AREsp 2510008 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão exigiria reexame de matéria fático-probatória e de cláusulas contratuais (impedido pelas Súmulas 5 e 7 do STJ) e porque o recorrente não comprovou dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido, motivo pelo qual a...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: VISOLUX LOCADORA DE PAINEIS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Locação De Imóvel, Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Cotejo Analítico, Súmulas 5 E 7 Do STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VISOLUX LOCADORA DE PAINEIS LTDA
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Prazo prescricional aplicável a cobranças de aluguéis: três anos (art. 206, §3º, I) versus cinco anos (art. 206, §5º, I) quando o débito é consignado em termo de confissão de dívida
- 2 Natureza do título instrumental (contrato de locação versus termo de confissão de dívida)
- 3 Exigência de cotejo analítico para demonstrar dissídio jurisprudencial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque a pretensão exigiria reexame de matéria fático-probatória e de cláusulas contratuais (impedido pelas Súmulas 5 e 7 do STJ) e porque o recorrente não comprovou dissídio jurisprudencial mediante o cotejo analítico exigido, motivo pelo qual a inadmissão do recurso especial foi mantida.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por VISOLUX LOCADORA DE PAINEIS LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO, assim resumido: AÇÃO DE COBRANÇA DE ALUGUEIS - INADIMPLÊNCIA DEMONSTRADA - PRESCRIÇÃO - INOCORRÊNCIA - COMPROVAÇÃO DE CONSTITUIÇÃO EM MORA - APLICAÇÃO DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO VENCIMENTO DE CADA OBRIGAÇÃO INADIMPLIDA - PREVISÃO LEGAL - HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA - PERCENTUAL JUSTO E RAZOÁVEL - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação e dissídio jurisprudencial com fundamento no art. 206, § 3º, I, do CC, no que concerne à ocorrência de prescrição trienal da pretensão autoral de cobrança de aluguéis anteriores a data de 08.05.2016, tendo em vista que foi firmado entre as partes um contrato de locação e não um termo de confissão de dívida, trazendo a seguinte argumentação: Inicialmente, segundo o d. Relator da apelação, "cediço que em se tratando de cobrança de débito consignado em termo de confissão de dívida, o Código Civil prescreve o prazo de 05 (cinco) anos, conforme dispõe o art. 206, § 5º, inciso I" Com todo o respeito, tal entendimento não pode prevalecer. .. Frisa-se Nobres Ministros, tanto na r. sentença a quo, quanto no acórdão da apelação ou no acórdão dos Embargos de Declaração opostos, não foi explicado o motivo pelo qual o título firmado entre as partes está sendo considerado como um termo de confissão de dívida. Quanto a natureza do título que instrui a inicial, uma vez que, durante toda a instrução processual, desde o seu ajuizamento, até no próprio voto do relator, o contrato é tratado como de "locação de terreno", no entanto, quando da análise do requerimento preliminar atinente à prescrição alegada pela Recorrente, o E. TJMT, entendeu não ocorrer a incidência da prescrição por se tratar de "débito consignado em termo de confissão de dívida", senão vejamos o trecho abaixo colacionado: .. 9 Rua José Ferreira Nhô Belo, 267, Centro - CEP: 86.975-000 - Mandaguari - PR - Fone: (44) 3233-4722 Av. Brasil, 4312 - Sala 1003, 10º andar, Centro - CEP: 87013-934 - Maringá - PR - Fone: (44) 3265-1500 www.luvisetimaeda.com.br Contudo, Nobres Ministros, no próprio contrato anexado á inicial pelo ora Recorrido, conforme documento de Id. 159130446, é nítido se tratar de um Contrato de Locação, sem qualquer outro instrumento particular, confissão de dívida ou renegociação posteriormente pactuado, senão vejamos o trecho abaixo colacionado extraído do documento constante nos autos: .. Desta forma, diferentemente do que fora fundamentado no r. acórdão, o entendimento que deve prevalecer é de que a pretensão relativa a dívidas decorrentes da locação prescreve em 3 (três) anos, conforme dispõe o artigo 206, § 3º, inciso I, do Código Civil, in verbis: .. Com a devida vênia, ao prolatar o r. acórdão adotando a prescrição quinquenal em detrimento da prescrição trienal específica, entendeu de forma equivocada se tratar de um termo de confissão de dívida, no entanto, em todo momento classificou o contrato firmado entre as partes como "de locação", no entanto, rejeitou a preliminar arguida, mencionando expressamente dispositivo de lei que versa sobre cobrança de débito consignado em termo de confissão de dívida, este sim, com prazo prescricional de 05 (cinco) anos. Frisa-se, em momento algum fora anexado por qualquer parte, termo de confissão de dívida, apenas há menção ao contrato de locação. Sendo assim, não obstante ter sido reconhecido que o contrato de locação esteve sujeito a prorrogações automáticas e sucessivas ou a conversão em contrato de locação por prazo indeterminado, o acórdão recorrido deve ser reformado para acolher a prescrição trienal quanto aos aluguéis mensais prescritos. Neste caso, consta que o Recorrido propôs a presente ação de cobrança em 08.05.2019, portanto, neste caso, está prescrita as pretensões referentes aos aluguéis mensais anteriores a data de 08.05.2016. Por consequência, com fulcro no artigo 206, § 3º, inciso I, do Código Civil., requer seja provido o presente Recurso Especial para que os acórdãos ora recorridos sejam reformados para fim de que seja declarada e reconhecida a prescrição trienal da pretensão autoral de cobrança de aluguéis anteriores a data de 08.05.2016, eis que não se encontra amparo na Legislação Federal e tampouco na jurisprudência desse E. Superior Tribunal de Justiça (fls. 457/461). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: De início, analiso a preliminar atinente a prescrição alegada pela apelante. Sustenta que o prazo prescricional, quando se trata de locação de imóvel urbano, é de 03 (três) anos, contados da data em que a obrigação deveria ser cumprida, assim, como a ação de cobrança foi interposta em 08/05/2019, estariam prescritas as pretensões referentes aos aluguéis mensais anteriores a data de 08/05/2016. Pois bem. É cediço que em se tratando de cobrança de débito consignado em termo de confissão de dívida, o Código Civil prescreve o prazo de 05 (cinco) anos, conforme dispõe o art. 206, § 5º, inciso I, verbis: .. Muito embora a parte Autora tenha alegado o inadimplemento da requerida referente ao período de 2010 a março/2019, esta mesma reconheceu prescrito os alugueres vencidos entre o período de 2010 a 2013, tanto é que na planilha de cálculo acostada nos autos no id. 19953826, consta apenas os débitos de abril/2014 a março/2019. Neste diapasão, tendo em vista que a propositura da ação se deu em 08/05/2019, não houve o transcurso do prazo quinquenal aplicado ao caso concreto, o que leva a não incidência da prescrição (fl. 347). Assim, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ, uma vez que a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Portanto, "a pretensão de alterar tal entendimento, considerando as circunstâncias do caso concreto, demandaria o revolvimento de matéria fático-probatória e reanálise de cláusulas contratuais, o que é inviável em sede de recurso especial, conforme dispõem as Súmulas 5 e 7, ambas do STJ". (AgInt no AREsp 1.227.134/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 9/10/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp 1.716.876/SP, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 3/10/2019; AgInt no AREsp 1.165.518/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/10/2019; AgInt no AREsp 481.971/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 25/9/2019; AgInt no REsp 1.815.585/DF, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 23/9/2019; e AgInt no AREsp 1.480.197/MG, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 25/9/2019. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Além disso, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA