AREsp 1837617 - DECISAO
O processo é remeter ao órgão competente (Turmas da Primeira Seção) porque a matéria discutida foge à competência da Segunda Seção, nos termos do art. 9.º, § 1.º, XI e XIII do Regimento Interno/STJ, e as questões suscitadas no recurso especial não foram devidamente prequestionadas pelo tribunal a quo, o que impede o...
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- Parties
- Agravante: ROSALINA DE SOUZA LICKS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 May 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão
- Outcome
- Determino a remessa dos autos à Coordenadoria de Classificação de Processos Recursais para redistribuição a uma das Turmas integrantes da Primeira Seção.
- Legal Topics
- Prêmio De Produtividade, Cumprimento De Sentença Coletiva, Coisa Julgada, Ilegitimidade Ativa, Prequestionamento, Honorários Advocatícios, Transposição De Cargos, Competência Jurisdicional, Súmulas
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Parties
ROSALINA DE SOUZA LICKS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão
Legal Issues
- 1 ilegitimidade ativa para execução de sentença coletiva
- 2 necessidade de prequestionamento para conhecimento de recurso especial (Súmula 211/STJ; súmulas 282 e 356/STF)
- 3 competência para apreciação de matéria constitucional (competência do STF)
Ratio Decidendi
O processo é remeter ao órgão competente (Turmas da Primeira Seção) porque a matéria discutida foge à competência da Segunda Seção, nos termos do art. 9.º, § 1.º, XI e XIII do Regimento Interno/STJ, e as questões suscitadas no recurso especial não foram devidamente prequestionadas pelo tribunal a quo, o que impede o conhecimento do recurso especial; ademais, eventual exame de matéria constitucional competiria ao STF.
Court Disposition
Determino a remessa dos autos à Coordenadoria de Classificação de Processos Recursais para redistribuição a uma das Turmas integrantes da Primeira Seção.
Orders
- Determino a remessa dos autos à Coordenadoria de Classificação de Processos Recursais para redistribuição a uma das Turmas integrantes da Primeira Seção.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto porROSALINA DE SOUZA LICKS contra decisão que negou seguimento ao recurso especial. O apelo extremo,fundamentadono art. 105, inciso III, alínea"a", da Constituição Federal, insurge-se contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. PREVIDENCIÁRIO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DE AÇÃO COLETIVA. EXTINÇÃO DO PROCESSO, SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, DIANTE DA ILEGITIMIDADE ATIVA DA EXEQUENTE. CONCESSÃO DE PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE A PENSIONISTA DE AUDITOR FISCAL. TRANSPOSIÇÃO DE CARGOS DE AGENTE FISCAL PARA AUDITOR FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 156 DA LEI COMPLEMENTAR Nº 92/2002 RECONHECIDA PELO ÓRGÃO ESPECIAL DO TJPR. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS RECURSAIS. MAJORAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 85, § 11, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO, A QUE SE NEGA PROVIMENTO" (e-STJ fl. 488). Nas razões doespecial, a recorrente alegaviolação dos artigos502, 503, 507 e 508 do Código de Processo Civil de 2015. Sustenta, em síntese, que "os recorrentes (ou os geradores de pensão), antes de terem sido enquadrados no cargo de Auditor Fiscal, ocupavam os cargos de Agente Fiscal, lotados no referido Grupo Ocupacional TAF. Por força de tal circunstância, é inegável que, o direito ao recebimento do prêmio de produtividade, reconhecido na sentença exequenda e protegido pelo manto da coisa julgada, lhes é devido desde a década de 70" É o relatório. DECIDO. Depreende-se dos autos que a parte, servidor público estadual, está a discutir a extensão de verba de prêmio de produtividade. Acrescenta que, originalmente, exercia o cargo de agente fiscal e foi alçado ao cargo de auditor fiscal, pretendendo a execução de título executivo proveniente de ação coletiva. Entendo, no particular, que a matéria em testilha refoge à competência desta Segunda Seção, estando afeta às Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal, nos termos do art. 9.º, § 1.º, XI e XIII, do Regimento Interno/STJ. A propósito: "PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. COISA JULGADA. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 211 DO STJ. I - Na origem, trata-se de cumprimento individual de sentença coletiva contra o Estado do Paraná objetivando o pagamento de verbas relacionadas a prêmio de produtividade aos Auditores Fiscais da Receita do Estado do Paraná. Na sentença, extinguiu-se a ação, por ilegitimidade ativa dos exequentes. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para fixar os honorários sucumbenciais pelos parâmetros do art. 85, § 2º, do CPC/2015. Esta Corte conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. III - Conforme entendimento desta Corte, não há Superior Tribunal de Justiça incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo Tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp n. 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018, AgInt no AREsp n. 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp n. 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. IV - Não se conhece da alegação de violação de dispositivos constitucionais em recurso especial, posto que seu exame é de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional. Nesse sentido: (AgInt nos EREsp n. 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020, EDcl no REsp n. 1.435.837/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe de 1º/10/2019; EDcl no REsp n. 1.656.322/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 13/12/2019. V - Agravo interno improvido"(AgInt no AREsp 1716311/PR, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2020, DJe 18/12/2020). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. SERVIDOR PÚBLICO. PRÊMIO DE PRODUTIVIDADE. TRANSPOSIÇÃO DE CARGOS. AGENTE FISCAL E AUDITOR FISCAL. LEGITIMIDADE. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal de origem não se pronunciou sobre a tese aventada e eventual omissão nem sequer foi suscitada por meio de embargos de declaração, razão pela qual é inviável o conhecimento da questão, ante a ausência do indispensável prequestionamento (Súmulas 282 e 356/STF, por analogia). 2. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, analisar suposta ofensa a dispositivos da Constituição Federal, ainda que a título de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno não provido"(AgInt no AREsp 1758703/PR, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, Julgado em 12/04/2021 DJe 15/04/2021). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. TÍTULO EXECUTIVO QUE NÃO CONTEMPLA AGENTES FISCAIS QUE ASCENDERAM AO CARGO POR TRANSPOSIÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 156, DA LEI COMPLEMENTAR 92/2002 DECLARADA PELO COLENDO ÓRGÃO ESPECIAL. TEMA APRECIADO SOB ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL, COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ALTERAÇÃO DO JULGADO QUE DEMANDA A ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. 1. A falta de prequestionamento da matéria suscitada no recurso especial impede o seu conhecimento, a teor da Súmula 282/STF. 2. O acórdão recorrido apreciou a questão sob enfoque eminentemente constitucional, tendo em vista a inconstitucionalidade do art. 156, da Lei Complementar 92/2002 declarada pelo colendo Órgão especial. 3. A alteração do valor dos honorários advocatícios tiradas à vista das provas constantes nos autos implicaria o revolvimento do conteúdo fáticoprobatório da demanda. 4. Agravo interno não provido"(AgInt no AREsp 1711013/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 12/04/2021, DJe 15/04/2021). Ante o exposto, determino a remessa dos autos à Coordenadoria de Classificação de Processos Recursais para a redistribuição do feito a uma das Turmas integrantes da Primeira Seção. Publique-se. Intimem-se.