REsp 1768092 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial por ausência de prequestionamento das matérias relativas aos arts. mencionados (arts. 178, § 6º do CC/1916 - atual art. 206, § 1º, II, b, do CC/2002 - e art. 1º da Lei n. 12.409/2011), atraindo os óbices das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF, razão pela qual o recurso não foi...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: FEDERAL DE SEGUROS S.A. (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido Pelo STJ (decisão)
- Outcome
- Recurso não conhecido
- Legal Topics
- Prescrição, Legitimidade Passiva, Competência, Teoria Da Concausalidade, Obrigação De Fiscalização, Contrato De Seguro, Sistema Financeiro De Habitação (sfh)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FEDERAL DE SEGUROS S.A. (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL)
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido Pelo STJ (decisão)
Legal Issues
- 1 prescrição do direito de ação em face da seguradora
- 2 legitimidade passiva da Caixa Econômica Federal e intervenção do FCVS
- 3 competência da Justiça Federal para causas envolvendo autarquias/empresa pública
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial por ausência de prequestionamento das matérias relativas aos arts. mencionados (arts. 178, § 6º do CC/1916 - atual art. 206, § 1º, II, b, do CC/2002 - e art. 1º da Lei n. 12.409/2011), atraindo os óbices das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF, razão pela qual o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
Recurso não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FEDERAL DE SEGUROS S.A. (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL) (Representada por LUIZ HENRIQUE SANTOS DE PAULA - LIQUIDANTE), com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Apelação n. 0001264-39.2011.8.26.0302) assim ementado (fl. 954): SEGURO HABITACIONAL - INDENIZAÇÃO- Danos físicos no imóvel - Sistema Financeiro de Habitação - Decreto de improcedência - Descabimento -Apólice exclui indenização por danos decorrentes de vícios ou defeitos na construção do imóvel - Adoção, no entanto, da teoria da concausalidade - Obrigação contratual da seguradora de fiscalizar a obra, o que não se verificou - Indenização devida (sendo o valor apurado de extrema modéstia, para os padrões da seguradora apelada) - Inclusão da multa decendial no montante da condenação - Descabimento - Multa que se funda no descumprimento contratual nas relações entre a seguradora e a financiadora e não pode ser revertida em favor do segurado/mutuário - Sentença reformada - Recurso parcialmente provido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 1.001-1.004). Em suas razões recursais (fls. 1.007-1.054), a recorrente alega violação dos arts. 178, § 6º, do Código Civil de 1916 (atual art. 206, § 1º, II, b, do CC/2002) e 1º da Lei n. 12.409/2011. Aduz que a decisão recorrida não reconheceu a legitimidade passiva da CEF, contrariando a Lei n. 13.000/2014 e a Resolução n. 364/2014 do Conselho Curador do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e que essas normas estabelecem que a CEF deve intervir em processos que representem risco ou impacto ao FCVS, sendo, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo das ações que envolvam o fundo. Sustenta que a decisão recorrida desconsiderou a competência da Justiça Federal para julgar a demanda, conforme estabelecido pela Súmula n. 150 do Superior Tribunal de Justiça, e que essa súmula determina que compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença da União, suas autarquias ou empresas públicas no processo. Dada a natureza dos interesses envolvidos, é imperativo que a competência seja atribuída à Justiça Federal, garantindo, assim, a uniformidade e a coerência nas decisões judiciais que envolvem o FCVS. Quanto ao mérito, defende que a pretensão da parte recorrida contra a seguradora está sujeita a um prazo prescricional ânuo, conforme o art. 178, § 6º, do Código Civil de 1916 e o atual art. 206, § 1º, II, b, do Código Civil vigente, porquanto o suposto sinistro ocorreu há vários anos, e a parte recorrida não comunicou o sinistro à seguradora dentro do prazo, configurando a prescrição. Alega ainda que, com a quitação ou liquidação do contrato de financiamento habitacional, o contrato de seguro, que é acessório, também se extingue e que, uma vez extinto o contrato de financiamento, não há mais vínculo jurídico que justifique a manutenção da cobertura securitária, sendo necessária a extinção do processo com resolução do mérito. Por fim, argumenta que a seguradora recorrente não operou apólices de mercado (Ramo n. 68), sendo ilegítima para figurar no polo passivo em ações baseadas nessas apólices. As contrarrazões foram apresentadas (fls. 1.102-1.145). Ascenderam os autos a esta Corte e, conforme decisão de fls. 1.157-1.162, houve a determinação da devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguardasse a publicação do acórdão do Recurso Extraordinário n. 827.996/PR, submetido ao regime de repercussão geral. Ocorre que, por meio da decisão de fls. 1.188-1.190, o Tribunal de origem concluiu que a matéria discutida nos presentes autos não foi tratada no Tema n. 1.011 do Supremo Tribunal Federal. Novamente, os autos foram remetidos ao STJ para julgamento. Pela decisão de fls. 1.216-1.217, os autos foram sobrestados em razão do julgamento dos Conflitos de Competência n. 140.456/RS e 148.188/DF e, posteriormente, foram remetidos à Primeira Seção (fls. 1.223-1.224). Ao analisar a matéria dos autos, o Ministro Mauro Campbell concluiu que, "diante da inexistência de comprometimento do FCVS, o processo continua sob malhete das turmas da Segunda Seção" (fl. 1.231). É o relatório. Decido. No presente caso, infere-se do acórdão do recurso de apelação que não foram abordadas questões relacionadas à prescrição, à legitimidade ou à competência e que o foco principal do julgamento foi a responsabilidade da seguradora em indenizar os ora recorridos pelos danos decorrentes de vícios na construção do imóvel, considerando a teoria da concausalidade e a obrigação contratual de fiscalização da obra. No julgamento da apelação, foram analisados apenas os arts. 1.432 e 1.460 do Código Civil de 1916 no que se refere ao contrato de seguro e à responsabilidade do segurador ao risco assumido, de modo que a Corte de origem destacou a importância da teoria da concausalidade, que considera a responsabilidade da seguradora em fiscalizar a obra. Nesse contexto, o Tribunal a quo reconheceu a responsabilidade da seguradora em fiscalizar as obras financiadas pelo SFH, garantindo que os mutuários sejam devidamente indenizados por danos decorrentes de vícios de construção, mesmo quando a apólice exclui tais coberturas. Nesse contexto, observa-se que os artigos mencionados (arts. 178, § 6º, do Código Civil de 19160 - atual art. 206, § 1º, II, b, do CC/2002), bem como o art. 1º da Lei n. 12.409/2011, não foram devidamente prequestionados, atraindo, portanto , os óbices das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. A propósito, confiram-se os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.567.512/SP, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 14/10/2024, DJe de 16/10/2024; e AgInt no AREsp n. 2.375.323/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 2/10/2024. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, em desfavor da recorrente, por se tratar de sentença prolatada sob a égide do CPC de 1973. Publique-se. Intimem-se. EMENTA