AREsp 1779616 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no julgamento do agravo de instrumento quanto à prescrição da pretensão executória, devendo o Tribunal observar a data de encerramento do processo administrativo como marco inicial para a contagem do...
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- Parties
- Agravante: SANTA CLARA INDÚSTRIA DE PASTA E PAPEL LTDA.; Órgão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Agravo, Com Determinação De Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para prosseguir o julgamento do agravo de instrumento quanto à prescrição, observando-se a data de encerramento do processo administrativo como termo inicial da prescrição.
- Legal Topics
- Prescrição, Execução Fiscal, Multa Ambiental, Termo Inicial Da Prescrição, Decadência, Constituição Definitiva Do Crédito, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
SANTA CLARA INDÚSTRIA DE PASTA E PAPEL LTDA.
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Decisão De Conhecimento E Provimento Do Agravo, Com Determinação De Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Qual é o termo inicial do prazo prescricional para a cobrança de multa administrativa ambiental (se a data da inscrição em dívida ativa ou a data de encerramento do processo administrativo/constituição definitiva do crédito)
- 2 Aplicação do Decreto n. 20.910/1932 e interação com a Lei n. 9.873/1999
- 3 Possibilidade de prescrição/intercorrente no processo administrativo
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se provimento para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no julgamento do agravo de instrumento quanto à prescrição da pretensão executória, devendo o Tribunal observar a data de encerramento do processo administrativo como marco inicial para a contagem do prazo prescricional, porquanto o crédito só se torna exigível após a constituição definitiva no processo administrativo.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; determinado o retorno dos autos ao Tribunal de origem para prosseguir o julgamento do agravo de instrumento quanto à prescrição, observando-se a data de encerramento do processo administrativo como termo inicial da prescrição.
Orders
- Dar provimento ao agravo e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no julgamento do agravo de instrumento, no ponto referente à prescrição da pretensão executória, observando a data de encerramento do processo administrativo como o marco inicial para a contagem da prescrição.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto por SANTA CLARA INDÚSTRIA DE PASTA E PAPEL LTDA. contra decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ, que não admitiu recurso especial, fundado nas alíneas "a" e "c"do permissivo constitucional, o qual desafia acórdão assim ementado (e-STJ fl. 353): AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.EXECUÇÃO FISCAL. MULTA AMBIENTAL APLICADA PELO IAP. 1.PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. INOCORRÊNCIA. 2.PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO.INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NO ÂMBITO ESTADUAL.ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA.RECURSO DESPROVIDO. No recurso especial obstaculizado, a parte apontouviolação do art. 1º do Decreto n.20.910/1932 e dissenso jurisprudencial em relação ao art. 1º, § 1º, da Lei n. 9.783/1999. Defendeu que oprazo prescricional inicia-se com o trânsito em julgado do procedimento administrativo e que, no caso, o recorrido se manteve inerte, pelo quesua pretensão executiva está prescrita(e-STJ fls. 409/424). O apelo nobre foi inadmitido pelo Tribunal de origem quanto à alínea "a" e teve o seguimento negado pela alínea "c" do permissivo constitucional. Os fundamentos da decisão de inadmissibilidade foram atacados no presente recurso. Decisão da Presidência tornada sem efeito (e-STJ fls. 622/623). Passo a decidir. Cuidam os autos de execução fiscal de multaadministrativa por infração ambiental, em cujo bojo não foi reconhecido o transcurso do prazo prescricional quinquenal do Decreto n. 20.910/1932. Acerca do termo inicial da prescrição, o Tribunal local considerou a data da inscrição de crédito em dívida ativacomo o marco inicial (e-STJ fl. 354): Primeiramente, é importante destacar que a ação originária é Execução Fiscal oriunda de multa administrativa por infração ambiental, a qual não possui natureza tributária, de modo que não se aplicam as disposições do Código Tributário. Em análise do Auto de Infraçãonº 54301/2005, constata-se que a decisão administrativa que impôs a multa foi proferida em 07 janeiro de 2010, tendo a Apelante recebido notificação em 21 de janeiro de 2010. Transcorrido o prazo para pagamento, o crédito foi inscrito em dívida ativa em 11 de junho de 2010 e o ajuizamento da pretensão executória ocorreu em 28 de maio de 2015, ou seja, não houve o transcurso de prazo superior a cinco anos, consoante a Súmula nº 467, do STJ. Nesse mesmo sentido, o Decreto nº 20.910/32 dispõe em seu artigo 1º: "As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, sEja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem". (..). Portanto, considerando que não houve o transcurso do alegado prazo prescricional, é de se desprover o recurso no referido ponto. Ocorre que esse entendimentodestoa dajurisprudência desta Corte, sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, de que, "enquanto não se encerrar o processo administrativo de imposição da penalidade, não corre prazo prescricional, porque o crédito ainda não está definitivamente constituído e simplesmente não pode ser cobrado (REsp. 1.112.577/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 8.2.2010). Isso porque, antes de exaurido o procedimento administrativo, não há como reputar exigível o débito pela via executiva. Eis a ementa do julgado paradigma: ADMINISTRATIVO. EXECUÇÃO FISCAL. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. PRESCRIÇÃO. SUCESSÃO LEGISLATIVA. LEI 9.873/99. PRAZO DECADENCIAL. OBSERVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO AO RITO DO ART. 543-C DO CPC E À RESOLUÇÃO STJ N.º 08/2008. 1. A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental de São Paulo-CETESB aplicou multa à ora recorrente pelo fato de ter promovido a "queima da palha de cana-de-açúcar ao ar livre, no sítio São José, Município de Itapuí, em área localizada a menos de 1 Km do perímetro urbano, causando inconvenientes ao bem-estar público, por emissão de fumaça e fuligem" (fl.. 28). 2. A jurisprudência desta Corte tem reconhecido que é de cinco anos o prazo para a cobrança da multa aplicada ante infração administrativa ao meio ambiente, nos termos do Decreto n.º 20.910/32, o qual que deve ser aplicado por isonomia, à falta de regra específica para regular esse prazo prescricional. 3. Não obstante seja aplicável a prescrição quinquenal, com base no Decreto 20.910/32, há um segundo ponto a ser examinado no recurso especial - termo inicial da prescrição - que torna correta a tese acolhida no acórdão recorrido. 4. A Corte de origem considerou como termo inicial do prazo a data do encerramento do processo administrativo que culminou com a aplicação da multa por infração à legislação do meio ambiente. A recorrente defende que o termo a quo é a data do ato infracional, ou seja, data da ocorrência da infração. 5. O termo inicial da prescrição coincide com o momento da ocorrência da lesão ao direito, consagração do princípio universal da actio nata. Nesses termos, em se tratando de multa administrativa, a prescrição da ação de cobrança somente tem início com o vencimento do crédito sem pagamento, quando se torna inadimplente o administrado infrator. Antes disso, e enquanto não se encerrar o processo administrativo de imposição da penalidade, não corre prazo prescricional, porque o crédito ainda não está definitivamente constituído e simplesmente não pode ser cobrado. 6. No caso, o procedimento administrativo encerrou-se apenas em 24 de março de 1999, nada obstante tenha ocorrido a infração em 08 de agosto de 1997. A execução fiscal foi proposta em 31 de julho de 2002, portanto, pouco mais de três anos a contar da constituição definitiva do crédito. 7. Nesses termos, embora esteja incorreto o acórdão recorrido quanto à aplicação do art. 205 do novo Código Civil para reger o prazo de prescrição de crédito de natureza pública, deve ser mantido por seu segundo fundamento, pois o termo inicial da prescrição quinquenal deve ser o dia imediato ao vencimento do crédito decorrente da multa aplicada e não a data da própria infração, quando ainda não era exigível a dívida. 8. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao art. 543-C do CPC e à Resolução STJ n.º 08/2008. (REsp 1.112.577/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 08/02/2010) (Grifos acrescidos). É queo prazo para constituição do crédito (prazo decadencial) não se confunde com o prazo para cobrança do crédito, via execução fiscal (prazo prescricional). Ambos os prazossão de cinco anos, sendo que o primeiro (constituição) conta-se da data da infração, no caso dos ilícitos instantâneos, enquanto o segundo (cobrança), do término do processo administrativo. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO RESCISÓRIA. EXECUÇÃO FISCAL.MULTA (INFRAÇÃO AMBIENTAL). PRAZO PRESCRICIONAL. INÍCIO DO CÔMPUTO.CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. 1. A Primeira Seção desta Corte, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no julgamento do REsp 1.112.577/SP (julgado em 09/12/2009, DJe 08/02/2010) e do REsp 1.115.078/RS (julgado em 24/03/2010, DJe 06/04/2010), ambos da relatoria do em. Ministro Castro Meira, firmou, entre outras, as seguintes teses: a) "Prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da Administração Pública de promover a execução da multa por infração ambiental." e b) "O termo inicial do prazo prescricional para o ajuizamento da ação executória "é a constituição definitiva do crédito, que se dá com o término do processo administrativo de apuração da infração e constituição da dívida"." 2. No caso, com espeque no art. 485, V, do CPC/1973, o IBAMA propôs ação rescisória em que questiona o transcurso do prazo prescricional para a cobrança de multa por infração ambiental, ao argumento de que seu início se dá a partir "da data da constituição definitiva do crédito não tributário e não da data da notificação do débito do devedor", tendo sido violados os arts. 1º e 1º-A da Lei n.9.873/1999. 3. A decisão rescindenda assentou que "é de cinco anos o prazo prescricional para o ajuizamento de execução fiscal de cobrança de multa de natureza administrativa, contado do momento em que se torna exigível o crédito (artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932)", sendo que o Regional contou o prazo inicial da prescrição da data em que o autuado foi cientificado do indeferimento do primeiro dos dois recursos administrativos apresentados, em 08/03/1999, ambos dotados de efeito suspensivo, a teor dos arts. 128, § 2º, e 130, § 3º, do Decreto n. 6.514/2008. 4. Havendo o processo administrativo se ultimado em 17/02/2000 (de cuja decisão final o infrator, ora réu, teve ciência em 03/03/2000) e tendo sido o autuado notificado para pagar o valor da multa até 01/04/2000 - data após a qual a dívida poderia ser cobrada judicialmente -, não há que se falar em prescrição, porquanto proposto o executivo fiscal em 20/08/2004. 5. Pedido procedente. (AR 4.928/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/09/2019, DJe 25/10/2019). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. MULTA AMBIENTAL. EXECUÇÃO FISCAL.CDA. DÍVIDA NÃO-TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. AUSÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. 1. Cuida-se de inconformismo contra acórdão do Tribunal de origem, que reconheceu a prescrição na aplicação da multa ambiental ao recorrido e julgou extinta a Execução Fiscal, nos termos do art.269, IV, do Código de Processo Civil de 1973. 2. Não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil quando o Tribunal de origem julga integralmente a lide e soluciona a controvérsia. O órgão julgador não é obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/8/2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28/6/2007. 3. O Tribunal de origem, ao entender que o prazo prescricional conta-se da constituição do crédito em 2005 (data do julgamento da defesa administrativa) e não de sua constituição definitiva (data do julgamento do pedido de reconsideração da parte - término do processo administrativo), deu aplicação equivocada ao art. 269, inciso IV, do Código de Processo Civil e violou direta e literalmente o art. 1-A da Lei 9.873/1999, o que significa dizer que tal questão não é exclusivamente fática. 4. Até a data do julgamento do pedido de reconsideração da parte, o Ibama encontrava-se impedido de inscrever o débito em dívida ativa e ajuizar demanda executiva, pois o curso do procedimento administrativo implica hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito, que não estava definitivamente constituído. 5. O STJ fixou entendimento de que o termo inicial do lapso prescricional para execução de multa ambiental se dá após o término do processo administrativo (AgRg no AgRg no AREsp 596.376/PB, Rel.Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 17/12/2015, DJe 5/2/2016; REsp 1.669.907/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 27/6/2017, DJe 30/6/2017; REsp 1.193.998/SP, Rel.Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 23/6/2015, DJe 1/7/2015). 6. O início do prazo prescricional, que ocorre tão somente quando da conclusão do procedimento administrativo, deu-se após o julgamento do pedido de reconsideração. Logo, não ocorreu a prescrição no presente caso. 7. Recurso Especial a que se dá parcial provimento. (REsp 1.697.033/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 19/12/2017) Por fim, advirto a parte agravada deque a interposição de agravo interno manifestamente inadmissível ou improcedente pode ensejar a aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015. Ante o exposto, com base no art. 253, parágrafo único, II, "c", do RISTJ, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial e determinar o retornodos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no julgamento do agravo de instrumento, no ponto referente à prescrição da pretensão executória, como entender de direito, observadaa data de encerramento do processo administrativo como o marco inicial para a contagem da prescrição. Publique-se. Intimem-se.