AREsp 2474584 - DECISAO
Por serem aplicáveis os fundamentos do Tema 1.109 dos recursos repetitivos, firmou‑se que o reconhecimento administrativo de direito não configura renúncia tácita à prescrição nos termos do art. 191 do Código Civil na ausência de lei autorizadora, razão pela qual os autos devem ser devolvidos ao Tribunal de origem...
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- Parties
- Recorrente: recorrente; Apelada: União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade E Remessa Ao Tribunal De Origem Nos Termos Do Art. 256‑l/ RISTJ
- Outcome
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para aplicação do Tema 1.109/STJ e juízo de retratação ou negativa de seguimento ao recurso especial conforme o entendimento do STJ.
- Legal Topics
- Prescrição, Renúncia Tácita À Prescrição, Reconhecimento Administrativo Do Direito, Recursos Repetitivos (tema 1.109), Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
recorrente
Recorrente
União
Apelada
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade E Remessa Ao Tribunal De Origem Nos Termos Do Art. 256‑l/ RISTJ
Legal Issues
- 1 ocorrência de renúncia tácita da prescrição por parte da Administração Pública
- 2 aplicabilidade do art. 191 do Código Civil no caso de reconhecimento administrativo de direito
- 3 incidência do Tema 1.109 dos recursos repetitivos do STJ
Ratio Decidendi
Por serem aplicáveis os fundamentos do Tema 1.109 dos recursos repetitivos, firmou‑se que o reconhecimento administrativo de direito não configura renúncia tácita à prescrição nos termos do art. 191 do Código Civil na ausência de lei autorizadora, razão pela qual os autos devem ser devolvidos ao Tribunal de origem para que verifique conformidade do acórdão recorrido com o entendimento do STJ e, se necessário, proceda ao juízo de retratação ou negue seguimento ao recurso especial.
Court Disposition
Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para aplicação do Tema 1.109/STJ e juízo de retratação ou negativa de seguimento ao recurso especial conforme o entendimento do STJ.
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem pelo Tema n. 1109, nos termos do art. 256‑L, II, do RISTJ.
- Ordena‑se que, em observância aos arts. 1.030 e 1.040 do CPC, o Tribunal de origem: a) negue seguimento ao recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o entendimento do STJ; b) encaminhe os autos ao órgão julgador para realização do juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do...
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial, face a incidência da S mula 7/STJ. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão, assim ementado (fls. 179): CIVIL. PROCESSO CIVIL. MILITAR. APOSENTADORIA. LICENÇA ESPECIAL. PRESCRIÇÃO. APELAÇÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Não prospera o argumento de renúncia tácita à prescrição pela União, em decorrência da publicação da Portaria Normativa nº 31/GM-MD, em 24/05/2018, vez que no próprio ato normativo há disposição expressa quanto à prescrição quinquenal. 2. No caso dos autos, a transferência do recorrente à reserva se deu em 08 de agosto de 2006. 3. Considerando-se que o ajuizamento da presente ação se deu apenas em 13 de novembro de 2009, houve o transcurso integral do prazo prescricional, pelo que deve a sentença ser mantida integralmente. 4. Apelação a que se nega provimento. No recurso especial o recorrente alega, além do dissídio jursprudencial, ofensa aos artigos 191 do Codigo Civil, porquanto "deve ser considerado marco inicial da contagem do prazo prescricional a data em que o apelante teve a efetiva ciência da possibilidade de conversão em pecúnia das licenças não usufruídas, por meio da Portaria nº 1.087, publicada em 13/07/2018; (II) a edição e superveniência da Portaria Normativa nº 31/GM-MD/2018 consubstancia a renúncia à prescrição do fundo de direito, nos termos do art. 191 do CC". Com contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. Consigne-se inicialmente que o recurso foi interposto contra decisão publicada na vigência do Código de Processo Civil de 2015, devendo ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele previsto, conforme Enunciado Administrativo n. 3/2016/STJ. Tendo a parte insurgente impugnado os fundamentos da decisão agravada, passo ao exame do recurso especial. Na hipótese, observa-se que o caso dos autos se refere a incidência da prescrição, e sua renúncia, quando havido reconhecimento administrativo do direito. Essa temática foi objeto de afetação e julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio do Tema 1.109 dos recursos repetitivos, assim delimitado: TEMA 1.109: "Definição acerca da ocorrência, ou não, de renúncia tácita da prescrição, como prevista no art. 191 do Código Civil, quando a Administração Pública, no caso concreto, reconhece o direito pleiteado pelo interessado". Do referido julgamento, extrai-se a seguinte ementa: DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. TEMA 1.109. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. REVISÃO ADMINISTRATIVA DEFLAGRADA DEPOIS DE TRANSCORRIDOS MAIS DE CINCO ANOS DESDE O ATO DE APOSENTAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO À CONTAGEM DE TEMPO ESPECIAL COM REFLEXO FINANCEIRO FAVORÁVEL AO APOSENTADO. REALINHAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL AO QUANTO DECIDIDO PELO TCU NO ACÓRDÃO N. 2008/2006 (CONFORME ORIENTAÇÕES NORMATIVAS 3 E 7, DE 2007, DO MPOG). PRETENSÃO DA PARTE APOSENTADA EM RECEBER AS RESPECTIVAS DIFERENÇAS DESDE A DATA DA APOSENTAÇÃO, E NÃO SOMENTE A CONTAR DA EDIÇÃO DO ACÓRDÃO DO TCU (2006). IMPOSSIBILIDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO QUE NÃO IMPLICOU RENÚNCIA TÁCITA À PRESCRIÇÃO POR PARTE DA ADMINISTRAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 191 DO CÓDIGO CIVIL NA ESPÉCIE. REGIME JURÍDICO-ADMINISTRATIVO DE DIREITO PÚBLICO QUE EXIGE LEI AUTORIZATIVA PRÓPRIA PARA FINS DE RENÚNCIA À PRESCRIÇÃO JÁ CONSUMADA EM FAVOR DA ADMINISTRAÇÃO. 1. O Tema Repetitivo n. 1.109 teve sua afetação assim delimitada: "Definição acerca da ocorrência, ou não, de renúncia tácita da prescrição, como prevista no art. 191 do Código Civil, quando a Administração Pública, no caso concreto, reconhece o direito pleiteado pelo interessado". 2. A revisão administrativa que promova a adoção de entendimento mais favorável ao administrado, em observância aos princípios da igualdade e da segurança jurídica, não se caracteriza como renúncia, tácita ou expressa, à prescrição já consumada em favor da Administração Pública, máxime com vistas à pretendida produção de efeitos financeiros retroativos à data do ato concessivo da aposentadoria da parte autora, à míngua de lei nesse sentido. Inaplicabilidade do art. 191 do Código Civil na espécie. 3. Em respeito ao princípio da deferência administrativa, o agir administrativo transigente, pautado na atuação conforme a lei e o direito, segundo padrões éticos de probidade e boa-fé, deve ser prestigiado pela jurisdição, sinalizando, assim, favoravelmente a que os órgãos administrativos tomadores de decisão sempre tenham em seu horizonte a boa prática da busca de soluções extrajudiciais uniformes, desestimulando, com isso, a litigiosidade com os administrados. 4. Nesse sentido, destaca-se orientação doutrinária segundo a qual " os tribunais também desestimulam a solução extrajudicial quando conferem à Administração transigente, que reconhece administrativamente direitos, tratamento até mais gravoso do que aquele que lhe seria conferido em caso de intransigência." (Luciano, Pablo Bezerra. In A renúncia tácita à prescrição pelo Poder Público. Revista Consultor Jurídico, 11 fev. 2002). 5. TESE REPETITIVA: Não ocorre renúncia tácita à prescrição (art. 191 do Código Civil), a ensejar o pagamento retroativo de parcelas anteriores à mudança de orientação jurídica, quando a Administração Pública, inexistindo lei que, no caso concreto, autorize a mencionada retroação, reconhece administrativamente o direito pleiteado pelo interessado. 6. RESOLUÇÃO DO CASO CONCRETO: 6.1. Em razão de nova interpretação jurídica decorrente do Acórdão TCU n. 2008/2006 (superação da Súmula n. 245/TCU), a Administração Pública reconheceu administrativamente o direito de servidora aposentada à contagem de tempo especial (serviço insalubre) prestado no serviço público, mas em regime celetista, até ao advento do Regime Jurídico Único (Lei n. 8.112/90), com os correspondentes reflexos financeiros, retificando e, com isso, majorando seus proventos (a contar de 6/11/2006, data da publicação do referido acórdão do TCU, observada a prescrição quinquenal, marcada pelo requerimento administrativo datado de outubro de 2016). 6.2. Nada obstante a Administração Pública tenha reconhecido a produção de efeitos financeiros prospectivos, isto é, a partir da nova interpretação jurídica conferida pelo acórdão do TCU, a decisão judicial ora recorrida qualificou a sobredita revisão administrativa como sendo caso de renúncia tácita à prescrição, condenando a União ao pagamento retroativo de diferenças vencimentais desde a data do ato de jubilação da parte autora (2/5/1995), ou seja, em desalinho com a tese firmada no presente repetitivo. 6.3. Recurso especial da União conhecido em parte e, nessa extensão, parcialmente provido. (REsp n. 1.925.192/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 13/9/2023, DJe de 2/10/2023.) Ante o exposto, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem pelo Tema n. 1109, nos termos do art. 256-L, II, do RISTJ, para que, em observância aos arts. 1.030 e 1.040 do CPC: a) negue seguimento ao recurso especial se o acórdão recorrido estiver em conformidade com o entendimento do STJ; b) encaminhe os autos ao órgão julgador para realização do juízo de retratação se o acórdão recorrido divergir do entendimento do STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA