AREsp 2050065 - ACORDAO
O Tribunal de origem, com base no conjunto probatório dos autos, concluiu pela incidência da prescrição trienal do art. 206, § 3º, V, do Código Civil; rever tal entendimento demandaria novo juízo sobre fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7/STJ que impede recurso especial fundado em reexame probatório,...
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- Parties
- Agravante: VALDEIR CARDOSO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (terceira Turma)
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Prescrição, Perdas E Danos, Taxa De Ocupação, Súmula N. 7/stj, Reexame De Provas, Divergência Jurisprudencial
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Parties
VALDEIR CARDOSO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Sessão Virtual (terceira Turma)
Legal Issues
- 1 incidência da prescrição trienal prevista no art. 206, § 3º, V, do Código Civil
- 2 aplicação da Súmula n. 7/STJ à pretensão de reexame de provas
- 3 prejudicialidade do exame de divergência jurisprudencial diante da necessidade de reexame fático-probatório
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem, com base no conjunto probatório dos autos, concluiu pela incidência da prescrição trienal do art. 206, § 3º, V, do Código Civil; rever tal entendimento demandaria novo juízo sobre fatos e provas, atraindo o óbice da Súmula n. 7/STJ que impede recurso especial fundado em reexame probatório, razão pela qual o agravo interno foi improvido.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Nego provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 05/03/2024 a 11/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. PRESCRIÇÃO. PERDAS E DANOS. TAXA DE OCUPAÇÃO SUJEITA À PRESCRIÇÃO TRIENAL. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Da leitura do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório do autos, entendeu pela incidência no caso dos autos da prescrição trienal prevista no 206, § 3º, V, do Código Civil . 2. Logo, rever tal entendimento, a ensejar novo juízo acerca de fatos e pro vas, conforme pretendido, implicaria o reexame de matéria fática. Incide no caso a Súmula n. 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. A necessidade de reexame de matéria fática torna prejudicado o exame da divergência jurisprudencial, considerando a inevitável ausência de similitude fática entre acórdãos. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por VALDEIR CARDOSO contra decisão monocrática por mim proferida, por meio da qual conheci do agravo para não conhecer do recurso especial, em razão da incidência da Súmula n. 7/STJ, por demandar análise de provas a pretensão do ora agravante de revisão do entendimento de incidência no caso dos autos da prescrição trienal prevista no 206, § 3º, V, do Código Civil (fls. 338-341). Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO cuja ementa guarda os seguintes termos (fl. 156): EXECUÇÃO DE SENTENÇA. Legitimidade ativa dos exequentes. Matéria preclusa. Prescrição. Taxa de ocupação sujeita à prescrição trienal, deve ser computada nos três anos anteriores ao ajuizamento da ação. Compensação de créditos. Possibilidade. Desde que se trate de dívida líquida, certa e exigível existente entre as partes. Incabível a aplicação do instituto em relação a terceiro que não participou do processo. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Rejeitados os embargos de declaração (fls. 258-261). No presente agravo interno, alega o agravante que improcedente a incidência da Súmula n. 7 do STJ, no caso, porquanto não há pretensão de reexame de prova, quando a questão do recurso especial é o estabelecimento da correta fixação do dies a quo para a contagem do prazo prescricional da pretensão executiva que foi fixado pelo Corte de origem na data da propositura da ação rescisória e não na do cumprimento de sentença. Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, pela submissão do presente agravo à apreciação da Turma. O agravado não apresentou contrarrazões ao agravo interno. É, no essencial, o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. PRESCRIÇÃO. PERDAS E DANOS. TAXA DE OCUPAÇÃO SUJEITA À PRESCRIÇÃO TRIENAL. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Da leitura do acórdão recorrido, verifica-se que o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório do autos, entendeu pela incidência no caso dos autos da prescrição trienal prevista no 206, § 3º, V, do Código Civil . 2. Logo, rever tal entendimento, a ensejar novo juízo acerca de fatos e pro vas, conforme pretendido, implicaria o reexame de matéria fática. Incide no caso a Súmula n. 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. A necessidade de reexame de matéria fática torna prejudicado o exame da divergência jurisprudencial, considerando a inevitável ausência de similitude fática entre acórdãos. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): No caso dos autos, insurge-se o recorrente, ora agravante, contra o entendimento proferido pela Corte de origem de incidência no caso dos autos da prescrição trienal prevista no 206, § 3º, V, do Código Civil. Consoante relatado, o agravo em recurso especial foi conhecido para não se conhecer do recurso especial, em razão da incidência da Súmula n. 7/STJ, no caso, por demandar a análise de provas a pretensão do ora agravante. Não prospera o presente recurso. Com efeito, conforme assentado na decisão agravada, no caso dos autos, entendeu a Corte de origem, com base no conjunto probatório dos autos, pela incidência da prescrição trienal prevista no 206, § 3º, V, do Código Civil. Confira-se o seguinte excerto do acórdão recorrido (fls. 157-158): A taxa de ocupação foi concedida com base nas Súmulas 01 e 03 desta Colenda Corte; e tem natureza de perdas e danos na hipótese, de modo que está sujeita à prescrição trienal prevista no art. 206, § 3º, V, do CC. (..) Todavia, a prescrição retro referida somente pode ser computada nos três anos anteriores ao ajuizamento da ação (causa interruptiva da prescrição art. 202, I, do CC, c. c. o art. 240, § 1º, do CPC), uma vez que o réu ainda ocupava o imóvel objeto da presente demanda quando de sua propositura. Nesse sentido, o direito a obtenção de indenização pela ocupação do imóvel se renova a cada mês, conforme o enunciado do artigo 189 do Código Civil: "Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206". Portanto, como a ação de rescisão de contrato foi proposta em junho de 2011, estão abarcados todos os aluguéis anteriores a 3 anos desta data e é sob tal aspecto que o d. Magistrado a quo deverá avaliar a existência do excesso de execução, computando-se todo o período de posse do imóvel até a desocupação. Assim, rever tal entendimento, a eventualmente ensejar novo juízo acerca dos fatos e das provas, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos. Sendo assim, incide no caso a Súmula n. 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Logo, consoante também assentado, quanto à alegada divergência jurisprudencial, não é possível o conhecimento do nobre apelo interposto pela alínea "c", na hipótese em que ele está apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Assim, a necessidade de reexame de matéria fática torna prejudicado o exame da divergência jurisprudencial, considerando a inevitável ausência de similitude fática entre acórdãos. A propósito, confira-se: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. EMBARGOS INFRINGENTES. APELAÇÃO. FUNDAMENTOS. ACRÉSCIMOS. RESPOSTA DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. PROVAS. VALORAÇÃO. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL DO JUIZ. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. TESTEMUNHA. DEPOIMENTO COMO INFORMANTE. VALOR. SÚMULA Nº 7/STJ. COMISSÃO DE CORRETAGEM. RESULTADO ÚTIL. CABIMENTO. FECHAMENTO DO NEGÓCIO. RESPONSABILIDADE. AVALIAÇÃO. SÚMULA Nº 7/STJ. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. CARACTERIZAÇÃO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 2. A reprodução dos fundamentos expostos no voto da relatora da apelação, por si só, não implica em deficiência de fundamentação, considerando que o tribunal de origem dirimiu as questões postas de forma a alcançar solução unânime à controvérsia. 3. A legislação processual civil vigente manteve o princípio da persuasão racional do juiz, em seus artigos 370 e 371, que preceitua caber ao julgador dirigir a instrução probatória através da livre análise das provas e da rejeição da produção daquelas que se mostrarem protelatórias. 4. Tendo o tribunal de origem formado o seu convencimento nos elementos de provas disponíveis dos autos e indicado os motivos para tanto, a intervenção desta Corte quanto à valoração probatória encontra óbice na Súmula nº 7/STJ. 5. Não se traduz em nulidade valorar o depoimento de testemunha presumidamente interessada no desfecho da demanda como se prestado por informante, devendo o magistrado lhes atribuir o valor que possam merecer. 6. Na hipótese, acolher a tese recursal, de que os depoimentos não deveriam ter sido deferidos porque restou incontroverso o interesse dos informantes no litígio, demandaria o revolvimento de fatos e provas dos autos por esta Corte, o que atrai o óbice da Súmula nº 7/STJ. 7. A comissão de corretagem por intermediação imobiliária é devida se os trabalhos de aproximação realizados pelo corretor resultarem no resultado útil pretendido, qual seja no consenso das partes quanto aos elementos essenciais do negócio. 8. No caso, rever o entendimento da Corte local, a partir da tese de que o recorrido não foi o responsável pelo fechamento do negócio, exigiria o reexame de fatos e de provas dos autos, o que é inviável no recurso especial devido ao óbice da Súmula nº 7/STJ. 9. A jurisprudência desta Corte impõe a incidência da Súmula nº 7/STJ quando a revisão da condenação por litigância de má-fé demandar o reexame do contexto fático-probatório da demanda. 10. A incidência da Súmula nº 7/STJ prejudica também o conhecimento do recurso quanto à divergência jurisprudencial alegada, pois não se pode encontrar similitude fática entre os julgados recorrido e paradigma. 11. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.973.116/TO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 23/6/2023.) Não tendo a parte agravante trazido fundamento ou fato novo a ensejar a alteração do referido entendimento, a negativa de provimento ao presente recurso é medida que se impõe. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.