REsp 1924013 - DECISAO
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento determinando o retorno dos autos ao juízo da execução para prosseguimento do cumprimento de sentença, porquanto a prescrição foi afastada. Fundamenta-se a decisão no entendimento de que o ajuizamento da execução coletiva interrompeu a prescrição e que,...
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- Parties
- CLAUDIA ALESSANDRA RODRIGUES PEREIRA; DISTRITO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2021
- Procedural Posture
- Execução De Sentença (proveniente De Ação Coletiva) / Recurso Especial Julgado No STJ (conhecimento Parcial E Provimento)
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e dou-lhe provimento, afastando a prescrição e determinando o retorno dos autos ao juízo da execução para prosseguimento do cumprimento de sentença.
- Legal Topics
- Prescrição, Execução De Título Coletivo, Abono De Ponto, Interrupção Do Prazo Prescricional, Contagem Do Prazo Prescricional (recomeço Pela Metade)
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Parties
CLAUDIA ALESSANDRA RODRIGUES PEREIRA
DISTRITO FEDERAL
Procedural Posture
Execução De Sentença (proveniente De Ação Coletiva) / Recurso Especial Julgado No STJ (conhecimento Parcial E Provimento)
Legal Issues
- 1 Se ocorreu a prescrição da execução individual do título executivo coletivo
- 2 Se o ajuizamento de execução coletiva interrompeu a contagem do prazo prescricional
- 3 Aplicação do art. 9º do Decreto n. 20.910/32 quanto ao recomeço do prazo pela metade
Ratio Decidendi
Conheceu-se parcialmente do recurso especial e deu-se provimento determinando o retorno dos autos ao juízo da execução para prosseguimento do cumprimento de sentença, porquanto a prescrição foi afastada. Fundamenta-se a decisão no entendimento de que o ajuizamento da execução coletiva interrompeu a prescrição e que, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32, o prazo recomeçou a correr pela metade, sendo que, conforme documentos dos autos, o indeferimento do prosseguimento da execução coletiva ocorreu em 11.4.2018 e a execução individual foi proposta em 07.11.2019, não tendo, portanto, decorrido o prazo de dois anos e meio que restaria para a consumação da prescrição após a causa...
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e dou-lhe provimento, afastando a prescrição e determinando o retorno dos autos ao juízo da execução para prosseguimento do cumprimento de sentença.
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao juízo da execução para prosseguimento do cumprimento de sentença, com afastamento da prescrição
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem trata-se de execução de sentença proferida em ação coletiva em que se reconheceu direito dos servidores plantonistas do Sistema Socioeducativo do DF aos 5 (cinco) dias de abono de ponto, nos termos do art. 151, §3º da LC 840/2011. Na sentença, extinguiu-se o processo em razão da prescrição.No Tribunal a quo a sentença foi mantida, conforme o seguinte resumo de ementa do acórdão: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL APELAÇÃO CÍVEL ABONO DE PONTO CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE REJEITADA PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA REJEITADA PRELIMINAR DE SUSPENSÃO DO PROCESSO REJEITADA PRESCRIÇÃO AUSÊNCIA DE CAUSA INTERRUPTIVA DO LAPSO PRESCRICIONAL PRAZO QUINQUENAL ULTRAPASSADO PRESCRIÇÃO RECONHECIDA SENTENÇA MANTIDA Interposto recurso especial em que são partes CLAUDIA ALESSANDRA RODRIGUES PEREIRA e DISTRITO FEDERAL , o recurso foi admitido na origem. É o relatório. Decido. Não há violação do 535 do CPC/73 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a fundamentadamente (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016). O ajuizamento de ação de execução coletiva pelo legitimado extraordinário interrompe a contagem do prazo prescricional, "não havendo que se falar em inércia dos credores individuais" (STJ, AgInt no AgInt no AREsp 1.074.006/MS, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (Desembargador Federal convocado do TRF/5ª Região), QUARTA TURMA, DJe de 20/06/2018). Nesse sentido também: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TÍTULO JUDICIAL COLETIVO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, DIANTE DO ANTERIOR AJUIZAMENTO DE EXECUÇÃO COLETIVA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. REVISÃO DAS PREMISSAS FÁTICAS FIRMADAS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. Trata-se, na origem, de execução individual de título executivo coletivo, tendo o Tribunal de origem afastado a prescrição, reconhecida na sentença, diante do anterior ajuizamento de execução coletiva. III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão que julgou os Embargos Declaratórios apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. IV. Consoante pacífica jurisprudência desta Corte, "o ajuizamento de ação de execução coletiva pelo legitimado extraordinário interrompe a contagem do prazo prescricional, não havendo que se falar em inércia dos credores individuais" (STJ, AgInt no AgInt no AREsp 1.074.006/MS, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (Desembargador Federal convocado do TRF/5ª Região), QUARTA TURMA, DJe de 20/06/2018). V. No caso, verifica-se que o Tribunal de origem afastou a prescrição após o exame pormenorizado das provas dos autos. Assim, a modificação do entendimento proclamado pela Corte de origem, demandaria, necessariamente, o reexame do conjunto probatório dos autos, o que é inviável em sede de Recurso Especial. Nesse sentido: STJ, REsp 1.726.458/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 25/05/2018. VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1238993/GO, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2021, DJe 08/03/2021) EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC/1973 NÃO CONFIGURADA. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO COLETIVA AJUIZADA PELO SINDICATO. ILEGITIMIDADE RECONHECIDA.INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL, QUE COMEÇA A CORRER PELA METADE.SÚMULAS N.OS 150 E 383 DO STF. DISSÍDIO DEMOSTRADO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ACOLHIDOS. 1. "Em conformidade com as Súmulas 150 e 383 do STF, a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento.Todavia, o ajuizamento da ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32, resguardado o prazo mínimo de cinco anos" (EREsp 1.121.138/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, CORTE ESPECIAL, julgado em 15/05/2019, DJe 18/06/2019). 2. Hipótese em que a ação executória está fulminada pela prescrição, uma vez que sobreveio o trânsito em julgado da decisão que afastou a legitimidade do Sindicato em 04/02/2010; e a execução individual em questão somente foi proposta em 30/11/2013, porquanto, depois do prazo de dois anos e meio, respeitado o prazo mínimo do quinquídio. 3. Embargos de divergência acolhidos para, reformando o acórdão embargado e a decisão monocrática correspondente, dar parcial provimento ao recurso especial da UNIÃO (mantida a conclusão de que "não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil/2015 uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado") a fim de cassar o acórdão recorrido da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (apelação cível n.º 5066849-03.2013.4.04.7100/RS), restabelecendo a sentença de primeiro grau que acolheu a exceção de pré-executividade e declarou a prescrição, extinguindo a execução de sentença n.º 50201063220134047100. (EREsp 1676110/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL, julgado em 06/11/2019, DJe 27/11/2019) Interrompida a prescrição o prazo recomeçaa correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32. Conforme consta dos autos (fls. 162-164) o indeferimento do prosseguimento da execução coletiva ocorreu em 11.4.2018 e a execução individual foi proposta em07.11.2019, não ocorrendo, portanto, o transcurso do prazo de dois anos e meio. Ante o exposto, nos termos do art. 255, §4º, III, do Regimento Interno do STJ, conheço parcialmente do recurso especial para dar-lhe provimento, determinando o retorno dos autos ao juízo da execução para que dê prosseguimento ao cumprimento de sentença, afastada a prescrição. Publique-se. Intime-se.