AREsp 1939587 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento, por entender que a pretensão do recorrente nasceu em 2002, aplicando-se a regra de transição do art. 2028 do CC/2002 e, assim, demonstrando a prescrição de parte das parcelas reclamadas.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ARMANDO PRATO NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido e negado provimento.
- Legal Topics
- Prescrição, Contrato Bancário, Recurso Especial, Transição Entre Cc/1916 E Cc/2002, Contagem Do Prazo Prescricional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ARMANDO PRATO NETO
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão
Legal Issues
- 1 aplicação do prazo prescricional (CC/1916 vs CC/2002)
- 2 contagem do prazo prescricional em contratos bancários
- 3 admissibilidade do recurso especial (art. 105, III, "a", CF)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer do recurso especial e negou-se provimento, por entender que a pretensão do recorrente nasceu em 2002, aplicando-se a regra de transição do art. 2028 do CC/2002 e, assim, demonstrando a prescrição de parte das parcelas reclamadas.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido e negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por ARMANDO PRATO NETO, contra decisão que não admitiu recurso especial (fls. 75/76 e-STJ). O apelo nobre, amparado no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, desafia acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (fl. 52, e-STJ): CONTRATO BANCÁRIO. Conta corrente e abertura de crédito. Ação revisional com o objetivo de readequar as taxas de juros, expurgar a capitalização e as tarifas indevidamente cobradas. 1. Contrato não apresentado pelo banco. Pretensão à aplicação da taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central, independentemente da apuração sobre a abusividade da taxa de juros efetivamente cobrada. Descabimento. O enunciado da Súmula nº 530, do C. STJ, deixa claro que "nos contratos bancários, na impossibilidade de comprovar a taxa de juros efetivamente contratada - por ausência de pactuação ou pela falta de juntada do instrumento aos autos -, aplica-se a taxa média de mercado, divulgada pelo Bacen, praticada nas operações da mesma espécie, salvo se a taxa cobrada for mais vantajosa para o devedor". 2. Ação fundada em direito pessoal. Prazo prescricional que sob a égide do Código Civil de 1.916 era vintenário e passou a ser decenal, a partir do Código Civil de 2002. Precedentes do C. STJ. Recurso não provido. Em suas razões de recurso especial, orecorrente, ora agravante, aponta ofensa aos artigos 2028do CC/02. Sustenta, em síntese, a relação contratual se iniciou no ano de 1991, razão pela qual o prazo prescricional a ser aplicado é o do Código Civil de 1916, devendo ser afastada, por conseguinte, a prescrição de parte da sua pretensão. Sem contrarrazões, o apelo não foi admitido na origem (fls. 75/76, e-STJ), dando ensejo ao agravo (fls. 79/89, e-STJ), visando destrancar o processamento daquela insurgência, no qual orecorrenterefuta os óbices aplicados pela Corte estadual. Sem contraminuta. É o relatório. Decide-se. O inconformismo não merece prosperar. 1.Na hipótese,conforme consignado na decisão do Juízo de piso "In casu, uma vez que o autor pretende a revisão das parcelas cobradas a partir de 2002 (fls. 07ss), há de se reconhecer que parte do direito à revisão das parcelas está prescrito." (fl. 33, e-STJ). Nesse contexto, a Corte local, mantendo a decisão recorrida, entendeu " .. se a movimentação da conta corrente teve início em 1991, "em 11/01/2003, data de entrada em vigor do Código Civil de 2002, já havia decorrido mais da metade do prazo prescricional previsto na antiga lei, ou seja, 11 anos e 1 mês, de modo que às prestações do período de novembro/1991 a dezembro/2002 aplica-se a regra vintenária e às demais parcelas (após 2003), o prazo prescricional de dez anos previsto no art. 205 do Código Civil/2002 .. " (fl. 56, e-STJ). Com efeito,embora o início da movimentação da conta corrente tenha sido em 1993, a pretensão do recorrente nasceu em 2002, razão porque se aplica o Código Civil de 2002. Nesse sentido: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CONTAGEM.VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. JULGADO AGRAVADO CONFORME A PACÍFICA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. De acordo com a pacífica jurisprudência do STJ, o prazo de prescrição da ação monitória é quinquenal, na vigência do atual Código Civil (art. 206, § 5º, inciso I), e vintenário, sob o CC/1916 (art. 177), devendo ainda ser observada a regra de transição do art. 2.028 do CC/2002. 2. No caso, as dívidas demandadas pela agravante venceram em maio de 2002 e setembro de 2002, inexistindo, dessa forma, o transcurso de mais de metade do prazo vintenário do art. 177 do CC/1916, no momento da entrada em vigência do CC/2002. Portanto, era de rigor reformar o acórdão recorrido, a fim decretar a prescrição da pretensão da parte, pois, tomando por base o vencimento das obrigações em maio de 2002 e setembro de 2002, o prazo de 5 (cinco) anos se conta a partir de 11/1/2003 (data de vigência do CC/2002), terminando em 10/1/2008. No entanto, conforme asseverou o acórdão recorrido, a monitória foi proposta apenas em junho de 2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1838954/MS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 20/09/2021, DJe 23/09/2021) Aplicável, portanto, a Súmula 83/STJ. 2.Do exposto, com fundamento no art. 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.