REsp 1757172 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça, em consonância com o entendimento consolidado na Primeira Seção (REsp 1.113.403/RJ), decidiu que a pretensão de cobrança de faturas de energia elétrica sujeita-se ao prazo prescricional de dez anos previsto no art. 205 do Código Civil de 2002, dando provimento ao recurso especial para...
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- Parties
- Autor/recorrente: Amazonas Distribuidora de Energia S/A; Ré: Vanda Ramos de Souza
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2021
- Procedural Posture
- Ação Monitória; Recurso Especial / Recurso Especial Provido (decisão Do Superior Tribunal De Justiça)
- Outcome
- Recurso especial provido
- Legal Topics
- Prescrição, Prescrição Decenal (art. 205 Do Cc), Prescrição Quinquenal (art. 206, §5º, I, Cc), Tarifa De Energia Elétrica, Ação Monitória, Súmula 7/stj, Recursos Repetitivos
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Parties
Amazonas Distribuidora de Energia S/A
Autor/recorrente
Vanda Ramos de Souza
Ré
Procedural Posture
Ação Monitória; Recurso Especial / Recurso Especial Provido (decisão Do Superior Tribunal De Justiça)
Legal Issues
- 1 Prazo prescricional aplicável à cobrança de faturas de energia elétrica
- 2 validade e suficiência da prova documental produzida unilateralmente pela concessionária
- 3 possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em sede de recurso especial
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça, em consonância com o entendimento consolidado na Primeira Seção (REsp 1.113.403/RJ), decidiu que a pretensão de cobrança de faturas de energia elétrica sujeita-se ao prazo prescricional de dez anos previsto no art. 205 do Código Civil de 2002, dando provimento ao recurso especial para fixar o prazo decenal no caso concreto; não se conheceu ou não se reviu matéria fático-probatória em atenção à Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Recurso especial provido
Orders
- Dar provimento ao recurso especial para estabelecer o prazo prescricional de dez anos, previsto no art. 205 do Código Civil, para a pretensão de pagamento das faturas de energia elétrica em aberto.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Amazonas Distribuidora de Energia S/A ajuizou ação monitória contra Vanda Ramos de Souza, titular da Unidade Consumidora n. 0418847-0, objetivando sua condenação ao pagamento da quantia de R$ 24.643,17 (vinte e quatro mil, seiscentos e quarenta e três reais e dezessete centavos), atualizado até 17/11/2014, porquanto a ré teria deixado em aberto as faturas de energia elétrica no período de novembro de 2005 a setembro de 2014. Vanda Ramos de Souza interpôs embargos, apontando a invalidade dos documentos produzidos unilateralmente pela concessionária de energia elétrica, bem assim a ausência de demonstração do cálculo do suposto débito de consumo (fls. 28-37). Na primeira instânciaos embargos à ação monitória foram julgados improcedentes, com a declaração de constituição de pleno direito em títulos executivos judiciais as faturas de energia elétrica com vencimento posterior a 31/01/2010, restando prescritas as anteriores a essa data (fls. 78-84). O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, em grau recursal, negou provimento ao recurso de apelação da Amazonas Distribuidora de Energia S/A, mantendo incólume a decisão monocrática nos termos da seguinte ementa (fl. 114): APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO MONITÓRIA - COBRANÇA DE FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA - PRESCRIÇÃO QUINQUENAL - ARTIGO 206, § 5º, I, CÓDIGO CIVIL - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram eles rejeitados (fls. 127-131). Amazonas Distribuidora de Energia S/A interpôs recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas a e c, da Constituição da República, no qual aponta contrariedade ao art. 205 do Código Civil, visto que, em suma, tratando-se de cobrança de faturas de energia elétrica, o prazo prescricional aplicável à lide seria o decenal, previsto no citado dispositivo do códexcivilista. Aduz, ainda, dissídio jurisprudencial entre o aresto vergastado e julgados desta Corte relacionados à questão. Não foram ofertadas contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Decido. No que concerne à alegação de contrariedade ao art. 205 do Código Civil, com razão a concessionária recorrente a esse respeito, encontrando-se o aresto recorrido em dissonância com o entendimento firmado pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.113.403/RJ, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, sob o rito dos recursos repetitivos, no sentido de que, nas ações de cobrança de tarifa de energia elétrica, água e esgoto, incidem os prazos prescricionais estabelecidos na regra geral do Código Civil, quais sejam, o decenal (art. 205 do CC de 2002) ou o vintenário (art. 177 do CC de 1916), observada a regra de transição prevista no art. 2.028 do Código Civil de 2002. A esse respeito, os seguintes julgados: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. COBRANÇA DE TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA. OCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE NO MEDIDOR. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS, NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INCONFORMISMO. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. PRAZO PRESCRICIONAL DECENAL (ART. 205 DO CC DE 2002) OU VINTENÁRIO (ART. 177 DO CC DE 1916), OBSERVADA A REGRA DE TRANSIÇÃO PREVISTA NO ART. 2.028 DO CÓDIGO CIVIL/2002. TEMA DECIDIDO EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ALEGADO CERCEAMENTO DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE ENTENDEU SUFICIENTE A INSTRUÇÃO DO FEITO. SÚMULA 7/STJ. CONTROVÉRSIA QUE EXIGE ANÁLISE DE RESOLUÇÃO, ATO NORMATIVO NÃO INSERIDO NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. INVIABILIDADE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em 04/04/2018, que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de Ação Monitória, ajuizada por CEB Distribuição S/A em face da parte agravante, objetivando o recebimento do valor de R$ 606.244,64 (seiscentos e seis mil, duzentos e quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos), relativo a diferenças de medição de energia elétrica, ocasionadas por irregularidades nos medidores instalados junto à ré. O acórdão do Tribunal de origem manteve a sentença, que julgara procedente o pedido. III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 1.022 do CPC/2015, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. IV. No que concerne à prescrição, o acórdão recorrido está em consonância com o entendimento firmado pela Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.113.403/RJ (DJe de 15/9/2009), sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, sob o rito dos recursos repetitivos, no sentido de que, nas ações de cobrança de tarifa de energia elétrica, água e esgoto, incidem os prazos prescricionais estabelecidos na regra geral do Código Civil, quais sejam, o decenal (art. 205 do CC de 2002) ou o vintenário (art. 177 do CC de 1916), observada a regra de transição prevista no art. 2.028 do Código Civil de 2002. Assim, estando o acórdão recorrido em consonância com a jurisprudência sedimentada nesta Corte, merece ser mantida a decisão ora agravada, em face do disposto no enunciado da Súmula 568 do STJ. V. Consoante a jurisprudência do STJ, "não configura cerceamento de defesa o julgamento da causa, com o julgamento antecipado da lide, quando o Tribunal de origem entender substancialmente instruído o feito, declarando a prescindibilidade de produção probatória, por se tratar de matéria eminentemente de direito ou de fato já provado documentalmente" (STJ, AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp 850.552/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 19/5/2017). Incidência da Súmula 7/STJ. VI. O entendimento firmado pelo Tribunal a quo - no sentido da existência de irregularidade no medidor de energia elétrica da parte agravante - não pode ser revisto, pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Especial, sob pena de ofensa ao comando inscrito na Súmula 7 desta Corte. Precedentes do STJ. VII. Na forma da jurisprudência, "o apelo nobre não constitui via adequada para análise de ofensa a resoluções, portarias ou instruções normativas, por não estarem tais atos normativos compreendidos na expressão "lei federal", constante da alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal" (STJ, REsp 1.613.147/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/09/2016). VIII. Agravo interno improvido (AgInt no REsp 1725959/DF, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/09/2018, DJe 13/09/2018). ADMINISTRATIVO. ENERGIA ELÉTRICA. PRESCRIÇÃO. JULGADO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. RELAÇÃO DE CONSUMO. AFERIÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. 1. A contraprestação cobrada por concessionária de serviço público a título de fornecimento de energia elétrica ostenta natureza jurídica de tarifa ou preço público, submetendo-se à prescrição decenal (art. 205 do CC de 2002) ou vintenária (art. 177 do CC de 1916), conforme a regra de transição prevista no art. 2.028 do novo diploma. 2. No caso em exame, para se chegar a conclusão diversa da adotada pelo órgão julgador de origem quanto à configuração da relação de consumo, seria necessário o revolvimento do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7/STJ. 3. No tocante a alínea c do permissivo constitucional, o recurso especial não pode ser conhecido porque a parte recorrente apontou como paradigmas julgados que não guardam similitude fática com a matéria ora apreciada. 4. Agravo regimental improvido (AgRg no AREsp 324.990/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 05/02/2016). Nesse passo, o dissídio jurisprudencial suscitado também merece acolhida. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou provimento ao recurso especial para estabelecer, no caso dos autos, o prazo prescricional de dez anos, previsto no art. 205 do Código Civil, para pretensão de pagamento das faturas de energia elétrica em aberto. Publique-se. Intimem-se.