AREsp 1933571 - DECISAO
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão: entendeu que a prescrição da execução é igual à da ação (cinco anos), contado o prazo a partir do trânsito em julgado da Ação Civil Pública em 21/10/2013, rejeitando a teoria da...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão (conhecido Em Parte E Negado Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo em parte e, nessa extensão, nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Ação Civil Pública, Recurso Especial, Embargos De Declaração, Súmula 150 STF, Súmula 284 STF, Súmula 383 STF
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão (conhecido Em Parte E Negado Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 negativa de prestação jurisdicional (omissão, obscuridade, contradição) relacionada a embargos de declaração
- 2 contagem da prescrição pela metade após sua interrupção
- 3 autonomia entre processo de conhecimento e execução e aplicação da Súmula 150 do STF
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo em parte e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente a decisão: entendeu que a prescrição da execução é igual à da ação (cinco anos), contado o prazo a partir do trânsito em julgado da Ação Civil Pública em 21/10/2013, rejeitando a teoria da contagem pela metade após interrupção, e aplicou o óbice da Súmula 284 do STF por deficiência de fundamentação das razões recursais, impedindo a análise do especial pelo Superior Tribunal de Justiça.
Court Disposition
Conheço do agravo em parte e, nessa extensão, nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo em parte e nego provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO, assim resumido: PROCESSUAL CIVIL PREVIDENCIÁRIO AGRAVO DE INSTRUMENTO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA DECORRENTE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA PRESCRIÇÃO PRAZO PARCELAS VENCIDAS. Quanto à primeira controvérsia, alega violação dos arts. 11, 489, II e § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC, no que concerne à negativa de prestação jurisdicional, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Efetivamente, não foi apreciada pela Corte de origem a tese levantada pelo embargante acerca da distinção entre o caso concreto e o paradigma mencionado (RESP 13888000), eis que referido precedente definiu o início do prazo para ajuizamento da ação individual, que seria o trânsito em julgado da ação coletiva , enquanto o acórdão regional afastou a contagem da prescrição pela metade uma vez interrompida. Dessa forma, a Corte de Origem não apreciou o sentido e alcance doso artigo 103, parágrafo único, da Lei 8213/91, artigo 202, e parágrafo único do, artigos 1º, 8º e 9º, do Decreto 20.910/32 e artigo 3º do Decreto 4597/42, deixando de fundamentar o acórdão e de fazer constar as questões fáticas probatórias (fls. 95). Quanto à segunda controvérsia, alega violação dos arts. 103, parágrafo único, da Lei n. 8.213/1991; 202, parágrafo único, do CC; 1º, 8º e 9º do Decreto n. 20.910/1932; e 3º do Decreto n. 4.597/1942, no que concerne ao não reconhecimento da contagem da prescrição pela metade após sua interrupção, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): O acórdão regional afastou a prescrição, sob o fundamento de que não passaram cinco anos entre a data do trânsito em julgado da ACP e a propositura da execução individual, deixando de aplicar na espécie a legislação que prevê que, após a interrupção da prescrição, o prazo recomeça a correr pela metade. .. O Supremo Tribunal Federal, ao interpretar o artigo 9º do Decreto 20.910/32, entendeu que a prescrição em favor da Fazenda Pública recomeça a correr, por dois anos e meio, a partir do ato interruptivo, mas não fica reduzida aquém de cinco anos, embora o titular do direito a interrompa durante a primeira metade do prazo, conforme o enunciado da Súmula nº 383, in verbis: .. Considerando que o trânsito em julgado da ACP nº 0011237- 82.2003.403.6183, ocorreu em 21/10/2013, o presente cumprimento de sentença deveria ter sido ajuizado até abril de 2016, no entanto, ocorreu somente em 26/09/2018, portanto, estão prescritas todas as parcelas pretendidas pelo exequente (fls. 95/96). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, impende ressaltar que os embargos de declaração têm fundamentação vinculada, destinando-se a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição eventualmente existentes no julgado combatido, bem como a corrigir erro material. Nesse sentido, os seguintes arestos da Corte Especial: EDcl no AgInt no RE nos EDcl no AgInt no AREsp n. 475.819/SP, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, DJe de 23/3/2018, e EDcl nos EDcl nos EDcl no AgInt nos EDcl nos EREsp n. 1.491.187/SC, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Corte Especial, DJe de 23/3/2018. No caso em exame, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Adota-se a orientação de que o processo de conhecimento e o processo de execução são autônomos e, em consequência dessa autonomia, os prazos prescricionais são idênticos, ou seja, cinco anos, em virtude do enunciado da Súmula 150 do Superior Tribunal Federal: "prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação". .. Ainda, a citada contagem da prescrição pela metade (2 anos e meio), arguida pelo INSS, sob o fundamento de que a prescrição interrompeu-se pela primeira vez na data do ajuizamento da Ação Civil Pública, recomeçando a partir daí a prescrição a correr pela metade, não prospera, pois a tese defendida trata da prescrição do direito de ação e, no caso, se trata de observância da prescrição da pretensão executória, a qual se iniciou em 21/10/2013 (trânsito em julgado da ação coletiva), em observância ao regramento contido na Súmula 150 do STF (fls. 85). Assim, a alegada afronta dos arts. 489 e 1.022 do CPC não merece prosperar, porque o Tribunal de origem examinou devidamente a controvérsia dos autos, fundamentando suficientemente e com clareza sua convicção, não havendo se falar em negativa de prestação jurisdicional porque não ocorreram omissões ou obscuridade no acórdão recorrido, não se prestando os declaratórios para o reexame da prestação jurisdicional ofertada satisfatoriamente pelo Tribunal a quo. Confiram-se, nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.652.952/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.606.785/SC, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 27/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.674.179/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 28/8/2020; AgInt no REsp n. 1.698.339/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.631.705/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/6/2020; e AgRg no REsp n. 1.867.692/SP, relator Ministro Jorge Mussi, DJe de 18/5/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: Adota-se a orientação de que o processo de conhecimento e o processo de execução são autônomos e, em consequência dessa autonomia, os prazos prescricionais são idênticos, ou seja, cinco anos, em virtude do enunciado da Súmula 150 do Superior Tribunal Federal: " ". prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação (fls. 36). .. Ainda, a citada contagem da prescrição pela metade (2 anos e meio), arguida pelo INSS, sob o fundamento de que a prescrição interrompeu-se pela primeira vez na data do ajuizamento da Ação Civil Pública, recomeçando a partir daí a prescrição a correr pela metade, não prospera, pois a tese defendida trata da prescrição do direito de ação e, no caso, se trata de observância da prescrição da pretensão executória, a qual se iniciou em 21/10/2013 (trânsito em julgado da ação coletiva), em observância ao regramento contido na Súmula 150 do STF (fls. 85). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.