AREsp 2516474 - DECISAO
O Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, enfrentando as questões relevantes, aplicando o entendimento do REsp 1.336.026/PE (Tema 880) sobre prescrição e não havendo omissão ou negativa de prestação jurisdicional a justificar reforma pelo STJ; diante disso, o agravo é improvido.
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- Parties
- Agravante: Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Prescrição, Execução Individual De Sentença Coletiva, Embargos À Execução, Omissão E Fundamentação (art. 489 E Art. 1.022 Do Cpc), Modulação De Efeitos (tema 880/stj), Pedido De Juntada De Documentos (decreto 20.910/32)
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Parties
Estado do Paraná
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 prescrição da pretensão executória
- 2 alegação de negativa de prestação jurisdicional e omissão
- 3 ofensa aos arts. 489, §1º, IV e VI e 1.022, I, II e III do CPC
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, enfrentando as questões relevantes, aplicando o entendimento do REsp 1.336.026/PE (Tema 880) sobre prescrição e não havendo omissão ou negativa de prestação jurisdicional a justificar reforma pelo STJ; diante disso, o agravo é improvido.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Publique-se
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DECISÃO Trata-se de agravo manejado pelo Estado do Paraná contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 390): APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. DESCABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE USURPAÇÃO DA ATIVIDADE PROBATÓRIA, USO EXCESSIVO DOS PODERES INSTRUTÓRIOS, IMPEDIMENTO DE PARTICIPAÇÃO DAS PARTES OU OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. MÉRITO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADO DO TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO DE CONHECIMENTO. TEMA 880/STJ E SÚMULA 150 /STF. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. INCIDÊNCIA NO CASO CONCRETO. SINDICATO (SINDSAÚDE) QUE REQUEREU EM NOME DOS SUBSTITUÍDOS OS DOCUMENTOS PERTINENTES À EXECUÇÃO DO JULGADO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO QUE SE DARIA SOMENTE EM 30/06/2017. RECURSO DESPROVIDO. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 423/425). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 489, §1º, IV e VI, 927, III, e 1.022, I, II e III e 1º do Decreto 20.910/32. Sustenta, além de negativa de prestação jurisdicional, a ocorrência da prescrição no caso, sob o argumento de que "o prazo prescricional para a execução da obrigação de fazer e pagar é o mesmo a contar do trânsito em julgado não havendo interrupção ou suspensão desse prazo ao se aplicar o artigo 1º do Decreto nº 20.910/32. O tema 880 do STJ consagrado no REsp 1336026 / PE é claro quanto a prescrição da execução em cinco anos sem que o pedido de juntada de documentos pelo executado obste o transcurso do prazo prescricional .. De outro lado, mesmo na modulação de efetivos determinada nos embargos de declaração (EDcl no REsp n. 1.336.026/PE) constata-se que o benefício será concedido apenas para demandas em que não haja a disponibilização de documentação de livre acesso aos servidores e que realmente a elaboração do cálculo dependa de outros documento que a parte autora do cumprimento/ execução não tenha acesso. .. No presente caso, por conseguinte, não se aplica a modulação do tema 880 do STJ violando-se o conteúdo do artigo 927, III, do CPC de 2015, pois se aplica o entendimento consagrado no EREsp: 1169126." (fls. 444/445). Defende que "diante da ausência de interrupção da prescrição desde a data do trânsito em julgado da ação coletiva que ocorreu em 09.11.2010 a prescrição da pretensão executória se efetivou com o ajuizamento do cumprimento em 23.11.2015." (fl. 446). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Inicialmente, ressalto que foi negado seguimento ao recurso quanto à prescrição, em razão de o acórdão estar em consonância com o entendimento sufragado no REsp 1.336.026/PE (Tema 880), razão pela qual o exame do recurso se dará somente quanto às teses remanescentes. Quanto ao mais, verifica-se não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e VI e 1.022, I, II e III, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência deste Superior Tribunal, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional (AgInt no AREsp 1678312/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 22/3/2021, DJe 13/4/2021). A tanto, verifica-se, pela fundamentação do acórdão recorrido (fls. 390/399), integrada em sede de embargos declaratórios (fls. 423/425), que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Outrossim, não se descortina negativa de prestação jurisdicional, ao tão só argumento de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Frise-se, mais, que o Tribunal não fica obrigado a examinar todos os artigos de lei invocados no recurso, desde que decida a matéria questionada sob fundamento suficiente para sustentar a manifestação jurisdicional, tornando dispensável a análise dos dispositivos que pareçam para a parte significativos, mas que para o julgador, senão irrelevantes, constituem questões superadas pelas razões de julgar. A propósito, confira-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA EX OFFICIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. A DISCUSSÃO DO MÉRITO IMPÕE O REVOLVIMENTO DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. O PERÍODO EM QUE O MILITAR TEMPORÁRIO ESTIVER ADIDO, PARA FINS DE TRATAMENTO MÉDICO, NÃO É COMPUTADO PARA FINS DE ESTABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. I - Trata-se de demanda ajuizada por ex-militar, objetivando provimento jurisdicional que determine sua reforma ex officio, com soldo referente ao posto/graduação por ele ocupado quando na ativa, bem como condenação da demandada ao pagamento de danos morais e estéticos. II - Após sentença que julgou parcialmente procedente a demanda, foi interposta apelação pela parte autora e ré, sendo que o TRF da 5ª Região, por maioria, deu provimento ao apelo da ré, julgando prejudicado o apelo do autor, ficando consignado, com base nas provas carreadas aos autos, que o autor está definitivamente incapacitado para o serviço militar, fazendo jus aos proventos correspondentes à graduação que ocupava. III - Sustenta, em síntese, que o Tribunal a quo deixou de se manifestar acerca da omissão descrita nos aclaratórios, defendendo ter direito à reforma ex officio, seja pela incapacidade definitiva para o serviço militar, seja pelo tempo transcorrido na condição de agregado, bem como pela estabilidade que supostamente alcançou (ex vi arts. 50, IV, a e 106, II e III, da Lei n. 6.880/1980). IV - Não assiste razão ao recorrente no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1575315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018.V- Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise fática, considerou não haver prova da conexão entre o acidente mencionado e a moléstia do autor. VI- Dessarte, verifica que a presente irresignação vai de encontro às convicções do julgador "a quo", que tiveram como lastro o conjunto probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciado da Súmula n. 7/STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1334753/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 27/11/2019. VII- Ademais, quanto à alegação de estabilidade sustentada pelo recorrente, esta Corte tem firmado a compreensão de que a mera reintegração de militar temporário na condição de adido, para tratamento médico, não configura hipótese de estabilidade nos quadros das Forças Armadas. Ou seja, o período em que o militar esteve licenciado, na condição de adido, não pode ser computado para atingir a estabilidade decenal, não prosperando, portando, as alegações aduzidas pelo interessado. A propósito: REsp 1786547/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 23/04/2019.VII - Recurso especial não provido. (REsp 1752136/RN, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 01/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MERO INCONFORMISMO. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. 1. Os Embargos de Declaração não merecem prosperar, uma vez que ausentes os vícios listados no art. 1.022 do CPC. 2. Apesar de os embargantes asseverarem que há omissão quanto à tese de afronta dos arts. 355, I, e 370 do CPC/2015 e quanto ao exame da imprescindibilidade da produção de prova técnica, verifica-se que o acórdão embargado enfrentou expressamente tais alegações, ao registrar (fl. 903): "No tocante à alegada afronta dos arts. 355, I, 370, não se pode conhecer da irresignação. Ao dirimir a controvérsia, a Corte estadual consignou (fl. 789): "De início, no que se refere à preliminar de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide, o que culminaria em ocorrência de cerceamento de defesa, deve ser afastada, vez que, ao contrário do que alegado, diante da documentação contida nos autos, é de se reputar como totalmente dispensável a produção de prova pericial, vez que no presente caso todos os elementos necessários para se determinar a responsabilidade e a extensão dos danos ambientais apurados se encontram nas peças encartadas nestes autos, que têm o condão de bem demonstrar a situação na área objeto da ação". O art. 370 do CPC/2015 consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valer-se do seu convencimento, à luz das provas constantes dos autos que entender aplicáveis ao caso concreto. Não obstante, a aferição da necessidade de produção de determinada prova impõe o reexame do conjunto fático-probatório encartado nos autos, o que é defeso ao STJ, ante o óbice erigido pela Súmula 7/STJ". 3. Não há omissão no decisum embargado. As alegações dos embargantes denotam o intuito de rediscutir o mérito do julgado, e não o de solucionar omissão, contradição ou obscuridade. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1798895/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/4/2020, DJe 05/5/2020) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA