REsp 1804286 - ACORDAO
Não conhecer do recurso especial por ausência de impugnação ao fundamento central do acórdão recorrido (incidência das Súmulas 283 e 284 do STF) e por ausência de prequestionamento (incidência da Súmula 211 do STJ); majorou-se em 10% os honorários em favor da parte recorrida nos termos do art. 85, §11 do CPC/2015.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: Central Nacional Unimed - Cooperativa Central; Administradora/terceiro: SERVBEM ADMINISTRADORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Não Conhecido
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Plano De Saúde Coletivo Por Adesão, Ilegitimidade Passiva, Responsabilidade Solidária, Prequestionamento, Súmulas 283 E 284 STF, Súmula 211 STJ, Honorários Sucumbenciais
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Parties
Central Nacional Unimed - Cooperativa Central
Recorrente
SERVBEM ADMINISTRADORA
Administradora/terceiro
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Não Conhecido
Legal Issues
- 1 legitimidade passiva da operadora de plano de saúde
- 2 responsabilidade solidária entre operadora e administradora de benefícios
- 3 incidência das Súmulas 283 e 284 do STF por ausência de impugnação ao fundamento central do acórdão recorrido
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial por ausência de impugnação ao fundamento central do acórdão recorrido (incidência das Súmulas 283 e 284 do STF) e por ausência de prequestionamento (incidência da Súmula 211 do STJ); majorou-se em 10% os honorários em favor da parte recorrida nos termos do art. 85, §11 do CPC/2015.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Majorar em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, §11, do Código de Processo Civil de 2015, observados os limites estabelecidos nos §§2º e 3º do mesmo artigo.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/11/2025 a 01/12/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi, João Otávio de Noronha e Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO. EXCLUSÃO DO USUÁRIO. ESTIPULANTE ILEGITIMIDADE PASSIVA. PLANO INDIVIDUAL COMERCIALIZAÇÃO. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A ausência de impugnação ao fundamento central do acórdão recorrido enseja a aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF. 2. A ausência de prequestionamento impede o conhecimento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula n. 211 do STJ. 3. Recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado: APELAÇÃO CIVEL. CANCELAMENTO DE PLANO DE SAÚDE COLETIVO. LEGITIMIDADE PASSIVA DA OPERADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE OPERADORA E ADMINISTRADORA. OBRIGAÇÃO DE FORNECIMENTO DE OUTRO PLANO SIMILAR. 1. Os fornecedores de plano de saúde são obrigados a disponibilizar plano similar ao consumidor em caso de cancelamento do plano coletivo. 2. Rejeitou-se a preliminar de ilegitimidade passiva. Negou-se provimento ao apelo. Sustenta a recorrente, em suma, dissídio jurisprudencial e violação aos arts. 285, inciso VI, do Código de Processo Civil de 2015, sob o argumento de ilegitimidade para figurar no polo passivo, porque "a adesão da recorrida ao plano de saúde da recorrente se deu através da SERVBEM ADMINISTRADORA, a qual é responsável pela cobrança mensal dos beneficiários e pelo repasse das solicitações de serviços médicos à recorrente, bem assim pela inclusão e exclusão dos beneficiários", bem assim em razão de não poder ser obrigada a disponibilizar plano de saúde individual que não comercializa. Contrarrazões às fls. 255-260. É o relatório. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO POR ADESÃO. EXCLUSÃO DO USUÁRIO. ESTIPULANTE ILEGITIMIDADE PASSIVA. PLANO INDIVIDUAL COMERCIALIZAÇÃO. SÚMULA 284/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. 1. A ausência de impugnação ao fundamento central do acórdão recorrido enseja a aplicação das Súmulas 283 e 284 do STF. 2. A ausência de prequestionamento impede o conhecimento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula n. 211 do STJ. 3. Recurso especial não conhecido. VOTO Verifico que o acórdão recorrido reconheceu a legitimidade passiva da ora recorrente, nos termos das seguintes passagens do voto condutor (fls. 212-213): A ré, Central Nacional Unimed - Cooperativa Central, apela, alegando, em preliminar, que não tem legitimidade para figurar no polo passivo da ação, uma vez que o contrato de plano de saúde foi firmado com a administradora de benefícios Servbem. Sem razão. No caso, trata-se de relação de consumo, na qual a operadora de plano de saúde figura como fornecedora por comercializar serviços, sendo, portanto, responsável solidariamente por eventuais danos causados aos beneficiários (CDC 3º 14 e 25§1º). Assim, conclui-se que a operadora tem legitimidade para figurar em demanda judicial referente ao contrato de plano de saúde. (..) Assim, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. Observo, todavia, que o argumento central do acórdão central do acórdão recorrido, no ponto relativo à solidariedade entre a estipulante do contrato de plano de saúde coletivo por adesão, não foi sequer ventilado nas confusas do razões do especial, que se limitaram a insistir na alegação de que "quem procedeu a exclusão da recorrida ao plano de saúde foi a SERVBEM ADMINISTRADORA", razão pela qual incidem as Súmulas 283 e 284 do STJ. Em relação ao argumento da impossibilidade de ser obrigada a disponibilizar plano de saúde individual que não comercializa, verifico que disponibilização desse produtos foi expressamente admita pela ora recorrente na contestação (fls. 88-89): Para que se estabeleça um contrato coletivo, diversas condições são analisadas, que variam desde a cobertura até a quantidade de beneficiários que farão parte do contrato, o que por sua vez, melhora as condições financeiras das mensalidades, diferente do que ocorre em um plano individual. No entanto, não pode a autora ser reativada pela operadora em seu plano antes vigente, estando o contrato com a ADMINISTRADORA SERVBEM ADESÃO NACIONAL rescindido. Isso demandaria a necessidade da reativação em contrato individual, no entanto, a tabela de valores praticada para esta modalidade, diferencia em muito da contratada pela ADMINISTRADORA. Veja Excelência que nessa situação, a CENTRAL NACIONAL UNIMED será prejudicada, assim como toda a sua carteira de clientes que contrataram legitimamente o plano. Neste sentido, deve a administradora ser responsável pela condução da autora a novo plano de saúde, que pode ser contratado com outra operadora, ou poderá a autora procurar a CENTRAL NACIONAL UNIMED ora recorrente para realizar novo contrato, individual/familiar, caso não seja elegível para contratação de outro plano COLETIVO, nos termos da Resolução Normativa nº 195. (destaques do do original). E no recurso de apelação (fl. 148): Cumpre a princípio esclarecer que por determinação legal, a apelante comercializa três tipos de planos privados de assistência à saúde: 1) individual ou familiar; 2) coletivo empresarial e 3) coletivo por adesão. Diante disso, essa matéria foi objeto de deliberação pelo acórdão recorrido, razão pela qual, ausente o requisito do prequestionamento, incide também o enunciado da Súmula 211/STJ, no ponto. Em face do exposto, não conheço d o recurso especial e, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. É como voto.