AREsp 2668185 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se a decisão recorrida porque, diante da quantidade e do contexto da apreensão (tentativa de fuga, simulacro de arma, reincidência, evadição do sistema prisional e maus antecedentes), não estão presentes os requisitos para aplicação do princípio da insignificância, razão...
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- Parties
- Agravante: JOÃO CARLOS LOPES DA SILVA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Posse Ilegal De Munição, Princípio Da Insignificância, Lei N. 10.826/2003, Reincidência, Admissibilidade De Recurso Especial, Juízo Prévio De Admissibilidade
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Parties
JOÃO CARLOS LOPES DA SILVA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 violação do art. 12, caput, da Lei n. 10.826/2003
- 2 aplicabilidade do princípio da insignificância à posse de munições desacompanhadas de arma
- 3 relevância da reincidência e maus antecedentes para afastar a insignificância
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, no mérito, manteve-se a decisão recorrida porque, diante da quantidade e do contexto da apreensão (tentativa de fuga, simulacro de arma, reincidência, evadição do sistema prisional e maus antecedentes), não estão presentes os requisitos para aplicação do princípio da insignificância, razão pela qual não houve violação do art. 12 da Lei n. 10.826/2003 e o recurso especial foi negado provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOÃO CARLOS LOPES DA SILVA agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia na Apelação Criminal n. 7012141-32.2022.8.22.0014. Nas razões do recurso especial, a defesa aponta a violação do art. 12, caput, da Lei n. 10.826/2003. Busca a absolvição do agravante com base na atipicidade material da conduta, dada a apreensão de cinco munições desacompanhadas de armamento capaz de deflagrá-las. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do reclamo (fls. 271-274). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. O especial, por sua vez, suplanta o juízo de prelibação, haja vista a ocorrência do necessário prequestionamento, além de estarem presentes os demais pressupostos de admissibilidade (cabimento, legitimidade, interesse, inexistência de fato impeditivo, tempestividade e regularidade formal), motivos pelos quais avanço na análise de mérito da controvérsia. Extrai-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 2 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão mais 14 dias-multa, em regime semiaberto, pela prática dos delitos previstos nos arts. 12 e 14, da Lei n. 10.826/2003, porque maninha sob guarda 4 munições de calibre .38 e 1 cartucho de calibre 9 mm, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Sobre a matéria posta em exame, a Corte de origem consignou (fls. 200-201, grifei): Não obstante a tese defensiva, anoto que entendo ser inaplicável o princípio da insignificância para esses delitos, porquanto essa conduta não se revela de escassa ofensividade penal e social. Pelo contrário, deve ser considerada censurável, notadamente diante das circunstâncias concretas da abordagem, pois o réu tentou fugir quando avistou os policiais, bem como por ter sido encontrado um simulacro de arma de fogo, o que evidencia a ofensividade das condutas. .. Ademais, infere-se que o apelante é reincidente (conforme atestado de pena - ID21249327) e que na época dos fatos encontrava-se evadido do sistema prisional, o que afasta o princípio da bagatela, uma vez que sua incidência requisita, ainda, como na lição do Excelso Supremo Tribunal Federal, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento, a inexpressividade da lesão jurídica provocada, a mínima ofensividade da conduta do agente e que não haja nenhuma periculosidade social da ação. Esta Corte alinhou-se ao entendimento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal e passou a reconhecer o princípio da insignificância em situações excepcionais, de posse de ínfima quantidade de munições e de ausência do artefato capaz de dispará-las, aliadas a elementos acidentais da ação que evidenciem a total inexistência de perigo à incolumidade pública. Embora possível, a aplicação do princípio em apreço "não pode levar à situação de proteção deficiente ao bem jurídico tutelado. Portanto, não se deve abrir muito o espectro de sua incidência, que deve se dar apenas quando efetivamente mínima a quantidade de munição apreendida, em conjunto com as circunstâncias do caso concreto, a denotar a inexpressividade da lesão" (HC n. 458.189/MS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 28/9/2018, destaquei). Para entender-se pela atipicidade material da conduta, devem estar presentes a mínima ofensividade da conduta, nenhuma periculosidade social da ação, o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica ocasionada. A posse de munição, durante o cumprimento de pena, por agente que tem registro de maus antecedentes e reincidência, não é irrelevante; denota perigo significativo à ordem pública. Vale destacar que o acórdão recorrido apontou que, com o réu foi "encontrado um simulacro de arma de fogo" (fl. 200). Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÕES DE USO PERMITIDO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. CONTEXTO DA APREENSÃO REVELADOR DA PERICULOSIDADE SOCIAL DA AÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Conforme o entendimento firmado por esta Corte, é possível, de modo excepcional, a aplicação do princípio da insignificância nos casos em que há apreensão de pequena quantidade de munição de uso permitido, desacompanhada de arma de fogo, a depender da análise do contexto em que ocorreu essa apreensão. 2. No caso, a Corte local entendeu que restou configurada a lesividade da conduta do Agravante, tendo em vista que as nove munições encontradas em sua residência foram apreendidas em contexto fático que envolve a prática de outro delito, o que afasta a pleiteada aplicação do princípio da insignificância. Ademais, extrai-se da sentença condenatória que o Agravante é reincidente e ostenta maus antecedentes, tendo sido condenado pela prática de dois crimes de roubo qualificado, o que corrobora a ausência do reduzido grau de reprovabilidade da conduta. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 759.289/SC, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 5/3/2024, grifei) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. POSSE IRREGULAR DE MUNIÇÃO DE USO PERMITIDO. POSSIBILIDADE, EM TESE, DE INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE, NO CASO CONCRETO. DUPLA REINCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça aponta que os crimes previstos nos artigos 12, 14 e 16 da Lei n. 10.826/2003 são de perigo abstrato, sendo desnecessário perquirir sobre a lesividade concreta da conduta, porquanto o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física e, sim, a segurança pública e a paz social. 2. Por outro lado, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, esta Corte passou a admitir a incidência do princípio da insignificância quando se tratar de posse de pequena quantidade de munição, desacompanhada de armamento capaz de deflagrá-la, e ficar evidenciado o reduzido grau de reprovabilidade da conduta. 3. No caso em exame, contudo, a dupla reincidência do réu obsta a concessão da benesse (e-STJ, fl. 187), por evidenciar a contumácia delitiva. Precedentes. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 2.109.857/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024, destaquei) Logo, a Corte de origem decidiu a controvérsia em consonância com a jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça. À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA