia realização de procedimento licitatório, estando o acórdão recorrido assim fundamentado (e-STJ, fls. 1.727-1.732): Conforme consignado na decisão agravada, trata-se, na origem, de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro contra o DETRO/RJ e 108 empresas permissionárias de transporte coletivo intermunicipal de passageiros por ônibus, em que postula a declaração de nulidade de todos os instrumentos delegatórios outorgados sem prévia licitação. Referida ação foi desmembrada em 108 ações idênticas e o Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de apreciar vários recursos especiais oriundos dessas ações, tendo firmado entendimento sobre as diversas controvérsias suscitadas nesses recursos, no sentido adiante exposto. O art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995 é claro no que diz respeito ao dever da Administração em promover o certame licitatório, no prazo mínimo de 24 meses, para que sejam regularizadas as concessões. Confiram-se os termos do referido dispositivo legal: .. Todavia, esse diferimento na realização dos certames não autoriza a Administração a prolongar indefinidamente as permissões e concessões outorgadas em descompasso com as normas vigentes, sob pena de frustrar e tornar inútil o comando contido no art. 43 da referida lei: "Ficam extintas todas as concessões de serviços públicos outorgadas sem licitação na vigência daConstituição de 1988." Nesse sentido, a jurisprudência do STJ consolidou o posicionamento de que a exigibilidade da licitação é proveniente da Constituição Federal, devendo a legislação infraconstitucional ser compatibilizada com os preceitos insculpidos nos arts. 37, XXI, e 175 da Carta República, não podendo admitir-se um longo lapso temporal, com respaldo no art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995, uma vez que o comando constitucional deve ser plenamente cumprido. Logo, não houve ofensa ao art. 42, § 2º, da Lei n. 8.987/1995, pois a interpretação que foi conferida ao normativo é a mais consentânea com os princípios da administração pública e com o sistema de outorga introduzido pelo citado diploma legislativo. Nesse sentido, os seguintes julgados do STJ sobre a mesma controvérsia destes autos: .. Outrossim, ainda que se considerem prequestionados os arts. 480,481 e 482 do CPC/1973, esta Corte tem asseverado que "não há que se falar em violação ao princípio da reserva de plenário, uma vez que o Tribunal a quo, ao julgar nulo o ato administrativo que renovou a concessão do serviço público sem licitação, o fez, principalmente, com fundamento nos artigos 37, inciso XXI, e 175 da Constituição Federal e na Lei 8.987/1995, com as alterações trazidas pela Lei 11.445/2007, mencionando, como mais um argumento, a inconstitucionalidade de dispositivo da Lei Estadual 2.831/1997, que violava o princípio da obrigatoriedade da licitação" (AgRg no AREsp 481.094/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21/5/2014). Desse modo, a análise da matéria ventilada depende do exame da Lei n. 8.987/1995, razão pela qual eventual ofensa à Constituição Federal, se houvesse, seria reflexa ou indireta, não legitimando a interposição do apelo extremo. Em casos semelhantes, assim tem decidido a Corte Suprema: DMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PERMISSÃO OU CONCESSÃO DE TRANSPORTE PÚBLICO. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO. CONTRATO NULO. INDENIZAÇÃO. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO. ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DE CLÁUSULA CONTRATUAL. OFENSA REFLEXA. 1. Em casos semelhantes ao dos presentes autos, em que se discute o direito das empresas de transporte de passageiros serem indenizadas pela anulação do contrato de concessão ou permissão, a pretexto de restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, este Supremo Tribunal Federal tem se posicionado no sentido de que eventual ofensa ao texto constitucional, se houvesse, seria meramente reflexa ouindireta, a depender da análise da legislação infraconstitucional e das cláusulas contratuais. Incide, na espécie, o óbice da Súmula STF 454. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 422049 AgR, Relator(a): ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 16/11/2010, DJe-234 DIVULG 02-12- 2010 PUBLIC 03-12-2010 EMENT VOL-02444-01 PP- 00087) AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. ADMINISTRATIVO. PERMISSÃO. TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO URBANO. EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO. INDENIZAÇÃO. NECESSIDADE DE REEXAME DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL APLICÁVEL À ESPÉCIE, DE CLÁUSULAS EDITALÍCIAS E CONTRATUAIS E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 279, 280 E 454 DO STF. PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL REJEITADA PELO PLENÁRIO DO STF NO JULGAMENTO DO ARE 639.228. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 93, IX, DA CONSTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA. AGRAVO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.(ARE 897996 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 05/10/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe- 224 DIVULG 19-10-2018 PUBLIC 22-10-2018) DIREITOA DMINISTRATIVO RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DO CPC/1973. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. LICITAÇÃO. PERMISSÃO. TRANSPORTE COLETIVO. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. INVESTIMENTOS. INDENIZAÇÃO PRÉVIA. LEI 8.987/1995. EVENTUAL VIOLAÇÃO REFLEXA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA NÃO VIABILIZA O RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AGRAVO MANEJADO SOB A VIGÊNCIA DO CPC/2015. 1. O exame da alegada ofensa ao art. 37, caput, da Constituição Federal, observada a estreita moldura com que devolvida a matéria à apreciação desta Suprema Corte, dependeria de prévia análise da legislação infraconstitucional aplicada, o que refoge à competência jurisdicional extraordinária prevista no art. 102 da Magna Carta. 2. As razões do agravo não se mostram aptas a infirmar os fundamentos que lastrearam a decisão agravada, mormente no que se refere à ausência de ofensa a preceito da Constituição da República. 3. Agravo interno conhecido e não provido. (ARE 1124684 AgR-segundo, Relator(a): ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 05/10/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 15-10-2018 PUBLIC 16-10-2018) Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil, não se admite o recurso extraordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PERMISSÃO. TRANSPORTE PÚBLICO INTERMUNICIPAL. OFENSA REFLEXA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. RECURSO NÃO ADMITIDO.