REsp 1943711 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem aplicou corretamente o art. 18 da Lei nº 11.442/2007, fixando o prazo prescricional anual para pretensão de reparação por danos em contrato de transporte rodoviário de cargas, e as recorrentes não demonstraram dissídio jurisprudencial hábil a admitir o...
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- Parties
- Agravante: DHL LOGISTICS (BRASIL) LTDA E OUTRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão Colegiada QUARTA TURMA (julgamento E Negou Provimento)
- Outcome
- agravo interno desprovido (nega provimento)
- Legal Topics
- Prescrição, Prazo Prescricional, Contrato De Transporte De Cargas, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial
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Parties
DHL LOGISTICS (BRASIL) LTDA E OUTRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Decisão Colegiada QUARTA TURMA (julgamento E Negou Provimento)
Legal Issues
- 1 incidência do prazo prescricional anual previsto no art. 18 da Lei nº 11.442/2007 em contratos de transporte rodoviário de cargas
- 2 possibilidade de aplicação do prazo quinquenal do art. 206, § 5º, inciso I do Código Civil
- 3 requisitos para caracterização do dissídio jurisprudencial e admissibilidade do recurso especial pela alínea c do art. 105 da CF/1988
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem aplicou corretamente o art. 18 da Lei nº 11.442/2007, fixando o prazo prescricional anual para pretensão de reparação por danos em contrato de transporte rodoviário de cargas, e as recorrentes não demonstraram dissídio jurisprudencial hábil a admitir o conhecimento do recurso especial pela alínea c do art. 105 da CF/1988.
Court Disposition
agravo interno desprovido (nega provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter íntegra a decisão monocrática que negou provimento ao recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por DHL LOGISTICS (BRASIL) LTDA E OUTRA, em face de decisão monocrática da lavra deste signatário que negou provimento ao recurso especial. O apelo extremo, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 975, e-STJ): Apelação. Transporte rodoviário de mercadorias. Ressarcimento por mercadorias extraviadas ou avariadas pelo transportador. 1. Prescrição. Prazo ânuo. Inteligência do art. 18 da Lei nº 11.442/2007. Aplicação de norma especial que disciplina a relação jurídica entre as partes. Precedentes. 2. Comprovação do dano. Conhecimento de transporte ou documento similar assinado pelo motorista da transportadora. Imprescindibilidade. A existência de documentos apócrifos, ou a prova de ressarcimento do destinatário da mercadoria extraviada/avariada pelo despachante, não demonstra que as mercadorias realmente tenham sido entregues ao transportador. Recurso desprovido. Opostos embargos de declaração (fls. 1019/1022, e-STJ), esses foram rejeitados. Nas razões do recurso especial (fls. 982/993, e-STJ), as recorrentes apontaram, além de dissídio jurisprudencial, violação aos artigos 371, 373 do Código de Processo Civil/2015; 206, § 5º, inciso I do Código Civil e 18 da Lei nº 11.442/2007. Sustentaram, em síntese, a aplicação do prazo prescricional quinquenal, haja vista que a hipótese dos autos versa sobre inadimplemento de instrumento particular de prestação de serviços de transporte de carga e outras avenças, cujo montante líquido resulta de simples operação aritmética. Contrarrazões (fls. 1031/1036, e-STJ), e após decisão de admissão do recurso especial (fls. 1038/1040, e-STJ), os autos ascenderam a esta egrégia Corte de Justiça. Em decisão monocrática (fls. 1047/1050, e-STJ), este signatário negou provimento ao recurso em razão da incidência da Súmula 83 do STJ. No agravo interno (fls. 1053/1062, e-STJ), a insurgente reitera as razões do recurso especial, bem como refuta o retrocitado óbice. Sem impugnação (fl. 1065, e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA DEMANDANTE. 1. Segundo o entendimento desta Corte Superior, "no contrato de transporte rodoviário de cargas, a pretensão de reparação pelos danos porventura ocorridos prescreve em 1 (um) ano, a contar da ciência do sinistro, nos termos do art. 18 da Lei n. 11.442/2007" (AgInt nos EDcl na Pet 13.114/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 24/04/2020). 2. Na forma do art. 1.029, § 1º, CPC/2015, o conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional exige indicação do dispositivo legal ao qual foi atribuída interpretação divergente e demonstração do dissídio, mediante verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados, o que não ocorreu na hipótese. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pela agravante são incapazes de infirmar a decisão objurgada, motivo pelo qual merece ser mantida na íntegra por seus próprios fundamentos. 1. Consoante asseverado na decisão agravada, esta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que "no contrato de transporte rodoviário de cargas, a pretensão de reparação pelos danos porventura ocorridos prescreve em 1 (um) ano, a contar da ciência do sinistro, nos termos do art. 18 da Lei n. 11.442/2007" (AgInt nos EDcl na Pet 13.114/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 24/04/2020). A propósito: DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS. CONTRATO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. PRODUTO QUE CHEGA DETERIORADO AO PONTO DE DESTINO. APLICAÇÃO DO CDC AFASTADA. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMO. 1. Ação ajuizada em 25/07/2013. Recurso especial concluso ao gabinete em 19/05/2017. Julgamento: CPC/73. 2. O propósito recursal é definir se está configurada relação de consumo entre recorrente e recorrida, a fim de identificar qual o prazo prescricional aplicável para o ajuizamento da ação de reparação de danos materiais oriundos de suposta falha na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga. 3. Quando o vínculo contratual entre as partes é necessário para a consecução da atividade empresarial (operação de meio), movido pelo intuito de obter lucro, não há falar em relação de consumo, ainda que, no plano restrito aos contratantes, um deles seja destinatário fático do bem ou serviço fornecido, retirando-o da cadeia de produção. 4. Revela-se pertinente a premissa em que se baseia o acórdão recorrido para afastar a configuração da relação de consumo, pois a recorrente não pode ser considerada destinatária final - no sentido fático e econômico - do serviço de transporte rodoviário de cargas. Vale dizer que o mencionado serviço é utilizado para propriamente viabilizar a sua atividade comercial, configurando inegável consumo intermediário (operação de meio). 6. Em razão da inaplicabilidade do CDC à espécie, deve-se aplicar o prazo prescricional previsto no art. 18 da Lei 11.442/07, que dispõe que "Prescreve em 1 (um) ano a pretensão à reparação pelos danos relativos aos contratos de transporte, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano pela parte interessada". 7. Tendo em vista que a recorrente teve ciência da ocorrência do sinistro em 19/04/2012, mas somente ajuizou a presente ação em 25/07/2013, mostra-se imperioso o reconhecimento da ocorrência de prescrição. 8. Recurso especial conhecido e não provido. (REsp 1669638/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/06/2018, DJe 25/06/2018) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA PETIÇÃO. 1. JULGAMENTO MONOCRÁTICO EM HIPÓTESE NÃO PREVISTA NO ART. 932 DO CPC/2015. EVENTUAL MÁCULA FICA SUPRIDA PELO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO ATRAVÉS DO ÓRGÃO COLEGIADO. 2. PRETENSÃO DE ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO AO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AINDA NÃO DISTRIBUÍDO A ESTA CORTE. CONTRATO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA. ROUBO. PRETENSÃO INDENIZATÓRIA PRESCRITA. PRAZO ÂNUO. TERMO INICIAL. DATA DE CIÊNCIA DO SINISTRO. LEI N. 11.442/2007. TEORIA DA ACTIO NATA. VIÉS OBJETIVO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONFORMIDADE COM O ENTENDIMENTO DO STJ. FUMUS BONI IURIS NÃO DEMONSTRADO. 3. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. NÃO CABIMENTO NA HIPÓTESE. 4. AGRAVO DESPROVIDO. 1. É iterativa a jurisprudência desta Casa no sentido de que, mesmo não estando o caso previsto em alguma das hipóteses autorizativas do art. 932 do CPC/2015, que permite ao julgador entregar a prestação jurisdicional de forma unipessoal, eventual mácula na decisão singular fica corrigida com o julgamento do agravo interno pelo órgão colegiado respectivo. 2. Segundo o entendimento desta Corte Superior, no contrato de transporte rodoviário de cargas, a pretensão de reparação pelos danos porventura ocorridos prescreve em 1 (um) ano, a contar da ciência do sinistro, nos termos do art. 18 da Lei n. 11.442/2007. Precedente. 3. A jurisprudência desta Corte Superior dispõe que o termo inicial do prazo prescricional da pretensão indenizatória é a data em que efetivamente ocorre a lesão (ou inobservância) a um direito, mediante o viés objetivo da teoria da actio nata, entendimento esse que foi adotado pelo Tribunal local. Precedente. 4. Não estando evidenciado o imprescindível fumus boni iuris, necessário à concessão do efeito suspensivo ao agravo em recurso especial, de rigor o indeferimento do pedido deduzido na tutela provisória de urgência. 5. A aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime, devendo ser aferida a sua incidência caso a caso. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl na Pet 13.114/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 24/04/2020) Na hipótese, o Tribunal de origem, no que se refere ao prazo prescricional, concluiu pela incidência da Lei 11.442/2007, por se tratar de norma especial a disciplinar o transporte rodoviário de cargas, in verbis (fl. 976, e-STJ): 1. Não há se falar em prescrição quinquenal prevista no art. 206, § 5º, inc. I do Código Civil, diante da existência de norma especial a disciplinar a relação jurídica estabelecida entre as partes, a Lei nº 11.442/2007 - que rege o transporte rodoviário de cargas e prevê em seu art. 18 que "Prescreve em 1 (um) ano a pretensão à reparação pelos danos relativos aos contratos de transporte, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento do dano pela parte interessada." Nesse sentido, precedentes deste E. Tribunal de Justiça, por todos, confira-se: (..) Correta, portanto, a sentença, ao aplicar o prazo ânuo: "Desse modo, se a notificação ocorreu em 2013 e a ação foi proposta em 2015, é certo que nesse interregno correu mais de um ano, estando a pretensão inteiramente prescrita (sem prejuízo de estar, como se disse, em alguns casos, decaída anteriormente)." (fl. 939) Outrossim , no julgamento dos embargos declaratórios, ressaltou a Corte a quo o seguinte (fls. 1.026-1.027, e-STJ): Além disso, o fato do contrato de transporte ter sido vertido num instrumento particular não afasta regra especial do art. 18 da Lei nº 11.442/2007, assim como, por exemplo, a escrituração de um contrato de aluguel em instrumento particular não afastaria o prazo trienal do art. 206, § 3º, inc. I, do Código Civil, visto que a prescrição quinquenal da pretensão de cobrança de dividas liquidas constantes de instrumento público ou particular só teria incidência à falta de norma especial. Na verdade, o que a parte embargante pretende é a rediscussão da matéria, a fim de reverter o resultado que lhe fora desfavorável, hipótese que não justifica a oposição de embargos de declaração, que por esse motivo ficam rejeitados. Desse modo, o entendimento do Tribunal de origem, no ponto, encontra-se em harmonia com a jurisprudência do STJ, o que atrai a incidência do teor da Súmula 83 desta Corte, a impedir o conhecimento do recurso por ambas as alíneas do permissivo constitucional. 2. Registre-se que o conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional exige indicação do dispositivo legal ao qual foi atribuída interpretação divergente e demonstração do dissídio, mediante verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados, na forma do art. 1.029, § 1º, CPC/2015. Desse modo, para a caracterização do dissídio jurisprudencial, é necessária a demonstração da similitude fática e da divergência na interpretação do direito entre os acórdãos confrontados, o que não ocorre no caso, uma vez que, no acórdão recorrido, o direito vindicado pela autora diz respeito aos danos ocorridos pelo extravio de mercadorias em contrato de transporte, ao passo que os acórdãos paradigmas versam sobre a prescrição do direito de cobrança de frete por via terrestre. A propósito: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ARTS. 479, 489, § 1º, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO REMANESCENTE. ENUNCIADO 211/STJ. ART.1.026, § 2º, DO CPC. OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DO PROPÓSITO DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA. POSSIBILIDADE. DÍSSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DA SIMILITUDE FÁTICA. INVIABILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei. No caso, a matéria relativa aos arts. 479, 489, § 1º, e 1026, § 2º, do CPC não foi objeto de tratamento pelo eg. Tribunal de origem, apesar da oposição dos embargos de declaração, tampouco foi indicada a violação ao art. 1022 do CPC. Enunciado 211/STJ. 2. Segundo a jurisprudência desta Corte, é correta a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, quando as questões tratadas foram devidamente fundamentadas na decisão embargada e ficou evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração. 3. Para a análise da admissibilidade do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional, torna-se imprescindível a indicação das circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a fim de demonstrar a divergência jurisprudencial existente, o que não ocorreu no caso em apreço. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1795960/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 28/09/2021, DJe 04/10/2021) 3. Do exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.