AREsp 1833274 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento em razão da ausência de prequestionamento sobre pontos decisivos trazidos no recurso especial (a possibilidade de interrupção da prescrição apenas uma única vez nos termos do art. 202, III, do CC e a existência de protesto), de modo que a matéria não pôde ser apreciada no...
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- Parties
- Agravante: INDÚSTRIA DE BEBIDAS PIRASSUNUNGA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Prescrição, Ação Monitória, Títulos De Crédito, Nota Promissória, Protesto, Prequestionamento, Honorários Advocatícios
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Parties
INDÚSTRIA DE BEBIDAS PIRASSUNUNGA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão
Legal Issues
- 1 Se o protesto e a propositura de ação desconstituinte interrompem o prazo prescricional apenas uma única vez, nos termos do art. 202, III, do CC
- 2 Aplicação do prazo quinquenal do art. 206, §5º, I, do Código Civil à cobrança de nota promissória
- 3 Prequestionamento para admissibilidade de recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento em razão da ausência de prequestionamento sobre pontos decisivos trazidos no recurso especial (a possibilidade de interrupção da prescrição apenas uma única vez nos termos do art. 202, III, do CC e a existência de protesto), de modo que a matéria não pôde ser apreciada no especial, atraindo por analogia o óbice da Súmula 282 do STF; manteve-se o entendimento de que a ação desconstitutiva interrompeu a prescrição até o trânsito em julgado em 07/05/2014, razão pela qual a monitória de 08/02/2019 seria tempestiva em relação ao prazo quinquenal.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego-lhe provimento
Orders
- Majorou-se em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
- Intimem-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por INDÚSTRIA DE BEBIDAS PIRASSUNUNGA LTDA. contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (e-STJ, fl. 184): AÇÃO MONITÓRIA - Nota promissória - Alegação de inépcia da petição inicial - Descabimento - Ação devidamente instruída com cópia da nota promissória e planilha de cálculo da dívida - A propositura de ação que buscava desconstituir o título interrompeu o prazo prescricional, que só voltou a correr a partir do trânsito em julgado - Ação monitória ajuizada antes do decurso do prazo de cinco anos previsto no art. 206, § 5º, I, do Código Civil - Inocorrência de prescrição - Os juros de mora incidem desde a data de vencimento do título - Aplicação do art. 397 do Código Civil - RECURSO NÃO PROVIDO Nas razões do recurso especial, o recorrenteaponta violação dos arts.52 do Decreto nº 2.044/08 e206, § 5º, I, do Código Civil, porque houve o transcurso da prescrição quinquenal, uma vez que a nota promissória venceu em 16/2/2004 e a ação monitória foi ajuizada apenas em 8/2/2019. Sustenta que o protesto do título ocorreu em 19/2/2004 e que, nos termos do art. 202, III, do CC a prescrição somente pode ser interrompida uma vez, sendo devida a contagem do prazo prescricional a partir da data do protesto. Contrarrazões apresentadas. O recurso especial não foi admitido, em virtude da ausência de demonstração da violação aos arts. 202, III, 206, § 5º, I, ambos do CC e a incidência da Súmula 7 do STJ. Neste agravo, o agravante afirma que foi demonstrada a violação dos artigos indicados no recurso especial e que a matéria é de direito, não sendo necessária a revisão do conjunto fático-probatório dos autos. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Presentes os pressupostos de admissibilidade e ultrapassado o limite do conhecimento do presente agravo, verifico que esse não merece provimento, senão vejamos. A controvérsia dos autos se refere à pretensão de reconhecimento dainterrupção do prazo prescricional apenas uma única vez, nos termos do art. 202, III, do CC. No acórdão recorrido, contudo, o Tribunal de origem apenas consignou que (i)incidia nocaso a prescrição quinquenal; e (ii) a propositura de ação que buscava desconstituir o título interrompeu o prazo prescricional, que só voltou a correr a partir do trânsito em julgado, em 7/5/2014. Confira-se: Tratando-se de nota promissória, a pretensão de cobrança prescreve em cinco anos, conforme previsto no art. 206, § 5º, I, do Código Civil. Nesse sentido, confira-se a Súmula 504 do Superior Tribunal de Justiça: "O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título." No caso, a propositura de ação que buscava desconstituir o título interrompeu o prazo prescricional, que só voltou a correr a partir do trânsito em julgado, em 07/05/2014 (fls. 14/16 e 71/124). Portanto, como a ação monitória foi ajuizada em 08/02/2019, antes do decurso do prazo de cinco anos, não há que se falar em prescrição .. Assim, verifica-se que o Tribunal de origem não emitiu pronunciamento sobre (i) a possibilidade de interrupção do prazo prescricional apenas uma única vez, nos termos do art. 202, III, do CC e (ii) a existência de protesto; e não foram opostos embargos de declaração para sanar a omissão. No caso, não há como ser analisada a tese trazida no recurso especial em virtude da falta de prequestionamento, o que atrai, quanto ao tema, o óbice da Súmula 282 do STF por analogia. Em face do exposto, conheço doagravo para a ele negarprovimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observados os limites previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal. Intimem-se.