AREsp 2617947 - DECISAO
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto pelo Estado de Pernambuco desafiando decisão da Presidência da Corte, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial com base na incidência da Súmula 284/STF. A parte recorrente, em suas razões, sustenta a não incidência da Súmula 284/STF, sob a alegação de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: Estado de Pernambuco
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Determinando Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem E Sobrestamento Da Análise Do Recurso Especial (juízo De Conformação)
- Legal Topics
- Piso Salarial Do Magistério, Aplicabilidade Da Lei 11.738/2008 a Professores Contratados Temporariamente, Repercussão Geral, Sobrestamento De Recurso Especial, Juízo De Conformação Nos Termos Dos Arts. 1.040 E 1.041 Do CPC
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Parties
Estado de Pernambuco
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Determinando Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem E Sobrestamento Da Análise Do Recurso Especial (juízo De Conformação)
Legal Issues
- 1 incidência da Súmula 284/STF
- 2 aplicabilidade do piso salarial previsto na Lei 11.738/2008 aos professores contratados temporariamente
- 3 necessidade de sobrestamento do recurso especial até o julgamento do STF no Tema 1.308 (ARE 1.487.739/PE)
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DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto pelo Estado de Pernambuco desafiando decisão da Presidência da Corte, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial com base na incidência da Súmula 284/STF. A parte recorrente, em suas razões, sustenta a não incidência da Súmula 284/STF, sob a alegação de que "o recurso especial demonstra que foram violados os arts. 2º, §§ 1º e 5º, 3º e 6º da Lei nº 11.738/2008, pois o acórdão do TJPE conferiu interpretação ampliativa à norma e, indevidamente, estendeu aos professores contratados temporariamente o direito ao piso do magistério público, indo de encontro aos conceitos jurídicos determinados de vencimento e carreira, expressamente consignados na legislação violada." Aduz que, "em análise a recurso especial interposto pelo ora AGRAVANTE nos autos do Processo nº 0000173-84.2022.8.17.2950, o qual versa sobre a mesma questão de direito objeto desta qual seja, a (in)aplicabilidade do piso salarial previsto na Lei 11.738/2008 aos professores contratados temporariamente , o Egrégio TJPE houve por bem admiti-lo e afetá-lo como representativo da controvérsia, determinando, no âmbito de sua competência, a suspensão dos demais processos que versem sobre a matéria, nos termos do art. 1.036, § 1º, do CPC". A parte agravada apresentou impugnação (fls. 249/254). É o relatório. Em novo exame dos autos, verifica-se que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema pertinente à hipótese em tela, "saber se o profissional da educação escolar pública contratado em regime temporário tem direito à complementação de remuneração do piso salarial para os profissionais do magistério público da educação básica", ARE 1.487.739/PE, julgado em 28/06/2024, DJe 23/07/2024 (Tema 1.308). Em recursos versando sobre temas submetidos ao rito da repercussão geral, o STF tem determinado o retorno dos processos para os Tribunais de origem, para aguardar o julgamento do recurso extraordinário representativo da controvérsia. A propósito: ARE 1.244.038 AgR-segundo-EDv-AgR-ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, DJe 10/12/2020; ARE 1.144.360 AgR-ED, Rel. Min. Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, DJe 19/02/2019; e ARE 1.181.843 AgR-ED, Rel. Min. Roberto Barroso, Primeira Turma, DJe 23/06/2020. Assim, em razão de economia processual e para se evitar a prolação pelo STJ de provimentos jurisdicionais em desconformidade com o que for definitivamente decidido pela Corte Suprema, é conveniente que a apreciação do recurso especial fique sobrestada até o exaurimento da competência do Tribunal de origem, que ocorrerá com o juízo de retratação ou de conformação a ser realizado pela instância ordinária, após o julgamento do recurso extraordinário sobre o mesmo tema afetado ao regime da repercussão geral, nos moldes dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC. Ressalte-se que a Primeira Turma do STJ, ao julgar o AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, ratificou a orientação de que, "Podendo a ulterior decisão do STF, em repercussão geral já reconhecida, afetar o julgamento da matéria veiculada no recurso especial, faz-se conveniente que o STJ, em homenagem aos princípios processuais da economia e da efetividade, determine o sobrestamento do especial e devolva os autos ao Tribunal de origem para que ali, em se fazendo necessário, seja oportunamente realizado o ajuste do acórdão local ao que vier a ser decidido na Excelsa Corte" (AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 28/06/2017). Assim é, porque o exaurimento da instância, para fins de cabimento dos recursos especial e extraordinário, depende do juízo de conformação a ser promovido pelas instâncias ordinárias. Logo, não se deve realizar o julgamento de recursos excepcionais (aí incluído o próprio recurso especial) antes do que vier a ser decidido pela Suprema Corte na repercussão geral sob seu encargo. Por outro lado, tanto o STF quanto este STJ possuem entendimento tranquilo de que incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repercussão geral ou repetitivo. Daí a compreensão pela necessidade do cumprimento da norma inserta no art. 1.040 do CPC, ou seja, do rejulgamento por órgão fracionário competente do recurso direcionado à Corte de origem (apelação, agravo de instrumento), se o acórdão estiver em confronto com o posicionamento consolidado em Corte Superior; ou a negativa de seguimento de recurso extraordinário/especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o precedente firmado. ANTE O EXPOSTO, torno sem efeito a decisão de fls. 234/235 e julgo prejudicada a análise do recurso, determinando a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido pela Excelsa Corte no referido Tema 1.308. Publique-se. EMENTA