AREsp 2532612 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a alegação de prescrição depende de prova sobre a data de entrega da declaração (que consta de forma controvertida nos autos) e sua análise exigiria dilação probatória e reexame do acervo fático-probatório, além de deficiência na impugnação...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CALCADOS BARRA 22 LTDA; Agravado: União Fazenda Nacional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Prescrição, Certidão De Dívida Ativa (cda), Exceção De Pré Executividade, Recurso Especial, Dilação Probatória, Súmula 284 STF, Súmula 7 STJ
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CALCADOS BARRA 22 LTDA
Agravante
União Fazenda Nacional
Agravado
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Início do prazo prescricional para cobrança de créditos tributários (art. 174 do CTN)
- 2 Validade da presunção de liquidez e certeza da CDA
- 3 Possibilidade de análise da prescrição por exceção de pré-executividade sem dilação probatória
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a alegação de prescrição depende de prova sobre a data de entrega da declaração (que consta de forma controvertida nos autos) e sua análise exigiria dilação probatória e reexame do acervo fático-probatório, além de deficiência na impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido, incidindo os óbices das Súmulas 284/STF e 7/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CALCADOS BARRA 22 LTDA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. NECESSIDADE. Quanto à controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 174 do CTN, no que concerne ao reconhecimento de que o prazo prescricional para cobrança das CDA"s transcorreu antes que a execução fiscal fosse ajuizada, uma vez que houve a constituição do crédito tributário na data de vencimento do tributo em 2015, inexistindo declaração substitutiva entregue pela executada em 2019 que altere a data da constituição definitiva para afastar a prescrição, trazendo a seguinte argumentação: O julgador alega ausência de documentos que comprovem a entrega de documentos que instruam a EPE, ressalta-se que na exordial, a própria União comprova que a ocorrência da prescrição conforme documento abaixo apresentado. Na ação em epígrafe, verifica-se que a Execução Fiscal foi ajuizada em 20/09/2021, sendo certo que os débitos inscritos na CDA 70 4 20 024347-88, venceram em 2015, ou seja, passaram-se seis anos sem que a União Fazenda Nacional tenha promovido ação para satisfazer os débitos (fl. 153). Em regra, o início da contagem do prazo prescricional é o momento em que se constitui definitivamente o crédito tributário, podendo variar conforme a modalidade em que se realiza o lançamento do tributo, que são, por homologação ou por ofício. Frise-se que, no caso dos autos, os créditos inscritos na CDA nº 70 4 20 024347-88, referente ao Simples Nacional, apesar de terem sido apurados, não foram recolhidos pelo contribuinte. A constituição definitiva dos créditos, se deu com o vencimento exação, logo, neste momento iniciou o prazo prescricional. Neste sentido, o Código Tributário Nacional, dispõe sobre o prazo prescricional da ação para executar os créditos tributários. Conforme dispõe o artigo 174 do Código Tributário Nacional, a ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, a partir de sua constituição definitiva, vejamos: .. . Diante do exposto, a violação do artigo 174 do Código Tributário Nacional é nítida, uma vez que em observância a Lei Infraconstitucional e a data de constituição do crédito, não há razão para afastar a prescrição (fl. 154). Observando o documento acima, verifica-se a incoerência na informação, tendo em vista que a CDA traz uma data de vencimento, o que supõe a entrega de declaração no prazo, ou seja, em 2015, e após, apresenta documento diverso que informa que a declaração se deu quase 5 anos depois do período de apuração do crédito. 23. É de suma importância salientar, que embora fosse considerado que a União Fazenda Nacional tivesse apresentado uma declaração substitutiva, não haveria data de vencimento para o pagamento do tributo declarado posteriormente. Registra-se que inexiste nos autos, qualquer documento que comprove a entrega de declaração substitutiva. 24. Diante disto, o argumento sustentado pela União Fazenda Nacional, carece de credibilidade, uma vez que o anexo trazido no evento nº 1 é contraditório. Isto, porque além do documento indicar que a data da declaração é a mesma data de referência da prescrição, não há qualquer prova que indica que a declaração supostamente feita em 2019 é substitutiva (fl. 155). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Nos termos do julgado acima transcrito, o termo a quo para contagem do prazo prescricional é a data do vencimento do crédito ou a partir da entrega da declaração, o que for posterior. No caso em tela, o Executado não instruiu a exceção de pré-executividade com comprovantes relativos à data da entrega da declaração. Sendo assim, inexistindo tal informação nos autos, não poderia o juízo a quo ter considerado que o termo inicial do prazo prescricional seria a data do vencimento do tributo. Nos termos do julgado acima transcrito, o termo a quo para contagem do prazo prescricional é a data do vencimento do crédito ou a partir da entrega da declaração, o que for posterior. No caso em tela, o Executado não instruiu a exceção de pré-executividade com comprovantes relativos à data da entrega da declaração. Sendo assim, inexistindo tal informação nos autos, não poderia o juízo a quo ter considerado que o termo inicial do prazo prescricional seria a data do vencimento do tributo. É importante ressaltar, também, que, uma vez que a CDA em cobrança expressamente consigna que os créditos foram constituídos por declaração, caberia ao executado trazer aos autos todos os elementos com vistas à análise da prescrição alegada, viabilizando ao Juízo o cotejo do tema pela limitada via da exceção de pré-executividade. Não o fazendo, se mostra inadequado o conhecimento da matéria na referida via. .. Deste modo, não se podendo concluir com segurança a respeito da extinção do crédito, deve prevalecer a presunção de liquidez e certeza que goza a CDA, restando ao agravado questionar o título na via dos Embargos à Execução, onde poderá produzir as provas necessárias para comprovar suas alegações trazidas na exceção de pré-executividade .. Assim, uma vez que não há nos autos elementos suficientes para concluir a respeito da alegação da prescrição, ao revés, a União trouxe elementos que indicam que os créditos foram constituídos por declaração entregue em 2019, sua análise, na espécie, demanda dilação probatória (fl. 87). A data de referência da prescrição que consta no Evento 01 - Anexo 02 - fl. 03 é o termo inicial da prescrição, que se dá com a entrega da declaração. Cuida-se exatamente o marco referencial para a contagem do prazo prescricional, que se iniciou na data da declaração, porquanto posterior à data do pagamento. Em outras palavras, tal informação não correspondente ao termo final, mas sim ao termo inicial do prazo prescricional (fl. 132). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA