AREsp 1952486 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou fundamento constitucional autônomo (relacionado ao art. 60 do ADCT/piso nacional), exigindo a interposição de recurso extraordinário conforme Súmula 126/STJ; ademais, eventual ofensa a lei federal seria indireta/reflexa,...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE CARUARU; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Piso Nacional Do Magistério, Contrato Temporário, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 126/stj, Súmula 280/stf, Prova De Divergência Jurisprudencial
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Parties
MUNICÍPIO DE CARUARU
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade De Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Aplicação do piso salarial nacional da Lei 11.738/2008 a professor contratado temporariamente
- 2 Admissibilidade do recurso especial diante de fundamento constitucional autônomo (Súmula 126/STJ)
- 3 Caracterização de eventual violação de lei federal como indireta/reflexa exigindo exame de norma local (Súmula 280/STF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido assentou fundamento constitucional autônomo (relacionado ao art. 60 do ADCT/piso nacional), exigindo a interposição de recurso extraordinário conforme Súmula 126/STJ; ademais, eventual ofensa a lei federal seria indireta/reflexa, demandando exame de norma local (Súmula 280/STF), e não foi comprovada divergência jurisprudencial nos termos processuais exigidos, razão pela qual o recurso especial não foi admitido; majoraram-se honorários em 15% nos termos do art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais legais e eventual concessão de justiça gratuita.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE CARUARU contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, assim resumido: ADMINISTRATIVO E PROCESSO CIVIL PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO (LEI FEDERAL N 1173808) MUNICÍPIO DE CARUARU CONTRATO TEMPORÁRIO AUSÊNCIA DE DISTINÇÃO EM RELAÇÃO AOS SERVIDORES EFETIVOS APELO CONHECIDO E IMPROVIDO DECISÃO UNÂNIME. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 1º, § 1º, da Lei n. 11.738/2008, no que concerne à indevida aplicação do piso salarial nacional da educação básica do magistério público a professor temporário, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Pela leitura do dispositivo, o piso salarial nacional, disciplinado pela Lei 11.738/08, é previsto como vencimento inicial, exclusivamente para as "carreiras do magistério público da educação básica". .. Trazendo estes conceitos à interpretação da legislação chegamos à conclusão de que o objetivo da norma era instituir um patamar mínimo salarial apenas para os cargos organizados em carreira, o que excluiria a sua aplicação a cargos de provimento em comissão, bem como à vínculos celetistas ou temporários, como é o caso dos autos. .. Restando evidenciado que o ente público municipal promulgou lei específica disciplinando os contratos temporários por excepcional interesse público, por meio do qual se evidenciaram os direitos a que os prestadores de serviços fariam jus, e tendo em vista que esses contratados temporariamente não fazem parte dos quadros da carreira do magistério municipal, não há que se falar em aplicação do piso nacional aos seus respectivos vencimentos. Por estas razões merece reforma integral o Acórdão guerreado (fls. 138/139). Quanto à segunda controvérsia, a parte também fundamentou seu recurso na alínea "c" do permissivo constitucional. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, o acórdão de origem assim decidiu, in verbis: Vale ter em mente, que a previsão do referido piso nacional, nos termos do art. 60, caput, do ADCT, é uma das medidas que visa " à manutenção e desenvolvimento da educação básica e à remuneração condigna dos trabalhadores da educação", ou seja, um mecanismo de fomento educacional e valorização profissional. Assim, a finalidade da norma que fixa o valor mínimo do vencimento do professor da rede pública de ensino, é retribuir adequadamente o profissional da educação básica, em razão da atividade exercida, e não em virtude do vínculo, estatutário ou contratual, que o liga ao ente público para o qual presta seu serviço (fls. 121). Assim, incide o óbice da Súmula n. 126/STJ, uma vez que é imprescindível a interposição de recurso extraordinário quando o acórdão recorrido possui, além de fundamento infraconstitucional, fundamento de natureza constitucional suficiente por si só para a manutenção do julgado. Nesse sentido: " .. firmado o acórdão recorrido em fundamentos constitucional e infraconstitucional, cada um suficiente, por si só, para manter inalterada a decisão, é ônus da parte recorrente a interposição tanto do Recurso Especial quanto do Recurso Extraordinário. A existência de fundamento constitucional autônomo não atacado por meio de Recurso Extraordinário enseja aplicação do óbice contido na Súmula 126/STJ". (AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp 1.684.690/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe de 16/4/2019; AgRg no REsp 1.850.902/MT, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 29/6/2020; REsp 1.644.269/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, Dje de 7/8/2020; AgRg no REsp 1.855.895/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020; AgInt no AREsp 1.567.236/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 4/6/2020; AgInt no AREsp 1.627.369/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/6/2020. Ademais, é incabível o recurso especial porquanto eventual violação de lei federal seria meramente indireta e reflexa, pois exigiria um juízo anterior de norma local (municipal ou estadual), o que atrai, por analogia, o óbice do enunciado 280 da Súmula do STF. Nesse sentido, o STJ já decidiu que, "consoante se depreende do acórdão vergastado, os fundamentos legais que lastrearam a presente questão repousam eminentemente na legislação estadual. Isso posto, eventual violação a lei federal seria reflexa, uma vez que a análise da controvérsia requer apreciação da legislação estadual citada, o que não se admite em Recurso Especial. Portanto, o aprofundamento de tal questão demanda reexame de direito local, o que se mostra obstado em Recurso Especial, em face da atuação da Súmula 280 do Supremo Tribunal Federal, adotada pelo STJ". (REsp 1.697.046/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/11/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.848.437/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no AREsp 1.196.366/PA, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 28/9/2018; AgRg nos EDcl no AREsp 388.590/RS, relatora Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/2/2016; AgRg no AREsp 521.353/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 19/8/2014; AgRg no REsp 1.061.361/RS, relator Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 25/4/2014; AgRg no REsp 1.017.880/ES, relatora Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 3/8/2011. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.