EAREsp 2456009 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou suficientemente as questões, aplicou o prazo prescricional decenal do art. 205 do CC à pretensão de rescisão contratual e reintegração de posse, reconheceu interrupção da prescrição pela interpelação judicial e, ademais, eventual...
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- Parties
- Agravante: HÉLIO ALVES DA SILVA; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Ação De Rescisão Contratual E Reintegração De Posse / Decisão Colegiada (acórdão Proferido Pela Quarta Turma Em Sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Prescrição, Rescisão Contratual, Reintegração De Posse, Omissão E Contradição Em Acórdão, Súmulas 83 E 7 Do STJ
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Parties
HÉLIO ALVES DA SILVA
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Ação De Rescisão Contratual E Reintegração De Posse / Decisão Colegiada (acórdão Proferido Pela Quarta Turma Em Sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 existência de omissão ou contradição no acórdão recorrido (arts. 489, §1º, IV e 1.022 CPC)
- 2 prazo prescricional aplicável (art. 205 CC vs. art. 206, §5º, I CC)
- 3 interrupção da prescrição por interpelação judicial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque o Tribunal de origem enfrentou e fundamentou suficientemente as questões, aplicou o prazo prescricional decenal do art. 205 do CC à pretensão de rescisão contratual e reintegração de posse, reconheceu interrupção da prescrição pela interpelação judicial e, ademais, eventual reexame sobre a ocorrência da causa interruptiva demandaria revolver matéria fático-probatória vedada pela Súmula 7, atraindo a incidência da Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão monocrática que conheceu do agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial e manter o entendimento do Tribunal de origem quanto à prescrição e à interrupção por interpelação judicial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/05/2024 a 27/05/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Raul Araújo. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL E REINTEGRAÇÃO DE POSSE - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA, DE PLANO, NÃO CONHECER DO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. As questões postas em discussão foram dirimidas pelo Tribunal de origem de forma suficiente, fundamentada e sem omissões ou contradições, devendo ser afastada a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e III, do CPC. Consoante entendimento desta Corte, não importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, decidindo de modo integral a controvérsia posta. Precedentes. 2. De acordo com a jurisprudência desta Corte Superior, "Aplica-se o prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC nas pretensões decorrentes de inadimplemento contratual. Não havendo na lei regra limitando o tempo para a decadência do direito de promover a resolução do negócio, a ação pode ser proposta enquanto não prescrita a pretensão de crédito que decorre do contrato. No caso, a pretensão veiculada é de resolução do contrato, reintegração na posse do bem imóvel litigioso e condenação da parte recorrida em perdas e danos, de modo que incide a prescrição decenal" (AgInt no REsp n. 1.955.059/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 26/4/2022, DJe de 3/5/2022.). Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Rever a conclusão do Tribunal a quo acerca da interrupção do prazo prescricional, no caso em análise, demandaria o reexame de provas, providência que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte Superior. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno, interposto por HÉLIO ALVES DA SILVA e OUTRO, contra decisão monocrática da lavra deste signatário, que conheceu do seu agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial. O apelo extremo, fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, desafiou acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 325, e-STJ): Apelação Cível. Rescisão contratual. Ação de Reintegração de Posse. Prescrição. Não ocorrência. Ação que não busca somente o adimplemento das parcelas em atraso, mas a rescisão contratual cumulada com reintegração de posse. Prazo prescricional de 10 anos aplicável à pretensão de rescisão contratual. Contagem que deve se dar a partir do vencimento da última parcela, no caso o dia 25/04/2004. Não verificado o advento prescricional até a notificação judicial dos devedores, em 03/04/2013, nem desta data até o ajuizamento da ação, em23/01/2018. Preliminar afastada, determinando-se a devolução dos autos para prosseguimento, não estando o feito em condições de pronto julgamento, por causa de pleito de usucapião formulado pelos réus Recurso parcialmente provido. Opostos embargos de declaração (fls. 332-338, e-STJ), os quais foram rejeitados (fls. 348-351, e-STJ). Nas razões do recurso especial (fls. 353-368, e-STJ), apontou o recorrente violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e III, do CPC e dos arts. 206, § 5º, I; 207; e 2.028 do Código Civil, além de divergência jurisprudencial. Aduziu, em apertada síntese, que (a) há omissão e contradição no acórdão recorrido acerca de questões fundamentais aos deslinde da controvérsia, não obstante a oposição de embargos de declaração; (b) tratando-se de ação que visa a resolução do contrato celebrado entre as partes por inadimplemento, deve ser reconhecida a decadência do direito do autor, uma vez que configurada a prescrição da pretensão creditícia; (c) o prazo decadencial não se interrompe ou suspende em razão de eventual interpelação judicial; (d) a notificação não serve como marco interruptivo da prescrição, já que não trata de rescisão contratual ou reintegração de posse; (e) de qualquer forma, estaria consumado o prazo prescricional. Contrarrazões apresentadas (fls. 396-412, e-STJ). A Corte local inadmitiu o reclamo (fls. 470-472, e-STJ), dando ensejo à interposição do agravo em recurso especial (fls. 476-489, e-STJ). Foi oferecida resposta (fls. 495-508, e-STJ). Em decisão monocrática (fls. 519-525, e-STJ), este Relator conheceu do agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial, ante a ausência de vício de fundamentação no aresto recorrido e a incidência das súmulas 83 e 7 do STJ. Daí o presente agravo interno (fls. 529-554, e-STJ), no qual o agravante refuta o decisum, reiterando a existência de omissão e contradição no acórdão estadual e defendendo a inaplicabilidade dos óbices sumulares invocados. Impugnação pelo agravado (fls. 559-578, e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL E REINTEGRAÇÃO DE POSSE - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE CONHECEU DO AGRAVO PARA, DE PLANO, NÃO CONHECER DO APELO NOBRE. INSURGÊNCIA DA PARTE DEMANDADA. 1. As questões postas em discussão foram dirimidas pelo Tribunal de origem de forma suficiente, fundamentada e sem omissões ou contradições, devendo ser afastada a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e III, do CPC. Consoante entendimento desta Corte, não importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota, para a resolução da causa, fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, decidindo de modo integral a controvérsia posta. Precedentes. 2. De acordo com a jurisprudência desta Corte Superior, "Aplica-se o prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC nas pretensões decorrentes de inadimplemento contratual. Não havendo na lei regra limitando o tempo para a decadência do direito de promover a resolução do negócio, a ação pode ser proposta enquanto não prescrita a pretensão de crédito que decorre do contrato. No caso, a pretensão veiculada é de resolução do contrato, reintegração na posse do bem imóvel litigioso e condenação da parte recorrida em perdas e danos, de modo que incide a prescrição decenal" (AgInt no REsp n. 1.955.059/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 26/4/2022, DJe de 3/5/2022.). Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Rever a conclusão do Tribunal a quo acerca da interrupção do prazo prescricional, no caso em análise, demandaria o reexame de provas, providência que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte Superior. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): O agravo interno não merece acolhida, porquanto os argumentos tecidos pelo agravante são incapazes de infirmar a decisão agravada, motivo pelo qual merece ser mantida. 1. Inicialmente, como bem apontado no decisum ora agravado, não se verifica omissão ou contradição no acórdão estadual a justificar o acolhimento da apontada ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e III, do CPC. Em seu apelo nobre, afirma o recorrente que a Corte local teria restado omissa e contraditória quanto à tese de que a presente ação poderia ser proposta enquanto não prescrita a pretensão do crédito decorrente do contrato, diante da inexistência de norma limitando o tempo para a decadência do direito de promover a resolução do negócio. No particular, colhe-se do aresto recorrido (fls. 327-328, e-STJ): Neste contexto, não se verifica o termo prescricional, pois, conquanto o objeto da ação derive essencialmente do inadimplemento de parcelas assumidas contratualmente pela autora, a ação almeja essencialmente a rescisão contratual, com fundamento no art. 475 do Código Civil, com consequente reintegração de posse do imóvel. Desta forma, o prazo prescricional aplicável ao caso em exame é o de dez anos, conforme estabelece o artigo 205, do Código Civil. Com efeito, as questões postas em discussão foram dirimidas pelo órgão julgador de forma suficientemente ampla e fundamentada, embora não se tenha acolhido as pretensões da parte recorrente, não havendo que se falar, portanto, em ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC. Segundo entendimento desta Corte, não importa negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota para a resolução da causa fundamentação suficiente, porém diversa da pretendida pelo recorrente, decidindo de modo integral a controvérsia posta, como ocorre na hipótese sub judice. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZATÓRIA. CONCORRÊNCIA DESLEAL COMPROVADA. MATÉRIA QUE DEMANDA REEXAME DE FATOS E PROVAS. SUMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação dos artigos 1022 e 489 do Código de Processo Civil de 2015. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte recorrente. Não há falar, no caso, em negativa de prestação jurisdicional. A Câmara Julgadora apreciou as questões deduzidas, decidindo de forma clara e conforme sua convicção com base nos elementos de prova que entendeu pertinentes. No entanto, se a decisão não corresponde à expectativa da parte, não deve por isso ser imputado vicio ao julgado. .. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1560925/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 15/12/2020, DJe 02/02/2021) Não é demais lembrar a orientação desta Corte no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos invocados pelas partes, nem a indicar todos os dispositivos legais suscitados, quando tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. Confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE PÔS TERMO À EXECUÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE, PORQUANTO NÃO HÁ DÚVIDA A RESPEITO DO RECURSO ADEQUADO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há violação aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, tendo em vista que o v. acórdão recorrido, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. .. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1520112/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 04/02/2020, DJe 13/02/2020) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. ENTENDIMENTO NO SENTIDO DA AUSÊNCIA DE NOVAÇÃO. MERO PARCELAMENTO DA DÍVIDA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. APLICAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexistem omissões ou mesmo contradição a serem sanadas no julgamento estadual, portanto inexistentes os requisitos para reconhecimento de ofensa aos arts. 10, 489, § 1º, IV e VI, e 1.022 do CPC/2015 do novo CPC. O acórdão dirimiu a controvérsia com base em fundamentação sólida, sem tais vícios, o que não se confunde com omissão ou contradição, tendo em vista que apenas resolveu a celeuma em sentido contrário ao postulado pela parte insurgente. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas apenas a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorre nos autos. .. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1445088/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019) Dessa forma, considerando que as questões trazidas à discussão foram dirimidas pelo Tribunal de origem de forma fundamentada e sem omissões ou contradições, deve ser afastada a alegação de violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II e III, do CPC. 2. Insurge-se o recorrente, ainda, quanto à incidência dos óbices das súmulas 83 e 7 do STJ, afirmando que o entendimento exarado pela Corte local estaria em absoluta dissonância com a orientação do STJ acerca da matéria e que as questões debatidas no apelo extremo são meramente interpretativas de direito, não reclamando reexame do conjunto fático-probatório dos autos. Sem razão, contudo. Como bem destacado na decisão ora agravada, o Tribunal local concluiu que a presente ação, embora assentada no inadimplemento de parcelas assumidas contratualmente, tem por objeto a rescisão do contrato e a reintegração de posse do imóvel, de modo que se sujeita ao prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC. Pontuou-se, ainda, que houve a interrupção do referido prazo em razão da interpelação judicial dos devedores, não se observando o decurso do prazo de 10 anos entre o inadimplemento da última parcela e a referida notificação ou desta até o ajuizamento da ação. Confira-se, in verbis (fls. 327-329, e-STJ): Extrai-se dos autos fato incontroverso segundo o qual o imóvel teria sido prometido à venda em 21/12/1995, assumindo os autores-apelados o compromisso de efetuar o pagamento através de entrada e 100 parcelas mensais, vencendo-se a primeira em 25/01/1996 e a última em 25/04/2004 (fl. 10). O cerne da controvérsia reside na norma aplicável à espécie no tocante à prescrição, se ocorreria em 5 ou em 10 anos (Código Civil, artigos 205 e 206, § 5º, inciso I). Calha ressaltar que a ação conexa não busca o recebimento das prestações em atraso, até porque aí realmente já teria ocorrido o termo extintivo da obrigação, ao teor do art. 206, § 5º, inciso I, do Código Civil, mas sim a rescisão contratual e a reintegração de posse, fundamentadas no inadimplemento das prestações. Neste contexto, não se verifica o termo prescricional, pois, conquanto o objeto da ação derive essencialmente do inadimplemento de parcelas assumidas contratualmente pela autora, a ação almeja essencialmente a rescisão contratual, com fundamento no art. 475 do Código Civil, com consequente reintegração de posse do imóvel. Desta forma, o prazo prescricional aplicável ao caso em exame é o de dez anos, conforme estabelece o artigo 205, do Código Civil. E esse prazo deve ser contado a partir do vencimento da última parcela, data em que ainda restava possível a quitação da obrigação contratualmente assumida, não sendo o caso, pois de se considerar o cômputo do prazo desde o inadimplemento das parcelas. .. No caso sub judice, a obrigação foi estipulada em 100 parcelas mensais e sucessivas, vencendo-se a primeira em 25/01/1996 e a última em 25/04/2004. Assim, prevista a prescrição para 2014, mas tendo os réus sido interpelados judicialmente em 03/04/2013 (fl. 28), com interrupção de tal lapso, não decorreu o prazo de 10 anos entre o inadimplemento da última parcela (25/04/2004) e a notificação judicial (03/04/2013), nem desta data até o ajuizamento da ação. Superada a preliminar, entendo conveniente que a ação seja restituída ao Juízo de origem para prosseguimento da ação. grifou-se O acórdão estadual está em consonância com a jurisprudência desta e. Corte, segundo a qual "Aplica-se o prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC nas pretensões decorrentes de inadimplemento contratual. Não havendo na lei regra limitando o tempo para a decadência do direito de promover a resolução do negócio, a ação pode ser proposta enquanto não prescrita a pretensão de crédito que decorre do contrato. No caso, a pretensão veiculada é de resolução do contrato, reintegração na posse do bem imóvel litigioso e condenação da parte recorrida em perdas e danos, de modo que incide a prescrição decenal" (AgInt no REsp n. 1.955.059/SC, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 26/4/2022, DJe de 3/5/2022, grifou-se), o que atrai a incidência do óbice da Súmula 83 do STJ. No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL C/C REINTEGRAÇÃO DE POSSE E INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PRESCRIÇÃO. PRETENSÃO DECORRENTE DE INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. PRAZO. DECENAL. OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DO ELEMENTO OBJETIVO QUE SUSTENTA O PEDIDO DE RESOLUÇÃO DO CONTRATO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Observa-se que não se viabiliza o recurso especial pela indicada violação do art. 1.022 do Código de Processo Civil. Isso porque, embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão do recorrente. 2. Aplica-se o prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do CC nas pretensões decorrentes de inadimplemento contratual. 3. Com efeito, já decidiu esta Corte que "Se o pedido de resolução se funda no inadimplemento de determinada parcela, a prescrição da pretensão de exigir o respectivo pagamento prejudica, em consequência, o direito de exigir a extinção do contrato com base na mesma causa, ante a ausência do elemento objetivo que dá suporte fático ao pleito. (REsp 1728372/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/03/2019, DJe 22/03/2019). 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.589.393/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 29/6/2021, DJe de 5/8/2021.) grifou-se É evidente, ademais, que rever a conclusão da Corte local acerca da interrupção do prazo prescricional apenas seria possível com nova incursão nos elementos fático-probatórios dos autos, providência vedada em sede de recurso especial, ante o óbice do enunciado da Súmula 7 do STJ. Confira-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. ART. 240 DO CÓDIGO CIVIL. PROTESTO REALIZADO. PRESCRIÇÃO AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7 DO STJ. DISTRATO. MATÉRIA CONTROVERTIDA NOS AUTOS. DISCUSSÃO SOBRE VALIDADE. DECISÃO CONDICIONAL IMPOSSIBILITADA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A prescrição se interrompe com a citação (art. 240 do CPC) e a interrupção retroage à data da propositura da ação, se o autor cuidar de promover a citação nos dez dias seguintes (art. 240, § 2º, do CPC), não prejudicando a demora imputável, exclusivamente, ao serviço judiciário. 2. No caso, o Tribunal de origem afirmou que não se configurou a prescrição, em razão de sua interrupção efetivada por protesto judicial. Concluir em sentido diverso, verificando se efetivamente houve protesto apto a interromper a prescrição mencionada, demandaria reexame de matéria fático-probatória, o que é vedado em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.164.056/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.) grifou-se AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE AUTORA. 1. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.483.930/DF, sob o rito dos recursos repetitivos, firmou entendimento no sentido de que a pretensão do condomínio geral ou edilício de cobrar em juízo a taxa condominial ordinária ou extraordinária, constante em instrumento público ou particular, prescreve no prazo de 5 (cinco) anos contados do dia seguinte ao vencimento da prestação. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. Na hipótese, rever a conclusão da Corte a quo acerca da incidência de eventuais causas suspensivas ou interruptivas da prescrição demandaria, necessariamente, o reexame de toda a narrativa fática delineada na demanda, bem como das provas que instruem os autos, o que não se admite em sede de recurso especial, ante a Súmula 7 deste Tribunal. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.047.237/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 29/8/2022, DJe de 1/9/2022.) grifou-se AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DO RÉU. 1. O STJ não detém competência para apreciar afronta à norma constitucional, sob pena de usurpar a competência conferida constitucionalmente ao Supremo Tribunal Federal. Inteligência do art. 102, inciso III, da Carta Magna. 2. Rever os fundamentos do acórdão recorrido acerca da existência de causa interruptiva da prescrição demandaria a investigação fático-probatória, providência vedada por meio do recurso especial, em razão do óbice do Enunciado 7 da Súmula desta Corte. 3. A ausência de indicação expressa de dispositivos legais tidos por vulnerados quanto ao tema não permite verificar se a legislação federal infraconstitucional restou, ou não, malferida. Incidência da Súmula 284 do STF, por analogia. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 410.404/RS, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/12/2016, DJe de 14/12/2016.) grifou-se AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. POSSIBILIDADE. AJUIZAMENTO ANTERIOR DE AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO E REVISIONAL. INTELIGÊNCIA DO ART. 202, V E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO CIVIL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não se pode olvidar, quanto à violação ao art. 535 do CPC, que não houve negativa de prestação jurisdicional, máxime porque a Corte de origem analisou as questões deduzidas pela parte agravante. 2. A jurisprudência desta Corte é uníssona ao concluir que a citação válida interrompe a prescrição, dela só se podendo cogitar após o trânsito em julgado da decisão judicial que ponha fim ao processo que a interrompeu, nos termos do art. 202, V, do Código Civil. 3. O Tribunal de origem, por sua vez, concluiu pela não ocorrência da prescrição, sob o argumento de que o negócio jurídico, que origina o débito objeto da execução, foi discutido em ações revisional e de busca e apreensão anteriormente aviadas, interrompendo o prazo prescricional. 4. Com efeito, a modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido, acerca da ocorrência ou não da causa interruptiva da prescrição, demandaria o revolvimento do suporte fático-probatório dos autos, o que encontra óbice na Súmula 7/STJ. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 763.058/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 3/12/2015, DJe de 18/12/2015.) grifou-se De rigor, portanto, a manutenção da decisão agravada. 3. Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.