HC 858610 - ACORDAO
Não conhecer do habeas corpus enquanto sucedâneo de recurso especial/revisão criminal e, no mérito, negar provimento ao agravo regimental porque a abordagem policial não configurou flagrante ilegalidade: esteve fundamentada em denúncia anônima especificada e diligências prévias que forneceram fundada suspeita nos...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: GILBERTO AMADEU RODRIGUES DA SILVA; Paciente: ANDRÉ FURNI DA SILVA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Colegiada Quinta Turma Negou Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- A Quinta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Posse Irregular E Porte Ilegal De Arma De Fogo De Uso Permitido, Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso Especial/revisão Criminal, Denúncia Anônima Especificada, Busca Pessoal E Veicular, Fundada Suspeita (art. 244 Cpp)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GILBERTO AMADEU RODRIGUES DA SILVA
Paciente
ANDRÉ FURNI DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Decisão Colegiada Quinta Turma Negou Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso especial ou revisão criminal
- 2 legalidade da abordagem policial fundada em denúncia anônima especificada e existência de fundada suspeita para busca pessoal/veicular
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus enquanto sucedâneo de recurso especial/revisão criminal e, no mérito, negar provimento ao agravo regimental porque a abordagem policial não configurou flagrante ilegalidade: esteve fundamentada em denúncia anônima especificada e diligências prévias que forneceram fundada suspeita nos termos do art. 244 do CPP, justificando a busca pessoal e veicular e afastando a nulidade pretendida pela defesa.
Court Disposition
A Quinta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. POSSE IRREGULAR E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. IMPETRAÇÃO COMO SUCEDÂNEO DE RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. DENÚNCIA ANÔNIMA ESPECIFICADA. BUSCA PESSOAL E VEICULAR. FUNDADA SUSPEITA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CARACTERIZADO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, utilizado como substituto de recurso especial ou revisão criminal, sob o argumento de que não houve flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ordem de ofício. O agravante pleiteia a reconsideração da decisão ou o provimento do agravo regimental pelo colegiado. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se o habeas corpus pode ser admitido como substitutivo de recurso próprio; (ii) verificar se a abordagem policial, fundada em denúncia anônima especificada, configura ilegalidade apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) não admite o habeas corpus como substituto de recurso especial ou revisão criminal, exceto em casos de flagrante ilegalidade. 4. No caso em questão, a denúncia anônima que originou a abordagem policial foi considerada especificada, pois continha elementos concretos, como o número de telefone do investigado e informações detalhadas sobre a atividade suspeita, o que justificou a ação policial. 5. A busca pessoal e veicular realizada com base em fundada suspeita e confirmada por indícios concretos não configura abuso de poder ou ilegalidade. A diligência policial foi amparada pelo art. 244 do Código de Processo Penal, que dispensa a necessidade de mandado nas hipóteses de fundada suspeita. 6. Não foi constatada a existência de flagrante ilegalidade ou teratologia no ato impugnado que justificasse a concessão de ordem de ofício. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
RELATÓRIO Tendo em vista as orientações e valores destacados no Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, o qual está pautado em instrumentos internacionais de direitos humanos e de acesso à Justiça, adoto o último relatório contido nos autos (e-STJ, fls. 148-149). O agravante requer a reconsideração da decisão ou o provimento de seu recurso pelo colegiado. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. POSSE IRREGULAR E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. IMPETRAÇÃO COMO SUCEDÂNEO DE RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. DENÚNCIA ANÔNIMA ESPECIFICADA. BUSCA PESSOAL E VEICULAR. FUNDADA SUSPEITA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CARACTERIZADO. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, utilizado como substituto de recurso especial ou revisão criminal, sob o argumento de que não houve flagrante ilegalidade que justificasse a concessão de ordem de ofício. O agravante pleiteia a reconsideração da decisão ou o provimento do agravo regimental pelo colegiado. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se o habeas corpus pode ser admitido como substitutivo de recurso próprio; (ii) verificar se a abordagem policial, fundada em denúncia anônima especificada, configura ilegalidade apta a ensejar a concessão da ordem de ofício. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) não admite o habeas corpus como substituto de recurso especial ou revisão criminal, exceto em casos de flagrante ilegalidade. 4. No caso em questão, a denúncia anônima que originou a abordagem policial foi considerada especificada, pois continha elementos concretos, como o número de telefone do investigado e informações detalhadas sobre a atividade suspeita, o que justificou a ação policial. 5. A busca pessoal e veicular realizada com base em fundada suspeita e confirmada por indícios concretos não configura abuso de poder ou ilegalidade. A diligência policial foi amparada pelo art. 244 do Código de Processo Penal, que dispensa a necessidade de mandado nas hipóteses de fundada suspeita. 6. Não foi constatada a existência de flagrante ilegalidade ou teratologia no ato impugnado que justificasse a concessão de ordem de ofício. IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. VOTO O agravo regimental é tempestivo e indicou os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual deve ser conhecido. No entanto, não verifico elementos suficientes para reconsiderar a decisão proferida, cuja conclusão mantenho pelos seus próprios fundamentos (e-STJ, fls. 148-152): Cuida-se de habeas corpus sem pedido de liminar, impetrado em favor de GILBERTO AMADEU RODRIGUES DA SILVA e ANDRÉ FURNI DA SILVA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Apelação Criminal e Embargos de Declaração nº 0009367-27.2019.8.24.0038/SC). O MM. Juiz da 1ª Vara Criminal da comarca de Joinville-SC condenou Gilberto Amadeu Rodrigues da Silva ao cumprimento da pena privativa de liberdade de 02 (dois) anos de reclusão, em regime aberto, bem como ao pagamento de 10 (dez) dias-multa, por infração ao art. 14, da Lei n.10.826/03, substituída a reprimenda corporal por duas restritivas de direitos. Já André Furni da Silva foi condenado ao cumprimento das penas de 02 (dois) anos de reclusão e 01 (um) ano de detenção, ambas em regime aberto, além do pagamento de 20 (vinte) dias-multa, pela prática dos delitos previstos nos arts. 12 e 14, do mesmo Diploma legal, substituída a reprimenda corporal por duas restritivas de direitos. O Tribunal de origem rejeitou os embargos de declaração opostos pela defesa em acórdão assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CRIMINAL. SUSTENTADA OCORRÊNCIA DE OMISSÃO INDIRETA, POR AUSÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE DA AÇÃO POLICIAL QUANDO DA ABORDAGEM INICIAL. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO. DESNECESSIDADE DE ANÁLISE, DE OFÍCIO, EM ESPECIAL PORQUE INEXISTENTE MANIFESTA ILEGALIDADE. ATUAÇÃO DOS POLICIAIS CIVIS EMBASADA NA EXISTÊNCIA DE FUNDADOS INDÍCIOS, OBTIDOS POR MEIO DE DILIGÊNCIAS PRÉVIAS, QUANTO À SITUAÇÃO DE FLAGRÂNCIA. EMBARGOS REJEITADOS. (e-STJ 10). No presente writ, o impetrante sustenta, em síntese, que a ação policial que resultou na prisão dos pacientes em flagrante teve origem em busca pessoal ilegal, visto que não amparada em "fundada suspeita". Ressalta não existir nos autos nenhuma justificativa legal para a abordagem dos pacientes, asseverando que a denúncia anônima não seria suficiente para caracterizar a "fundada suspeita" necessária, nos termos do artigo 244, do Código de Processo Penal, para se realizar a busca pessoal sem mandado judicial. Esclarece que, nos termos do art. 157, caput e §1º do Código de Processo Penal, o fato de, posteriormente, terem os policiais encontrando uma arma de fogo na posse dos pacientes não convalida a ilegalidade prévia. Requer a concessão da ordem para que seja declarada a nulidade da busca pessoal, com a consequente absolvição dos pacientes (e-STJ 03/09). A origem prestou informações no e-STJ 92/98 e 99/128. O Ministério Público se manifestou pelo não conhecimento do habeas corpus (e-STJ 13 7/145). É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do col. Pretório Excelso, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio, situação que implica o não conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal, sendo possível a concessão da ordem de ofício. "Diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, o Superior Tribunal de Justiça passou a acompanhar a orientação do Supremo Tribunal Federal, no sentido de ser inadmissível o emprego do writ como sucedâneo de recurso ou revisão criminal, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade" (HC n. 602.425/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 10/3/2021, DJe de 6/4/2021.) O entendimento é de elevada importância, porquanto deve-se utilizá-lo para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. Inviável, portanto, o conhecimento do writ em análise, porquanto manejado como substitutivo de recurso especial/revisão criminal. Também não cabe conceder a ordem de ofício diante da inexistência de flagrante ilegalidade ou teratologia do ato impugnado. Vejamos: A Corte de origem assim se manifestou sobre a questão: .. E, no presente caso, entende-se que inexistia manifesta ilegalidade capaz de justificar atuação de ofício por esta Câmara. Isso porque, não obstante a Defesa sustente que a abordagem dos Agentes Públicos ocorreu em virtude de denúncia anônima, não é esta a situação dos autos. O Policial Civil Reginaldo, ao ser ouvido em Juízo, relatou que, ao que se recordava, "ele anunciou essa arma num grupo de caça, de whatsapp, aí algum conhecido do Delegado passou essa informação, né, pra ele, a gente fez um levantamento prévio pelo telefone e conseguiu chegar até ele". Destacou, ainda, que: .. nós temos várias formas de se chegar a isso, né, existe sim, tá, a gente não chega, a gente não cai de paraquedas em nenhum caso, sempre existe uma apuração prévia. Muitas das denúncias que a gente recebe, as vezes, pelos nossos canais, elas acabam se mostrando infrutíferas, né. Esse caso, a gente tem um levantamento, a gente chegou até ele, pelo que eu me lembro foi porque ele usou o próprio número pra fazer o anúncio, então por levantamento do número a gente chegou até ele. As palavras do Agente Público, nota-se, dão conta de que a informação inicial não foi, ao contrário do sustentado pela Defesa, obtida por meio de denúncia apócrifa, e inclusive dava conta do número de telefone utilizado para a comercialização de arma de fogo em grupo de whatsapp, por meio do qual, após averiguação, foi possível identificar os réus. Entende-se, assim, que os Policiais Civis se cercaram dos necessários cuidados,a fim de averiguar a veracidade e plausibilidade dos elementos inicialmente recebidos,justamente com o intuito de evitar a realização de diligência nula. Inexistia e inexiste, portanto, flagrante ilegalidade capaz de ensejar o acolhimento do pleito defensivo. .. (e-STJ 11/13). Conforme previsto no art. 244 do Código de Processo Penal, a busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. Destaco, também, que a jurisprudência desta Corte de Justiça exige, em termos de standard probatório para busca pessoal ou veicular sem mandado judicial, a existência de fundada suspeita (justa causa) - baseada em um juízo de probabilidade, descrita com a maior precisão possível, aferida de modo objetivo e devidamente justificada pelos indícios e circunstâncias do caso concreto - de que o indivíduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros objetos ou papéis que constituam corpo de delito, evidenciando-se a urgência de se executar a diligência. Amparada nessas premissas, constato que a abordagem policial se fundou em dado concreto apto a justificá-la, pois, a informação recebida pelos policiais em patrulhamento indicou com precisão, inclusive, o número do telefone celular nos investigados, não se tratando de revista exploratória (fishing expeditions), baseada em suspeição genérica existente sobre indivíduos, atitudes ou situações, sem relação específica com a posse de arma proibida ou objeto que constitua corpo de delito de uma infração penal que, posteriormente se confirmou com a apreensão da arma e munições. Nesse sentido, a jurisprudência desta Corte de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL. DENÚNCIA ESPECIFICADA. NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. APONTAMENTO DE ELEMENTOS CONCRETOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "Como é de conhecimento, para a realização de busca pessoal, nos termos do art. 244 do Código de Processo Penal, exige-se a presença de fundada suspeita de que a pessoa abordada esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papeis que constituam corpo de delito, ou, ainda, quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar" (AgRg no HC n. 890.760/PR, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024.) 2. No caso, a busca pessoal se deu com base em fundada suspeita apta a justificá-la, pois, ainda que proveniente de denúncia apócrifa, houve apontamento de elementos concretos, configurando denúncia anônima especificada, pois foi apontado que os policiais estavam em patrulhamento quando receberam denúncia anônima de que um "indivíduo alto, branco, trajando camisa preta, bermuda e chinelo vendia drogas no Aglomerado Vila Samag", sendo que, ao chegarem no local, se depararam com um indivíduo com as características citadas e o abordaram, confirmando as informações outrora recebidas. 3. "De tal modo a denúncia anônima foi minimamente confirmada, sendo que a busca pessoal (revista) e a posterior busca domiciliar traduziram em exercício regular da atividade investigativa promovida pela autoridade policial, o que justificou a abordagem após a confirmação das informações relatadas na denúncia apócrifa" (AgRg no HC n. 848.928/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023). Precedentes. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 184.395/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 21/5/2024, DJe de 24/5/2024.) PENAL E PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS E POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. PRESENÇA DE JUSTA CAUSA. DENÚNCIA ANÔNIMA ESPECIFICADA. EXERCÍCIO REGULAR DA ATIVIDADE INVESTIGATIVA. LEGALIDADE DA ABORDAGEM. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 244 do CPP, a busca pessoal independerá de mandado quando houver prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida, de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. 2. No caso concreto, após receberem denúncia anônima de que o paciente estava realizando a venda de drogas em um evento de "motocross", os policiais deslocaram até o local e realizaram a sua abordagem, ocasião em que encontraram com ele duas porções de cocaína, constatando, ainda, a existência de um mandado de prisão a ser cumprido em seu desfavor. 3. De tal modo a denúncia anônima foi minimamente confirmada, sendo que a busca pessoal (revista) e a posterior busca domiciliar traduziram em exercício regular da atividade investigativa promovida pela autoridade policial, o que justificou a abordagem após a confirmação das informações relatadas na denúncia apócrifa. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 848.928/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023.) Dessa forma, por não se tratar de busca pessoal praticada como rotina do policiamento ostensivo, não possuindo finalidade preventiva e nem motivação exploratória, mas sim motivação concreta, não vislumbro o constrangimento ilegal alegado pela impetrante. Dessa forma, NÃO CONHEÇO DO HABEAS CORPUS. Reforço que a decisão monocrática agravada está de acordo com a jurisprudência da 5ª Turma desta Corte. Veja-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. BUSCA PESSOAL E VEICULAR. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. De acordo com o art. 244 do Código de Processo Penal, a busca pessoal poderá ser realizada, independente de mandado judicial, nas hipóteses de prisão em flagrante ou quando houver suspeita de que o agente esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito. Equipara-se a busca veicular à busca pessoal, conforme jurisprudência consolidada. 2. A existência de denúncias anônimas específicas e ricas em detalhes acerca de um determinado veículo com pessoas praticando delito de porte de arma de fogo, seguida de prévio monitoramento pelos policiais da rota traçada pelo motorista, justifica a busca veicular e a pessoal em via pública. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 899.498/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 3/6/2024.) PENAL E PROCESSO PENAL. TRÁFICO DE DROGAS E POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. PRESENÇA DE JUSTA CAUSA. DENÚNCIA ANÔNIMA ESPECIFICADA. EXERCÍCIO REGULAR DA ATIVIDADE INVESTIGATIVA. LEGALIDADE DA ABORDAGEM. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 244 do CPP, a busca pessoal independerá de mandado quando houver prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida, de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. 2. No caso concreto, após receberem denúncia anônima de que o paciente estava realizando a venda de drogas em um evento de "motocross", os policiais deslocaram até o local e realizaram a sua abordagem, ocasião em que encontraram com ele duas porções de cocaína, constatando, ainda, a existência de um mandado de prisão a ser cumprido em seu desfavor. 3. De tal modo a denúncia anônima foi minimamente confirmada, sendo que a busca pessoal (revista) e a posterior busca domiciliar traduziram em exercício regular da atividade investigativa promovida pela autoridade policial, o que justificou a abordagem após a confirmação das informações relatadas na denúncia apócrifa. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 848.928/GO, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 19/12/2023.) Por fim, para superar as conclusões alcançadas na origem e chegar às pretensões apresentadas pela parte, é imprescindível a reanálise do acervo fático-probatório dos autos, o que impede a atuação excepcional desta Corte. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.