AREsp 2378410 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão não havendo omissão; aplicou-se corretamente a preclusão pro judicato, impedindo reanálise pelo juízo substituto, e verificou-se ausência de similitude fática que impedisse a...
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- Parties
- Agravante: AF DO BRASIL CONSULTORIA EMPRESARIAL TRIBUTÁRIA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Preclusão Pro Judicato, Negativa De Prestação Jurisdicional, Recurso Especial, Antecipação De Prova, Conversão De Procedimento, Honorários Sucumbenciais
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Parties
AF DO BRASIL CONSULTORIA EMPRESARIAL TRIBUTÁRIA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Inadmissão De Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 alegação de omissão/negativa de prestação jurisdicional (art. 489, §1º, IV e art. 1.022 do CPC)
- 2 preclusão pro judicato e impossibilidade de retratação pelo juízo de origem
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por ausência de similitude fática (art. 105, III, alínea "c", CF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão não havendo omissão; aplicou-se corretamente a preclusão pro judicato, impedindo reanálise pelo juízo substituto, e verificou-se ausência de similitude fática que impedisse a admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego-lhe provimento
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por AF DO BRASIL CONSULTORIA EMPRESARIAL TRIBUTÁRIA LTDA. contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. Não reconhecimento. Afastamento expresso e suficiente das preliminares arguidas. CONVERSÃO DO FEITO AO PROCEDIMENTO ESPECIAL DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. PRECLUSÃO PRO JUDICATO. Reconhecimento. Decisão que alterou outra decisão prolatada anteriormente, apenas pela alteração do Magistrado de Primeiro Grau e mudança de opinião, sem alteração das circunstâncias fáticas que permeiam a lide. RECURSO DA RÉ PARCIALMENTE PROVIDO" (fl. 219). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 242). No recurso especial, a recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (i) art. 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC por omissão do acórdão recorrido quanto à inexistência de preclusão pro judicato e ao tratamento desigual dado às partes; e (ii) arts. 505, 507 e 1.009, § 1º, do CPC por defender a inexistência de preclusão pro judicato. Após as contrarrazões (fls. 419/432), o recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. DECIDO. Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. No tocante à negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em existência de omissão apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Ademais, o não acolhimento das teses ventiladas pela parte recorrente não significa omissão ou deficiência de fundamentação da decisão, ainda mais quando o aresto aborda todos os pontos relevantes da controvérsia, como na espécie. A esse respeito, os seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. NEGATIVA DE CUSTEIO DE MEDICAMENTO (THIOTEPA). 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO ATACADO. SÚMULA 283/STF. 3. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. 4. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282/STF E 211/STJ. 5. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação ao art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou, de forma fundamentada, sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão recorrido encontra-se em perfeita harmonia com a jurisprudência desta Corte no sentido de que, "embora se trate de fármaco importado ainda não registrado pela ANVISA, teve a sua importação excepcionalmente autorizada pela referida Agência Nacional, sendo, pois, de cobertura obrigatória pela operadora de plano de saúde" (REsp 1.923.107/SP, relatora ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 16/8/2021). 3. Atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual de que a ANVISA admite a importação do fármaco, verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a subsistência de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo especial, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 4. A ausência de debate acerca do conteúdo normativo dos arts. 66 da Lei n. 6.360/1976 e 10, V, da Lei n. 6.437/1976, apesar da oposição de embargos de declaração, atrai os óbices das Súmulas 282/STF e 211/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 2.164.998/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) "AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE REGRESSO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DOS DEMANDADOS. 1. Não há se falar em negativa de prestação jurisdicional, na medida em que o órgão julgador dirimiu todas as questões que lhe foram postas à apreciação, de forma clara e sem omissões, embora não tenha acolhido a pretensão da parte. 2. Rever a conclusão do Tribunal de origem com relação à responsabilidade pelo ressarcimento dos valores pagos em reclamação trabalhista demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusulas contratuais, providencias que encontram óbice no disposto nas Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt nos EDcl no AREsp 2.135.800/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 16/2/2023 - grifou-se) No que se refere à preclusão pro judicato, o Tribunal de origem decidiu que: "A impossibilidade de prosseguimento do feito pelo procedimento especial de antecipação de provas foi reconhecida pela r. decisão de fls. 115, que determinou o prosseguimento da demanda observando-se o procedimento comum. Interposto recurso de agravo de instrumento pela Autora, restou mantida a r. decisão, ante o não conhecimento do recurso. Não houve a realização de retratação pelo Juízo de origem, e a questão ainda se encontra pendente de análise por esta C. Câmara em decorrência da oposição de embargos de declaração pela Autora. Considerando o cenário apresentado, tem-se que a r. decisão ora agravada violou a preclusão pro judicato, já que a questão não era mais passível de análise pelo Juízo de origem. A mera substituição do magistrado de piso não possui o condão de possibilitar a revisão de decisões anteriormente prolatadas, tal como ocorreu no caso dos autos, sob a justificativa de que a decisão anteriormente prolatada "carece de fundamento legal idôneo". Logo, o presente recurso comporta parcial acolhimento, para modificar a r. decisão em relação à conversão do feito ao procedimento especial, determinando-se o prosseguimento da demanda nos termos do procedimento comum" (fls. 226/227). "A preclusão "pro judicato" afasta a necessidade de novo pronunciamento judicial acerca de matérias novamente alegadas, mesmo as de ordem pública, por se tratar de matéria já decidida, inclusive em autos ou recurso diverso, mas relativos à mesma causa" (AgInt no REsp 1.791.633/CE, 4ª Turma, DJe de 04/03/2021). No mesmo sentido, conferir: AgInt nos EDcl no AREsp 848.766/RJ (3ª Turma, DJe 18/10/2018). Assim, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com o entendimento desta Corte Superior sobre a matéria. Por fim, a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados conduz à inadmissibilidade do Recurso Especial interposto com fulcro no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. Publique-se. Intimem-se. EMENTA