REsp 1917484 - DECISAO
Aplicou-se a tese firmada pelo STF no HC 176.473/RR de que o acórdão condenatório interrompe a prescrição; assim, não se consumou a prescrição da pretensão punitiva no caso (não transcorrido o prazo de 4 anos entre os marcos interruptivos considerados), e a matéria relativa à prescrição executória não foi conhecida...
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- Parties
- Recorrente: DIEGO AVELAR RAMOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido
- Legal Topics
- Prescrição, Prescrição Intercorrente, Prescrição Da Pretensão Punitiva, Prescrição Executória, Extinção Da Punibilidade, Acórdão Confirmatório
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Parties
DIEGO AVELAR RAMOS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Se o acórdão condenatório confirmatório interrompe a prescrição da pretensão punitiva
- 2 Aplicação da tese firmada pelo STF no HC 176.473/RR
- 3 Prescrição executória e necessidade de prequestionamento
Ratio Decidendi
Aplicou-se a tese firmada pelo STF no HC 176.473/RR de que o acórdão condenatório interrompe a prescrição; assim, não se consumou a prescrição da pretensão punitiva no caso (não transcorrido o prazo de 4 anos entre os marcos interruptivos considerados), e a matéria relativa à prescrição executória não foi conhecida por falta de prequestionamento na origem.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto porDIEGO AVELAR RAMOS, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneaa, da Constituição da República, contra o v. acórdão prolatado pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Nas razões do recurso especial, o recorrente sustenta violação do artigo 110, §1º e artigo 109, inciso V, ambos do Código Penal,ao argumento de que houve a prescrição da pretensão executória. Argumenta que o acórdão confirmatório da condenação não tem o condão de interromper a contagem do lapso temporal parao reconhecimento da extinção da punibilidade. Apresentadas as contrarrazões (fls. 82-88), o recurso foi admitido na origem e os autos ascenderam a esta eg. Corte de Justiça. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo desprovimento do recurso especial (fls. 119-121). É o relatório. Decido. As razões recursais apresentam nítida confusão entre as modalidade de prescrição. No acórdão recorrido, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo rejeitou em sede de agravo de execução a tese referente à prescrição da pretensão punitiva intercorrente,fundamentandoo decisum na recente orientação jurisprudencial sobre a matéria. Sobre o tema,a jurisprudência desta Corte Superiorvinha decidindo no sentido de queo acórdão confirmatório da condenação não é causa interruptiva da prescrição. Entretanto, a decisão do Supremo Tribunal Federal, em plenário, nos autos do HC 176.473/Roraima, que tem como relator o Min. Alexandre de Moraes, em 27/04/2020, fixou a seguinte tese:"Nos termos do inciso IV do artigo 117 do Código Penal, o Acórdão condenatório sempre interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença de 1º grau, seja mantendo, reduzindo ou aumentando a pena anteriormente imposta.". Portanto, a análiseda prescrição da pretensão punitiva intercorrente, prevista no art. 110, § 1º, do Código Penal, deve ser realizada de acordoa tese fixada pela Suprema Corte. Nesse rumo, conforme disciplinado no artigo 109, V, do Código Penal, ocorre a prescrição da pretensão punitiva noprazo de 4 (quatro) anosse a pena aplicada é igual a 01 ano ou, sendo superior, não exceder a 02 anos. Assim, de fato, não houve a prescrição da pretensão punitiva, poisnãopassados mais de 4 anosentre o marcos interruptivos a serem considerados no caso, quais sejam,a sentença condenatóriaetodos os demais acórdãosque confirmaram a condenação. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. EMBARGOS INFRINGENTES E EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. JULGAMENTO. CONDENAÇÃO NÃO EXCLUÍDA. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. INTERRUPÇÃO. OCORRÊNCIA. AGRAVADOS HERLANIO PEREIRA LOPES E MARCIO DE ARAUJO SANTOS. LAPSO PRESCRICIONAL. NÃO CONSUMAÇÃO. AGRAVADO REYNALDO MULLER DE SOUZA VIANA. MENORIDADE RELATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL REDUZIDO PELA METADE. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE MANTIDA. APELO NOBRE DEFENSIVO. TRÁFICO DE DROGAS. (ART. 33, § 4.º, DA LEI N. 11.343/2006 (2.52G DE COCAÍNA E 70,11G DE MACONHA). ARTIGOS DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL APONTADOS COMO VIOLADOS. DESENVOLVIMENTO DE TESE. AUSÊNCIA. CONTROVÉRSIA NÃO DELIMITADA. SÚMULA N. 284 DO STF. REGIME INICIAL FECHADO. SUBSTITUIÇÃO POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. FUNDAMENTAÇÃO INIDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL DO PARQUET PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO ESPECIAL DEFENSIVO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PROVIDO. 1. Segundo compreensão firmada pela Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça em se tratando de acórdão, a data da sessão do Colegiado em que foi prolatado é que deve ser considerada para fins de interrupção da prescrição, e não a data da sua publicação no Diário da Justiça ou meio de comunicação similar. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça era firme no sentido de que o acórdão que confirmava a condenação, ainda que modificasse a pena, não constituía novo marco interruptivo da prescrição. Entretanto, no julgamento no Habeas Corpus n.176.473/RR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, firmou tese no sentido de que " n os termos do inciso IV do artigo 117 do Código Penal, o Acórdão condenatório sempre interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença de 1º grau, seja mantendo, reduzindo ou aumento a pena anteriormente imposta". 3. No caso concreto analisado pelo Pretório Excelso, ao prolatar o referido julgado, a discussão era estritamente acerca da interrupção do prazo prescricional pelo acórdão proferido no recurso de apelação interposto contra sentença condenatória. Não houve debate expresso se eventuais recursos subsequentes, ao serem julgados, v.g., os embargos infringentes, também teriam o mesmo efeito interruptivo do acórdão proferido na apelação. 4. Embora não haja afirmação expressa, a partir dos fundamentos do acórdão proferido no leading case, ficou implícito que o entendimento firmado pela Suprema Corte é no sentido de quetoda decisão judicial em grau recursal que não afasta a condenação tem o condão de interromper a prescrição, ainda que proferida em recurso exclusivamente defensivo.Somente não haverá efeito interruptivo se a insurgência defensiva for acolhida, por exemplo, para absolver ou declarar extinta a punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva, pois nessas hipóteses, não há confirmação da condenação. 5. Na situação dos autos, o desprovimento dos embargos infringentes, em 20/10/2016, e a rejeição dos embargos de declaração, em 20/09/2017, tiveram o condão de interromper a prescrição. Assim, em relação aos Agravados HERLANIO PEREIRA LOPES e MARCIO DE ARAUJO SANTOS, não se consumou o prazo prescricional de 4 (quatro) anos, devendo ser afastada a declaração de extinção da punibilidade efetivada na decisão agravada. 6. No tocante ao Agravado REYNALDO MULLER DE SOUZA VIANA, é de ser confirmada a decisão que decretou a extinção da punibilidade e julgou prejudicado o recurso especial, apenas em relação ao referido Acusado. Com efeito, segundo expressamente reconhecido na sentença, o referido Agravado era menor de 21 (vinte e um) anos na data dos fatos, motivo pelo qual o prazo prescricional de 4 (quatro) anos, em relação a ele, é reduzido pela metade (art. 115 do Código Penal). Assim, a prescrição em relação a ele se consumou, pois transcorrido lapso superior a 2 (dois) anos desde a publicação, em sessão de julgamento, do acórdão que rejeitou os embargos de declaração, em 20/09/2017. 7. Reformada a decisão agravada que julgara extinta a punibilidade e declarara prejudicado o recurso especial, deve ser analisado o apelo nobre em relação aos Agravados HERLANIO PEREIRA LOPES e MARCIO DE ARAUJO SANTOS. 8. Embora apontada ofensa aos arts. 5.º, 8.º, 41, inciso XII, e 92, parágrafo único, da Lei de Execução Penal, não houve desenvolvimento de tese a respeito dos dispositivos, motivo pelo qual está ausente a delimitação da controvérsia, atraindo a incidência da Súmula n.284 do Supremo Tribunal Federal. 9. O quantum final da reprimenda inferior a 4 (quatro) anos de reclusão, a ausência de circunstâncias judiciais negativas e a primariedade dos Agravados autorizam a fixação do regime aberto (Súmula n. 440 do STJ). Preenchidos também, os requisitos para a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos (art. 44 do Código Penal). 10. Agravo regimental do Ministério Público Federal parcialmente provido para afastar o reconhecimento da extinção da punibilidade tão-somente em relação aos Agravados HERLANIO PEREIRA LOPES e MARCIO DE ARAUJO SANTOS. Recurso especial interposto pelos referidos Agravados PARCIALMENTE CONHECIDO e, nessa extensão, PROVIDO, a fim de fixar o regime inicial aberto e substituir a pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, a serem especificadas pelo Juízo da Execução"(AgRg no REsp n. 1.816.288/SP,Sexta Turma, Relª. Minª.Laurita Vaz, DJe de 06/10/2020, grifei). No que tange à prescrição da pretensão executória, modalidade distinta daquela acima detalhada, verifica-se a análise do tema não foi objeto de debate na Corte Estadual, o que impede o conhecimento deste recurso neste ponto, porquanto ausente o necessário prequestionamento (Súmulas 282/STF). Ante o exposto, com fulcro no art. 255, § 4º, incisos I e II, do Regimento Interno do STJ, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. EMENTA PENAL. RECURSO ESPECIAL.PRESCRIÇÃO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EPRETENSÃO EXECUTÓRIA. MODALIDADES DISTINTAS.PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA DO ESTADO. ACÓRDÃO CONFIRMATÓRIO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. NOVO ENTENDIMENTO. PRECEDENTE DO STF, EM PLENÁRIO.PRESCRIÇÃO EXECUTÓRIA. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO.