REsp 2134607 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque a modificação da premissa de fato adotada pelo tribunal de origem (aplicação da majorante por motivação em razão da condição feminina e adequação do valor da indenização) exigiria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; ademais, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Reginaldo dos Santos Silva; Parecer: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (inadmissibilidade)
- Outcome
- não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Perseguição (art. 147 a Do Cp), Majorante Por Condição De Sexo Feminino, Indenização Por Danos Morais, Súmula 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Reginaldo dos Santos Silva
Recorrente
Ministério Público Federal
Parecer
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 aplicação da majorante prevista no art. 147-A, § 1º, II, do Código Penal
- 2 possibilidade de redução do valor da indenização por danos morais
- 3 vedação ao revolvimento de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque a modificação da premissa de fato adotada pelo tribunal de origem (aplicação da majorante por motivação em razão da condição feminina e adequação do valor da indenização) exigiria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ; ademais, o acórdão recorrido está lastreado em provas robustas que corroboram a incidência da majorante e não demonstram flagrante desproporcionalidade quanto à indenização.
Court Disposition
não conheço do recurso especial
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO REGINALDO DOS SANTOS SILVA interpõe recurso especial, fundado no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios na Apelação Criminal n. 0700336-86.2022.8.07.0012. O recorrente foi condenado, pela prática do crime previsto no art. 147-A, § 1º, II, do Código Penal, à sanção de 1 ano e 3 meses de reclusão mais 24 dias-multa, em regime inicial aberto, além do pagamento por danos morais, no valor de R$ 10.000,00. A defesa aponta violação do art. 147-A, § 1º, II, do Código Penal e 387, IV, do Código de Processo Penal. Requer o afastamento da causa de aumento e redução da indenização por danos morais. O Ministério Público Federal , em parecer do Subprocurador-Geral da República Paulo Queiroz, às fls. 486-490, opinou pelo não conhecimento do recurso especial ou, eventualmente, pelo seu não provimento. Decido. I. Inadmissibilidade do REsp A defesa sustenta o afastamento da causa de aumento prevista no § 1º, II, do art. 147-A do Código Penal, ao argumento de que a conduta não envolveu violência doméstica nem houve discriminação ou menosprezo à condição de mulher. O Tribunal de origem, ao examinar a questão, consignou (fls. 428-429): .. Outrossim, não emerge dúvida quanto à caracterização da causa de aumento prevista no art. 147-A, § 1º, inciso II, do Código Penal. Com efeito, para aplicação da majorante não é imperioso que a conduta imputada esteja calcada unicamente em situações de violência doméstica ou familiar contra a mulher, porquanto o legislador previu hipótese de cometimento do crime em situações em que evidenciado o menosprezo ou a discriminação da vítima por sua condição feminina. No caso concreto, inequivocamente demonstrado nos autos que o apelante praticou o crime imputado em razão da condição do sexo feminino da vítima, porquanto intentou, insistentemente, com ela iniciar em relacionamento amoroso, ao que, diante das negativas, passou a importuná-la e a persegui-la, com o nítido propósito de subjugá-la por sua vulnerabilidade. Tanto é assim que o próprio marido da vítima confirmou, em juízo, que era necessário acompanhar a esposa no caminho entre o local de trabalho e a residência do casal, ou solicitar que um colega realizasse a escolta, para que o apelante não se aproximasse. E isso porque, em determinada ocasião, chegou a presenciar o apelante correndo atrás da vítima, conduta cessada no instante que o apelante visualizou o marido da vítima. Vale destacar que, nas infrações penais cometidas no âmbito de violência doméstica e familiar contra a mulher, ou em contexto de menosprezo ou discriminação à condição feminina, a palavra da vítima reveste-se de especial credibilidade, mormente quando confirmada por outros elementos de prova, como na hipótese em apreço. Assim, tem-se que as provas produzidas nos autos são robustas para respaldar o decreto condenatório. O acórdão recorrido considerou que a conduta praticada pelo recorrente decorreu também d a condição feminina da vítima. A modificação dessa premissa implicaria a necessidade de revolvimento de fatos e de provas dos autos, procedimento não admitido, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. Com relação à indenização, é evidente que o parâmetro a ser observado prioritariamente é o dano causado à vítima, e não a comodidade econômica do réu. O acórdão descreveu que a ofendida, em razão da conduta do investigado, teve de mudar de endereço por duas vezes, inclusive para outra unidade da federação, o que lhe impôs a perda do contato diário com o marido e com a filha, além da não possibilidade de novo emprego. Portanto, ausentes indícios de flagrante desproporcionalidade, a modificação do valor indenizatório significaria reexame de fatos e de provas, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. II. Dispositivo À vista do exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA