REsp 1947253 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem constatou a existência de sucessivas repactuações e novações entre contratos de 1999 a 2013, de modo que houve continuidade negocial; assim, o prazo prescricional decenal foi corretamente considerado a partir do vencimento/último pagamento do último...
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- Parties
- Recorrente: Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No STJ
- Outcome
- Recurso especial não provido (nego provimento)
- Legal Topics
- Prescrição, Termo Inicial Da Prescrição, Novação, Ação Revisional De Contrato, Repetição De Indébito
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Parties
Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No STJ
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do prazo prescricional decenal previsto no art. 205 do Código Civil às ações revisionais de contrato bancário
- 2 Definição do termo inicial da prescrição: data da assinatura do contrato versus data do vencimento do contrato ou último pagamento
- 3 Efeito da novação e das repactuações sucessivas sobre o termo inicial do prazo prescricional
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem constatou a existência de sucessivas repactuações e novações entre contratos de 1999 a 2013, de modo que houve continuidade negocial; assim, o prazo prescricional decenal foi corretamente considerado a partir do vencimento/último pagamento do último contrato renovado (firmado em 19/09/2013 em 49 parcelas), e a ação ajuizada em 2019 estava dentro do prazo, razão pela qual a decisão recorrida foi mantida e o recurso especial foi desprovido.
Court Disposition
Recurso especial não provido (nego provimento)
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Manutenção do acórdão recorrido do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por Fundação Corsan dos Funcionários da Companhia Riograndense de Saneamento Corsan, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul assim ementado (e-STJ, fl. 62): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL. FUNCORSAN. PRESCRIÇÃO. Aplicável, ao caso examinado, o prazo prescricional decenal, previsto no art. 205 do Código Civil. Considerando que o termo inicial de cômputo do prazo é a data de vencimento das avenças ou o último pagamento ajustado, de forma individual, mantem-se a decisão recorrida. Precedentes desta 17ª Câmara Cível e do STJ. AGRAVO DESPROVIDO. UNÂNIME. Os embargos de declaração foram rejeitados, conforme se verifica da seguinte ementa (e-STJ, fl. 88): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. DECISÃO MANTIDA. - O acolhimento dos embargos de declaração pressupõe a existência, no acórdão embargado, de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC. - Restou devidamente esclarecido no julgado as razões de decidir, especialmente no que tange ao termo inicial da contagem do prazo prescricional aplicado à espécie, não havendo que se falar em contradição ou omissão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DESACOLHIDOS. UNÂNIME. Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 93-103), a recorrente aponta divergência jurisprudencial e violação do art. 205 do Código Civil de 2002, sustentando, em síntese, que o marco inicial para contagem do prazo prescricional é a data da assinatura, e não a data do vencimento ordinário do contrato ou do último pagamento realizado. Apresentadas as contrarrazões (e-STJ, fls. 121-130), o apelo extremo foi admitido na origem (e-STJ, fls. 134-143), ascendendo os autos a esta Corte de Justiça. Brevemente relatado, decido. De plano, vale pontuar que o recurso em análise foi interposto na vigência do NCPC, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo n. 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Com efeito, a jurisprudência desta Corte Superior se firmou no sentido de ser aplicável às ações revisionais de contrato bancário o prazo prescricional vintenário na vigência do CC/1916, ou o decenal, quando vigente o CC/2002. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO. VALORES PAGOS EM EXCESSO APURADOS EM PERÍCIA CONTÁBIL REALIZADA NOS AUTOS DE EMBARGOS À EXECUÇÃO. AUSÊNCIA DE REGRA ESPECÍFICA. APLICAÇÃO DO ART. 205 DO CC. PRAZO DECENAL. ACÓRDÃO ESTADUAL DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO DESPROVIDO. 1. "Em se tratando de responsabilidade contratual, como sucede com os contratos bancários, salvo o caso de algum contrato específico em que haja previsão legal própria, especial, o prazo de prescrição aplicável à pretensão de revisão e de repetição de indébito será de dez anos, previsto no artigo 205 do Código Civil" (AgInt no REsp 1.769.662/PR, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 25/06/2019, DJe de 1º/07/2019). 2. Estando o v. acórdão estadual em consonância com a jurisprudência do STJ, o apelo nobre encontra óbice na Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.007.634/RJ, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 4/5/2020, DJe 18/5/2020) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. O prazo prescricional nas ações revisionais de contrato bancário em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, a orientação jurisprudencial desta Corte Superior é clara, ao entender que "As ações revisionais de contrato bancário são fundadas em direito pessoal, motivo pelo qual o prazo prescricional, sob a égide do Código Civil de 1.916 era vintenário, e passou a ser decenal, a partir do Código Civil de 2.002" (REsp 1.326.445/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe de 17/02/2014). (..) 3. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, na extensão, dar provimento ao recurso especial, no sentido de determinar o retorno dos autos à eg. Corte de origem a fim de que, afastada a prescrição, profira nova decisão, dando ao caso a solução que entender cabível. (AgInt no REsp 1.653.189/PR, Rel. Ministro Lázaro Guimarães, Desembargador Convocado do TRF 5ª Região, Quarta Turma, julgado em 21/8/2018, DJe 20/9/2018) RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO. MÚTUO. PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA. PROPOSITURA DA DEMANDA SOB A ÉGIDE DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. ILEGITIMIDADE ATIVA DO FIADOR. ACESSORIEDADE DO CONTRATO DE FIANÇA. RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL DE NATUREZA DISTINTA DA QUE SE ESTABELECE NO CONTRATO PRINCIPAL. (..) 5. A pretensão revisional de contrato bancário, diante da ausência de previsão legal específica de prazo distinto, prescreve em 10 (dez) anos (sob a égide do Código Civil vigente) ou 20 (vinte) anos (na vigência do revogado Código Civil de 1916), pois fundada em direito pessoal, sendo completamente descabido falar, em casos tais, na aplicação do prazo quinquenal a que se referia o art. 178, § 10, do Código Civil revogado. 6. Recurso especial parcialmente provido para, afastando a prescrição indevidamente reconhecida na origem, determinar o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau para que dê regular processamento ao pleito revisional/repetitório apenas no tocante ao contrato de fls. 210/218 (e-STJ). (REsp 926.792/SC, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/4/2015, DJe 17/4/2015) Outrossim, segundo o entendimento jurisprudencial firmado por esta Corte, o termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Vejam-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. MÚTUO BANCÁRIO. PRESCRIÇÃO. TERMO A QUO. DATA DA ASSINATURA DO AJUSTE. 1. Ação revisional de contrato. 2. O termo inicial do prazo prescricional decenal nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Súmula 568/STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp 1.897.309/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/03/2021, DJe 18/03/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. AÇÃO REVISIONAL CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. DECISÃO MANTIDA. 1. A jurisprudência do STJ entende que a pretensão de repetição de valores pagos indevidamente em função de contrato bancário está sujeita ao prazo prescricional vintenário na vigência do CC/1916 e ao decenal na vigência do CC/2002, contado da efetiva lesão, ou seja, do pagamento. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.234.635/SP, Rel. Ministro Antonio Carlos, Quarta Turma, julgado em 01/03/2021, DJe 03/03/2021) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. CONTRATO DE MÚTUO. PRESCRIÇÃO. TERMO A QUO. DATA DA ASSINATURA DO AJUSTE. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Consoante entendimento desta Corte Superior, o termo inicial do prazo prescricional nas ações de revisão de contrato bancário, em que se discute a legalidade das cláusulas pactuadas, é a data da assinatura do contrato. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.444.255/MS, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 20/4/2020, DJe 4/5/2020) Sobre o tema, o Tribunal de origem consignou o seguinte (e-STJ, fls. 58-61, sem grifo no original): Trata-se de ação revisional de contrato em que a parte ré argui a prescrição da pretensão. Ao caso se aplica o prazo prescricional decenal, com base no art. 205 do Código Civil, o qual deve iniciar respectiva contagem na data do vencimento do contrato ou do dia do último pagamento realizado. No caso, conforme se depreende do demonstrativo analítico (evento 1 doc 5 - fls. 27 e ss), o primeiro contrato firmado entre as partes, em 03/12/1999, tem como prazo 9 meses, e, deforma clara, foi repactuado no contrato seguinte, datado de 24/06/2000, este com prazo de 9 meses, e, depois, novamente, no negócio jurídico firmado em 15/03/2001, também em 20 prestações mensais e consecutivas. Assim sucedeu em 13 contratos. Entretanto, da análise de tal demonstrativo, verifica-se que o montante devido no contrato anterior é sempre embutido no seguinte, demonstrando a ocorrência de novações sucessivas. Portanto, trata-se de repactuações sucessivas, de modo que não há se cogitar em prescrição, considerando o vencimento das prestações ajustadas no último contrato, este firmado em19/09/2013, em 49 parcelas. (..) No caso em tela, como já mencionado, têm-se treze contratos de empréstimos em revisão, de 1999 a 2013, frutos de sucessivas renegociações da dívida. Tratando-se, pois, de uma relação contratual em cadeia, a pretensão de revisão contratual/ repetição dos valores, deve ser considerada a partir do vencimento da última parcela da derradeira avença contratual. Assim, considerando que o último contrato foi pactuado em 2013, em 49 parcelas, enquanto a presente demanda foi ajuizada em 2019 (evento 1, INIC1), não há prescrição a ser declarada. Assim, é mantida a decisão recorrida. DISPOSITIVO. Ante o exposto, voto por negar provimento ao agravo de instrumento. O caso em exame, entretanto, guarda uma peculiaridade. Consoante o aresto, houve sucessão negocial com a novação das dívidas mediante contratação de créditos sucessivos, com renegociação do contrato preexistente, de maneira que foi observada uma continuidade e dependência entre os contratos realizados. Desse modo, levando-se em consideração que a presente demanda foi ajuizada em 2019, e o último contrato foi avençado em 19/09/2013, em 49 parcelas, e tendo em vista o vencimento das prestações ajustadas nesse último contrato (e-STJ, fls. 59-60), não há que se falar na ocorrência do decurso do prazo prescricional, constatando-se a consonância da decisão recorrida com a jurisprudência desta Corte Superior. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE MÚTUO. PRESCRIÇÃODECENAL. TERMO INICIAL. DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. NOVAÇÃO DE DÍVIDAS E RENOVAÇÃO DOS CONTRATOS. ASSINATURA DO ÚLTIMO CONTRATO RENOVADO. NÃO CONSUMAÇÃO DA PRESCRIÇÃO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.