AREsp 1868574 - DECISAO
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pela UNIÃO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: CIVIL. PROCESSO CIVIL. SERVIDOR. PENSÃO....
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- Parties
- Agravante/recorrente: UNIÃO; Legitimado Extraordinário/associação: ASDNER
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (admissibilidade)
- Legal Topics
- Prescrição, Execução Coletiva, Execução Individual, Legitimidade Extraordinária, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
UNIÃO
Agravante/recorrente
ASDNER
Legitimado Extraordinário/associação
Procedural Posture
Agravo / Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 Se a ação de execução coletiva ajuizada pelo legitimado extraordinário interrompe o prazo prescricional da execução individual
- 2 Ausência de prequestionamento (Súmulas 282 e 356 do STF) e seus efeitos sobre o conhecimento do recurso especial
- 3 Comprovação do dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico exigido para admissibilidade do recurso especial
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pela UNIÃO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: CIVIL. PROCESSO CIVIL. SERVIDOR. PENSÃO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. AJUIZAMENTO DE EXECUÇÃO COLETIVA. APELAÇÃO PROVIDA. 1. O C. STJ tem entendimento de que a ação de execução coletiva ajuizada pelo legitimado extraordinário interrompe o prazo prescricional da execução individual. Precedentes. 2. In casu, transitada em julgado a ação coletiva na data de 24/02/2010, consta dos autos a existência de execução coletiva que, além de não se ter notícia de trânsito em julgado, observa-se a celebração de acordo para liquidação de sentença em 27/11/2013, com fixação dos critérios básicos e dos legitimados do título executivo. Dessa forma, não restou verificada a prescrição da execução individual. 3. Apelação a que se dá provimento. Alega violação dos arts. 1º e 9º do Decreto n. 20.910/1932 no que concerne à inexistência de marco interruptivo do transcurso do prazo prescricional, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O fundamento posto no v. acórdão para afastar a ocorrência da prescrição diz respeito ao entendimento do STJ no sentido de que "a ação de execução coletiva ajuizada pelo legitimado extraordinário interrrompe o prazo prescricional da execução individual". Com base no referido entendimento, o voto condutor do v. acórdão recorrido considerou que "transitada em julgado a ação coletiva na data de 24/02/2010, consta dos autos a existência de execução coletiva que, além de não se ter notícia de trânsito em julgado, observa-se a celebração de acordo para liquidação de sentença em 27/11/2013, com fixação dos critérios básicos e dos legitimados do título executivo (ID nº 90106002)." Ocorre que no caso concreto, referida tese encontra-se equivocada, primeiro porque o suposto legitimado extraordinário, no caso a ASDNER, atua por representação, não por substituição. E não há prova de que substituiu a autora na execução: não há autorização da autora, nem prova de filiação. A filiação do falecido instituidor da pensão, para a execução, é irrelevante, já que a Associação não pode representar pessoa morta. Por outro lado, no agravo a Associação não discutia a execução dos substituídos. Tratava-se da pretensão de: "processamento da execução do título exequendo para todos os filiados à ASDNER, independentemente da data de filiação, bem como para cassar a homologação dos pedidos e desistência e exclusão do feito, com a concessão de prévia manifestação da ASDNER sobre os mesmos, como aqui postulado" Ou seja, naquele recurso a matéria discutida era justamente a inclusão de terceiros, não podendo beneficiar a autora/exequente ou interromper a prescrição. Logo, como o trânsito em julgado ocorreu em 24/02/2010, e não houve causa suspensiva ou interruptiva, conforme razões acima expostas, as execuções ajuizadas após 24/02/2015 encontram-se prescritas, como ocorre no caso concreto em que a apelante deu início à execução individual apenas em 04 de abril de 2017, portanto, quando já transcorrido o prazo prescricional (fls. 209/300). Aduz, ainda a ocorrência de divergência jurisprudencial quanto a essa controvérsia. É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e n. 356/STF, uma vez que a questão, a teor dos dispositivos tidos por violados, não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020. No mais, foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; e AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 5/5/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.