AREsp 2525501 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acolhimento da tese defensiva demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório apreciado pelas instâncias ordinárias, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; as instâncias de origem demonstraram coerência e harmonia entre os...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: GABRIEL GILSON ALVES DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Posse Ilegal De Arma De Fogo, Prova Testemunhal Policial, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj E Vedação Ao Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GABRIEL GILSON ALVES DOS SANTOS
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 violação do art. 14 da Lei 10.826/2003
- 2 admissibilidade de condenação baseada exclusivamente em depoimento de policial
- 3 necessidade de reexame fático-probatório e aplicação da Súmula 7/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o acolhimento da tese defensiva demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório apreciado pelas instâncias ordinárias, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ; as instâncias de origem demonstraram coerência e harmonia entre os elementos probatórios (auto de exibição e apresentação, laudo pericial, depoimentos e interrogatório), justificando a manutenção do acórdão condenatório e a não admissão do recurso.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por GABRIEL GILSON ALVES DOS SANTOS, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS, assim ementado (e-STJ, fls. 219-224): "APELAÇÃO CRIMINAL. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. PEDIDO DE ABSOLVIÇÃO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVAS DE AUTORIA DELITIVA. NÃO ACOLHIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE PARA EMBASAR O ÉDITO CONDENATÓRIO. INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS CAPAZES DE DEMONSTRAR A IMPRESTABILIDADE DO TESTEMUNHO PRESTADO PELO POLICIAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO". Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 14, da Lei 10.826/2003. Aduz para tanto, em síntese, que "as provas são frágeis, haja vista que os depoimentos dos policiais que efetuaram a prisão em flagrante não se encontram fundamentados em outros elementos de provas existentes nos autos" (e-STJ, fl. 239). Com contrarrazões (e-STJ, fls. 246-248), o recurso especial foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 250-251), ao que se seguiu a interposição de agravo. Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo não provimento do recurso (e-STJ, fls. 287-289). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. Sobre a tese absolutória, vale destacar o seguinte trecho do aresto: "10. Compulsando os autos, verifica-se que foi devidamente comprovada a materialidade do crime imputado, demonstrada por meio do Auto de Exibição e Apresentação (fl. 07), bem como do Laudo Pericial (fls. 97/103), de modo que é inconteste a apreensão de 01 revólver, calibre 38, com numeração 205114. 11. No tocante à autoria, da leitura da Sentença, depreende-se que o Magistrado singular, além de ter se lastreado nas circunstâncias em que ocorreu o flagrante, amparou a condenação no depoimento testemunhal colhido em juízo, prestado em total harmonia com os demais elementos informativos constantes dos autos, tais como os depoimentos das testemunhas e o interrogatório do acusado colhidos durante o inquérito policial. 12. Neste caminhar, ressalte-se que, durante o inquérito policial foram ouvidas duas testemunhas, os Policiais Militares Jhonson Bulhões da Rosa Silva e Thiago de Asevedo Lima (fls. 06 e 08), assim como foi realizado o interrogatório do apelante (fls. 9/10), ocasião em que este confessou a autoria do delito. 13. Em sede judicial, o Policial Militar Thiago de Asevedo Lima, ao prestar seu depoimento (mídia digital à fl. 152), o fez de forma uníssona às declarações prestadas na fase inquisitorial. 14. No ponto, cumpre salientar que a segunda testemunha, o Policial Militar Jhonson Bulhões da Rosa Silva não pôde ser ouvido judicialmente, uma vez que já falecido ao tempo da audiência, conforme certidão à fl. 131. 15. Por sua vez, o recorrente Gabriel Gilson Alves Santos, ao ser interrogado em juízo (mídia digital à fl. 152), contrariou toda a versão por ele descrita em sede policial, negou a posse da arma de fogo e alegou que uma parente sua havia presenciado quando um policial militar teria colocado uma arma em seu quarto. 16. Em que pese a nova versão apresentada pelo apelante em seu interrogatório judicial, observa-se que este não apresentou qualquer meio de prova apto a embasá-la, nem mesmo soube informar o nome completo ou endereço da parente que supostamente teria testemunhado os fatos. 17. À luz desse contexto, constata-se que existem elementos probatórios suficientes para amparar o édito condenatório, especialmente o depoimento prestado pela testemunha que efetuou a prisão em flagrante do acusado, uma vez que está em plena coerência com os elementos informativos coligidos aos autos ainda na fase de investigação. 18. Vê-se, portanto, que o decisum combatido está em consonância com o entendimento perfilhado pelo Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual é admissível a condenação alicerçada em depoimentos prestados, em Juízo, pelos policiais responsáveis pela prisão em flagrante, mormente quando inexistentes elementos aptos a demonstrar sua inidoneidade" (e-STJ, fls. 221-222). Como se vê, as instâncias ordinárias demonstraram a coesão e harmonia das provas dos autos para atestar a materialidade e autoria do delito. Nesse sentido, concluíram que a arma de fogo foi localizada na posse do réu, restando devidamente caracterizado o crime. Embora este relator concorde com o argumento defensivo sobre a impossibilidade de a comprovação de qualquer elemento do crime repousar apenas no testemunho do policial, minha visão sobre o tema restou vencida no âmbito da Quinta Turma no julgamento do AREsp 1.936.393/RJ, cuja ementa transcrevo: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. CONDENAÇÃO BASEADA EXCLUSIVAMENTE NOS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS RESPONSÁVEIS PELA PRISÃO EM FLAGRANTE. DESATENDIMENTO AOS CRITÉRIOS DE COERÊNCIA INTERNA, COERÊNCIA EXTERNA E SINTONIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS AUTOS. DESTAQUE À VISÃO MINORITÁRIA DO MINISTRO RELATOR QUANTO À IMPOSSIBILIDADE DE A CONDENAÇÃO SE FUNDAMENTAR EXCLUSIVAMENTE NA PALAVRA DO POLICIAL. UNANIMIDADE, DE TODO MODO, QUANTO À NECESSIDADE DE ABSOLVIÇÃO DO RÉU. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL, A FIM DE RESTAURAR A SENTENÇA ABSOLUTÓRIA. 1. Os depoimentos judiciais dos agentes policiais que efetuaram a prisão do réu em flagrante apresentam inconsistências, detectadas pela sentença absolutória, que não foram adequadamente ponderadas no acórdão recorrido. 2. O testemunho prestado em juízo pelo policial deve ser valorado, assim como acontece com a prova testemunhal em geral, conforme critérios de coerência interna, coerência externa e sintonia com as demais provas dos autos, não atendidos na hipótese. Inteligência dos arts. 155 e 202 do CPP. 3. Ressalta-se a visão minoritária do Ministro Relator, acompanhada pelo Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, segundo a qual a palavra do agente policial quanto aos fatos que afirma ter testemunhado o acusado praticar não é suficiente para a demonstração de nenhum elemento do crime em uma sentença condenatória. É necessária, para tanto, sua corroboração mediante a apresentação de gravação dos mesmos fatos em áudio e vídeo. 4. Embora não tenha prevalecido no julgamento essa compreensão restritiva do Ministro Relator sobre a necessidade de corroboração audiovisual do testemunho policial, foi unânime a votação pela absolvição do réu, por insuficiência de provas, na forma do art. 386, V e VII, do CPP. 5. Agravo conhecido para dar provimento ao recurso especial, a fim de restaurar a sentença absolutória". (AREsp n. 1.936.393/RJ, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 25/10/2022, DJe de 8/11/2022.) Assim, ressalvo meu ponto de vista pessoal e sigo o entendimento firmado pelo colegiado no referido precedente, que se encontra em sintonia com a orientação adotada pelo Tribunal de origem ao se valer do depoimento do policial militar para condenar o réu. Dessa maneira, o afastamento das conclusões do acórdão recorrido no ponto de mandaria o revolvimento fático-probatório, providência inviável em sede de recurso especial, conforme dispõe a Súmula 7/STJ. A propósito: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME DE TRÂNSITO. DESOBEDIÊNCIA. ABSOLVIÇÃO. SUM. 7/STJ. MAUS ANTECEDENTES. EXISTÊNCIA DE DUAS CONDENAÇÕES TRANSITADAS EM JULGADO POR FATOS ANTERIORES AO APURADO NOS AUTOS. PENA SUBSTITUTIVA. MEDIDA SOCIALMENTE NÃO RECOMENDÁVEL. NECESSIDADE DE EXAME DE PROVA. I - As instâncias ordinárias, soberanas na análise das circunstâncias fáticas da causa, entenderam que o acusado praticou o delito de desobediência. Concluir de forma diversa, nesta oportunidade, absolvendo o acusado, implica exame aprofundado de provas, vedado em recurso especial, conforme a Súmula n. 7/STJ. II - O agravante possui duas condenações, por fatos anteriores ao aqui apurado, ambas transitadas em julgado, estando configurados os maus antecedentes. III - As instâncias ordinárias entenderam que a pena substitutiva não era socialmente recomendável. Concluir de forma diversa, implica exame aprofundado de prova, vedado a teor da Súm. n. 7/STJ. IV - Agravo regimental improvido". (AgRg no AREsp n. 969.151/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 21/3/2017, DJe de 29/3/2017.) Ante o exposto, com fundamento no art. 253, parágrafo único, II, "a", do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA