AREsp 2497402 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o tribunal a quo apreciou e fundamentou a matéria de forma suficiente (art.1.022/CPC), a modificação da decisão demandaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n.7 do STJ, e houve ausência de prequestionamento de questões invocadas, impedindo seu exame no STJ.
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- Parties
- Autor: JESSICA PEREIRA GONÇALVES; Réu: UNIVERSIDADE DE PELOTAS/RS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 February 2024
- Procedural Posture
- Ação De Rito Comum / Agravo Em Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Políticas Afirmativas, Reserva De Vaga, Ingresso Em Universidade, Cotas (l2)
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Parties
JESSICA PEREIRA GONÇALVES
Autor
UNIVERSIDADE DE PELOTAS/RS
Réu
Procedural Posture
Ação De Rito Comum / Agravo Em Recurso Especial No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 direito à matrícula em vaga reservada (cota L2) por candidata egressa de ensino privado
- 2 obrigatoriedade de resposta a todos os pontos pelas instâncias de origem (art.1.022 CPC/2015 vs art.489 CPC/2015)
- 3 vedação ao reexame fático-probatório em recurso especial (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o tribunal a quo apreciou e fundamentou a matéria de forma suficiente (art.1.022/CPC), a modificação da decisão demandaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n.7 do STJ, e houve ausência de prequestionamento de questões invocadas, impedindo seu exame no STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Majoração de honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados os limites e a gratuidade se aplicáveis.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada por JESSICA PEREIRA GONÇALVES contra a UNIVERSIDADE DE PELOTAS/RS, requerendo sua matrícula no Curso Superior em Zootecnia - Bacharelado/ INTEGRAL, na cota L2, permitindo acesso regular as aulas. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 1.000,00 (Mil reais). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. POLÍTICAS AFIRMATIVAS. INGRESSO EMUNIVERSIDADE. RESERVA DE VAGA. CANDIDATA EGRESSA DEENSINO PRIVADO, AINDA QUE POR CURTOPERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. CANDIDATOS QUE CURSARAM O ENSINO FUNDAMENTAL OU MÉDIO EMESCOLAS PRIVADAS, A DESPEITO DA SITUAÇÃO DE CARÊNCIA ECONÔMICA, NÃO TÊMDIREITO ÀS VAGAS RESERVADAS PARA EGRESSOS DO ENSINO PÚBLICO, NA MEDIDA EMQUE O CRITÉRIO ADOTADO PELA POLÍTICA PÚBLICA É JURIDICAMENTE LEGÍTIMO. O FATO DETER ACESSO AO ENSINO PRIVADO AINDA QUE POR CURTO PERÍODO APONTA PARA AIGUALDADE DE OPORTUNIDADES, PELO MENOS QUANTO A ESTE QUESITO, ENTRE TALCANDIDATO E TODOS OS DEMAIS QUE TAMBÉM SE INSCREVERAM PARA AS VAGAS GERAIS,NÃO SE PODENDO CONCLUIR, PORTANTO, PELA VULNERABILIDADE BUSCA DA DA IGUALDADE FÁTICA, ENTENDIDA COMO IGUALDADE DE OPORTUNIDADES ENTRE OS CONCORRENTES. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. Não há violação do 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (art. 1º da Lei n. 12.711/2012 e art. 2º da Lei n. 9.784/99) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Não cabe ao STJ a análise de suposta violação de dispositivos constitucionais, ainda que para o fim de prequestionamento, porquanto o julgamento de matéria de índole constitucional é de competência exclusiva do STF, consoante disposto no art. 102, III, da Constituição Federal. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.604.506/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 16/2/2017, DJe de 8/3/2017; EDcl no AgInt no REsp n. 1.611.355/SC, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 14/2/2017, DJe de 24/2/2017. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA