HC 916015 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a matéria principal (nulidade do flagrante preparado) não foi examinada pelo tribunal de origem, configurando hipótese de supressão de instância; subsidiariamente, não há constrangimento ilegal na dosimetria e no regime, pois maus antecedentes e reincidência justificaram o aumento...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: LUIS AUGUSTO VICTORIO; Órgão Julgador: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal nº 1500500-86.2023.8.26.0583)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (art. 34, Xx, Ristj)
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus (art. 34, XX, RISTJ)
- Legal Topics
- Posse Ilegal De Arma De Fogo, Flagrante Preparado, Nulidade De Flagrante, Dosimetria Da Pena, Regime Prisional, Habeas Corpus Substitutivo, Súmula 269 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUIS AUGUSTO VICTORIO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal nº 1500500-86.2023.8.26.0583)
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (art. 34, Xx, Ristj)
Legal Issues
- 1 nulidade da prisão por alegado flagrante preparado
- 2 constrangimento ilegal na dosimetria da pena e no regime inicial de cumprimento
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a matéria principal (nulidade do flagrante preparado) não foi examinada pelo tribunal de origem, configurando hipótese de supressão de instância; subsidiariamente, não há constrangimento ilegal na dosimetria e no regime, pois maus antecedentes e reincidência justificaram o aumento da pena-base e a fixação do regime inicialmente fechado.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus (art. 34, XX, RISTJ)
Orders
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de LUIS AUGUSTO VICTORIO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação Criminal nº 1500500-86.2023.8.26.0583). Consta dos autos que o paciente foi definitivamente condenado pelo crime de posso ilegal de arma de fogo às penas de 2 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão, no regime fechado, mais o pagamento de 12 dias-multa. No writ impetrado nesta Corte Superior, sustenta a defesa a nulidade do flagrante delito realizado contra o paciente, pois, ao que tudo indica, um policial teria se passado por comprador de arma de fogo, em verdadeiro flagrante preparado. Alega, ainda, a ocorrência de constrangimento ilegal ao fixar a pena-base acima do mínimo legal e o regime fechado para o início de cumprimento da pena. Requer, ao final, seja declarada nula a condenação imposta ao paciente. É o relatório. Decido. De plano, da leitura do acórdão impugnado, observa-se que o tema principal da impetração - nulidade da prisão em razão do flagrante preparado - não foi objeto de exame pela Corte de origem, o que impede o conhecimento do tema por este Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Desse modo, "como os argumentos apresentados pela Defesa não foram examinados pelo Tribunal de origem no acórdão ora impugnado, as matérias não podem ser apreciadas por esta Corte nesta oportunidade, sob pena de indevida supressão de instância" (AgRg no HC n. 820.927/RJ, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023). No mesmo sentido, é entendimento da Corte Maior que " o exaurimento da instância recorrida é, como regra, pressuposto para ensejar a competência do Supremo Tribunal Federal, conforme vem sendo reiteradamente proclamado por esta Corte (HC 129.142, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Rel. p/ Acórdão Min. ALEXANDRE DE MORAES Primeira Turma, DJe de 10/8/2017; RHC 111.935, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe de 30/9/2013; HC 97.009, Rel. p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, DJe de 4/4/2014; HC 118.189, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, DJe de 24/4/2014)". (HC n. 179.085, Rel. Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 05/08/2020, DJe 25/09/2020). Quanto à pena-base, foi utilizado os maus antecedentes para aumentar a reprimenda em 1/6 (e-STJ fl. 67), o que afasta o apontado constrangimento ilegal na dosimetria da pena. Em relação ao regime prisional, não é a hipótese de aplicação do enunciado n. 269 da Súmula desta Corte Superior, o qual incide apenas aos casos em que o réu é reincidente, mas apresenta circunstâncias judiciais positivas. Ante os maus antecedentes do paciente e a reincidência, foi correta a fixação do regime prisional inicialmente fechado. Ao ensejo, colhe-se da jurisprudência desta Corte: HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. DESCABIMENTO. FURTO QUALIFICADO. PENA INFERIOR A 4 ANOS. RÉU REINCIDENTE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. REGIME INICIAL FECHADO. POSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA N. 269 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. WRIT NÃO CONHECIDO. - O STJ, seguindo a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, passou a inadmitir habeas corpus substitutivo de recurso próprio, ressalvando, porém, a possibilidade de concessão da ordem de ofício nos casos de flagrante constrangimento ilegal. - É cabível a adoção do regime prisional fechado aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a 4 anos se desfavoráveis as circunstâncias judiciais. Inaplicabilidade do Enunciado n. 269 da Súmula do STJ. - Habeas corpus não conhecido (HC 312.055/SP, Rel. Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 09/10/2015). HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO. FURTO SIMPLES. PACIENTE REINCIDENTE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. CONDENAÇÃO DE 2 (DOIS) ANOS DE RECLUSÃO. REGIME INICIAL FECHADO. POSSIBILIDADE. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, não tem admitido a impetração de habeas corpus em substituição ao recurso próprio, prestigiando o sistema recursal ao tempo que preserva a importância e a utilidade do writ, visto permitir a concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. 2. Nos termos do enunciado n. 269 da Súmula desta Corte, "é admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes condenados à pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais". 3. Na espécie, a despeito de a reprimenda final ser inferior a 4 (quatro) anos, o paciente é reincidente e a pena-base foi estabelecida acima do piso legal, em razão da avaliação negativa de circunstâncias judiciais, não havendo, portanto, constrangimento ilegal na fixação do regime inicial fechado, consoante dispõe o art. 33, §§ 2º e 3º, c/c o art. 59, ambos do Código Penal. 4. Habeas corpus não conhecido (HC 318.059/SP, Rel. Ministro LEOPOLDO DE ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 13/05/2015). Não evidenciado, pois, o apontado constrangimento ilegal. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do RISTJ, não conheço do presente habeas corpus. Intimem-se. EMENTA