AREsp 1540703 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno por reconhecer que o acórdão de origem está em consonância com a jurisprudência do STJ: a repetição de indébito em seguro de vida submete-se ao prazo prescricional anual (art. 206, §1º, II, b, CC), mas, em relação de trato sucessivo, não se configura prescrição do fundo do...
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- Parties
- Agravante: COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL; Recorrido: ANTÔNIO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Negar Provimento Ao Agravo Interno
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Prescrição, Repetição De Indébito, Seguro De Vida, Cláusula Abusiva, Reajuste Etário, Trato Sucessivo
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Parties
COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL
Agravante
ANTÔNIO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Negar Provimento Ao Agravo Interno
Legal Issues
- 1 Aplicação do prazo prescricional ânuo à pretensão de repetição de indébito em contrato de seguro de vida
- 2 Distinção entre prescrição da pretensão de repetição de indébito e prescrição do fundo do direito em relações de trato sucessivo
- 3 Alcance temporal dos efeitos patrimoniais da declaração de abusividade (retroação a 12 meses anteriores ao ajuizamento)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno por reconhecer que o acórdão de origem está em consonância com a jurisprudência do STJ: a repetição de indébito em seguro de vida submete-se ao prazo prescricional anual (art. 206, §1º, II, b, CC), mas, em relação de trato sucessivo, não se configura prescrição do fundo do direito, limitando-se a restituição às quantias pagas indevidamente nos 12 meses anteriores ao ajuizamento.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO ÂNUA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal Superior entende que "é ânuo o prazo prescricional para o exercício da pretensão de declaração de abusividade de cláusula do contrato de seguro de vida (que insere novos critérios para cálculo do prêmio em razão do avanço da faixa etária do segurado) cumulada com pedido de repetição de indébito" e que, "nada obstante, não há falar em prescrição do fundo do direito, motivo pelo qual os efeitos pecuniários da declaração de abusividade da cláusula contratual de reajuste do seguro de vida, quando ocorrido efetivo pagamento indevido, deverão retroagir ao ano anterior ao ajuizamento da demanda" (AgInt no REsp 1.668.872/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 07/05/2019, DJe de 15/05/2019). 2. Na espécie, as instâncias ordinárias reconheceram que se trata de relação de trato sucessivo e, por isso, não haveria prescrição do fundo de direito. Assim, admitiram a cobrança das quantias indevidamente pagas à seguradora nos 12 (doze) meses que antecederam a propositura da demanda, diante do reconhecimento do caráter abusivo da cláusula de reajuste etário, em conformidade com a orientação desta Corte. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO 1. Cuida-se de agravo interno interposto por COMPANHIA DE SEGUROS ALIANÇA DO BRASIL, sob a vigência do Novo Código de Processo Civil, contra decisão deste relator, que negou provimento ao agravo em recurso especial. Inconformada, a parte ora agravante, em apertada síntese, sustenta que "o marco inicial do prazo prescricional da pretensão de caráter patrimonial e não puramente declaratória do sr. ANTÔNIO corresponde à ciência inequívoca do segurado a respeito da estipulação da cláusula contestada na apólice, o que se deu em 2002." Argumenta que "somente em 18 de julho de 2014, passados mais de 12 (doze) anos da contratação, o sr. ANTÔNIO ingressou em juízo a fim de discutir a higidez do critério de reajuste e obter a extirpação da cláusula contratual que dispõe sobre o reajuste dos prêmios de acordo com o fator etário, em pretensão claramente prescrita". Subsidiariamente, pleiteia que "os efeitos da R. decisão condenatória fiquem restritos tão somente ao período não atingido pelaprescrição, de modo que somente os reajustes em razão da faixa etária aplicados a partir de 1 (um) ano antes da propositura da presente demanda deixassem de incidir." Contrarrazões ao agravo interno às fls. 425-428. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO ÂNUA. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal Superior entende que "é ânuo o prazo prescricional para o exercício da pretensão de declaração de abusividade de cláusula do contrato de seguro de vida (que insere novos critérios para cálculo do prêmio em razão do avanço da faixa etária do segurado) cumulada com pedido de repetição de indébito" e que, "nada obstante, não há falar em prescrição do fundo do direito, motivo pelo qual os efeitos pecuniários da declaração de abusividade da cláusula contratual de reajuste do seguro de vida, quando ocorrido efetivo pagamento indevido, deverão retroagir ao ano anterior ao ajuizamento da demanda" (AgInt no REsp 1.668.872/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 07/05/2019, DJe de 15/05/2019). 2. Na espécie, as instâncias ordinárias reconheceram que se trata de relação de trato sucessivo e, por isso, não haveria prescrição do fundo de direito. Assim, admitiram a cobrança das quantias indevidamente pagas à seguradora nos 12 (doze) meses que antecederam a propositura da demanda, diante do reconhecimento do caráter abusivo da cláusula de reajuste etário, em conformidade com a orientação desta Corte. 3. Agravo interno não provido. VOTO 2. O agravo interno não merece acolhida. Ao analisar a demanda, a Corte de origem afastou a ocorrência de prescrição, com a seguinte fundamentação (fls. 261-266): Prescrição da pretensão revisional que não merece acolhida. O contrato de seguro de vida encontra-se vigente e foi renovado ininterruptamente por longo período, razão pela qual pode o demandante ingressar em juízo para discutir abusividade das cláusulas contratuais. Afinal, a alegada lesão ao direito subjetivo do segurado nasce a partir do pagamento de cada parcela, ou ainda, a cada renovação anual do seguro. .. Contudo, verifica-se que assiste razão à seguradora no que tange à prescrição ânua, estabelecida no art. 206, § 1º, II, b, do Código Civil, no que se refere à pretensão de repetição de indébito. O entendimento adotado pela Corte estadual está de acordo com a jurisprudência dominante desta Corte Superior, segundo a qual a pretensão do segurado objetivando a restituição de valores em decorrência da suposta abusividade da cláusula contratual de reajustes submete-se ao prazo ânuo. A propósito: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SEGURO DE VIDA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. PRETENSÃO INDENIZATÓRIA DECORRENTE DA EXTINÇÃO DO CONTRATO. IMPRESCRITIBILIDADE AFASTADA. INCIDÊNCIA DO PRAZO PRESCRICIONAL ÂNUO. 1. Ação ajuizada em 02/12/2010. Recurso especial atribuído ao gabinete em 26/08/2016. Julgamento: CPC/73 2. O propósito recursal é definir o prazo prescricional aplicável às pretensões deduzidas pelo segurado. 3. O recorrido, em sua petição inicial, deduz as seguintes pretensões: i) a de manutenção das condições contratuais previstas na "Apólice 40" (apólice já extinta); ii) a declaração de nulidade da cláusula que prevê o reajuste por mudança de faixa etária prevista na "Apólice Ouro Vida Grupo Especial" (apólice ainda vigente); e iii) também, a repetição de indébito relativa aos valores pagos a maior a este título. 4. Quanto à pretensão de manutenção das condições gerais contidas na "Apólice 40" (contrato já extinto), mostra-se imperiosa a aplicação do prazo prescricional anual previsto no art. 206, § 1º, II, "b", do CC/02, que versa sobre a pretensão do segurado contra o segurador. 5. Quanto às pretensões relativas ao contrato ainda vigente, constata-se que as mesmas não se restringem à declaração de nulidade das cláusulas contratuais, mas, justamente, à obtenção dos efeitos patrimoniais dela decorrentes, ou seja, a indenização pelos prejuízos advindos do pagamento a maior do prêmio, em virtude da previsão de atualização segundo a mudança de faixa etária. 6. O prazo prescricional para a propositura de ação objetivando a restituição de prêmios em virtude de conduta supostamente abusiva da seguradora, amparada em cláusula contratual considerada abusiva, é de 1 (um) ano, por aplicação do art. 206, § 1º, II, "b", do Código Civil. 7. A relação jurídica estabelecida entre as partes é de trato sucessivo, com renovação periódica da avença, devendo ser aplicada, por analogia, a Súmula 85/STJ. Logo, não há que se falar em prescrição do fundo de direito e, como consequência, serão passíveis de cobrança apenas as quantias indevidamente desembolsadas nos 12 (doze) meses que precederam o ajuizamento da ação. 6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp 1.637.474/RS, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/5/2018, DJe 18/5/2018) ____________ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO. SEGURO DE VIDA. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL ÂNUO. ART. 206, § 1º, B, DO CÓDIGO CIVIL. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO MANTIDA. 1. Sujeita-se ao prazo ânuo previsto no Código Civil a ação em que se discute a validade de cláusula contratual reguladora de reajustes do prêmios mensais pagos ao seguro de saúde, por ser inerente à relação entre segurado e segurador. Precedentes. 2. Embargos de declaração recebidos como regimental a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1.463.617/RJ, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 16/4/2015, DJe 28/4/2015.) Ademais, ainda segundo a orientação desta Corte Superior, sendo a relação jurídica existente entre as partes de trato sucessivo, não há prescrição do fundo de direito, sendo passíveis de cobrança as quantias indevidamente pagas à seguradora nos 12 (doze) meses que precederam a propositura da demanda. Confira-se: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CONTRATO DE SEGURO DE VIDA. PRESCRIÇÃO APLICÁVEL. ÂNUA. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. PRESCRIÇÃO QUE NÃO AFETA O FUNDO DE DIREITO, APENAS A PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DOS VALORES EVENTUALMENTE PAGOS A MAIOR. SÚMULA 85/STJ. ABSUVIDADE DA CLÁUSULA QUE PREVÊ REAJUSTE EM RAZÃO DA FAIXA ETÁRIA DO SEGURADO. 1. Ação ajuizada em 15/03/2012. Recurso especial atribuído ao gabinete em 26/08/2016. Julgamento: CPC/73 2. O propósito recursal é definir o prazo prescricional aplicável à pretensão do recorrido de extirpação de cláusula de contrato de seguro de vida que prevê o reajuste do prêmio em razão da faixa etária, bem como o aplicável à pretensão de restituição dos valores pagos a maior a este título. 3. O objeto da ação não se restringe à declaração de nulidade das cláusulas contratuais, pretendendo o recorrido, em verdade, a obtenção dos efeitos patrimoniais dela decorrentes, ou seja, a indenização pelos prejuízos advindos do pagamento a maior do prêmio, em virtude da previsão de atualização segundo a mudança de faixa etária. 4. O prazo prescricional para a propositura de ação objetivando a restituição de prêmios em virtude de conduta supostamente abusiva da seguradora, amparada em cláusula contratual considerada abusiva, é de 1 (um) ano, por aplicação do art. 206, § 1º, II, "b", do Código Civil. 5. A relação jurídica estabelecida entre as partes é de trato sucessivo, com renovação periódica da avença, devendo ser aplicada, por analogia, a Súmula 85/STJ. Logo, não há que se falar em prescrição do fundo de direito e, como consequência, serão passíveis de cobrança apenas as quantias indevidamente desembolsadas nos 12 (doze) meses que precederam o ajuizamento da ação. 6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp 1.456.346/RS, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/5/2018, DJe 18/5/2018.) Portanto, o acórdão combatido encontra-se em harmonia com o entendimento desta Corte, o que atrai a aplicação da Súmula 83 do STJ. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.