REsp 1830695 - ACORDAO
O recurso não pode prosperar porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento autônomo do acórdão recorrido (fundamentado no princípio da legalidade), incidindo o óbice da Súmula 283/STF, razão pela qual o agravo interno foi negado provimento.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: IBAMA; Recorrido: autuado
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno não provido (negado provimento ao recurso)
- Legal Topics
- Prescrição, Termo Inicial, Pedido De Reconsideração, Súmula 283/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
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Parties
IBAMA
Agravante
autuado
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 termo inicial do prazo prescricional da pretensão executiva de multa ambiental
- 2 efeito de pedido de reconsideração sem previsão legal sobre o trânsito em julgado da decisão administrativa
- 3 aplicação da Súmula 283/STF quando há fundamento autônomo não impugnado
Ratio Decidendi
O recurso não pode prosperar porque o agravante não impugnou especificamente o fundamento autônomo do acórdão recorrido (fundamentado no princípio da legalidade), incidindo o óbice da Súmula 283/STF, razão pela qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido (negado provimento ao recurso)
Orders
- Nego provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Trata-se de Agravo Interno interposto em face de decisão assim ementada (e-STJ fl. 1.370): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. MULTA AMBIENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TÉRMINO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283 DO STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. Em suas razões, o agravante alega ainaplicabilidade da Súmula 283/STF, argumentando ter impugnado a referida fundamentação do acórdão recorrido. Com impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. MULTA AMBIENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. TÉRMINO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283 DO STF. 1.Na hipótese, nas razões do recurso especial não foi impugnado o fundamento que ampara o acórdão recorrido, esbarrando, pois, no obstáculo da Súmula 283/STF, que assim dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 2. Agravo interno não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (Relator): Observa-se que o presente recurso não merece prosperar, tendo em vista que dos argumentos apresentados no agravo interno não se vislumbram razões para reformar a decisão agravada. Na hipótese, discute-se nos autos o termo inicial do prazo prescricional da pretensão executiva de multa ambiental. Com efeito, extrai-se do acórdão recorrido as seguintes considerações (1308): A pretensão do IBAMA não prospera, e a sentença deve ser mantida por seus legais fundamentos, já que o próprio IBAMA menciona que não havia permissivo legal para a interposição de um último recurso junto ao CONAMA. Ora, dentre os princípios norteadores da Administração Pública está o da legalidade, não merecendo acolhida a tese do IBAMA de que um recurso, interposto pelo autuado à míngua de previsão legal, e recebido como "mera petição", adie o trânsito e julgado da decisão proferida em processo administrativo regularmente instaurado. Como se verifica, o Tribunal de origem concluiu que, em atenção ao princípio da legalidade, não é possível permitir que mero pedido de reconsideração, não previsto me lei, adie o trânsito e julgado da decisão proferida em processo administrativo regularmente instaurado. Ocorre que a referida fundamentação, em especial o princípio da legalidade, que por si só, mantém o resultado do julgamento, não foi especificamente impugnada nas razões do recurso, motivo pelo qual não pode ser conhecido, nos termos da Súmula 283/STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMBATE A FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DO ACÓRDÃO. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DAS SÚMULAS N. 283 E 284/STF. DIREITO ADMINISTRATIVO. ASTREINTES. REVISÃO DO VALOR. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO A COISA JULGADA. PROPORCIONALIDADE. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. INCIDÊNCIA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. HONORÁRIOS RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça considera deficiente a fundamentação quando a parte deixa de impugnar fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, apresentando razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados pela Corte de origem. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. IV - Esta Corte Superior possui entendimento consolidado, segundo o qual o legislador concedeu ao juiz a prerrogativa de impor multa diária ao réu com vista a assegurar o adimplemento da obrigação de fazer (art. 461, caput, do CPC), bem como permitiu que o magistrado afaste ou altere, de ofício ou a requerimento da parte, o seu valor quando se tornar insuficiente ou excessiva, mesmo depois de transitada em julgado a sentença, não se observando a preclusão ou a coisa julgada, de modo a preservar a essência do instituto e a própria lógica da efetividade processual. V - In casu, rever o entendimento do Tribunal de origem, no sentido de reduzir o valor da multa diária, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7/STJ. VI - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII - Honorários recursais. Não cabimento. VIII - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IX - Agravo Interno improvido (AgInt no REsp 1.690.030/PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 16/11/2018). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como voto.