REsp 2086618 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento, porque não houve prescrição: o cheque foi emitido em 28/03/2017, com prazo de apresentação de 30 dias até 28/04/2017, e o prazo prescricional de seis meses terminou em 28/10/2017 (sábado), prorrogando-se para o primeiro dia útil, sendo a ação ajuizada em...
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- Parties
- Recorrente: FRANCISCO DE LIMA GURGEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento
- Outcome
- Conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Prescrição, Exigibilidade Do Título, Protesto Cambial, Apresentação Do Cheque, Inépcia Da Execução, Litigância De Má Fé, Honorários Sucumbenciais
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Parties
FRANCISCO DE LIMA GURGEL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento
Legal Issues
- 1 Prescrição da ação de execução de cheque e termo inicial/contagem do prazo
- 2 Exigibilidade do título executivo representado por cheque e prova do inadimplemento por protesto
- 3 Nulidade da execução por ausência de apresentação da cártula ao banco/câmara de compensação
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento, porque não houve prescrição: o cheque foi emitido em 28/03/2017, com prazo de apresentação de 30 dias até 28/04/2017, e o prazo prescricional de seis meses terminou em 28/10/2017 (sábado), prorrogando-se para o primeiro dia útil, sendo a ação ajuizada em 30/10/2017 dentro do prazo; ademais, o protesto do título e declarações do sacado ou da câmara de compensação comprovam a exigibilidade do cheque, afastando a inépcia por ausência de apresentação; não foram demonstradas as condutas do art. 80 do CPC para aplicação de multa por litigância de má-fé; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários para 15% conforme art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Majoro os honorários sucumbenciais para 15% (quinze por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por FRANCISCO DE LIMA GURGEL, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO JULGADOS PARCIALMENTE PROCEDENTES. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE EMBARGANTE. EXECUÇÃO FUNDADA EM CHEQUE. PRESCRIÇÃO NÃO VERIFICADA. EXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO REPRESENTADA PELO PROTESTO. INÉPCIA AFASTADA. ALEGATIVA DE AGIOTAGEM. ÔNUS QUE INCUMBE A QUEM ALEGA. EXCESSO DE EXECUÇÃO NÃO VERIFICADO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA" (fl. 215 e-STJ). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 311-318 e-STJ). No recurso especial, o recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, violação dos artigos 33, 47, 50, §1º, e 59, da Lei n.º 7.357/85, 778, 783, 798, I, e 803, I, do Código de Processo Civil. Sustenta a prescrição do cheque apresentado, pois o prazo final para a apresentação seria o dia 27 de abril de 2017, e não dia 28 como constou no acórdão recorrido e que a parte teria até o dia "27/10/2017 (sexta-feira) para ajuizar a ação, mas como se viu, a demanda foi ajuizada apenas no dia 30/10/2017" (fl. 234 e-STJ). Defende a nulidade da execução ajuizada, pois a parte contrária "deixou de apresentar a cártula de cheque posta em execução ao serviço de compensação bancária" (fl. 237 e-STJ), como também exige o artigo 33 Lei nº 7.357/1985 e 803, I, do CPC. Contrarrazões às fls. 270-287 (e-STJ) requerendo a condenação da parte recorrendo por litigância de má-fé. É o relatório. DECIDO. A insurgência não merece prosperar. O Tribunal de origem rejeitou a preliminar de prescrição com base nos seguintes fundamentos: "(..) O cheque, espécie de título de crédito, possui força executiva, cuja ação prescreve no prazo de 6 (seis) meses, contado do esgotamento do prazo de apresentação, que é de trinta dias quando a emissãodo título for na mesma praça do lugar do pagamento, ou de sessenta dias, quando for de outra praça. Passado este prazo, não se permite mais a execução.(Curso de Direito Processual Civil, 3ª edição, 2011, p. 178, Didier Jr., Cunha,Braga e Oliveira). (..) In casu, não há que se falar em prescrição do título, haja vista que a emissão do cheque data de 28 de março de 2017, fl. 41, cujo prazo de apresentação é de 30 dias, posto que emitido na mesma praça de pagamento, tendo, portanto, como termo final para a apresentação a data de 28 de abril de 2017, resultando como prazo final para o ingresso da ação o dia 28 de outubro de 2017". Em consulta à Ação de Execução - Processo de nº 0181521-37.2017.8.06.0001, verifica-se que a petição inicial foi protocolizada no sistema e-Saj em 30/10/2017, portanto no último dia do prazo, considerando que o dia 28 caiu em um dia de sábado, data em que não teve expediente forense, o que resultou na prorrogação do prazo prescricional para o próximo dia útil seguinte. O entendimento da jurisprudência é no sentido de que o prazo prescricional é prorrogado se na data do termo final não há expediente forense. (..)" (fl. 217-218 e-STJ - grifou-se). Nesse sentido, extrai-se dos autos que o cheque em debate foi emitido em 28 de março de 2017. Tendo em vista que o dia 27 de abril de 2017 foi o termo final para sua apresentação - 30 (trinta) dias - e contando-se o prazo prescricional de 6 (seis) meses a partir de 28 de abril de 2017, tem-se como termo final o dia 28 de outubro de 2017 (sábado). Por essa razão, não há falar em prescrição da presente ação, ajuizada no dia 30 de outubro de 2017 (segunda-feira). O acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, como se observa dos seguintes precedentes: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TÍTULO DE CRÉDITO. CHEQUE. AÇÃO DE EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Consoante jurisprudência desta Corte Superior, o prazo prescricional para ajuizamento de ação de execução de cheque é de seis meses após o fim do prazo de apresentação, que é de trinta dias a contar da emissão, se da mesma praça, ou de sessenta dias, também da emissão, se de praça diversa. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. Na hipótese, o cheque, da mesma praça, foi emitido em 1º/03/2010 e a ação de execução de título extrajudicial foi ajuizada em 27/09/2010, não incidindo, portanto, a prescrição. 3. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt no AREsp n. 1.208.737/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 21/2/2019, DJe de 13/3/2019.) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CHEQUE. PROVA. INDEFERIMENTO. ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. CHEQUE. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7 do STJ. 2. O Tribunal de origem, com base nos elementos probatórios dos autos, afastou a alegação de cerceamento de defesa, porque as provas requeridas não seriam aptas a desconstituir os títulos exequendos. Alterar esse entendimento é inviável em recurso especial, de acordo com a referida súmula. 3. O conhecimento do recurso especial, interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, exige, além de indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente, demonstração do dissídio, mediante verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e realização de cotejo analítico entre elas, nos termos definidos pelo art. 541, parágrafo único, do CPC/1973. 4. É firme nesta Corte o entendimento de que "o cheque é ordem de pagamento à vista, sendo de 6 (seis) meses o lapso prescricional para a execução após o prazo de apresentação, que é de 30 (trinta) dias a contar da emissão, se da mesma praça, ou de 60 (sessenta) dias, também a contar da emissão, se consta no título como sacado em praça diversa, isto é, em município distinto daquele em que se situa a agência pagadora" (REsp n. 926.312/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 20/9/2011, DJe 17/10/2011). 5. Agravo interno a que se nega provimento" (AgInt no AREsp n. 874.114/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 19/4/2018, DJe de 27/4/2018.) Com relação à exigibilidade do cheque, o Tribunal de origem asseverou que "o título de nº 850203 encontra-se satisfatório para a execução por preencher os requisitos necessários, pois, diante da recusa de pagamento, houve o devido protesto do título (fl. 41)" (fl. 219 e-STJ) e esclareceu que "(..) No que concerne à alegativa de inépcia por ausência de apresentação do título, temos que, em regra, exige-se para o ingresso da ação de execução a apresentação do cheque junto ao banco sacado. Contudo, a comprovação da falta de pagamento também pode ser dirimida pelo protestodo título ou mediante declaração do sacado ou da câmara de compensação, conforme assim entende o Superior Tribunal de Justiça: (..)" (fl. 219). Verifica-se que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que é possível fazer prova do inadimplemento da obrigação por meio do protesto. A propósito: "RECURSO ESPECIAL. PROTESTO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA, TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE QUE REPRESENTE OBRIGAÇÃO PECUNIÁRIA LÍQUIDA, CERTA E EXIGÍVEL. 1. O protesto comprova o inadimplemento. Funciona, por isso, como poderoso instrumento a serviço do credor, pois alerta o devedor para cumprir sua obrigação. 2. O protesto é devido sempre que a obrigação estampada no título é líquida, certa e exigível. 3. Sentença condenatória transitada em julgado, é título representativo de dívida - tanto quanto qualquer título de crédito. 4. É possível o protesto da sentença condenatória, transitada em julgado, que represente obrigação pecuniária líquida, certa e exigível. 5. Quem não cumpre espontaneamente a decisão judicial não pode reclamar porque a respectiva sentença foi levada a protesto" (REsp n. 750.805/RS, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Terceira Turma, julgado em 14/2/2008, DJe de 16/6/2009 - grifou-se) "TÍTULO DE CRÉDITO E PROTESTO CAMBIAL. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO ORIUNDA DE INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DE BANCO DE DADO PÚBLICO, PERTENCENTE A CARTÓRIO DE PROTESTO. PRÉVIA NOTIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. CHEQUE. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. OBSERVÂNCIA À DATA DE EMISSÃO DA CÁRTULA. ENDOSSATÁRIO TERCEIRO DE BOA-FÉ. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INOPONIBILIDADE DAS EXCEÇÕES PESSOAIS. PROTESTO DE CHEQUE À ORDEM, AINDA QUE APÓS O PRAZO DE APRESENTAÇÃO, MAS DENTRO DO PERÍODO PARA AJUIZAMENTO DE AÇÃO CAMBIAL DE EXECUÇÃO. POSSIBILIDADE. PROTESTO CAMBIAL. NA VIGÊNCIA DO CÓDIGO CIVIL DE 2002, INTERROMPE O PRAZO PRESCRICIONAL PARA AJUIZAMENTO DA AÇÃO CAMBIAL EXECUTIVA. SUPERAÇÃO, COM O ADVENTO DO NOVEL DIPLOMA CIVILISTA, DA SÚMULA 153/STF. 1. Diante da existência de protesto extrajudicial, é descabido cogitar em necessidade de que houvesse notificação no tocante ao registro desabonador constante da base de dados da Serasa; pois esse registro, em regra, advém de coleta espontânea de informação em banco de dado público, pertencente ao cartório de protesto. 2. Com a decisão contida no REsp. 1.068.513-DF, relatado pela Ministra Nancy Andrighi, ficou pacificado na jurisprudência desta Corte a ineficácia, no que tange ao direito cambiário, da pactuação extracartular da pós-datação do cheque, pois descaracteriza referido título de crédito como ordem de pagamento à vista e viola o art. 192 do CC/2002 e os princípios cambiários da abstração e da literalidade. 3. Em se tratando de título de crédito, o terceiro de boa-fé exercita um direito próprio, em vista que a firma do emissor expressa sua vontade unilateral de obrigar-se a essa manifestação, não sendo admissível que venha a defraudar as esperanças que desperta em sua circulação. Ademais, a inoponibilidade das exceções fundadas em direito pessoal do devedor contra o credor constitui a mais importante afirmação do direito moderno em favor da segurança da circulação e negociabilidade dos títulos de crédito. 4. O protesto do cheque é facultativo e, como o título tem por característica intrínseca a inafastável relação entre o emitente e a instituição financeira sacada, é indispensável a prévia apresentação da cártula, não só para que se possa proceder à execução do título, mas também para cogitar do protesto (art. 47 da Lei do Cheque). Evidentemente, é também vedado o apontamento de cheques quando tiverem sido devolvidos pelo banco sacado por motivo de furto, roubo ou extravio das folhas ou talonários - contanto que não tenham circulado por meio de endosso, nem estejam garantidos por aval, pois nessas hipóteses far-se-á o protesto sem fazer constar os dados do emitente da cártula. 5. Tomadas essas cautelas, caracterizando o cheque levado a protesto título executivo extrajudicial, dotado de inequívoca certeza e exigibilidade, não se concebe possam os credores de boa-fé verem-se tolhidos quanto ao seu lídimo direito de resguardarem-se quanto à prescrição, tanto no que tange ao devedor principal quanto a coobrigados; visto que, conforme disposto no art. 202, III, do Código Civil de 2002, o protesto cambial interrompe o prazo prescricional para ajuizamento de ação cambial de execução, ficando, com a vigência do novel Diploma, superada a Súmula 153/STF. 6. Como o cheque levado a protesto ainda possuía executividade, a medida é bem menos severa ao emitente se comparada à execução do título de crédito, pois não envolve atos de agressão ao patrimônio do executado, sendo certo que os órgãos de proteção ao crédito também fazem uso de dados de caráter público da distribuição do Judiciário, referentes a ações executivas, para "negativação" do nome dos executados. Dessarte, como o art. 1º da Lei 9.492/1997, em cláusula aberta, admite o protesto de outros "documentos de dívida" (entenda-se: prova escrita a demonstrar a existência de obrigação pecuniária, líquida, certa e exigível), não há razoabilidade em entender que o protesto, instituto desde a sua origem concebido para protesto cambial, seja imprestável para o protesto facultativo de título de crédito. 7. Recurso especial não provido" (REsp n. 1.124.709/TO, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 18/6/2013, DJe de 1/7/2013 - grifou-se). "PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. SUSPENSÃO DO PROCESSO POR MORTE DA PARTE. NULIDADE RELATIVA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. CHEQUE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO AO BANCO SACADO. COMPROVAÇÃO DE SUSTAÇÃO PELO EMITENTE. SÚMULA 7 DO STJ. 1. A não observância do artigo 265, I, do CPC, que determina a suspensão do processo a partir da morte da parte, enseja apenas nulidade relativa, sendo válidos os atos praticados, desde que não haja prejuízo aos interessados, sendo certo que tal norma visa preservar o interesse particular do espólio e dos herdeiros do falecido. Nessa linha, somente a nulidade que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada, o que não ocorreu no caso sob exame, consoante consignado pelo Tribunal de origem. Precedentes. 2. O cheque tem como característica intrínseca e inafastável a relação fundamental entre o sacador e a instituição bancária ou financeira que lhe seja equiparada, com a qual o emitente mantém contrato que a autorize a dispor de fundos existentes em conta-corrente. 3. Ainda que constando cláusula que dispensa o protesto, tal concessão ao portador não o dispensa de proceder à apresentação do cheque ao banco sacado para pagamento (§ 1º, do art. 50 da Lei 7.357/1985), mesmo porque a verificação da existência de fundos disponíveis, e, pois, também da ausência ou insuficiência de provisão, para todos os efeitos jurídicos, confina-se ao ato-momento da apresentação do cheque ao banco sacado para pagamento (art. 4º, § 1º) ou à câmara de compensação (art. 34). 4. O beneficiário de cheque que não apresenta o título para pagamento, via de regra, vê-se impossibilitado de promover a execução, haja vista a ausência de requisito essencial aos títulos executivos - a exigibilidade -, que somente exsurge com a comprovação da falta de pagamento imotivada, a qual pode ocorrer pelo protesto, por declaração do banco sacado ou da câmara de compensação. 5. Não obstante, no caso concreto, a instância ordinária consignou a existência de provas irrefutáveis acerca da sustação do cheque - entre as quais a declaração de funcionário do banco sacado -, o que impeliu o tomador a ajuizar a execução em virtude da inocuidade da prévia apresentação do título. Incidência da Súmula 7 do STJ. 6. Recurso especial não provido" (REsp n. 1.315.080/GO, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 7/3/2013, DJe de 14/3/2013 - grifou-se) Logo, não merece reparos o acórdão recorrido, incidindo na espécie o enunciado da Súmula nº 568/STJ. Por fim, é incabível a aplicação da multa por litigância de má-fé, pois não se verifica, neste momento, que a parte agravante tenha praticado as condutas previstas no art. 80 do CPC. Ante o exposto, conheço do recurso especial e nego-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 12% (doze por cento) sobre o valor executado, os quais devem ser majorados para o patamar de 15% (quinze por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA