REsp 2119877 - DECISAO
O STJ deu provimento ao recurso especial porque, aplicando os precedentes repetitivos (Tema 877 e Tema 880), verificou que a pretensão executória individual de obrigação de pagar havia prescrito: o trânsito em julgado da sentença coletiva ocorreu em 08/04/2016 e a execução individual foi proposta em 14/04/2021, após...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PARANÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (decisão)
- Outcome
- Provimento ao recurso especial para acolher a impugnação do ESTADO e reconhecer a prescrição da pretensão da execução individual de obrigação de pagar, com extinção da execução com julgamento do mérito.
- Legal Topics
- Prescrição, Cumprimento De Sentença, Obrigação De Fazer, Obrigação De Pagar, Modulação De Efeitos (tema 880)
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Parties
ESTADO DO PARANÁ
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (decisão)
Legal Issues
- 1 prescrição da pretensão executória individual de obrigação de pagar decorrente de sentença coletiva
- 2 aplicação do Tema 880 do STJ e modulação de efeitos
- 3 efeito de suspensões por tratativas de cumprimento de obrigação de fazer sobre o prazo prescricional da execução individual de obrigação de pagar
Ratio Decidendi
O STJ deu provimento ao recurso especial porque, aplicando os precedentes repetitivos (Tema 877 e Tema 880), verificou que a pretensão executória individual de obrigação de pagar havia prescrito: o trânsito em julgado da sentença coletiva ocorreu em 08/04/2016 e a execução individual foi proposta em 14/04/2021, após decurso do prazo prescricional; não prospera a aplicação da modulação do Tema 880 nem a alegação de que suspensões posteriores destinadas a negociações de obrigação de fazer interromperam ou suspenderam o prazo prescricional da obrigação de pagar, motivo pelo qual determinou-se a extinção da execução individual com julgamento do mérito.
Court Disposition
Provimento ao recurso especial para acolher a impugnação do ESTADO e reconhecer a prescrição da pretensão da execução individual de obrigação de pagar, com extinção da execução com julgamento do mérito.
Orders
- Dar provimento ao recurso especial
- Reconhecer a prescrição da pretensão da execução individual de obrigação de pagar decorrente da sentença coletiva
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo ESTADO DO PARANÁ contra acórdão proferido pelo TJPR assim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. PREVIDÊNCIA PÚBLICA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. AÇÃO COLETIVA 1560/2008. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA AFASTOU A ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO. INSURGÊNCIA DO ESTADO DO PARANÁ. PRESCRIÇÃO EXECUTIVA NÃO VERIFICADA. AUTOS DE OBRIGAÇÃO DE FAZER PARALISADOS PARA REALIZAÇÃO DE ACORDO, POR SOLICITAÇÃO DAS PARTES. SUSPENSÃO TAMBÉM DO PRAZO PRESCRICIONAL. NÃO DEMONSTRADA INÉRCIA DOS EXEQUENTES/AGRAVADOS. RESPONSABILIDADE PELA PARALISAÇÃO DOS AUTOS NÃO IMPUTÁVEL À PARTE RECORRIDA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO. A parte recorrente alega violação dos arts. 534 e 927 do CPC/2015 e dissídio jurisprudencial, por compreender que a conclusão alcançada no acórdão está em desconformidade com o precedente repetitivo formado no julgamento do Tema 880 do STJ. Aduz que, iniciado o prazo da prescrição da pretensão executória com o trânsito em julgado da sentença coletiva (08/04/2016), a execução individual só veio a ter início após o decurso do prazo prescricional (14/04/2021), não havendo como se afastar a tese firmada no Tema 880 do STJ ou incluir a controvérsia no âmbito da modulação de efeitos desta decisão. O recurso especial foi admitido com contrarrazões em que defende-se a inaplicabilidade do precedente repetitivo, bem como a aplicação dos óbices das Súmulas 7 e 83 do STJ. Passo a decidir. O apelo nobre se origina de agravo de instrumento interposto pelo ESTADO contra decisão em cumprimento individual de sentença coletiva que indeferiu a impugnação do ente federado, afastando a alegação de prescrição da pretensão executória. O Tribunal paranaense, em que pese reconhecer a existência da orientação jurisprudencial firmada pela sistemática dos recursos repetitivos (Tema 880 do STJ), afirmou não ser possível a sua aplicação ao caso concreto de forma indiscriminada em razão de não ser possível imputar ao exequente a culpa pela demora na satisfação do crédito tributário. Consignou que, transitada em julgado a sentença coletiva em 08/04/2016 e iniciada a execução individual em 14/04/2021, não seria possível o reconhecimento da prescrição, uma vez que a demanda originária esteve suspensa por períodos diversos durante tentativas de uma composição amigável entre o ESTADO e o legitimado extraordinário para a solução da celeuma relativa à obrigação de fazer decorrente do título judicial, não podendo ser lesada a exequente diante das suspensões processuais, bem como pela demora na realização do pagamento pelo executado. Opostos embargos de declaração, foram eles rejeitados. Pois bem. O recurso suporta conhecimento e provimento. A controvérsia relativa à contagem da prescrição para a execução de dívida da administração pública, quando depende de apresentação de documentos (demonstrativos ou fichas financeiras, por exemplo) em posse do devedor na vigência do CPC/1973, foi dirimida pelo STJ no julgamento do Rec urso Especial repetitivo 1.336.026/PE, fixando-se a seguinte tese: A partir da vigência da Lei n. 10.444/2002, que incluiu o § 1º ao art. 604, dispositivo que foi sucedido, conforme Lei n. 11.232/2005, pelo art. 475-B, §§ 1º e 2º, todos do CPC/1973, não é mais imprescindível, para acertamento da conta exequenda, a juntada de documentos pela parte executada, ainda que esteja pendente de envio eventual documentação requisitada pelo juízo ao devedor, que não tenha havido dita requisição, por qualquer motivo, ou mesmo que a documentação tenha sido encaminhada de forma incompleta pelo executado. Assim, sob a égide do diploma legal citado e para as decisões transitadas em julgado sob a vigência do CPC/1973, a demora, independentemente do seu motivo, para juntada das fichas financeiras ou outros documentos correlatos aos autos da execução, ainda que sob a responsabilidade do devedor ente público, não obsta o transcurso do lapso prescricional executório, nos termos da Súmula 150 do STF. (Tema 880 do STJ). Em razão da alteração do entendimento anteriormente esposado na jurisprudência, esta Corte Superior decidiu promover, em sede de embargos de declaração, a modulação de efeitos da tese fixada nos seguintes termos: Os efeitos decorrentes dos comandos contidos neste acórdão ficam modulados a partir de 30/6/2017, com fundamento no § 3º do art. 927 do CPC/2015. Resta firmado, com essa modulação, que, para as decisões transitadas em julgado até 17/3/2016 (quando ainda em vigor o CPC/1973) e que estejam dependendo, para ingressar com o pedido de cumprimento de sentença, do fornecimento pelo executado de documentos ou fichas financeiras (tenha tal providência sido deferida, ou não, pelo juiz ou esteja, ou não, completa a documentação), o prazo prescricional de 5 anos para propositura da execução ou cumprimento de sentença conta-se a partir de 30/6/2017." (acórdão que acolheu parcialmente os embargos de declaração, publicado no DJe de 22/06/2018). Súmula 150/STF - " Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação. Especificamente quanto à execução individual de sentença coletiva, fixou-se, ainda, a tese do Tema 877 do STJ, segundo a qual a prescrição da pretensão da execução individual de sentença coletiva inicia-se da data do seu trânsito em julgado. No caso concreto, como relatado, a sentença coletiva transitou em julgado em 08/04/2016, e a execução individual só foi proposta em 14/04/2021, após decorrido o prazo prescricional. Com efeito, o trânsito em julgado da sentença coletiva se deu após a data limite de 17/03/2016, não sendo sequer possível a aplicação da modulação de efeitos do Tema 880 do STJ. Anote-se que a suspensão ocorrida na ação originária e referida pelas instâncias ordinárias se deu após o transito em julgado da sentença coletiva, para o fim de se possibilitar um acordo entre o sindicato e o ente público para o cumprimento de obrigação de fazer. A questão que resta ser decidida é se essas suspensões em razão das tratativas para a execução de obrigação de fazer decorrente de sentença coletiva interfeririam no curso do prazo prescricional da pretensão executória individual de obrigação de pagar. Segundo a jurisprudência firmada nesta Corte superior, apenas a propositura da execução coletiva pelo legitimado extraordinário tem o condão de interromper o prazo da prescrição da pretensão executória individual. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. 1. "O ajuizamento de ação de execução coletiva pelo legitimado extraordinário interrompe a contagem do prazo prescricional, não havendo que se falar em inércia dos credores individuais" (AgInt no AREsp n. 2.207.275/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 15/3/2023). 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.292.113/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 17/8/2023.). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO COLETIVA DE TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL. DESMEMBRAMENTO DETERMINADO PELO JUÍZO DA EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. COISA JULGADA. APELO NOBRE QUE NÃO IMPUGNOU O FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "Consoante pacífica jurisprudência desta Corte, "em conformidade com as Súmulas 150 e 383 do STF, a ação de execução promovida contra a Fazenda Pública prescreve em cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença de conhecimento. Todavia, o ajuizamento da ação de execução coletiva pelo sindicato interrompe a contagem do prazo prescricional, recomeçando a correr pela metade, isto é, em dois anos e meio, a partir do último ato processual da causa interruptiva, nos termos do art. 9º do Decreto n. 20.910/32, resguardado o prazo mínimo de cinco anos" (EREsp 1.121.138/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Corte Especial, DJe 18.6.2019)" (AgInt no REsp n. 1.957.753/DF, relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 29/3/2022). 2. É inviável o conhecimento do recurso especial que não ataca especificamente o fundamento adotado no acórdão recorrido. Incidência da Súmula 283/STF. 3. "Rever o entendimento do tribunal de origem, com o objetivo de acolher a pretensão recursal, para avaliar os limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 07 desta Corte, assim enunciada: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"." (AgInt no REsp 1.861.500/AM, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe 23/4/2021). Nesse mesmo sentido: AgInt no AREsp 1.170.224/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 14/9/2020. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.990.498/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023.) Por outro lado, tratando-se de execução pelo legitimado extraordinário de obrigação de fazer, o prazo prescricional da pretensão executiva individual de obrigação de pagar não sofre interferência pela sua interposição, uma vez que, "ainda que originadas de um mesmo título judicial, as duas pretensões (fazer e dar) são distintas, motivo pelo qual o prazo prescricional para elas inicia-se com o trânsito em julgado do título executivo judicial e corre paralelamente sem que o exercício da pretensão em uma obrigação reflita sobre a outra. Logo, deve prevalecer o entendimento segund o o qual o ajuizamento da execução coletiva da obrigação de fazer não repercute na fluência do prazo prescricional da execução da obrigação de pagar, na medida em que as pretensões são distintas, não se confundem e têm regramento próprio" (STJ, EREsp 1.169.126/RS, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, DJe de 11/6/2019). Dessarte, o Tribunal a quo, ao decidir a controvérsia submetida a seu julgamento, proferiu acórdão incompatível com o entendimento esposado em sede de recurso repetitivo, ao afirmar que não houve prescrição do crédito executado, tendo em vista que o prazo prescricional da execução do presente crédito se iniciou em 08/04/2016 e encerrou antes da propositura da execução individual, não havendo como aplicar a modulação de efeitos do Tema 880 do STJ ou se conhecer de hipóteses de suspensão ou interrupção do prazo prescricional nas circunstâncias fáticas descritas pelas instâncias ordinárias. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para ACOLHER a impugnação do ESTADO e reconhecer a prescrição da pretensão da execução individual de obrigação de pagar decorrente da sentença coletiva ocorrida antes da propositura da ação executiva, DETERMINANDO a extinção da execução individual com julgamento do mérito. O recorrido deverá pagar honorários advocatícios, os quais, diante da ausência de peculiaridade relevante que acentue alguma das circunstâncias previstas no art. 85, § 2º, do CPC/2015, fixo nos percentuais mínimos estabelecidos para as faixas descritas nos incisos do § 3º, a incidirem sobre o proveito econômico obtido pelo ESTADO. Publique-se. intimem-se. EMENTA