AREsp 2565387 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, na medida em que as razões do recurso especial não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido e buscavam discutir matéria (Tema 877 e prescrição) sem demonstrar violação plausível de lei federal passível de reexame no STJ, atraindo o...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Mandado De Segurança Coletivo, Incorporação De Reajuste Salarial, Recurso Especial
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Parties
ESTADO DO TOCANTINS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Conheceu Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 termínio do prazo prescricional para execução individual de acórdão coletivo
- 2 aplicação do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932
- 3 incorporação de reajuste decorrente de mandado de segurança coletivo às remunerações
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial, na medida em que as razões do recurso especial não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido e buscavam discutir matéria (Tema 877 e prescrição) sem demonstrar violação plausível de lei federal passível de reexame no STJ, atraindo o óbice da Súmula 284/STF e a aplicação do art. 21-E, V, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por ESTADO DO TOCANTINS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO TOCANTINS, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. RESTABELECIMENTO DE QUANTITATIVO SALARIAL RETIRADO DOS MILITARES. PRESCRIÇÃO NÃO CONFIGURADA. ALEGAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE VALORES DO REAJUSTE A REMUNERAÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. TÍTULO CONTITUÍDO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIÇÃO NA FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932 e do Tema n. 877 do STJ, no que concerne à necessidade de reconhecimento da prescrição da pretensão executiva alusiva ao pagamento de diferenças salariais, uma vez que a fase de cumprimento de sentença foi deflagrada após decurso do prazo de cinco anos da data do trânsito em julgado da sentença coletiva, trazendo a seguinte argumentação: Considerando que as dívidas passivas da Fazenda Pública, seja federal, estadual ou municipal, prescrevem no prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do fato ou do ato do qual se originaram, analisar-se-á, agora, qual o termo inicial do prazo prescricional para o ajuizamento de execução individual de acórdão coletivo que condenou o Ente político ao pagamento de diferenças salariais aos seus servidores. Sobre o tema, este C. Superior Tribunal de Justiça já fixou seu entendimento através do tema 877 dos recursos especiais repetitivos. Decidiu a Corte da Cidadania que o prazo prescricional para a execução individual é contado do trânsito em julgado da sentença coletiva, sendo desnecessária a providência de que trata o art. 94 da Lei n. 8078/90 . Conclui-se, portanto, que o prazo prescricional para ajuizamento da presente execução individual de acórdão coletivo é de 5 (cinco) anos a partir do trânsito em julgado do MSC 698/93 (5000002-05.1993.8.27.0000). .. Perquirindo-se a demanda originária, nota-se que em seu bojo foram interpostos recurso especial e recurso extraordinário. O recurso especial foi devidamente julgado e o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça transitou em julgado em 03 de julho de 2000, conforme se nota da fl. 14 do OUT31 de ev. 01 dos autos 5000002-05.1993.8.27.0000, cuja cópia segue em anexo. Posteriormente, o feito retornou para o Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, mas o então Presidente da Corte, Desembargador Moura Filho, determinou a remessa dos autos ao STF para julgamento do Recurso Extraordinário ainda pendente (fl. 01 do DESP32 do ev 01 dos autos 5000002- 05.1993.8.27.0000). No Excelso Pretório, a Min. Ellen Gracie, relatora do recurso, denegou seguimento ao apelo interposto e tal decisão transitou em julgado em 17 de março de 2004, conforme documentos em anexo. Vale transcrever a certidão de trânsito em julgado juntada aos autos pela Secretaria do Supremo Tribunal Federal (fl. 23 do OUT35 de ev. 01 dos autos 5000002- 05.1993.8.27.0000): .. Portanto, em 17 de março de 2004 a parte agravada já poderia ter manejado a execução individual do acórdão coletivo, porquanto naquela data já havia o decisório transitado em julgado. Se ali surgiu a pretensão, a partir de tal data se deve iniciar a contagem do prazo prescricional. Perfazendo-se aos cálculos devidos, conclui-se que a pretensão executória deduzida nestes autos prescreveu em 17 de março de 2009, nos termos do art. 1º do Decreto Federal nº 20.910/32 e do Tema Repetitivo nº 877 (fls. 598-599 ). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto ao Tema n. 877 do STJ, não é cabível o recurso especial quando se busca analisar a violação ou a interpretação divergente de norma diversa de tratado ou lei federal. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.565.020/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no REsp n. 1.832.794/RO, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.425.911/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 15/10/2019; AgInt no REsp n. 1.864.804/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 7/6/2021. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: No caso, em que pese às alegações do agravante de prescrição da pretensão executória, bem como, da incorporação do reajuste decorrente do Mandado de Segurança Coletivo nº 698, de 1993 (Autos no 5000002- 05.1993.8.27.0000), às remunerações dos militares tocantinenses, a princípio, não se verifica nos autos nenhum elemento hábil em conduzir a tal entendimento de forma indene de dúvidas. Da análise dos autos, verifica-se que o juiz singular indeferiu a impugnação ao cumprimento de sentença, utilizando para tanto jurisprudência desta Corte no sentido de que o prazo prescricional para propositura da ação executiva contra a Fazenda Pública é de 5 anos, contado a partir do trânsito em julgado da sentença condenatória, em conformidade com a Súmula nº 150 do Supremo Tribunal Federal, e que, o feito ainda está em trâmite, de modo que o prazo prescricional ainda está correndo, fato que afasta a prescrição arguida. Além disso, consignou que a discussão sobre a incorporação do reajuste decorrente do Mandado de Segurança Coletivo nº 698, de 1993, às remunerações dos militares tocantinenses refere-se ao mérito da demanda, não cabendo neste ponto nova discussão de mérito, vez que se trata de título judicial já constituído. Com efeito, do compulsar dos autos do Mandado de Segurança nº 5000002-05.1993.8.27.0000, verifica-se que a última decisão proferida, no Evento 156, data de 11/5/2021, de modo que não se vislumbra pertinente a alegação de prescrição da ação (fls. 574-575). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA