AREsp 1882128 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não individualizou a alegada omissão prevista no art. 1.022 do CPC, configurando o óbice da Súmula 284/STF, e porque o acórdão recorrido já reconheceu como marco inicial da prescrição o trânsito em julgado da ação coletiva, tornando...
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- Parties
- Agravante/recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Ação Civil Pública, Execução Coletiva E Individual, Honorários Advocatícios, Recurso Especial
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 1.022 do CPC
- 2 Marco inicial da prescrição da pretensão executória individual (trânsito em julgado da ação coletiva)
- 3 Efeito do ajuizamento de execução coletiva sobre a prescrição da pretensão executória individual
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não individualizou a alegada omissão prevista no art. 1.022 do CPC, configurando o óbice da Súmula 284/STF, e porque o acórdão recorrido já reconheceu como marco inicial da prescrição o trânsito em julgado da ação coletiva, tornando inexistente o interesse recursal; ademais, a pretensão recursal exigiria reexame de provas, incorrendo na Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: PROCESSUAL E PREVIDENCIÁRIO AÇÃO CIVIL PÚBLICA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PRESCRIÇÃO REVISÃO IRSM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do art. 1.022, do CPC. Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega violação do arts. 240, § 1º, e 924, V do CPC; do art. 202 do CC; do art. 104 da Lei n. 8.708/90; do art. 103, parágrafo único, da Lei n. 8.213/91; e do art. 1º do Decreto n. 20.910/32, no que concerne à prescrição da pretensão executória individual que tem como marco inicial o trânsito em julgado da ação coletiva, não havendo que se falar em interrupção deste prazo pelo ajuizamento de execução coletiva, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Cabe destacar, outrossim, que o ajuizamento de execução coletiva não suspende e/ou interrompe a prescrição, uma vez que os tribunais pacificaram o entendimento no sentido de que as ações coletivas não induzem litispendência ou coisa julgada em relação às ações individuais (artigo 104, CDC). De fato, caso a parte interessada não postule a suspensão da ação individual, o resultado da ação coletiva não lhe acarreta repercussão. Consequentemente, o ajuizamento da presente ação executiva individual demonstra o seu desinteresse pelos efeitos das decisões proferidas nas demandas coletivas executivas. Lei 8.078/90: Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Necessária é a reforma da decisão colegiada do TRF/4, uma vem que o E. Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que o termo inicial da contagem do prazo prescricional da pretensão executiva é o trânsito em julgado da ação coletiva. (fls. 263). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente, além de ter apontado violação genérica do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (art. 535 do Código de Processo Civil de 1973), sem especificar quais os incisos foram contrariados, não demonstrou especificamente quais os vícios do aresto vergastado e/ou a sua relevância para a solução da controvérsia. Nesse sentido, este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que: "É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022 do CPC/2015 se faz sem a demonstração objetiva dos pontos omitidos pelo acórdão recorrido, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF". (REsp n. 1.653.926/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 26/9/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.798.582/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.530.183/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019; AgInt no AREsp n. 1.466.877/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 12/5/2020; AgInt no REsp n. 1.829.871/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 20/2/2020; e REsp n. 1.838.279/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 28/10/2019. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, o tribunal fixou como termo inicial da prescrição a data do trânsito em julgado da ação coletiva. Assim, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu a controvérsia nos termos em que postulado pela parte recorrente. Portanto, a insurgência não merece prosperar ante a evidente ausência de interesse recursal, mostrando-se inadmissível a interposição de recurso visando resultado já alcançado. Nesse sentido: "Configurada a ausência de interesse de agir do ente público, no caso, porquanto o resultado pretendido já foi alcançado no acórdão impugnado". (REsp 1335172/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 2/10/2018, DJe de 27/11/2018.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.820.624/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/5/2020; AgInt no AREsp 1.318.218/MT, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 23/5/2019; AgRg no REsp 1.374.090/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2018; AgInt no AREsp 717.203/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 19/11/2018; AgInt no AREsp 1.320.424/MA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 22/3/2019. Ademais, no que diz respeito ao transcurso do prazo prescricional, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Desse modo, aproveita a parte autora a interrupção da prescrição que se deu com a citação válida na ação coletiva. Conforme se extrai das peças dos autos juntadas ao evento 1, o marco a ser considerado aí é 14/11/2003. A interrupção se manteve até 21/10/2013, quando o processo transitou em julgado. A partir daí, incide novo prazo quinquenal de prescrição para requerer o cumprimento do título formado na ação coletiva. .. No caso, a execução individual foi proposta dentro do quinquênio, em 06/09/2018. Logo, a pretensão para executar as parcelas vencidas até cinco anos antes da propositura da ação coletiva não se encontra fulminada pela prescrição. (fls. 229-230). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que a pretensão recursal demanda o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.