AREsp 2263786 - DECISAO
Rejeitou-se a alegação de prescrição porque, nos autos, há apuração de responsabilidade na esfera criminal e, portanto, aplica-se o art.200 do Código Civil, suspendo-se o curso da prescrição até a sentença definitiva; por envolver matéria fático-probatória, sua reanálise é vedada em recurso especial (Súmula 7/STJ);...
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- Parties
- Agravante: MARCELLA FRAZÃO NOGUEIRA ARRUDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça, Conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial (conhecer Em Parte E Negar Provimento)
- Outcome
- Reconsiderada a decisão de fls. 217/219 (e-STJ); conhecido o agravo e, em novo exame, conhecido em parte o recurso especial e, nessa extensão, negado provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Prescrição, Responsabilidade Civil, Suspensão Da Prescrição, Prejudicialidade Penal, Honorários Advocatícios, Fundamentação De Decisões
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Parties
MARCELLA FRAZÃO NOGUEIRA ARRUDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça, Conhecimento E Julgamento Do Recurso Especial (conhecer Em Parte E Negar Provimento)
Legal Issues
- 1 Incidência do art.200 do Código Civil (suspensão da prescrição quando o fato deva ser apurado no juízo criminal)
- 2 Aplicação do prazo prescricional trienal (art.206, §3º, V, do Código Civil)
- 3 Independência entre as esferas cível e penal (art.935 do Código Civil)
Ratio Decidendi
Rejeitou-se a alegação de prescrição porque, nos autos, há apuração de responsabilidade na esfera criminal e, portanto, aplica-se o art.200 do Código Civil, suspendo-se o curso da prescrição até a sentença definitiva; por envolver matéria fático-probatória, sua reanálise é vedada em recurso especial (Súmula 7/STJ); ademais, a recorrente não especificou de que forma o acórdão contrariou o art.372 do CPC, demonstrando deficiência de fundamentação recursal, razão pela qual o recurso foi conhecido em parte e negado provimento, majorando-se os honorários sucumbenciais para 15%.
Court Disposition
Reconsiderada a decisão de fls. 217/219 (e-STJ); conhecido o agravo e, em novo exame, conhecido em parte o recurso especial e, nessa extensão, negado provimento ao recurso especial.
Orders
- Reconsiderar a decisão de fls. 217/219 (e-STJ) e conhecer do agravo em recurso especial
- Conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por MARCELLA FRAZÃO NOGUEIRA ARRUDA, contra a decisão da Presidência deste Superior Tribunal de Justiça (fls. 217/219 e-STJ) que não conheceu do agravo em recurso especial devido à ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados conforme a decisão de fls. 233/234 e-STJ. Em suas razões, a parte agravante assevera que realizou a contestação de todos os fundamentos da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça. Não houve oposição ao agravo interno. É o relatório. DECIDO. Em virtude dos argumentos expostos pela parte agravante, reconsidera-se a decisão de fls. 217/219 (e-STJ) e passa-se à análise do apelo nobre, haja vista se encontrarem preenchidos os requisitos de admissibilidade do agravo em recurso especial. Trata-se de recurso especial, fundamentado no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, interposto contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO assim ementado (fl. 127 e-STJ): "APELAÇÃO CÍVEL Interposição contra sentença que julgou parcialmente procedente ação de indenização por danos morais. Preliminar afastada. Provas dos autos que corroboram com a versão apresentada pelo autor na exordial. Ato ilícito cometido pelo réu. Dano moral caracterizado. Indenização fixada em patamar razoável. Honorários advocatícios majorados nos termos do artigo 85, § 11º, do Código de Processo Civil/2015. Sentença mantida. Apelação não provida." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 139/142 e-STJ). No recurso especial, a recorrente aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 200, 206, § 3º, inciso V e 935, todos do Código Civil, ao fundamento de que a pretensão da parte autora está prescrita. Assevera que não ocorreu a suspensão do prazo prescricional, porquanto, ao contrário do entendimento do Tribunal de Justiça de origem, a presente ação civil não depende de fato que deve ser apurado no juízo criminal. Aduz que afastada a suspensão da prescrição, há de se reconhecer a prescrição trienal prevista no Código Civil. Por fim, sustenta contrariedade ao artigo 372, do Código de Processo Civil, sob o argumento de que a decisão colegiada não possui a devida fundamentação. Contrarrazões às fls. 179/189 (e-STJ). A insurgência não merece prosperar. Quanto à suspensão do prazo prescricional, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ao julgar o recurso de apelação, destacou o seguinte (fl. 128 e-STJ): "(..) Primeiramente, não há razão para ser acolhida a tese de prescrição. Dispõe o artigo 206, § 3º, inciso V, do Código Civil que: Prescreve: (..) § 3º Em três anos: (..) V a pretensão de reparação civil. Ainda, a despeito da independência da responsabilidade civil ante a penal, estabelece o artigo 200 do Código Civil que Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não ocorrerá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva. No presente caso, vê-se que restou apurada responsabilidade na esfera criminal, através de ação penal, passando a correr o prazo prescricional da sentença definitiva que dela sobrevenha, sendo suficiente a hipótese de prejudicialidade para sustar o curso do lapso prescricional. Embora o fato tenha ocorrido em agosto de 2015, é certo que a ação penal, sentenciada em setembro de 2018, condenando a ré, ora apelante, sequer transitou em julgado. Por sua vez, a presente demanda cível foi ajuizada em 13 de agosto de 2020, certamente não transcorrendo o lapso prescricional trienal."(grifou-se). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados sob os seguintes fundamentos (fls. 140/141 e-STJ): "(..) Restou devidamente esclarecido no aresto combatido que, apurada a responsabilidade na esfera criminal, através de ação penal, passou a correr o prazo prescricional a partir da sentença definitiva que dela sobreveio, sendo suficiente a hipótese de prejudicialidade para sustar o curso do lapso prescricional." Verifica-se, portanto, que o posicionamento do Tribunal de Justiça de origem não merece reparos. Consoante a orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça, incidirá a causa obstativa da prescrição prevista no artigo 200, do Código Civil, quando a demonstração da culpa por parte do causador do dano deva ser apurada em processo criminal. Nesse sentido: "CIVIL E PROCESSO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. INJÚRIA RELIGIOSA E RACIAL. AÇÃO PENAL. CAUSA IMPEDITIVA DA PRESCRIÇÃO. ART.200 DO CC/2002. OCORRÊNCIA. 1. Ação ajuizada em 29/05/2013. Recurso Especial interposto em 20/05/2015 e atribuído a este Gabinete em 25/08/2016. 2. O propósito recursal consiste em determinar a legalidade na decretação da prescrição da pretensão de reparação dos danos morais suportados pelas recorrentes, considerando que o mesmo evento danoso pode ser compreendido como um fato típico e, portanto, crime, o que interromperia o prazo prescricional, nos termos do disposto no art. 200 do CC/2002. 3. O comando do art. 200 do CC/02 incide quando houver relação de prejudicialidade entre as esferas cível e penal, isto é, quando a conduta originar-se de fato também a ser apurado no juízo criminal, sendo fundamental a existência de ação penal em curso ou ao menos inquérito policial em trâmite. 4. Não é possível afastar a aplicação do art. 200 do CC/2002 em hipóteses que envolvam, além do pedido de indenização, discussões relacionadas à existência de responsabilidade solidária entre o autor da ofensa e aquele que consta no polo passivo da controvérsia, em razão da relação de preposto. 5. Recurso especial conhecido e provido." (REsp 1.704.525/AP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/12/2017, DJe 18/12/2017). Soma-se a isso, o fato de que há entendimento no âmbito da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que desde que haja a efetiva instauração do inquérito penal ou da ação penal, o lesado pode optar por ajuizar a ação reparatória cível antecipadamente, ante o princípio da independência das instâncias (art. 935 do CC/2002), ou por aguardar a resolução da questão no âmbito criminal, hipótese em que o início do prazo prescricional é postergado, nos termos do art. 200 do CC/2002. Ademais, rever as conclusões do acórdão recorrido acerca da existência de relação de prejudicialidade concreta entre ação penal na origem e o exercício da pretensão reparatória do autor demandaria o exame de matéria fático-probatória que sequer consta dos autos, o que é vedado em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. A propósito: "RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO PENAL. ART. 200 DO CC/2002. INCIDÊNCIA. PRAZOS PRESCRICIONAIS DO CC/2002. ART. 2.028 DO CC/2002. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. INEXISTÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, o art. 200 do CC/2002 somente é afastado quando, nas instâncias ordinárias, ficou consignada a inexistência de relação de prejudicialidade entre as searas cível e criminal ou quando não houve a instauração de inquérito policial ou de ação penal. 2. Em se tratando de responsabilidade civil ex delicto, o exercício do direito subjetivo da vítima à reparação dos danos sofridos somente se torna plenamente viável quando não pairam dúvidas acerca do contexto em que foi praticado o ato ilícito, sobretudo no que diz respeito à definição cabal da autoria, que é objeto de apuração concomitante no âmbito criminal. 3. Desde que haja a efetiva instauração do inquérito penal ou da ação penal, o lesado pode optar por ajuizar a ação reparatória cível antecipadamente, ante o princípio da independência das instâncias (art. 935 do CC/2002), ou por aguardar a resolução da questão no âmbito criminal, hipótese em que o início do prazo prescricional é postergado, nos termos do art. 200 do CC/2002. 4. A incidência do prazo prescricional previsto no CC/2002, por força da interpretação sistemática do seu art. 2.028, significa a aplicação do regime do diploma corrente, o que inclui a quantificação numérica do lapso prescricional em dias, meses ou anos, bem como sua forma de contagem, seu termo inicial ou suas causas suspensivas e interruptivas. 5. Inexiste violação de ato jurídico perfeito ou do princípio "tempus regit actum" em decorrência da aplicação da lei nova, haja vista que a incidência do art. 200 do CC/2002 posterga o próprio início do prazo prescricional e, antes que este tenha decorrido por inteiro, o prescribente possui mera expectativa de direito à prescrição, não direito adquirido. 6. A divergência jurisprudencial com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional, nos termos do Código de Processo Civil de 1973 e do Regimento Interno desta Corte, exige comprovação e demonstração da similitude fática entre os casos apontados, o que não ocorreu na hipótese. 7. Rever as conclusões do acórdão recorrido acerca da existência de relação de prejudicialidade concreta entre o inquérito penal arquivado na origem e o exercício da pretensão reparatória do autor demandaria o exame de matéria fático-probatória que sequer consta dos autos, o que é vedado em recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. 8. Recurso especial não provido." (REsp n. 1.631.870/SE, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 10/10/2017, DJe de 24/10/2017 - grifou-se). Por fim, quanto à contrariedade ao artigo 372, do Código de Processo Civil, a deficiência na fundamentação recursal ficou evidenciada, visto que a parte recorrente, apesar de indicar o dispositivo como malferido, não especificou de que forma eles teriam sido contrariados pelo acórdão recorrido, inviabilizando a compreensão da controvérsia posta nos autos. Assim, incide, por analogia, a Súmula nº 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Confira-se: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. TEORIA DA ASSERÇÃO. INICIAL. ANÁLISE. SÚMULA Nº 83/STJ. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIÊNCIA. SÚMULAS NºS 283 E 284/STF. ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, as condições da ação, aí incluída a legitimidade, devem ser aferidas com base na teoria da asserção, isto é, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Súmula nº 83/STJ. 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, dos dispositivos apontados como violados no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. As questões de ordem pública, embora passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do recurso especial, do requisito do prequestionamento. 5. Na hipótese, apesar de apontar o malferimento à legislação federal, o apelo extremo foi incapaz de evidenciar as ofensas aos dispositivos legais invocados. Nesse contexto, a fundamentação recursal é absolutamente deficiente, o que atrai a incidência dos óbices contidos nas Súmulas nºs 283 e 284/STF. 6. A Segunda Seção decidiu que a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, pois não se trata de mera decorrência lógica da rejeição do agravo interno. Precedente. 7. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.818.651/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - grifou-se). "AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RENOVATÓRIA DE ALUGUEL. OMISSÃO. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 85, § 2º, DO CPC. PROVEITO ECONÔMICO. PARCIAL PROVIMENTO. 1. O Tribunal de origem dirimiu fundamentadamente a controvérsia, sem incorrer em omissão, obscuridade, contradição ou erro material. 2. A ausência de prequestionamento impede o conhecimento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula n. 211 do STJ. 3. É deficiente a argumentação do recurso especial que se sustenta em dispositivo de lei que não contém comando normativo capaz de infirmar os fundamentos do acórdão recorrido. Incidência da Súmula n. 284 do STF. 4. A Corte Especial, no julgamento do Tema Repetitivo 1076 (relator Ministro Og Fernandes, DJe de 31/5/2022), firmou entendimento no sentido de que "apenas se admite arbitramento de honorários por equidade quando, havendo ou não condenação: (a) o proveito econômico obtido pelo vencedor for inestimável ou irrisório; ou (b) o valor da causa for muito baixo", hipóteses que não se configuram na espécie. 5. A verba honorária referente a ação renovatória de aluguel julgada parcialmente procedente deve incidir sobre a diferença entre o valor do aluguel na data da citação e o novo valor fixado na sentença, quantia a ser multiplicada pelo período de vigência da renovação da locação, pois esse montante reflete objetivamente o proveito econômico obtido pela parte. 6. Agravo interno parcialmente provido." (AgInt no AREsp 2.103.614/RJ, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 12/12/2022, DJe de 16/12/2022 - grifou-se). Ante o exposto, reconsidero a decisão de fls. 217/219 (e-STJ) e, em novo exame, conhecer do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 12% (doze por cento) sobre o valor da condenação, os quais devem ser majorados para o patamar de 15% (quinze por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA